Luz da Escuridão

6 Segundo ano - Atitude, ideias e perigo


Embora nosso voo tivesse atrasado, conseguimos chegar a tempo para o trem mas tivemos que ir direto a estação, de forma que não pude passar em casa antes de ir para meu segundo ano em Hogwarts.

Chegamos a estação quase onze horas, minha irmã me ajudou a colocar tudo no trem e se despediu sonolenta, quando ia subindo no trem encontrei com Freya que já estava me procurando. Eu estava absolutamente cansada e assim que encontramos uma cabine vazia no jogamos nela.

— Então como foi no Brasil?

— Muito legal, mas bem cansativo, era inverno e mesmo assim alguns lugares em que estivemos eram bem quentes, fico imaginando como é no verão. Há uma comunidade magica lá também, mas eles vivem afastados dos grandes centros, em uma floresta ENORME!

— Sério?

— Sim, os trouxa quando chegam a comunidade bruxa de lá, passam reto, simplesmente como se fosse um buraco no tempo. É muito legal. Comprei todo meu material lá.

— Nossa, muito legal...

— O fato é que minha irmã se apaixonou pelo lugar, não parou um minuto de tirar fotos, escreveu umas 100 páginas de anotações e agora quer escrever um livro sobre lá. Então vai passar um mês em casa e vai voltar lá com o namorado dela, já que ele terminou a faculdade de história no ano passado. Os dois vão passar o ano lá e eu não vou poder voltar para casa nas férias de verão, mas entendo que isso é importante para a carreira dela.

— Ah, mas isso não é problema, é só você escrever para ela pedindo uma autorização para passar os feriados na minha casa. Papai e mamãe vão adorar. Eles não pararam de falar em como você é educada e estudiosa depois que você foi embora. – ela fala revirando os olhos

— Ah sério?

— Claro Ayla! Mas ein, tem algo mais te incomodando? Você tá com uma carinha...

— Só estou cansada, não tive tempo de ir em casa, veja, estou com as roupas que usei para a viagem de avião.

— Durma um pouco então, quando a vendedora chegar eu te acordo.

— Obrigada Freya.

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Freya não me acordou quando a vendedora passou pelo corredor, mas me acordou pouco antes de chegarmos a Hogwarts oferecendo-me uma barrinha de chocolate e me avisando que deveríamos trocar de roupas.

O trem logo chegou a estação e agora que estávamos no segundo ano devíamos seguir nossos monitores para a entrada do terreno pertencente a escola afim de pegar as carruagens que nos levariam até o grande castelo.

A viagem era rápida e logo estávamos reunidos no salão principal.

— Ora, ora, ora, teve a ousadia de retornar. – Disse Pansy – Vá Draco, conte a essa sangue-ruim a novidade.

Draco olhou para baixo por um instante parecia irritado com Pansy, mas então, montou seu sorriso irônico e ar de superioridade e me encarou com desprezo.

— Acha que vou perder meu tempo com essa sangue-ruim? Deixe que descubra sozinha com os demais, se contarmos antes talvez ela se ache especial e saia por aí dizendo que somos amigos.

— Como se quiséssemos ser suas amigas seu idiota cabeça de vento! – Respondeu Freya, com sua língua rápida e esperta.

— Fico fora disso, traidora do sangue!

Ignorando-os, puxei Freya para a mesa e me sentei, Draco se sentou do outro lado a uns dois metros de mim e voltou sua atenção aos seus amigos. Os novos alunos chegaram e logo a seleção começou. Sonserina ganhou cerca de trinta novos alunos, compensando os que haviam se formado no fim do ano anterior. Enquanto jantava tive a sensação de estar sendo observada e quando ergui os olhos vi Draco enrubescer e voltar seus olhos para a comida o mais rápido que pode. Não comentei nada com Freya já que ela havia tomado a iniciativa de preencher meu silencio com histórias sobre suas férias. De volta a nosso salão comunal conhecemos os novos Sonserinos e logo fomos dormir.

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As duas primeiras semanas de aula passaram rápido. Freya andava irritada porque nesse ano, seu tio, que era escritor e membro do conselho de defesa contra as artes das trevas, era nosso professor e as pessoas que ele mais adorava importunar eram Harry e Freya. Minha amiga vivia tentando se esconder do tio e evitava o máximo que havia fazer contato visual com ele em suas aulas. Eu continuava adorando as aulas de Transfiguração que neste ano dividíamos com a Corvinal e a aula de poções que continuávamos a dividir com a Grifinória. Tinha DCAT e Herbologia cujas aulas não dividíamos com ninguém e história da magia que partilhávamos com Lufa-Lufa.

Sonserina voltou aos campos hoje pela manhã e como não tínhamos aula minha amiga e eu passamos a manhã dormindo até mais tarde e saímos somente quando a hora do almoço chegou. Comemos no salão principal e retornamos ao salão comunal de nossa casa e nos sentamos no parapeito da janela encantada que dava para o fundo do lado na propriedade de Hogwarts.

Draco e sua turma estavam sentados próximos a lareira e riam descontroladamente.

— Você viu? O idiota azarou a si mesmo. – Comentou Draco.

— Isso que dá ser um pobretão, não tem dinheiro para comprar uma varinha que funcione. – Disse Crabbe.

— Idiota, que nojeira!

— De quem você acha que estão falando? – perguntou Freya chamando minha atenção.

— Rony Wesley. – ela me olhou interrogativa – Ouvi eles falarem o nome quando entraram – explico.

— Como em nome de Merlin, você consegue se concentrar em tantas coisas ao mesmo tempo?

Ri de seu espanto e lembrei do que tinha pensado durante o verão e decidi contar a ela.

— Escuta, durante minha viagem ao Brasil eu tive uma ideia, na verdade é mais um desejo, espero realmente conseguir.

— O que?

— Quero me tornar-me em um animago.

— Como assim? Não sabemos fazer esse tipo de coisa, além de ser extremamente raro.

— Mas eu posso conseguir. Você mesma não diz que eu sou a melhor na aula de transfiguração?

— É mas...

— Além do mais, andei estudando desde que retornamos a Hogwarts e a professora Minerva me deu autorização para pegar uns livros mais avançados na biblioteca e eu consegui realizar uma transfiguração que só aprenderemos no 4ºano.

— Sério?!

— Sim. – disse triunfante.

— Porque está tão alegre sangue-ruim? – indagou Pansy.

— Que te interessa Parkinson? – devolvi.

— Olha como ela se atreve a falar comigo Draquinho.

— Dobre a língua Sangue-ruim, gente como você não deveria nem ser permitido respirar o mesmo ar que nós. – disse ele sem se quer olhar para mim ainda no sofá próximo a lareira.

— Infelizmente para você aqui estou eu e de acordo com o chapéu seletor somos agora, uma família.

— Como se atreve...

— Boa noite, Parkinson! – Disse dando as costas.

Em nosso quarto, Freya e eu nos arrumamos e vestimos nossos pijamas e quando apaguei a luz ela falou:

— Lumus! – sua varinha brilhou e ela sentou-se na cama me encarando – Você está preparada para o que vão aprontar com você?

— Que tentem! Ano passado eu estava decidida a simplesmente ignora-los, mas cansei disso, sou uma Blacklight, não me deixarei menosprezar uma vez que sou melhor que eles no mundo que eles julgam não me pertencer.

— Quem é você e o que fez com minha amiga calma e certinha.

— Ainda sou essa pessoa sua boba, — sorri para ela – Só não acho certo o que eles fazem comigo e com os demais nascidos trouxas.

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O mês de outubro passou-se calmo e tedioso. A gangue dos sangues-puros manteve-se longe de mim diferente do que Freya havia imaginado que aconteceria. Eles ainda me importunavam um pouco me chamando de sangue-ruim, mas nada terrível aconteceu. No dia das Bruxas estávamos sentadas a mesa comendo as diversas delicias que estavam espalhadas pela mesa.

— Srta. Blacklight. – chamou um homem atrás de mim.

Virei-me e dei de cara com o professor Snape.

— Aqui está a autorização para os livros que me pediu, porém, receio informar que dois deles não podem ser retirados da biblioteca então terá de lê-los lá mesmo.

— Não tem problema, professor. Obrigada.

Ele se retirou sem dizer mais nada.

— Que é que Snape queria com você? – perguntou Malfoy.

Olhei confusa para o garoto que falara comigo em tom normal. Olhei ao redor e não vi nenhum de seus amigos e Freya conversava com um aluno primeiranista pedindo para que lhe alcançasse uns doces que estavam longe.

— Que lhe importa Malfoy? – perguntei ríspida.

— Nada... eu, esquece! – disse se levantando e se afastando.

Mais tarde nossos monitores fizeram nos recolher para nossas salas comunais, mas o caminho não foi como o esperado.

A CÂMARA SECRETA FOI ABERTA. INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO.

As palavras estavam estampadas em sangue na parede do corredor principal do primeiro andar ao lado, a gata do zelador Madame Nora, jazia pendurada pelo rabo.

— Que horror! – exclamou Freya.

— INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO. Serão os próximos sangues-ruins. – disse Draco para Hermione, Rony e Harry.

Tudo ocorreu rápido depois que os professores chegaram, os monitores levaram os alunos para suas torres e quando passávamos pela entrada da Sonserina senti uma pressão em meu braço e ouvi baixo Draco soprar em meu ouvido “Conhece a lenda? Melhor tomar cuidado... Ser uma Sonserina não a manterá a salvo se aquilo não for uma brincadeira” e então me empurrou para passar a minha frente.