Lúcifer - a Casa da Rua Philgert
16 Capítulo dezesseis
Claridade, muita claridade. Pela sala onde eu e Phillipi estavamos, caminhos de sangue o chão.
Era tudo muito novo para mim. Eu estava enxergando melhor, sentindo melhor. Meus sentidos estavam completamente aguçados. Phillipi me olha deslumbrado, como se eu fosse uma deusa ou algo do tipo.
Olhei em volta mais uma vez. Olhei para meu própio corpo. Aquela não era eu. Essa coisa que o Phillipi enjetou em mim me fez mudar. Com algumas lágrimas nos olhos, perguntei.
- O que fez comigo?
Phillipi não respondeu, apenas continou a me olhar. Eu não estava entendendo nada mesmo. Senti uma dor horrível na minha cabeça. Meu Deus, eu estava nua!
- Onde estão minhas roupas? — Perguntei.
Phillipi abriu uma mala, e de lá retirou um enorme vestido branco. O vesti, seria a única coisa que teria para usar mesmo.
- Phillipi, por favor, me explique... — Pedi mais uma vez. Phillipi se encostou numa parede, e começou a falar.
- Não poderei esconder isso de você. Lembra a história da minha esposa que morreu? — Concordei com a cabeça. — Bem, quando soube que você era a reencarnação dela, não pude deixar de ficar feliz. Finalmente, ela iria retornar. Quando eu era pequeno, meus pais não me colocaram em um orfanato. Eles me mataram. Me torturaram até a morte. Eu não poderia deixar por menos. Meu espirito vagava pela terra, em busca de um corpo para eu poder usar. Matei muita gente, Marie. A cada 5 anos, eu trocava de corpo. Matava u usava o corpo da minha vitima. Esse é o punico jeito de permanecer jovem ao longo dos anos. Há 2, venho utilizando esse corpo. — Phillipi apontou para si mesmo. — Eu sabia que você iria renascer. Durante 1 anos procurei saber tudo sobre você. Onde morava, com quem saía, as coisas que gostava... Descobri o máximo que pude. Virei professor da sua escola, só para poder me aproximar de você. Este lugar, assim como o prédio em que estávamos, eram dos meus pais. Esta corrente que está em seu pescoço era de minha esposa. Você não imagina o poder que ela tem. E eu não podia deixar essa chance escapar. Preparei tudo. Eu obriguei você a matar seu pai. À propósito, sua mãe está morta. — Senti como se estivessem me esfaqueando por dentro. — Eu tive que fazer isso, era o único jeito de te fazer acreditar em mim. Invetei em você o DNA de minha esposa, e agora você tem uma parte dela que vive dentro de você. Claro que não é qualquer parte. O que eu busco, Marie, é vingança. Vingança por terem matado minha esposa, vingança por terem me torturado. Sua maldita cidade acabou comigo. Odeio todos eles.- Ele estava praticamente gritando. — Vou acabar com todos, e ficaremos juntos, você e eu, pra sempre. — Ele se aproximou de mim. O empurrei.
- Vocês ficarão juntos, não é, Phillipi? Você e sua preciosa esposa. — Eu disse.
- Marie, nunca duvide do meu amor por você. — Ele disse.
- Amor? Que amor, Phillipi? Sou a reencarnação da sua esposa, você não sente nada por mim, Marie! — Eu gritava.
- Eu amo você, sim! Minha esposa escolheu seu corpo pra reencarnar por algum motivo, e não é um motivo bobo. Se ela te escolheu, é porque você é a pessoa certa. — Ele disse, se aproximando novamente de mim.
- Vingança. Você vai destruir a vida de pessoas inocentes apenas por uma vingança estúpida? — Perguntei, olhando diretemante em seus olhos.
- Não apenas vingança, Marie. Matar é um prazer para mim. — Ele sorria. — Agora, temos que voltar. — Ele me segurou e injetou alguma coisa em meu pescoço, outra vez. Não me lembro de mais nada.
Acordei numa cama, claro. Era uma cama conhecida. Era a cama da casa. Da casa do final da rua. Rua Philgert. Uau.
Olhei em volta — tudo parecia normal. Phillipi não estava ali, e isso não me importava agora. Olhei no espelho, e a mesma imagem me encarava de volta: uma mulher sem vida. Eu estava bonita, mas não era bem eu. Havia algo diferente em meu olhar. Senti aquela ardência na garganta começar a voltar. Tinha que sair, só não sabia para onde.
Desci as escadas da casa, indo diretamente para a porta. Quando consegui sair, cheirei o ar. Um cheiro doce tomava conta do ar. O segui.
Havia essa rua, e havia esse carro estacionado do outro lado. Encostado nele, havia um meninho. Era um garotinho simples, mas bastante bonito. Tinha a pele branquinha e os cabelos louros. O seu cheiro estava cada vez mais forte. Me aproximei dele.
- Olá. — Eu disse.
- Olá. — Ele respondeu, sorrindo.
- Está perdido? — Perguntei.
- Sim, mamãe me abandonou aqui e eu não sei o caminho de volta para casa. — Ele disse, passando as mãozinhas no olhos vermelhos.
- Quantos anos têm? Perguntei, inalando seu cheiro delicioso.
- Quatro. — Eles respondeu, olhando assustado para mim.
- Venha, vou te ajudar. — Eu disse, estendendo a mão para ele. Ele a pegou.
O levei para um beco. Não sabia o que eu estava fazendo, era uma coisa automática. O cheiro que vinha dele era muito bom.
- Moça, o que está fazendo? — Ele perguntou quando percebeu que eu estava próxima demais dele.
Eu não aguentei mais. Em segundos, quebrei seu pescoço. Eu precisava daquilo. Comecei a comer sua carne. Não sei como, mas eu estava comendo. Era tão bom. O gosto era ainda melhor que o cheiro. O chão estava completamente cheio de sangue, e meu vestido também. Sua carcaça estava ao meu lado, e eu já estava satisfeita.
Phillipi apareceu logo, batendo palmas. Segurou minha mão e passou um dedo em minha boca suja de sangue. Em seguida, o colocou na boca, sorrindo.
- Parabéns, meu amor. — Ele disse, afagando meu cabelo.
Não sei por qual motivo o abracei. Ele me beijou.
Eu podia sentir vários perfumes. O cheiro humano me despertava. Eu queria provar mais.
A partir de hoje, uma carnificina se formaria na cidade.
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