Luz e Trevas
1 Meus 16 Anos
Notas iniciais
Oi. Meu nome é Ishihara Takamasa, nasci em Osaka no dia 14 de setembro de 1981 e aos 17 anos me tornei guitarrista da banda Due’le Quartz em 1999, sendo conhecido como Miyabi. Em 2002, com o termino da banda, mudei meu nome artístico para Miyavi e comecei carreira solo. Em 14 de março de 2009 casei-me com Ishikawa Miyuki, mais conhecida como Melody, uma cantora de J-pop que eu amo muito. O fruto desse amor veio em 29 de julho do mesmo ano, Airi, a nossa princesinha. E enfim, dia 21 de outubro de 2010 fui presenteado com mais uma princesa, Jewelie.
Pode se dizer que sou um cara de sorte. Trabalho com uma coisa que amo, tenho fãs maravilhosos e uma família linda. Mas não foi sempre assim. Minha vida já foi um inferno a ponto de eu não querer vivê-la mais. Eu me drogava na tentativa de esquecer tudo... Procurava apenas a morte. Foi nessa época que conheci meu primeiro amor.
Era 1997, tinha acabado de fazer 16 anos. Eu estudava música, o que meu pai dizia ser uma perda de tempo. Nós dois não nos dávamos exatamente bem... Mas não tinha como me sustentar, então tinha que aturá-lo me chamando de vagabundo todo santo dia. Minha mãe não ficava jogando isso na minha cara o tempo todo como meu pai, mas ela concordava com ele e estava sempre me pedindo pra tomar juízo. A única que me apoiava era minha irmãzinha, Eiko, mas é claro que a opinião dela a meu respeito não contava. Ela era a filha perfeita. Sempre ajuizada, estudiosa e queria cursar medicina. Com certeza muito melhor que um imprestável como eu. Pro meu pai o único defeito da Eiko era me admirar.
Enfim, eu era digno de pena. Odiava minha vida... Eu me odiava. Provavelmente meu pai gritou tantas vezes em meu ouvido que era um vagabundo imprestável que eu já acreditava nisso. Vivia um dia após o outro na esperança de que amanhã eu poderia morrer e acabar com tudo isso. Meu cigarro estava sempre comigo. Se eu nunca sofresse um acidente ou pegasse uma doença qualquer, pelo menos ele me mataria aos poucos.
Eu poderia dizer que ninguém sentiria minha falta, mas seria uma injustiça. Se ainda não tinha me jogado de um prédio é por que não queria fazer Eiko chorar. Meu melhor amigo, Daisuke, também estava sempre preocupado comigo. Eu não podia preocupar minha irmãzinha, então era perto de Daisuke que eu ficava deprimido e bebia até cair, depois de xingar meu pai, chorar e falar sobre como o mundo seria melhor sem mim e que eu devia morrer. Não que eu quisesse ficar falando disso pra ele, mas sabe como é, bêbado sempre fala mais do que devia. Depois era ficar no outro dia agüentando ressaca e tentando convencê-lo de que era só conversa de bêbado e que eu não iria me matar. E não iria mesmo! Nunca faltou vontade, é claro, mas deixar Eiko sozinha estava fora de cogitação.
Foi numa dessas que Daisuke cismou que eu precisava de uma namorada:
— É sério cara. Se você tivesse uma namorada iria esquecer completamente essa historia de se matar. – Ele estava irritantemente empolgado, o que fazia minha cabeça doer ainda mais pela ressaca.
— Já disse que eu não vou me matar.
— Já sei... Já sei... Não vai deixar a Eiko né? Acho ótimo você pensar assim, mas sério, é só você beber e já começa a falar nisso. Eu até entendo, mas cara, eu fico preocupado. E se um dia você beber e resolver fazer alguma coisa? E se eu não estiver perto?
— Daisuke, relaxa. Você ta viajando cara. Eu não vou fazer nada.
— Gomen... É só que... Você é o meu melhor amigo Taka... Eu me preocupo. – Sua voz agora era baixa, quase um sussurro. Seu rosto transbordava preocupação com os olhos tristes e cansados.
— Você me aturou bêbado a noite inteira, ficou ouvindo minhas conversas fiadas, me trouxe pra vomitar na sua casa e ainda está se desculpando? – sorri passando a mão em seus cabelos. Apesar de ser um ano mais velho Daisuke era 12 cm mais baixo que eu, e é claro que eu tiraria proveito disso.
— É tem razão... – Ele riu dando um tapa em minha mão. – Você me deve uma, então vamos sair hoje e eu vou te apresentar uma amiga.
— Hello! Eu dormi fora... O velho vai me trancar em casa por uma semana.
— E desde quando você segue as regras do seu pai? – Daisuke revirou os olhos. Ele estava certo. Não era nada de mais pra eu pular a janela e sair escondido. Não seria a primeira vez.
— Cara eu não vou agüentar outra ressaca. – Eu estava pouco me linchando pra ressaca. Já estava acostumado com ela. Era algo que me distraia. Incomodava e me fazia esquecer de todo o resto... Da droga da minha vida. A verdade é que eu não gostava nenhum pouco dessa idéia de namorada. Isso seria só uma preocupação a mais na minha vida. Completamente desnecessário.
— Qual é Taka? Por favor, vai... Você me deve isso. – Aquela carinha de cachorro sem dono me dava ódio. Isso por que eu sempre me rendia a ela.
— Ta bom... – Disse revirando os olhos. – Mas já vou avisando que vou ficar tri bêbado de novo. – Daisuke sorriu como uma criança que acabou de ganhar um presente... Baka!
— Te pego às 9h, porta dos fundos certo?
— Hai... – Disse sem o menor ânimo enquanto me dirigia a porta. Meu terror diário começaria quando chegasse em casa.
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