Luz da Escuridão

10 Questionamentos


Mais uma vez as férias de verão estavam chegando ao fim e com o fim delas era tempo de regressar para Hogwarts.

Draco acordou estranhamente animado aquela manhã do dia 1º de setembro. Suas coisas como sempre já haviam sido preparadas pelo único elfo domestico que ele permitia em seu quarto e a mesma o esperava acordar próximo a janela.

— Bom dia Sr. Malfoy.

— Bom dia, Fly, meus pais já acordaram?

— Estão se preparando para o café que será servido em três minutos.

— Tudo bem, já desço. – disse o garoto enquanto caminhava para o banheiro afim de jogar uma água gelada no rosto.

Draco não demorou mais que cinco minutos para fazer sua higiene e vestir-se antes de descer para acompanhar seus pais no café da manhã, quando chegou a grande sala de jantar eles já estavam lá. Seu pai lia o profeta diário enquanto sua mãe se deliciava com uma xicara de chá ainda com marcas de sono no rosto.

— Draco, meu filho, dormiu bem? – cumprimentou ela.

— Sim.

— Tudo pronto para a escola?

— Fly deixou tudo arrumado. – respondeu ele.

— Bom. Vai ser um grande ano, faça muitos amigos de Durmstrang. – disse Lucio – Eu queria ter mandado você para lá, mas Narcisa! – ele reclamou.

— Horas, sabe muito bem que não gosto daquele lugar! – ela falou encerrando o assunto.

A manhã de Draco passou assim. Ele se fazia parecer indiferente na frente dos pais, mas estava ansioso por dentro. Seu pai mandou Fly colocar as coisas de Draco no carro e juntos partiram para a estação. Draco fez questão de se despedir deles antes mesmo de avistarem a barreira e empurrou sozinho o próprio carrinho sob os protestos de sua mãe que ia sendo deixada para trás.

Do outro lado da barreira a plataforma já estava coberta por uma grossa camada de fumaça, ainda sim conseguia-se ver a pressa dos alunos a se despedirem de seus pais e familiares, a alegria ao encontrarem seus amigos, o empurra-empurra para colocar os malões no trem. Não muito longe de onde parará avistou um grupo de Sonserinos.

— Draco – gritou Pansy acenando.

Draco baixou a cabeça fingindo verificar o carrinho e revirou os olhos, havia beijado Pansy uma vez no fim do último ano letivo e em razão disso havia recebido cartas dia-sim-dia-não durante todo verão, cartas essas que ele fez questão de não responder, embora sua mãe não aprovasse e vivesse incentivando-o a responder.

— Como foi na Itália? – perguntou ela se pendurando no pescoço do garoto antes que ele pudesse sequer dizer oi.

— O que? – perguntou confuso.

— Itália bobinho, você disse na carta que me mandou, sabe, demorou para chegar e mesmo assim só chegou uma.

— Ah, foi legal e só enviei uma mesmo Parkinson, não tinha tempo para ficar escrevendo para você! – ele falou amaldiçoando a mãe mentalmente.

— Eai, Draquinho – Brincou Blásio imitando a voz de Pansy Parkinson – Sabendo das novidades?

— Claro que estou Zabbini!

— Pena que não podemos, não é mesmo?

— É, acho que é!

Naquele minuto o trem apitou e ele es seus amigos começaram a se dirigir para dentro afim de achar uma boa cabine. Draco ralhou com Pansy dizendo para a menina desgrudar dele e ir na frente e assim que ela embarcou ele subiu o olhar para observar a plataforma. Dois vagões a frente duas garotas loiras abraçavam um casal. Pareciam aquelas famílias perfeitas que se vê em uma foto de fim de ano, ele suspeitava que sua mãe havia colocado uma foto do tipo em seu malão do último fim de ano.

O homem de terno preto bagunçou o cabelo da menina mais alta. Era de um loiro não muito claro, curto que mal passava dos ombros, ela reclamou e acenou para os pais pulando no trem. A menina mais baixa, porém, continuou ali. Draco a observava como se tivesse sido petrificado. Ela tinha cabelos claros como os dele, olhos castanhos mel, quase dourados com uns pontos verdes. Draco se lembrava bem. Aqueles olhos espertos que o encaravam sempre que ele a provocava. Era pequena e magra o que fazia parecer ser mais nova. Suas bochechas estavam rosadas e ela baixava a cabeça como fazia quando recebia elogios dos professores.

Ayla Blacklight. A nascida trouxa que entrou para a Sonserina.

Draco lembrava do primeiro natal quando voltou para casa e contou que uma nascida trouxa havia entrado para a sobre casa de Salazar Slytherin, seu pai não pode acreditar, mas foi claro com Draco quando disse que ele deveria mostrar a ela seu lugar.

Draco talvez não tivesse percebido até aquele momento quão infeliz seu pai havia sido ao passar essas instruções, pois fazendo isso, fez com que o garoto se mantivesse atento a cada passo da garota que era uma das melhores da turma.

E foi ali, na plataforma 9 ³/4, que ele se perguntou pela primeira vez, ao ver a garota impura que sujava o nome de sua nobre casa saltar para dentro do trem, e se ela não fosse tão ruim assim? E se não importasse a pureza do sangue? Afinal, os bruxos seriam quase instintos se só se casassem entre puros sangues.

Draco não percebeu o momento em que essas perguntas se passaram e fixaram em sua mente, nem o momento em que sua pulsação acelerará junto a respiração ao ver aqueles olhos brilhantes e sorriso alegre. Ele simplesmente pulou no trem como se dois minutos de sua vida houvessem sido roubados.