Freya e eu estávamos a caminho do salão comunal da Sonserina logo depois do almoço. Era sábado e estava quente do lado de fora. A primeira e segunda semanas de aula haviam passado rápido e todos estavam ansiosos pela chegada de outubro e junto com ele os alunos de Beauxbatons e Durmstrang.

— Ayla. – chamou ela me tirando de meu devaneio — Você não tinha aquela detenção para cumprir?

— Droga. – exclamei – Te vejo no jantar... – disse e corri para a sala da professora Minerva.

Dois dias atrás na aula de transfiguração Draco Malfoy começou a me provocar e durante um momento em que achei que a professora estava distraída lancei uma azaração nele. Infelizmente a professora Minerva não estava distraída e viu, para minha sorte Draco contra-atacou me errando e acertando Freya e nós dois acabamos pegando detenção e Freya teria pego também se eu não tivesse intercedido por ela assumindo a culpa. Eu tinha me azarado mas Malfoy seria punido também.

— Está cinco minutos atrasada senhorita Blacklight, menos cinco pontos para Sonserina.

— Parabéns sangue-ruim.

— Não vou tolerar esses insultos na escola senhor Malfoy, menos cinco pontos também.

Ergui uma sobrancelha para ele.

— O que tenho que fazer professora?

— Que bom que perguntou senhorita... – disse ela dando a volta na mesa – Me acompanhem.

Caminhamos até as estufas atravessando todo o castelo. Malfoy me encarava de vez em quando, mas sem uma expressão definida eu não conseguia dizer se estava com raiva ou só me provocando.

— A professora Sprout vai passar o fim de semana fora e me deu permissão para usar o probleminha na estufa três como o castigo de vocês. – disse a professora Minerva – As plantas nessa sala são um tanto quanto ariscas e, eu meu permito dizer, agressivas. Acho que isso vai lhes ensinar a trabalhar em equipe. – ela falou abrindo a porta e metamorfoseando-se em gato sentando em uma mureta afastada da estufa.

— Vamos logo! – exclamei entrando na estufa com Draco em meu encalço.

— O que é essa coisa? – perguntou ele, mais pensando em voz alto do que se dirigindo a mim, mas respondi mesmo assim.

— Hemeróbios. – disse a ele.

Ele levantou a mão e caminhou devagar em direção as plantas envazadas, mas eu o segurei pelo braço parando-o.

— Não seu tonto. – disse e ele no mesmo instante girou sobre os calcanhares me encarando irritado e pronto para reclamas, porém eu fui mais rápida – São extremamente venenosas, no mínimo te deixam com uma urticaria que não para de coçar e muito dolorida, mas dependendo da pessoa, idade da planta e local onde você toca elas podem causar alucinação e desmaios.

— Porque Minerva não nos disse nada?

— Era de se pensar que já conhecêssemos essas, estão no livro do terceiro ano embora não seja permitido que trabalhemos com elas até o sétimo. Se você lesse os livros além do que os professores pedem para as provas saberia.

— Srta. Sabe-tudo.

— Cabeça-Oca! – retruquei.

— O que fazemos então?

— A professora disse que há algum problema com elas, acho que são as folhagens em volta dela, são um tipo de erva daninha, vi isso no Brasil, elas crescem rapidamente e sufocam tudo que tem vida.

— Mas se essas plantas são venenosas porque não deixamos que a erva daninha a mate?

— A erva daninha é pior que ela e não serve para nada, Raiz de Hemeróbios e as folhas secas servem para várias poções. O caule é a parte mais perigosa e inutilizável, mas temos que tratá-las com cuidado porque se si sentirem ameaçadas liberam veneno no ar que causa alucinação.

— Que maravilha. – disse se jogando em uma cadeira.

— Se você pensasse mais no que diz não estaríamos aqui. – contra-ataquei irritada.

— Foi você que me azarou! – gritou ele ficando vermelho.

Ergui as sobrancelhas cruzando os braços e o ignorei pegando um exemplar do livro de herbologia do terceiro ano na estante da professora. Li atentamente as páginas que falavam sobre nosso pequeno problema ignorando quando Draco se levantou em um muxoxo e parou atrás de mim espiando por cima de meu ombro lendo em voz baixa. Virei para ele quando terminei de ler, estávamos próximos demais, daquela distancia eu conseguia sentida sua respiração bater mais ou menos na altura entre minhas sobrancelhas. Dei um cauteloso passo para trás e disse:

— Você pode pegar as luvas, por favor?

Enquanto ele pegava as luvas fui até a outra prateleira puxei duas tesouras e peguei duas mascaras por precaução.

— Lembre de não tocar no caule e evite ao máximo tocar nas folhas, use a tesoura e corte a erva daninhas nos nós, assim ela não volta a crescer a partir daquele ponto.

Começamos o trabalho e por meia hora foi bem fácil, as ervas mais distantes da planta eram novas e fracas e embora quanto mais se aproximassem das plantas mais fortes ficassem também ficavam mais lentas o que nos dava mais tempo. Draco estava a cada minuto fazendo melhor seu trabalho e logo estava podando as ervas no local mais perigoso. Não trocamos muitas palavras além de um “me ajuda aqui” ou “Por Merlin estamos quase terminado”. Eu não sabia ao certo a quanto tempo estávamos lá dentro quando Draco exclamou.

— Droga. – e se levantou em um pulo ao mesmo tempo em que levantei a cabeça em sua direção e vi a planta espirrando um liquido muito fino.

Ele tentou se proteger com o braço enquanto eu tentava caçar minha varinha, mas então ambos percebemos que estavam do outro lado da sala onde havíamos deixado parte de nosso uniforme que tiramos para trabalhar melhor.

Comecei a me sentir tonta e cansada e tornei a me sentar, Draco se arrastou pelo chão até mim e sussurrou algo que eu não entendi. A luz do sol a minha volta começou a piscar como se o sol estivesse brincando de esconde-esconde com a lua, Draco ainda falava coisas indecifráveis a minha volta e me puxava para levantar.

Levantei com ele sorrindo e achado graça do sol.

— A luz. – disse.

— Que luz? – perguntou ele rindo.

— Do Sol.

— Está brilhando forte — disse ele, enxergando o contrário do que eu via.

— Onde estamos? – perguntei.

— Juntos. – ele respondeu avançando em mim.

Draco estava me beijando, seus lábios nos meus eram como opostos. Como uma coisa errada que não devia estar acontecendo, mas que era bom demais para que qualquer um de nós quisesse parar. Ele era a escuridão, ele era mal, arrogante, prepotente e tradicionalista. E ele odiava pessoas como eu, ME odiava. Com tudo eu ainda o queria exatamente ali. De repente tudo mudou. Eu me tornei sombria enquanto ele era um fio de vida. Eu me senti como gelo sendo atraído por fogo, como a lua querendo se juntar ao sol, ele era meu sol, ele eram quem faria com que eu me tornasse alguém que eu não era ou talvez que eu me libertasse e finalmente me tornasse quem eu realmente era.

Nos separei de repente empurrando-o.

Olhei para trás e vi a porta escancarada e da entrada professora Minerva nos olhava com a varinha erguida.

— O castigo terminou, recolham suas coisas e saiam.

Corri para pegar minhas coisas e sai sem olhar para Draco quando cruzei por ele. Tudo que pude ver foi a professora lançando-me um sorriso triunfante e depois desviando-o para Draco.

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Corremos para o portão de entrada seguindo a maré de alunos que se empurrava para arranjar um bom lugar a fim de receber os visitantes da academia de Beauxbatons e Durmstrang. Hoje não teríamos aula para que pudéssemos receber nossos convidados. Primeiro vieram as moças de Beauxbatons, que deixaram os meninos de Hogwarts babões enquanto desfilavam em seus trajes assimétricos sem um amassadinho se quer. Alguns minutos depois vieram os meninos de Durmstrang, a maioria deles altos e forte com um olhar superior. Seu diretor Igor Karkaroff parecia um tanto quando arrogante ao se aproximar de Dumbledore. Do outro lado do pátio perto dos alunos da Lufa-Lufa estava Cedrico acenando em minha direção. Ele indicou os meninos da Durmstrang e fez uma careta, logo depois fez um sinal de dez com a mão e balançou a varinha e um papel voou até mim.

“Estou com saudades. 6º andar. 10 minutos?” Ele queria me encontrar.

— O que é isso? – perguntou Freya.

— Cedrico. – disse passando para ela o papel.

— Huum, eu sempre soube que você não era santa sangue-ruim. – disse Pansy atrás de mim – Veja Draco, Blasio... A sangue ruim tem um encontro às escondidas.

Ignoro eles e olho na direção de Ced e sorrio. Ele sorri de volta e começa a sair de perto de seus amigos pegando o corredor que leva as escadas. Sabe que estarei lá. Freya está com os olhos nos meninos recém-chegados e Pansy já se distraiu com sua turma. Viro para ir em direção aí castelo e sou parada por Draco.

— Vai mostrar a ele que adquiriu um pouco de pratica, Ayla? – ele fala e me solta.

Sigo em frente tentando não pensar no que ele disse subindo para o sexto andar.

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Retornei direto para o salão comunal sem ir jantar, minha conversa com Cedrico no sexto andar não foi a melhor que tivemos, me recusei a beija-lo e depois de contar o porquê, Ced ficou estranho e embora tenhamos conversado um pouco depois disso quando ele partiu dizendo “Tudo bem, boa noite” eu tive certeza de que nem tudo estava bem. Continuei sozinha na sala por horas até que depois de muito tempo olhando pela janela percebi que já era noite e tomei caminho para as masmorras.

O movimento nos corredores enquanto eu descia indicavam que o jantar já havia acabado. Acelerei o passo correndo para as masmorras até a parede com a porta escondida.

— Nobreza – disse para a parede a ridícula senha que não se aplicava a mim.

A parede tornou em uma porta e eu entrei. O salão comunal estava cheio de pessoas falando animadas sobre o torneio.

— AYLA! – ouvi Freya gritar – Por onde esteve? Te procurei em todo lugar e você não apareceu para jantar.

— Estive pensando. – falei baixo fazendo sinal com a mão para ela baixar o volume também – Perdi a noção do tempo.

— YL, você está bem? – disse ela preocupada.

Balancei a cabeça em afirmativa puxei ela para perto da lareira.

— Aqui. Estou com frio. – falei sentando no tapete próximo a lareira e pegando minha varinha.

— Accio capa! – conjurei e minha capa verde escura passou voando por Pansy que se desequilibrou e caiu por cima de Blásio.

Apanhei a capa no ar colocando-a sobre meus ombros.

— Sua idiota sangue-ruim. – ela exclamou

— Deixa pra lá Pansy, não perca seu tempo com essa ai. – disse Goyle.

— Não sei, não entendo como ela entrou para nossa casa, o chapéu com certeza foi confundido ou algo do tipo. – exclamou Crabbe como o grande idiota que é.

— O chapéu não pode ser confundido seu idiota! – ralhou Blásio.

Eu os ignorei me acomodando de novo para falar com Freya, porém ela não parou de encara-los com um olhar curioso e logo se virou para mim se aproximando e cochichando.

— Você viu que Draco não disse nada e ficou te encarando com aquele olhar estranho?

— Deixa ele pra lá! – pedi tentando não falar de Draco. Desde o dia da detenção, Draco não falou mais comigo, nem me provocou e quando seus amigos o faziam ele se afastava, por mim estava bom também não queria ficar relembrando da estufa e não havia contado a Freya, nem pretendia faze-lo tão cedo.

Troquei de assunto falando com Freya sobre nossos deveres de casa e convoquei meus livros, tinteiro e penas para fazermos nossas lições. Enquanto escrevia um texto de 50 linhas para a aula de história da magia por algum motivo prestei atenção ao que Draco estava falando.

— Eu não me importo com isso.

— Ah, Draco, mas gloria eterna e um prêmio de mil...

— Não me importo com o prêmio, minha família já é rica o suficiente, é idiotice, esse torneio.

— Eu me voluntariaria. – disse Pansy.

Ri com seu comentário, ela mal sabia fazer um simples feitiço de levitação, como enfrentaria monstros e provas perigosas? Levantei colhendo minhas coisas para ir me deitar enquanto continuava ouvindo.

— Você não conseguiria... – disse Blásio – Já eu, sou muito melhor que vocês nas aulas. Está certo em ter medo Draco, eu acabaria com você.

— Não tenho medo – disse se levantando quando eu já quase não os conseguia ouvir próxima a subir as escadas – Sabe muito bem que minhas notas são sempre melhores que as suas em feitiços, poções e DCAT. De que adianta ser bom em aritimância em meio a uma batalha? E de qualquer forma, para que especular e ficar remoendo sobre o maldito torneio se não podemos nos inscrever?

E assim saiu irritado em minha direção e eu me aprecei em subir, mas fui parada.

— Calma aí Blacklight. – falou se aproximando – Não é legal escutar a conversa dos outros.

— O que você quer?

— Você contou a alguém sobre a estufa?

— Que te importa Draco?

— Tudo! Porque eu estava lá, porque tem a ver comigo e ning...

— Não se preocupe, seus amigos nunca saberão que você beijou uma sangue-ruim. – disse ríspida.

Seus olhos se arregalaram.

— Eu... não...

— Eu sei! Eu também não agi por mim, foi o veneno da planta, afinal que diabos você fez aquele dia?

— Arranhei o caule tentando cortar um pedaço da erva que estava muito próximo.

— Seu cabeça-oca. – disse e sorri por algum motivo.

Draco revirou os olhos e me encarou.

— Nem Cedrico sabe? – perguntou sério.

— Não!

— Freya?

— Não. — exclamei

— Porque?

— Ela me julgaria se eu contasse, não acreditaria que foi o veneno e criaria milhões de teorias e Cedrico, isso não diz respeito a ele, nem meus motivos dizem respeito a você.

— Você está mentindo para mim.

— Nã... – tentei mas ele me cortou.

— Está mentindo sim, sei quando mente, você não pode mentir para mim. Então vou perguntar de novo. Porque não contou nem a sua melhor amiga nem ao seu namoradinho?

— Porque também não quero que ninguém saiba. – falei alterada elevando o tom da minha voz.

— Você tem vergonha de ter beijado a mim? – ele perguntou em um misto de surpresa e raiva.

— Tenho vergonha do que... – ia falar mas tranquei no último minuto e corri escada a cima tapando a boca e assim entrei no meu quarto antes que ele pudesse me alcançar.

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P.O.V. Autora

Ayla correu para o quarto amaldiçoando-se por seu deslize. Sabia no fundo de seu coração e mente que Draco não deixaria isso passar sem ter sua resposta. Naquela noite a garota deitou antes mesmo de sua amiga retornar para o quarto e mesmo quando ela chegou a garota fingiu estar dormindo, na esperança de evitar mais um interrogatório a respeito de seu comportamento anormal.

Ayla não teve coragem de contar para sua amiga sobre o beijo com Draco. Ela tinha vergonha de pensar naquilo, tinha vergonha do que sentia, de ter gostado, de querer mais, de querer estar próxima do garoto que a menosprezava diariamente. Ela não sabia de onde surgirá esse sentimento, mas algo mudou no seu subconsciente no minuto em que fugirá da estufa e a atormentou religiosamente nas últimas duas semanas.

Draco não se demorou para ir se deitar também, caminhou até seu quarto contrariado por saber que não conseguiria invadir o quarto da garota que vivia desafiando-o devido aos feitiços de proteção que a mesma colocará. Ele girou várias vezes na cama sem conseguir encontrar uma posição adequada ou confortável, na esperança de descobrir as respostas para suas perguntas em meio aos sonhos. Ele odiava admitir, mas não ouve uma noite se quer que ele não tivesse sonhado com a nascida-trouxa que desonrava sua tão nobre casa.

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Todos estavam no salão principal esperando pelos diretores das três escolas. Os alunos da Durmstrang estavam sentados com os alunos da Sonserina e alguns da Grifinória as meninas da Beauxbatons se dividiam entre a mesa da Lufa-Lufa e Corvinal. Ao meu lado direito estava Freya e ao lado esquerdo se encontrava um rapaz Búlgaro alto e falante.

O salão se calou em expectativa quando o diretor Dumbledore se aproximou do cálice de fogo erguendo a mão para o alto e dizendo:

— E o campeão de Durmstrang é... Vitor Krum.

A mesa da Sonserina assim como o resto do salão explodiu em palmas quando ele levantou e foi em direção a sala reservada do salão, logo atrás da mesa dos professores, a qual hoje não continha nenhum professor devido ao fato de todos estarem em pé em volta do cálice para parabenizar os campeões.

O cálice tremeluziu novamente e mais uma vez Dumbledore bradou:

— E a campeã de Beauxbatons é... Fleur Delacour.

E os garotos arfaram e soltaram suspiros enquanto e menina descendente de Veelas se levantava e ia em direção a sala reservada. Assim chegou a vez do campeão de Hogwarts e me senti sem chão quando o nome que Dumbledore gritou foi Cedrico Diggory. Meu amigo com benefícios levantou sorridente sendo aplaudido por todos alunos exceto uma porção de Sonserinos. Eu também não aplaudi, fiquei chocada, não por ele ser escolhido, mas por ele realmente ter se inscrito depois de termos brigado com relação a isso. Meu choque não se estendeu por muito tempo, foi interrompido por mais uma oscilação de luz vinda do cálice e um quarto papel sendo cuspido para a mão de Dumbledore.

— Harry Potter – falou ele incrédulo de tal forma que quase não consegui compreender.

Uma nuvem de sussurros e cochichos se estendeu pelo salão quando ele limpou a garganta e repetiu alto o nome. Harry permaneceu sentado, não acreditava e eu não acreditava também. Ele não era o tipo de garoto que fazia isso, ainda mais com tudo que lhe acontecerá porque precisaria disso? Draco dissera que não precisava disso porque já era rico, Harry já era rico e famoso, porque então se arriscaria? Aos cutucões ele levantou e caminhou com o peso de mil pares de olhos encima dele e sumiu na mesma direção dos outros três campeões.

Os diretores de casa começaram a dissipar a multidão de curiosos mandando-nos para nossos salões comunais. Freya e eu sentamos próximas da lareira recolhida em um adento do salão comunal que geralmente usamos para estudar. Por algum motivo o qual desconheço, eu estava com azar, e para confirmar isso Draco entrou com Blásio, Crabbe, Goyle e Pansy e sentaram-se em volta da mesa redonda de mogno escuro.

— Você viu a cara do idiota? – rio Crabbe – Aposto que alguém aprontou para ele.

— Queria ter tido essa ideia. – lamentou Pansy.

— Aposto que não vai durar cinco minutos no torneio. – disse Draco.

— Talvez ele morra antes disso... – concordou Pansy.

— Não sei se Dumbledore deixaria o seu querido Potter se machucar, talvez lute por ele. – Blásio Caçoou.

Irritei-me em menos de dois minutos com a conversa e levantei puxando Freya comigo sentindo todos olhando para nós enquanto saiamos.

***********************

— Bom, formem pares e façam fila, meninos de um lado meninas do outro. – Anunciou o professor Snape logo depois de terminar seu falatório sobre o baile que acontecerá em alguns meses. – Então, senhoritas, pares. – disse ele parando em frente a mim e Freya.

— Creio que sobramos professor. – disse Freya – Sabe como é, o pessoal da nossa casa, nossa família durante o ano letivo, não gosta muito de nós. – dei um cutucão nela para que calasse a boca, mas ela continuou – Somos as ovelhas negras da Sonserina, ou melhor as ovelhas brancas faz mais sentido já que a maioria dos nossos colegas são filhos de seguidores do Lorde das Trev... – e no meio da falação de Freya Snape ficou vermelho e a cortou.

— Já chega senhorita Lockhart! – Gritou – Uma palavra mais e receberá detenção.

Ele girou sobre os tornozelos e apontou para Draco.

— Você, com Freya. Goyle com Ayla.

— O que? – gritaram os dois juntos.

— AGORA! – brigou o professor e os dois foram obrigados a virem em nossa direção fazendo caretas.

Troquei um olhar choroso com Freya e inspirei fundo antes de eles chegarem. Começamos a dançar sem trocar um olhar ou palavra se quer. Goyle fazia cara de dor por ter que tocar em mim e Draco e Freya lançavam insultos um no outro.

— Draco, você tá girando pro lado errado, assim vamos... – e Puff bateram em mim.

— Fica atenta sangue-ruim – reclamou Goyle.

— Você é quem girou errado traidora do sangue. – disse Draco a Freya.

Por mais dois minutos continuamos dançando e eu acabei perdendo as contas de quantas vezes Gregory pisou em meus pés.

— Vocês dois! – brigou o professor novamente – Calem a boca, estou escutando mais os seus resmungos do que a música. Troquem de par.

Ao falar isso Pansy levantou a mão e chamou Draco, mas Snape o parou.

— Com o Sr. Goyle e a Srta. Blacklight.

Goyle se afastou feliz de mim enquanto Draco se aproximou cauteloso. Freya e Goyle logo começaram a se insultar como antes estava acontecendo entre ela e Draco e o professor não vendo saída anunciou, vai tocar mais duas músicas, dancem e depois vão embora, e a música soou alta. Draco colocou a mão na minha cintura sem dizer nada e estendeu a outra mão para que eu pegasse e eu o fiz. O vi dançando com Freya então estava esperando que ele me levasse na direção contraria, mas ele não o fez. Forçou um passo para frente me fazendo deslizar para trás. Seguimos o ritmo da música calados, ele dançava bem, o que me fez estranhar a maneira como dançava com minha amiga. Eu obviamente dançava bem, vinda de uma família de artistas, com uma mãe dançarina e um pai escultor, frequentando aulas de música e dança desde antes de aprender a falar não podia ser diferente. Alguns minutos depois a música parou me tirando de meu devaneio. Draco parou junto comigo ainda com a mão direita em minha cintura e a esquerda junto a minha direita.

— Bom, acho que já encontrou seu par para o baile Sr.Malfoy. – Snape surgiu ao nosso lado.

— Eu não vou com a sangue-ruim ao baile. – ele disse gaguejando.

— Grosso. – devolvi.

— Sangue-Sujo! – ele resmungou entredentes.

— Só sabe sinônimos para um mesmo insulto, seu riquinho esnobe?

— Você se acha esperta demais, não é? Porém parece que não ouve direito, avisei para me respeitar, sua sangue-ruim, talvez eu envie uma carta para meu pai hoje a noite, ele adoraria levar uma informação sua ao ministério, uma coisa que você mesma devia ter contado.

— Do que voc..?

— Ah, como eu sei, sua sangue-imundo? – ele perguntou e continuou mesmo quando o professor gritou “Detenção Sr.Malfoy” – Será sempre um mistério! Mas, sabe, posso falar aqui mesmo, há uma porção de pessoas que ainda vão escutar se eu gritar que você é um an... – ele falou erguendo o tom da voz, mas não pode terminar pois eu ergui minha varinha e gritei.

— Petrificu Totales!

— DETENÇÃO Srta. Blacklight. – ele gritou levantando os braços – Inaceitável, inaceitável! Os dois, na minha sala essa noite depois do jantar!

Eu sai batendo pé deixando Draco com o corpo preso nos pés de Snape, vendo Freya rir de se engasgar e alguns alunos se afastando enquanto eu passava enquanto outros voltavam correndo para o salão.

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As nove da noite eu estava sentada em frente a Draco encarando a mesa enquanto o professor Snape largava uma montanha de pergaminhos na mesma. Ele continuou trazendo pergaminhos enrolados até que a barreira entre mim e meu colega de casa não nos permitisse mais enxergar um ao outro. Disse que deveríamos organizar as pilhas por data, transcrever os danificados e limpar os armários recolocando-os todos organizados.

Ele nos deixou sozinhos e por meia hora nenhum de nós se atreveu a falar. A sala do professor era úmida e escura. Havia somente dois pares de velas acesos, dois perto da porta e dois nas paredes lateria.

Eu já havia terminado de limpar o armário empoeirado e enquanto isso Draco tinha a sua frente uma pilha com mais ou menos vinte pergaminhos gastos e amarelados que agora ele começava a transcrever.

— Quer ajuda?

— Não, você pode ir arrumando-os por data... Cada um deles tem cerca de 10 linhas de nomes e datas só.

Fiz que sim com a cabeça e continuei amontoando os documentos. Era um histórico de alunos da Sonserina no último século e suas notas no N.O.M.s e N.I.E.M.s, eram bem fáceis de arrumar. Minha experiência adquirida nos últimos três anos dizia que o professor Snape não gostava de dar detenção a os alunos de sua casa, muito menos ainda para Draco.

Caminhei até Draco e peguei os pergaminhos que ele já havia terminado colocando-os no local de acordo com sua data. Eu já havia terminado de organizar e ele estava lendo o ultimo pergaminho atentamente. Parei atrás dele e li.

Lucio Malfoy

Adivinhação, D, Aritimância A, Astronomia P, Defesa contra as artes das trevas A, Feitiços E, Herbologia P, História da Magia O, Poções A, Transfiguração E

— Seu pai tirou 6 N.O.M.s, ele não gostava muito de coisas relacionadas ao futuro não é mesmo? Ele levou bomba em Astronomia e Adivinhação.

— Meu pai não era um fã da escola, diz que sangues puros não precisam de uma escola idiota para aprender magia, mas minha mãe acha adequado que eu termine meus estudos. Ela é a favor do estudo da magia e aperfeiçoamento de nossas técnicas.

— E o que você acha?

Ele se levantou virando-se para mim e avançou um passo.

— Acho que está curiosa demais Ayla.

Era estranho ouvir ele dizer meu nome, em geral usava o sobrenome como um meio de ser grosso ou superior, talvez uma tentativa de me ofender.

— Não estou curiosa Draco, só estou tentando puxar assunto.

— Que tal fazermos algo diferente? Somente conversar parece tão chato... – ele diz malicioso.

— Qual é a sua ein Malfoy?

Ele sorri e se afasta de mim. Coloco o pergaminho do pai dele no lugar e começamos a passa-los para dentro do armário, não demora mais que dez minutos e quando termino e fecho a porta Draco está atrás de mim, vira-me para ele segurando minha cintura e me encara.

— O que voc.. – ele não me deixa terminar de falar.

— O que você não quer que saibam?

— O que?

— Você disse que não queria que soubessem de uma coisa. Lá, na escada para os dormitórios. – ele com os olhos presos nos meus – O que você não quer que saibam, Ayla?

— Não é da sua maldita conta Draco... – digo tendo consciência de que estou vermelha de raiva.

— É sim Ayla, porque tem a ver comigo, me diga...

Ele me pressiona um pouco contra o armário repetindo a pergunta. Uma. Duas vezes e então me beija. Estamos ambos conscientes agora, não há veneno, nem alucinações. Sabemos o que estamos fazendo e mesmo assim quando ele junta nossas bocas eu não tento afasta-lo. Como um relógio virando para o lado errado eu o puxo mais para mim prendendo-me aos fios louros e liso de sua nuca. Quando Draco nos separa estamos ambos sem ar, ainda assim ele consegue esboçar um sorriso triunfante.

P.O.V. DRACO

Ainda sem entender o que me impulsionou a fazer isso, desfiz nosso beijo ficando a apenas alguns centímetros para poder encara-la. Ayla respirava com dificuldade e tremia um pouco também. Seu perfume me lembrava de alguma flor, cujo nome eu provavelmente nunca me importei de tomar conhecimento, misturado com o cheiro de fogo queimando, provavelmente pelas horas que ela passava junto a lareira do salão comunal. Essa mistura me embriagava e isso me irritava.

— Então é isso? – pergunto ainda pressionando-a enquanto ela tira os braços de mim e abraça a si mesma – Não quer que saibam que você gosta de mim, que me beijou e gostou de ter me beijado.

Ela não respondeu, encarou o chão ainda abraçando a si mesma, como se a qualquer momento fosse cair caso não o fizesse. Eu a deixava nervosa e isso era evidente.

— Vou tomar seu silencio como um sim... mas sabe, você tem que concordar comigo que pegar detenção é um exagero. – Brinco tentando parecer mais relaxado do que realmente estou.

— Porque fez isso? – ela então pergunta por fim reencontrando a voz.

Não tenho resposta para sua pergunta, não sei porque a beijei, eu deveria repudiar essa garota, mas a beijei, novamente, mas eu precisava responder algo. Pensei em meu pai e no fundo da minha mente uma resposta quase satisfatória surgiu.

— Por pena, não é obvio? – eu falo me afastando de vez dela e girando na sala com meu melhor sorriso. Em seus olhos posso ver o despertar de sua ira enquanto ela acompanha meus passos e absorve minhas palavras – Que foi? Não achou que significaria algo além disso, não é mesmo? Qual é Ayla, pensei que pelo menos fosse inteligente nessas coisas mundanas da vida. Sou um sangue-puro. Já deveria ter aprendido isso com o Cedrico, afinal, vocês se pegam escondidos, mas publicamente ele anda atrás da bruxinha corvina e sangue-pura.

Ela se manteve em silencio o tempo inteiro, isso me deixou preocupado, estava me preparando para uma chuva de pedras para cima de mim com insultos e talvez até azarações, mas isso não veio. Fiquei a encarando por alguns minutos quando ela finalmente de um passo sem levantar o olhar.

— Não preciso de sua pena Malfoy. – falou se afastando do armário e vindo em minha direção, mas passou reto por mim indo até a porta e fechando a mesma atrás de si, deixando-me sozinho na sala de Severo Snape.

P.O.V. AYLA

Sai da sala antes que o professor Snape voltasse, não me importava se isso me rendesse mais uma semana de detenção eu só não conseguia continuar no mesmo lugar que Draco Malfoy. Tinha que me trancar em algum lugar sozinha o mais rápido possível, mas eu sabia que minha sorte nunca tinha sido boa, não mudaria agora. Menos de dez passos depois de fechar a porta esbarrei em alguém que me segurou firme impedindo-me de cair.

— Vai a algum lugar srta.Blacklight?

— Desculpa professor, eu...

— Você? – ele me incentivou a falar – Você sabe que ainda não foi liberada?

— Não me sinto bem. – tentei falar sem fazer contato visual sentindo a primeira lagrima surgir.

— Pode ir para seu salão comunal.

P.O.V. DRACO

Eu esperei sentado, mas não demorou muito. Menos de dois minutos depois que Ayla partiu o professor Snape chegou. Ele não me olhou enquanto atravessava a sala e checava o armário.

— Você é mais empenhado que seu pai. – disse ele – Tem muito de sua mãe.

— E o que tem isso? – perguntei de má vontade.

— Não precisa ser como ele Draco, seja você mesmo.

— Isso é o tipo de conselho que professores dão para descobrirmos o que queremos para nosso futuro? – Perguntei desdenhando.

Que ridículo, o que ele queria afinal? Sempre foi meu professor preferido, porém isso não significava que deveria se meter na minha vida. Ele caminhou até uma estante cheia de frasquinhos miúdos e pegou um com um liquido meio azulado e outro verde escuro e estendeu a mim.

— Tome isso para a senhorita Ayla, por favor.

— O que é isso? – minha curiosidade falou mais alto.

— Ela disse que não se sentia bem quando saiu, estava, eu arrisco dizer, chorando. A verde é um tônico para fortalecer sua imunidade e a azul é para dormir sem sonhar. – ele explicou – Pode ir agora.

Me dispensou. Peguei os dois frasquinhos e segui para o salão comunal. Meus amigos provavelmente já estavam dormindo pois já passava das onze e havia sido um dia bem cheio. Eu ia ignorar o pedido de Snape, mas fiquei pensando no que ele havia dito. Ela estava chorando quando saiu da sala. Mudei meu caminho indo para o corredor dos quartos femininos, bati na porta do quarto que ela dividia com a garota Lockhart, não houve resposta, bati de novo e sua colega de quarto atendeu com a cara amassada e irritadiça.

— Que quer Malfoy? Errou de quarto?

— O professor Snape mandou isso para Ayla. – falei sem paciência. Esperava encontrar ela e não essa traidora do sangue irritante.

— Virou coruja agora? – ela riu.

— Ela está aí ou não? – perguntei e o olhar de Freya congelou.

— Ela ainda não voltou. – falou quase em um sussurro.

Não acreditei no que ela disse.

— Olha eu só estou entregando isso porque o professor ameaçou tirar pontos da Sonserina se eu não fizesse o que ele pediu. – menti – Ela falou a ele que não estava se sentindo bem e ele disse para ela tomar isso. Dá pra me deixar entregar isso, por Salazar. – terminei.

— Ela não voltou ainda MALFOY! – disse a garota quase gritando.

— Não grita sua idiota! – repreendi logo.

Ela tomou os frascos da minha mão e fechou a porta na minha cara. Fiquei parado sem saber como reagir, aquela idiota bateu a porta na minha cara. Virei pisando firme em direção ao corredor dos dormitórios masculinos. Antes que eu chegasse ao meu ouvi passos no salão comunal e voltei até a entrada do corredor para ver.

Freya estava saindo. Vestia uma capa preta por cima do pijama e tinha uma outra capa enrolada no braço. Essa de um verde da mesma cor da casa de Sonserina, pertencia a Ayla. Na outra mão ela carregava a varinha e os dois frasquinhos de poção que tentava guardar em um bolso.

Voltei para meu quarto, por mais tentado que estivesse a segui-la, lá Blásio ainda estava acordado estudando.

— Eai cara! Como foi a detenção com a Blacklight?

— Um tedio. – respondi no automático.

— Nossa, sério? Pela cara que ela estava quando retornou para o comunal parecia que você tinha feito alguma coisa.

— O que? – Exclamei mais alto do que deveria. Freya pareceu mentir quando disse que Ayla não havia retornado, mas ela saiu a procura da garota, o que significava que realmente não tinha visto Ayla, não era minha imaginação, o que estava acontecendo?

— Sei lá cara, ela parecia estar chorando. – ele respondeu me encarando – Pansy apostou que você deve ter feito ela desistir de Hogwarts.

— Ela voltou mesmo para cá?

— Foi o que acabei de dizer. – ele falou indo se deitar – Estou morto. Boa noite.

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P.O.V. Autora

Freya percorreu o castelo silenciosamente na esperança de não trombar com nenhum monitor ou Filch. Ela sabia os esconderijos da amiga e não demorou para chegar ao primeiro. A biblioteca. Lá estava tudo escuro e vazio e ela foi para o segundo lugar. A sala que nunca era utilizada no sexto andar, lugar que ela geralmente usava para se encontrar com Cedrico. Nada também. E assim seguiu para o terceiro, a torre de astronomia. Lá estava frio e chuva molhava todo deque, Ayla também não estava lá. Seguiu em direção ao sétimo andar quase sendo pega pela monitora da Corvinal e se safando por pouco. Parou em frente a uma parede enorme no fim do corredor do sétimo andar e pensou em sua amiga sozinha pelo castelo até que finalmente percebeu que Ayla se quer estava no castelo. Tomando caminho para as estufas, Freya atravessou a passagem secreta embaixo do salgueiro lutador indo até a casa dos gritos.

Uma porta toda de prata com pássaros negros ornamentados de esmeraldas surgiu a sua frente. Freya entrou rapidamente olhando por cima do ombro para ter certeza de que ninguém a seguia e fechou a porta atrás de si.

A sala não era muito grande, havia uma lareira com chamas verdes que lembravam o salão da Sonserina, um sofá cinzento e entre ele e próximo a lareira um grande tapete felpudo negro com ônix. Nas paredes cortinas grossas bloqueavam a luz da lua. Três portas se negras e uma escada era tudo que se via dali. Atrás de uma delas, Freya sabia que havia uma pequena cozinha, na outra, um banheiro e na terceira, a verde, um quarto. A garota seguiu para a terceira porta encontrando lá sua amiga encolhida na enorme cama.

Ayla ficou ouvindo os movimentos de Freya até que a garota se ajoelhou a sua frente e a abraçou. Ela deixou que as lagrimas caíssem e Freya continuou em silencio. Minutos, talvez horas tivessem passado quando Ayla percebeu que não tinha mais lagrimas para chorar. Estava gelada, com frio, Freya percebeu. Envolveu a capa delicadamente sobre a loira frágil diante de si e a levou para a lareira na outra peça, deu-lhe a poção verde e esperou para que a amiga estivesse pronta para falar e Ayla falou. Contou tudo que vinha escondendo a duas semanas de sua melhor amiga, da pessoa que a acolheu em casa.

As duas garotas permaneceram lá naquela noite, tinham tudo que precisavam e no dia seguinte elas não se preocuparam e sair, afinal era domingo e elas não teriam aula.

Ninguém exceto Draco pareceu notar o sumiço de Ayla e Freya. Ele se sentia mal pelo o que havia feito, se sentia pior ainda por se sentir assim.

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O mês passou rápido.

Freya prometerá guardar o segredo da amiga, e sempre fazia questão de indicar quando ela agia estranho, cuidando para que outros não percebessem suas mudanças de comportamento e evitava ao máximo perguntar o que ela faria a respeito, na intenção de não pressionar nem ferir a amiga. Contudo era mais difícil esconder de Cedrico, que, por sua vez, a abordava sempre que cruzam em um corredor semivazio onde ele tinha certeza que ninguém estava os escutando. Logo depois que o baile foi anunciado Ced pediu para que Ayla a acompanhasse, ela recusou no mesmo momento sabendo que não conseguiria estar com ele em público depois de sua última conversa com Draco. De repente o enorme e maravilhoso castelo se tornou sufocante e com a população extra que agora o habitava ela se tornou solitária e fria. Soube duas semanas depois que Cedrico havia convidado Cho, que agora dava pulinhos pelos corredores acompanhada de suas amigas da Corvinal.

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P.O.V. AYLA

Eu estava decidida a não ir no baile e não me importei nem um pouco em acordar antes de Freya no grande dia, correr pelo castelo e sair voando em direção a Hogsmeade. Sobrevoei a pequena cidade, a casa dos gritos, a floresta proibida e a casa de Hagrid, me certificando de passar longe do Salgueiro Lutador que adorava abater pássaros audaciosos que se arriscavam a voar próximos a ele.

Pousei no assoalho frio do corujal, nesse momento vazio e tornei para a forma humana, desci as escadas tranquila em direção ao salão comunal da Sonserina. Quase não havia gente nos corredores, era como nos feriados. Quando cheguei novamente a meu quarto Freya começou a gritar comigo e me empurrar roupas. Ela não desistiria tão fácil, eu deveria saber. Minha enérgica amiga havia me arrumado um par para o baile, o búlgaro que só fazia rir no dia da escolha dos campeões.

Aquele foi provavelmente o dia mais doloroso da minha vida até então.

O Búlgaro o qual fui obrigada a acompanhar não sabia quase nada de nossa língua e quando se animava e começava a tagarelar eu é quem começou a só rir, sorri tanto aquela noite que voltei para meu quarto com o maxilar paralisado.

— Ah, foi ótimo...

— Eu te odeio, sabia?

— Ah, Ayla, ele era uma gracinha e estava super afim de você, devia ter dado uma chance pro Búlgaro risonho.

— Eu não entendia quase nada do que ele falava, sério, Búlgaro, eu falo Inglês, Português, Frances, estou aprendendo espanhol e até entendo um pouco de Japonês e você me obriga a ir em um baile com um Búlgaro.

— Você é inacreditável, como eu não sabia que você sabia falar todas essas línguas?

— Provavelmente porque minha melhor amiga é bem desatenta... – digo me jogando no sofá – Estou morta.

— Vou lá em cima pegar uns doces e já volto, quero te contar tudo que aconteceu quando eu dei uma sumidinha.

Ela correu eu a acompanhei com o olhar até que sumisse de vista. Do outro lado do salão Draco me encarava com a cara fechada e uma Pansy Parkinson risonha agarrada em seu braço. Eu o encarei de volta, decidida a fazê-lo desviar o olhar, mas ele não o fez, ao invés disso sorriu desafiador e puxou Pansy para beija-la. Freya interrompeu minha visão pulando no sofá com alguns doces e uma garrafa transparente com liquido avermelhado.

— Não. — logo disse.

— Ah nem começa, eu contrabandeei isso com muito esforço.

— É errado Frey...

— Diga-me isso ano que vem quando você for monitora, ok? – disse ela abrindo a garrafa e servindo dois copos – Mas agora, beba.

— Ai meu deus, você não presta. – disse pegando o copo e virando.

— Melhor? – ela me perguntou com um sorriso quando abri os olhos novamente.

— Isso é horrível.

— Por isso é tão bom! – ela comemorou e virou o seu.

Ficamos ali rindo e cada uma de nós virou mais um copo antes de perceber os olhares em cima de nós. Freya juntou suas coisas e mostrou a língua para Blásio quando passou por ele em direção a escada. Draco, mesmo provocativo como seus amigos, me lançou um rápido olhar de fúria. Estava bravo com o que afinal? Decidi deixar para lá. Durante o mês que passou ele só havia falado comigo duas vezes, uma durante uma aula de poções na qual fomos obrigados pelo professor Snape a formar pares e outra na segunda feira quando Freya e eu finalmente retornamos da casa dos gritos, depois de meu choroso fim de semana, por culpa dele. Esbarrou em mim em uma virada de corredor, me segurou impedindo que eu caísse e perguntou se eu estava bem, provavelmente por um reflexo, pois segundos depois me chamou de sangue-ruim e mandou eu prestar atenção.

Respondi seu olhar frio com um sorriso que dizia “Qual é, me deixa...” e acompanhei Freya para o quarto.