Lágrimas de Pitanga

4 Pitangas Imaginárias


Nov/2020

—Quando eu e meu marido estávamos namorando, eu tive que fazer todo um trabalho mental para convencê-lo que não tínhamos nada –Ale ria-.

—Sério? Mas por que isso? –Lucas ria junto-.

—Às vezes estávamos dando uns amassos e você me ligava de madrugada.

—Claro! Eu tinha que te contar minhas primeiras cirurgias!

—Eu sei, por isso eu sempre atendia-o, independente dele estar em cima de mim ou eu estar em cima dele –Brincou-.

—Ei vocês dois! Parem de fofocar por um momento e venham pra cá cuidar dos filhos de vocês, desnaturados!

Gritou um homem de dentro de uma piscina. Era um homem claro e alto uma barba bastante espessa. Ele possuía olhos cor de mel e na casa dos 30 já possuía uma calvície bem aparente. Na água ele estava com um casal de criança, o garoto chamava-o de tio e a garota chamava-o de pai. O garoto era moreno e tinha o mesmo tom dos olhos do Lucas, evidenciando ser filho dele e a garota filha adotada do casal gay era descendente de asiáticos. O nome dele era Miguel e o da garota era Maya.

—Calma, amor, só estamos esperando a Anete voltar –Respondeu Ale elevando o tom de voz para ele ouvir-.

—Você e o Antônio são o oposto um do outro, ne? –Perguntou Lucas com um sorriso, enquanto dava uma golada na sua cerveja-.

—Por que? –Perguntou Ale curioso-.

—Você é calmo, paciente, já ele é o contrário, é engraçado-Explicou-.

—Que nada, o Antônio só é bem expressivo mesmo, eu sou o pior, pois guardo e depois estouro, além do que, ele é uma graça com as crianças.

—E já parou de fumar?

—Sim, não posso ficar dando maus exemplos a Maya.

—Desculpa a demora, estava ajudando a cozinheira a preparar os pratos.

Anete, a esposa de Lucas tinha acabado de aparecer, justificando a demora. Ela agachou e deu um leve selinho no marido. Anete Era uma mulher alta, negra e esbelta, usava um maiô branco e a barriguinha protuberante denunciava sua gravidez.

—Anê, mesmo você sendo uma chefe de cozinha, bem que você poderia confiar na Rose ne? Quando se trata de comida essa mulher não confia em ninguém.

Ale e Lucas levantaram-se e acenaram para Antônio e as crianças.

—Opa, hora de comer!

—Ah não tio, não quero! –Falou Miguel com uma voz chorosa-.

—Ei titio, tem que comer pra crescer e ficar fortinho, não quer ficar igual a seu pai? –Enquanto ele falava, levantava a filha para por no ombro –Prometo que depois que a gente comer, brinco de cavalinho com você.

—Ta! –A criança abriu um sorriso dando a mão para ele-.

Eles saíram da água e ao se aproximarem, Ale deu um selinho em Antônio e segurou a mão da filha para andar de mãos dadas. Lucas pegou Miguel do ombro de Antônio e o carregou no colo enquanto todos andavam.

—Antônio, eu e Lucas estamos planejando fazer uma casa de praia e queremos contratá-lo para desenhar a planta.

—Opa, será um prazer, Anê!

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“Lembro que havia um vasto quadro de frutas na casa da minha vó. Eram tantas frutas que eu não conhecia, só ficava imaginando qual era o gosto de cada uma”.