A próxima aula que tivemos foi Educação Fisíca. Odiava exercicios fisícos mais do que qualquer outra coisa. O professor entrou na sala, e já fez sinal para nós o seguir. Chegando na quadra, o professor pediu para nós irmos nos trocar no vestiário. Colocamos a bermuda que vinha junto com o uniforme.

Começamos a jogar Queimada. Eu fiz de tudo para me queimarem, e fui a terceira a sair. Me troquei, e disse para o professor que eu não estava me sentindo bem. Ele pediu que eu fosse até a enfermaria.

Claro que eu não estava passando mal, mas não estava nem um pouco a fim de jogar. Fui para o pátio, onde fiquei até acabar a aula de Educação Fisíca.

Fui para a sala de aula, a próxima aula seria Biologia. O professor de Biologia era muito louco. Começou a contar umas histórias, mas uma delas me prendeu.

- Era uma tarde de Inverno de 1920. Um casal italiano se mudou para Londres. Eles haviam acabado de se casar, e mandaram construír uma casa para eles morarem. No começo, ia tudo bem. A mulher engravidou, e eles estavam felizes. Mas o casal era extremamente preconceituoso. O filho deles nasceu, e ele era cego. O casal automaticamente o abandonaram num orfanato. 15 anos se passaram, e o casal jamais conseguiu engravidar de novo. No dia 14 de Setembro de 1935, houve um terrível acidente. Ah, se foi...

- Que tipo de acidente, professor? — Ouvi Thomas, um aluno que sentava no fundão, sussurrar.

- Um desastre! Ninguém sabe ao certo como foi, mas alguns dizem, que o filho deles retornou, e talvez por vingança, matou os pais biológicos. Encontraram os corpos dez dias depois, mutilados em dez pedaços, espalhados pela casa.

Sempre o número dez.

- E onde fica esta casa, professor? — Thomas sussurrou mais uma vez.

- Rua Philgert. — O professor disse, e sentou-se, rindo. — Claro que isso não passam de boatos, mas dizem que o filho deixou uma única pista. Ele usara, naquela noite, um colar, com a inicial de seu nome. Ninguém nunca encontrou este colar.

Meu mundo desabou. O que eu acabara de ouvir me deixou completamente perdida. Não conseguia agir. Por instinto, coloquei a mão no pescoço, onde permanecia a correntinha.

- Professor, não estou me sentindo bem, vou pra casa. — Disse, já saindo da sala.

O professor não disse nada. Saí da sala correndo, sem nem ao menos olhar para os lados. Esbarrei em alguém. Levantei meu olhar, e vejo ele. Phillipi.

- Pra que tanta pressa, Marie? — Ele disse, me segurando para eu não cair.

- Fique linge de mim! — Disse, gritando, e tentando me afastar dele.

- Calma, Marie. O que você tem, me diz? — Ele insistia.

- Por favor, fique longe de mim. — Disse, mais calma, e conseguindo me libertar dele.

Corri. Corri o mais rápido que pude. Uma grande sombra começou a me cobrir, e depois, não me lembro de mais nada.