Lúcifer - a Casa da Rua Philgert
6 Capítulo seis
Acordei com uma claridade insuportável na minha cara. Olhei ao redor, mas nada fazia sentido. Estava tudo claro demais. Aquela maldita luz estava me cegando. Consegui abrir mais meus olhos, e olhei mais detalhadamente. Era um lugar todo branco. Tudo branco. Os movéis, as paredes, as cortinas, a cama onde eu estava. Espera. Cama? Meu Deus, onde eu estou?
Ouvi passos, e foi quando percebi uma porta, branca, é claro. Ela se abriu, e vejo Phillipi entrando no quarto. É, eu estava mesmo louca.
- Parece que você já está melhor. — Ele disse.
- ONDE EU ESTOU? — Gritei.
- Calma, não precisa surtar! — Ele disse, tapando minha boca. Gritei ainda mais.
- Relaxa, você está segura aqui, não precisa gritar. — Ele disse, tirando sua mão da minha boca.
- Tudo bem, me diga, onde eu estou? — Perguntei, calmamente.
- Na minha casa. — Ele disse, mais calmo do que nunca.
- O quê? — Perguntei, incrédula.
- Minha casa, meu quarto, minha cama. — Ele disse, olhando pra mim com aqueles olhos leitosos.
- Porque estou aqui? Meu Deus! — Gritei outra vez.
- Você desmaiou, daí ligamos para sua mãe, mas ninguém atendeu. Então, trouxe você para minha casa. — Ele explicou.
- Mas minha mãe deve estar morta de preocupação! — Eu disse, desta vez para mim mesma.
- Ela ligou, e então eu disse que você estava dormindo. Não quis te acordar, e prometi que levaria você de volta, assim que despertasse.
- Minha cabeça dói. — Disse, colocando a mão na mesma.
- Você desmaiou e caiu, batendo a cabeça no chão. — Ele disse.
- Ah, não. — Disse, lacrimejando.
- Está chorando? — Ele perguntou.
- Não. — Menti.
Phillipi colocou uma de suas mãos no meu rosto, perto dos meus olhos, e secou uma lágrima que escorria. Olhei para ele, assustada. Ele era muito estranho, mas nada disso importava agora. Esse ato dele, foi extremamente gentil, e eu gostei disso. Ah, que louca que eu era. Estava na casa do meu professor de História, sentada na cama dele. O professor que podia ser o principal suspeito da história do professor de Biologia. Mas espera, não podia ser. O acidente aconteceu na década de 30. Então, Phillipi não poderia ter esses rostinho angelical de apenas uns... 28 anos! Enfim, eu não estava nem aí para isso também.
Phillipi ficou me encarando. Não resisti e perguntei:
- Professor... — Sussurrei — Você realmente... é cego?
- Que pergunta! — Ele disse, sorrindo um pouco. — Claro que sou.
- É que, às vezes, o senhor parece enxergar... Não sei... — Disse, desviando meu olhar do dele.
Ele não disse nada. Permaneceu calado. Meu choro só aumentou, e Phillipi olhou novamente pra mim. Secando mais uma de minhas lágrimas, ele sussurrou:
- Não preciso dos olhos para poder enxergar.
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