Não consegui mais dormir. Quando deu o horario para ir para a escola, me arrumei. O passeio seria às 7:00, e voltaríamos às 20:00.

Vesti uma saia rodada, com sapatilha e uma blusa de mangas compridas. Fui para a escola, e cheguei lá uma hora mais cedo. Sentei na calçada, e esperei.

- Bom dia, Marie. — Ele disse, parando a minha frente.

Olhei para cima. Era ele.

Não consegui responder. Ele me fitava.

- Não vai responder? — Ele perguntou, ainda de pé.

- Desculpe. — Foi tudo que eu consegui dizer.

Ele se sentou ao meu lado.

- Como foi sua noite? — Ele perguntou.

Senti meu sangue congelar dentro das minhas veias.

- Foi... normal. — Respondi.

- Hm, normal? — Ele disse.

- É, nada de especial. Apenas... dormi. — Respondi, corando.

- Entendo. — Ele disse, me olhando. — Marie, queria te perguntar uma coisa.

- O que é? — Perguntei, curiosa.

- Não sei bem se devo... — Ele piscou várias vezes. — Mas... você tem namorado?

- Ah. Er, não... não tenho. Por quê? — Perguntei, corando mais uma vez.

- Pensei que tivesse. — Ele disse, desviando o olhar.

Ficamos em silêncio por um tempo indeterminado.

- Professor... — Eu sussurrei.

- Sim? — Ele disse, mais baixo ainda.

- O senhor me disse que não precisa dos olhos para enxergar. Bem, fiquei curiosa. O que quis dizer com isso? — Perguntei, o encarando. Seus olhos leitosos encontraram os meus, e ali permaneceram,

- Eu sofri muito na minha vida, Marie. Nasci completamente cego. Não enxergo absolutamente nada. Mas tenho uma audição espetacular, e meu olfato é ainda melhor. — Ele explicava. — Consigo ver como você é, em minha mente. Ouço sua voz, e imagino como você deve ser. Sinto seu cheiro, e isso ajuda. Só falta uma coisa para eu saber como você é.

- O que? — Perguntei.

Ele se aproximou de mim, chegou bem perto mesmo. Ele tocou minha face. Passou seus dedos gelados por minha pálpebra, e depois pelos meus lábios. Senti seus dedos percorrerem minhas bochechas, e passar pelos meus cabelos. Seus dedos longos foram até meu pescoço, e depois subiram, parando em meu queixo. Fechei os olhos.

- Você é exatamente do jeito que eu sempre imaginei. — Ele sussurrou.

Ele chegou muito mais perto de mim. Seus olhos estavam na altura dos meus e, assim que os abri, pude enxergar sua íris. Ela era de um cinza muito claro. Ele me fitava, olho com olho, boca com boca.

- Professor... — Eu sussurrei.

Ele passava seus dedos em minhas costas, subindo e descendo.

- Phillipi. Alguém pode nos ver.

Ele parou, se afastou um pouco — uns cinco centímetros, talvez — e disse:

- Tem razão. Venha comigo, quero te mostrar uma coisa.

- O quê...? — Perguntei, confusa.

- Confie em mim. — Ele estendeu a mão.

Eu fiquei pensando 3 segundos. Coloquei minha mão na dele. Ele sorriu, e assim seguimos pelas ruas, até chegarmos em uma em especial.

Rua Philgert.

Notas finais
Capítulo curto, porém, muito significativo. Agora a história irá pegar fogo, literalmente rs Gente, agora, estou pedindo reviews. Tipo, só quero saber o que TODOS vocês estão achando da história. Quero mais opiniões, para eu poder me aperfeiçoar cada vez mais! Um beijo.
Bruna Soave