Lápide [Poemas]

22 A Floresta-sem-cor


Passos de pano eram dados na gélida Floresta-sem-cor
Sem cor por que suas folhas eram sempre pintadas pela neve fofa,
de pano pois era apenas um boneco em lassidão.

O boneco não comia, não dormia, não sentia.
Os ventos gélidos não arrepiavam sua pele sintética,
os lobos não agitavam seu coração de plástico.
Ele apenas caminhava.

O boneco viu a coruja branca de asa machucada
caída sobre a neve rubra.
Parou sua caminhada e quis cuidar da ave,
encantado pelo negro abissal de seus olhos.

Ele queria ensiná-la novamente a voar,
mas a ave sempre caia de volta ao solo.

"pobre dessa criatura que vive na floresta onde a noite impera
e de sua beleza que se destaca aos predadores horríveis.
Posso suportar sua natureza, mas permita que ela se salve",
disse.

Uma brisa peculiar e rodopiante surgiu magicamente.
A ave bateu asas e pousou em um galho,
olhou para o boneco como se o tivesse ouvido
e então voou aos céus.

"Mesmo ferida, ela sabia voar o tempo todo",
Disse ele à brisa.
"E mesmo assim cuidou dela,
portanto agora lhe dou o dom de sentir",
Disse o espírito da lua.

A ave e o espírito eram o mesmo ser,
e seu presente foi poder sentir novamente o frio da noite.
Mas com isso, também sentiria calor,
e logo mais a noite viraria dia,
quando o sol finalmente respirasse sobre a copa das árvores.