Era noite em Londres. Phillipi não me explicou nada, e quer saber? Eu não ligava.

- Phillipi? — O chamei, ainda com certa dúvida.

- Sim? — Ele disse, olhando em meus olhos.

- Vamos sair? — Perguntei, olhando ainda mais profundamente em seus olhos.

- Sair? Onde quer ir? — Ele perguntou.

- Ah, não sei... quem sabe dar uma volta, olhar as coisas ao redor. Não fazemos muito isso. — Eu expliquei.

- Hm... acho que podemos sair, sim. — Ele disse, pensativo.

O abracei. Só eu sabia o quanto queria sair daquele maldito apartamento em que estávamos.

Coloquei um vestido de saia rodada, era azul.

- Vamos. — Disse, o puxando pela mão.

- Calma, minha querida, temos muito tempo. — Ele disse, rindo.

Quando saímos daquele apartamento e eu pude visualizar a rua, as pessoas, eu me emocionei. Não saía de lá desde que cheguei, e já se passara duas semanas. O telefone continuava tocando, mas não atendiamos.

- Ahhhh, que lindo! — Eu disse, soltando de sua mão para cobrir minha boca, tamanha era a surpresa.

- Venha, temos muito para ver. — Ele disse, erguendo meu queixo e segurando em minha mão novamente.

Andamos por toda Londres. Entramos em lojas, e ele comprou roupas para mim, jóias, sapatos, tudo que uma menina tem direito. Me senti completamente realizada.

Paramos num restaurante muito chique, e eu me perguntava de onde ele tirava tanto dinheiro.

Jantamos, quer dizer, eu jantei. Phillipi não comeu muito, apenas o suficiente para se manter de pé, enfim, não sei.

Andamos por todas as ruas possíveis de Londres. As pessoas nos olhavam, principalmente as mulheres.

Phillipi parecia feliz, quer dizer, ele estava feliz. Podia ver escrito em sua testa.

Estávamos nos comportando como um casal normal. Ainda não entendia muito bem minha ligação com Phillipi, e ele não me contava muita coisa. Mas eu realmente não me importava, eu estava com ele, eu amava ele, eu o queria, e nada mais.

Voltamos para casa tarde da noite, ou melhor, era quase de manhã, e eu estava muito cansada.

Tomei um banho. O apartamento em que estávamos era muito grande, na verdade, imenso, mas muito velho. Não sei de quem era, mas devia ser de uma pessoa muito rica.

Coloquei meu pijama, que era um shorts e uma camisetinha, ambos rosinhas. Sentei na cama, e Phillipi estava ao meu lado.

Ele se virou completamente para mim, e começou a passar as mãos em meus cabelos. Ele olhava pra mim de um jeito tão bonito, era como se ele olhasse para a coisa mais preciosa da vida dele. Era óbvio que ele me enxergava, estava mais do que na cara. Talvez ele usasse lentes, e aquilo fosse um disfarce ou coisa parecida. Mas eu também não ligava para isso.

- Marie, você é a coisa mais importante da minha existência. — Ele disse, com os dedos contornando meus lábios, os olhos fixos neles.

- Eu amo você. — Eu disse, fexando os olhos. Phillipi se aproximou e me beijou de uma forma vagarosa. Era bom estar ali, com ele.

O beijo ganhava mais rapidez ao longo dos segundos. ganhava velocidade e mais força. Quando percebi já estavamos nus, e eu por cima, sempre. Simplesmente não resistiamos ao outro.

O telefone tocou. Tocou várias vezes. Quem naquele mundo se importaria com mãe, amigos, familiares preocupados, se naquele momento eu estava com quem eu realmente precisa, com quem eu realmente deveria estar. Quem precisa de mãe, quem precisa de familia, quem precisa de amigos, quando se tem a única coisa que você precisa bem ao seu lado? Eu amava Phillipi, e por ele, faria qualquer coisa. Qualquer coisa.