Lúcifer - a Casa da Rua Philgert
4 Capítulo quatro
Naquela noite, não dormi. Não sabia o que fazer com aquela correntinha. Era tudo muito estranho. Primeiro, o professor cego — que parecia enxergar. Depois, a casa, e por último, a correntinha. Claro que eu não estava com medo, mas algo me intrigava.
Fiquei acordada a noite toda até dar o horário de levantar e ir para a escola. Me arrumei, e coloquei a correntinha no bolso. Passei na casa de Jenny e ela me disse que não poderia ir a escola, pois teria pegado uma gripe. Fui sozinha, então.
Já na escola, nem fiquei no pátio. Subi as escadas e fui para minha sala. Sentei na última carteira da primeira fileira, e ali, esperei a chegada do professor. Abri meu caderno para ver qual seria a primeira matéria. História.
O sinal tocou. Alguns alunos foram entrando na sala de aula, e já iam se sentando. Dez minutos depois, a sala já estava cheia. O professor chegou. Dez minutos de atraso, assim como na aula anterior.
- Bom dia. — Ele disse, sem emoção alguma.
- Bom dia. — Responderam alguns alunos. Eu não.
Ele colocou o material em sua mesa, e passou a entregar as atividades, carteira por carteira. Ele parecia saber de quem eram cada atividade, porque, quando chegou em mim, dei uma folheada no monte de papéis, até achar o meu.
— Marie Munni. — Disse, sorrindo, e entregou-me o papel. Dez.
Não consegui deixar de sorrir. Para mim, tirar dez era fácil, mas não sei bem porque, fiquei feliz por ter conseguido mais uma para minha enorme coleção.
O professor terminou de entregar, e começou a explicar mais umas coisas, que seria tema de outra atividade nossa. O sinal tocou, anunciando o término da aula de História. Levantei para entregar os relatórios da aula de hoje para o professor, e deixei cair a correntinha que estava no meu bolso. Droga.
Phillipi olhou para a correntinha, e depois, para mim. Agachei e peguei-a, colocando-a novamente em meu bolso. O professor olhou para mim, levantou, arrumou o monte de papéis, e retirou-se da sala.
A cada dia que passava, ele se tornava mais estranho. Será que ele usava algum tipo de lente para deixar os olhos cinza-leitoso? Pelo amor de Deus, como um cego podia olhar para as coisas daquele jeito?
Eu precisava descobrir a verdade sobre aquele professor. Ele era realmente muito estranho. Fora a correntinha, que continha exatamente nossas iniciais. A retirei do bolso, observando-a. O que estava acontecendo? Resolvi coloca-la no pescoço, e prometi a mim mesma descobrir tudo sobre ela — e sobre Phillipi.
Notas finais
Prometo que o próximo capítulo será mais dramático. Sei que a fic ainda está meio confusa, mas logo algumas de suas perguntas serão esclarecidas. Já tenho a fic montada na minha cabeça, e tenho certeza que os capítulos seguintes irão surpreender.
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