Não me lembro quando e nem como acordei. Só sei que eram seis da manhã, e eu acordei na minha cama, com meu pijama e um cobertor grosso por cima de mim.

Estava frio, muito frio. Levantei e fui tomar um banho. Me arrumei para a escola, e tomei meu café. Estava saindo de casa quando percebi que era sábado. Sábado não havia aula. Uau.

Fui procurar minha mãe, mas ela não estava em casa. Deixara um bilhete dizendo que iria ao supermercado. Nossa, quem iria ao supermercado tão cedo? Liguei para o celular dela, e a mesma atendeu, alegando que a fila do caixa estaria vazia se ela chegasse cedo. Para mim, tudo bem.

Chamei por papai, mas ele não estava em casa. Tentei ligar para seu celular, mas ele não atendia.

Resolvi sair de casa, dar uma volta. Coloquei uma roupa normal, já que eu estava com o uniforme da escola. Coloquei uma calça jeans, pois estava frio. Botas, uma blusa de mangas compridas e um casaco. Saí.

O vento era cortante. Estava realmente muito gelado. Aquela rua me trazia lembranças da noite anterior. Eu. Eu e Phillipi. Eu e Phillipi na cama. Eu e Phillipi na cama da casa do final da rua. Surtei.

Comecei a chorar, mas a chorar muito. Sentei num banquinho da praça em frente a minha casa, e desabei. Quando decidi que já era hora de parar de chorar, levantei, sequei meus olhos, e continuei a andar.

As ruas estavam desertas. Resolvi ir até a escola, Chegando lá, tudo estava fechado. Notei um carro do outro lado da calçada. Um carro que eu conhecia. Cheguei mais perto, e o vidro abaixou.

- O que faz aqui uma hora dessas, Marie? — Ele perguntou.

- Não sei. — Sussurrei.

- Entre no carro, está muito frio para ficar aí fora. — Ele disse, destravando a porta.

Dei a volta no carro e abri a porta do carona, entrando no carro. Me sentei.

Observei sua expressão ao me olhar. Ele mantinha um sorriso meio torto nos lábios. Seus olhos estavam cansados, meio avermelhados. Perguntei-me se ainda havia dúvidas de que ele podia me ver.

- O que veio fazer na escola, em pleno sábado? — Ele disse, dando partida no carro.

- Não sei. Não queria ficar em casa, resolvi caminhar. — Respondi friamente.

Ele nada disse, apenas continou seguindo pelas ruas, numa direção que eu não reconhecia. Depois de longos cinco minutos, paramos em um hospital.

- O que estamos fazendo aqui? — Perguntei.

- Você verá. — Ele respondeu.

Seguimos por um corredor, e chegamos ao necrotério. Senti medo, mas não parei.

Paramos em frente de uma maca, e eu pude perceber o que estava do lado. Pasta, agenda, uma gravata coberta de sangue. Eram as coisas do meu pai.

O corpo ao lado da maca estava coberto por um lona branca, com manchas de sangue. Recusei-me a levantá-la. Phillipi, sabendo de minha reação, levantou por mim.

Perdi o ar. Meu mundo defitivamente estava acabado. Aquele não podia ser meu pai! Mas era.

Meu pai estava com o corpo completamente picotado. Menos o rosto. Seus olhos foram arrancados, e seu coração também. Estava coberto de sangue. Comecei a chorar.

Phillipi se sentou numa cadeira, pegando um velho aparelho de videocassete. Ligou-o num televisor, e colocou uma fita.

A menina da fita estava andando por uma casa. Ele estava com um facão na mão. Ela foi andando, e entrou num quarto. Meu pai estava lá. A menina começou a esfaquea-lo, e retirou seus olhos e coração. Os colocou dentro de dois pequenos potes, e saiu do quarto.

Fiquei aterrorizada. Quem era aquela menina? E porque ela acabou com a vida do meu pai? Phillipi, parecendo saber que eu não havia compreendido, voltou a fita, e a pausou no momento em que o rosto da menina aparecia.

A menina bonita, de longos cabelos ondulados, era eu. Coberta de sangue, e com um olhar assustador. Olhei para Phillipi, que sorria perversamente. Ele se levantou, veio em minha direção, e disse:

- Não se preocupe, minha Marie. Logo, você se acostumará, e matar pessoas, não passará de diversão.

Olhei para seu rosto, incrédula.

Phillipi me beijou.

Notas finais
Desculpem por demorar pra atualizar. Espero que tenham gostado deste capítulo. Um beijo.