Phillipi passou a última semana me ensinando tudo que eu precisava saber sobre a \"nova eu\". Ele me ensinou a lutar, a ganhar resistência. Phillipi explicou o que eu podia e o que eu não podia fazer. A partir de hoje, nada de comida humana. Phillipi me ajudou a entender os meus novos dons. Eu podia influenciar as pessoas. Sabe, persuasão. Podia sentir se a pessoa estava com medo, ou qualquer outra emoção.

Passei uma semana sem dormir. Eu podia ficar sem dormir, mas não por muito tempo. Eu estava exausta, e Phillipi sempre me dava o que eu precisava para me manter forte: carne humana.

Minha mãe estava morta. Minha antiga eu se sentiria morta por dentro, mas a nova eu não sentia nada. Para mim, tanto faz.

Jenny ligava pro meu celular direto. Mandava mensagens, perguntando porque eu não estava indo à escola. Eu nunca respondia. Ordens de Phillipi.

Quando os sete dias — que mais pareciam sete anos — acabaram, eu me senti na obrigação de sair. Eu precisava de ar, precisava olhar as pessoas. Mas Phillipi me disse que eu não poderia nunca sair de dia. Para o resto da cidade, eu havia desaparecido.

Eu saía de noite, somente acompanhada por Phillipi. Quando saía, era pra me alimentar. Phillipi me ensinava o jeito certo de conversar, enganar e matar minhas vítimas. Normalmente, eram pessoas da noite. Eu matava qualquer um, homens e mulheres, crianças e idosos.

Eu estava cansada. Nos notíciarios, a carnificina que se formava na cidade era a principal noticia. Eu e Phillipi estavamos morando naquela casa. Phillipi me contava várias coisas sobre ele. Ele estava diferente comigo. Ele cuidava de mim, sempre me alertando das coisas. Ele estava me ajudando bastante.

Viajavamos para vários lugares. Estados Unidos, Paris, Italia, Índia, China. Todo o lugar que ele me mostrava tinha uma história pra contar. Eu estava me divertindo, pela primeira vez depois que virei... bem, depois que me tornei o que sou agora.

Eu matava. Matava sem piedade. Sentia prazer em ver minhas vitimas implorando para não que eu não as matasse. No fundo, eu sentia um certo incomodo, porque eu era humana. Era, não sou mais.

Eu estava completamente mudada. Em um mês, mudei completamente meu visual. Continuava com os cabelos longos e ondulados, mas mudei minhas roupas. Eu usava roupas bastante delicadas. Eram antigas, sim. Mas eram lindas. Phillipi dizia que eu era uma doce assassina. Ninguém desconfiaria de mim, ninguém.

Assassinatos por toda a parte. Policiais procurando o assassino. Era um horror. A cidade estava um caos. Por algum motivo, eu gostava disso. A adrenalina que eu sentia... era tudo tão bom!

Era noite. Eu estava procurando pela minha próxima vitima. Senti um cheiro doce, um cheiro bom. Me senti na obrigação de segui-lo. Ela estava sentada no banco da praça, escrevendo em um caderninho. Ela — a menina — me lembrava alguém. Me esforcei para lembrar de seu nome, e foi quando ela ergueu seu olhar até o meu.

Jenny.