Lutando Para Amar.
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Das inúmeras lendas que circulavam pelos reinos, uma das mais contadas e a única que soava minimamente verdadeira era a história que levava o nome de "A Vila dos Nobres Plebeus".
Os cantores que usavam a voz para narrar com o acompanhamento de instrumentos musicais ou as pessoas mais velhas que contavam dramaticamente para quem quisesse ouvir, diziam que havia cinco nobres, que, por motivos desconhecidos, decidiram abrir mão da suposta vida privilegiada que era proporcionada para quem tinha sangue real correndo nas veias. Esses eram dois príncipes, duas princesas e uma rainha, cada um de reinos diferentes. Se unindo para facilitar seu objetivo, os cinco fugiram na calada da noite, usando as sombras como aliadas e apenas com a lua sabendo do seu ato de rebeldia.
Os cinco reinos a qual esses membros da realeza pertenciam, sendo dois desses inimigos, resolveram unir forças para capturar os fugitivos e os trazer a força de volta. Meses de passaram, mas nem sequer uma pista do paradeiro dos rebeldes foi encontrada. Com essa falta de resultado, logo as desavenças começaram: Os dois reinos inimigos começaram a ter brigas cada vez mais intensas, alegando que a incompetência dos soldados um do outro era o que os impedia de encontrar os foragidos. Os outros três reinos, temendo que ocorresse uma guerra, tentaram apartar as brigas, mas acabaram se contagiado com ódio dos aliados e também começaram a brigar entre si.
Uma guerra sangrenta foi travada entre esses cinco reinos. Com a duração de quase uma década, foi um tempo de angústia e incerteza para o povo, e um grande prejuízo, cheios perdas para as famílias reais. Como parecia que nunca haveria vencedor, os cinco reinos decidiram assinar um contrato de paz, pondo fim a guerra.
Ninguém sabe o que aconteceu com os fugitivos. Alguns pessimistas afirmam que eles morreram durante a viajem, tendo sido atacados por animais selvagens que mutilaram seus corpos, os deixando irreconhecíveis, mas outros juram que eles sobreviveram, encontraram um lugar de solo fértil e boa caça, onde nunca seriam encontrados pelos seus perseguidores. Essa coragem inspirou outros nobres que, enfrentando problemas na vida real que levavam, acharam a solução que precisavam na fuga e decidiram tentar encontrar os cinco primeiros fugitivos.
Alguns desses membros rebeldes da realeza eram pegos e forçados a voltar para seu reino, outros desapareciam como se nunca tivessem existido e nunca mais eram encontrados. O boato era que esses que sumiam encontraram os primeiros a fugir, que os recebiam de braços abertos na sua morada. Com o tempo, o pequeno grupo foi aumentando, pois os nobres que fugiam para se juntar a eles se casavam e tinham filhos que expandia o grupo. Logo eles se tornaram numerosos o suficiente para se tornar do tamanho de uma pequena vila, ganhando assim o nome de "A Vila dos Nobres Plebeus". Como muitos soldados ainda procuravam muitos dos príncipes e princesas que fugiram para junto deles, as pessoas se viram forçadas a estar em intensa mudança. Se tornando nômades, nunca tiveram um lar específico ou um único lugar para residir.
Algumas vezes, membros da realeza que já não eram mais procurados ou descendentes desses nobres, saíam da segurança que a vila ofereciam e iam tentar construir uma vida em algum outro lugar. Essas pessoas, em sinal de gratidão aos que os acolheram, viravam seus espiões e cuidavam de os manter informados sobre o que acontecia no mundo fora da vila.
Esses aliados auxiliavam os amigos a passarem por um reino que surgia em seu caminho de forma despercebida ou ajudavam outros fugitivos a encontrarem a vila, sempre tendo o cuidado de não serem descobertos, claro.
Quando era criança, Alex sonhava em fugir e tentar encontrar essa vila, levando Thalia consigo, claro. A mudança constante que passariam os faria viver suas tão sonhadas aventuras, e ambos conheceriam lugares incríveis e seriam testemunha de situações inusitadas. As vezes, quando dormia em meio a essas fantasias, sonhava com ele e a ruiva sentados ao redor de uma fogueira, saboreando a caça que pegaram naquele dia e ouvindo as histórias dos ex membros da realeza. Mas aquela criança cresceu, e ele passou a acreditar que era apenas uma lenda, embora houvesse momentos, geralmente quando a pressão do seu cargo era muito sufocante, que ainda sonhava em fugir para sair em busca da vila.
No atual momento, eles seguiam para o reino dos Leonios, famoso por ter os melhores guerreiros dos quatro principais reinos da região. Era um reino inimigo do seu e, Alex imaginava, talvez permitissem que ele permanecesse lá caso ouvisse sua história. Era um plano arriscado, havia a possibilidade dele ser morto antes mesmo de se explicar, mas ambos não tinham outras opções. Se tentassem se infiltrar em qualquer outro reino, as autoridades não hesitariam em entregá-los na tentativa de forjar uma aliança. O reino dos RealisAurum era famoso por ter grande riqueza vegetal, seus produtos eram bastantes cobiçados e eles davam descontos para reinos aliados. Por que manter um princípe rebelde, quando poderia entregá-lo e ainda ganhar benefícios?
Mas os Leonios já deixaram claro que não desejavam nenhuma aliança com os RealisAurum, e talvez mantivesse Alex, pelo simples prazer de possuir o herdeiro legítimo do reino inimigo rebaixado a um simples plebeu em seu reino.
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—- Os preços das coisas desse lugar são um absurdo! -- Thalia exclamou, entrando no quarto de casal que eles tinham alugado por uma noite.
O combinado que fizeram era de desviar de qualquer cidade, reino ou vila que surgisse no caminho, não importando quanto tempo esse desvio levasse. Isso impediria que testemunhas dessem pistas da direção que eles seguiam, mas como seus mantimentos começando a acabar quando estava completando uma semana de viajem, resolveram passar a noite em um vilarejo que avistaram no pôr-do-sol do sétimo dia.
—- As mercadorias demoram mais tempo para chegar aqui, Thalia, e os entregadores cobram mais caro pelo fato desses lugares serem de mais difícil acesso. -- Alex explicou, folheando um livro que trouxe consigo. Ler era um dos poucos costumes que tinha trazido consigo do castelo que viveu.
—- Ainda acho os preços daqui absurdos. -- A mulher resmungou, colocando a cesta com mantimentos em cima de uma pequena cômoda que parecia ser o baquete de cupins. -- Além disso, os vendedores são uns grossos!
Alex levantou o olhar para a companheira, parecendo preocupado.
—- Você não matou ninguém, não é? -- A seriedade da pergunta chegava a ser assustadora, para quem não estivesse acostumado com a personalidade explosiva de Thalia.
—- A vontade de pular no pescoço de alguns não foi pouca, confesso. Mas me controlei. -- Ela deu de ombros. -- Achei que chamaria a atenção que não queríamos. -- Alex deu um suspiro aliviado e voltou a ler o livro. -- Mas ainda acho os preços daqui absurdos!
O príncipe bufou e revirou os olhos, contendo um pequeno sorriso.
—- Você é uma chata, sabia? -- Um travesseiro atingiu a cara do homem, que encarou perplexo a plebéia que sorria para ele, presunçosa. -- Você acaba de declara guerra, Nathalia Ohana!
Ele se armou do travesseiro que o atingiu, e Thalia agarrou o outro que tinha sobrado. Uma guerra de travesseiros se prolongou por um bom tempo, acabando com dois travesseiros cruelmente assassinatos e um casal rindo histericamente na cama da infantilidade que tinham acabado de fazer. Então seus olhares se encontraram e logo seus lábios foram selados num beijo apaixonado, porém feroz.
Qualquer cansaço causado pela brincadeira, foi substituído pelo desejo que sentiam um pelo outro naquele momento.
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Thalia abriu os olhos, vislumbrando a claridade da madrugada que entrava pela janela do pequeno quarto. Ela se remexeu levemente, percebendo que os braços de Alex estavam a sua volta protetoramente e que ambos estavam completamente despidos. Um sorriso brotou em seus lábios quando lembrou da noite passada.
Se levantando com cuidado para não acordar o outro, a mulher pegou o lençol e o usou para cobrir sua nudez, andando à passos arrastados até a janela. Ela observou o céu que já não era mais estrelado, o sol era um pontinho pequeno de luz que se erguia de forma lenta e bela no horizonte, indicando que a madrugada já chegava ao fim, dando lugar ao amanhecer.
Olhando aquela vila silenciosa e sem nenhuma alma viva nas ruas, Thalia parou para refletir sobre sua vida. Ela tinha sentimentos sérios por Alex, mas esse não era o único motivo que a fizera fugir com ele:
Seu pai era um sapateiro simples e sem nenhuma ganância, trabalhava duramente para sustentar ela e a irmã mais velha, e ainda tentava arranjar tempo para moldar o caráter das filhas. Sua mãe tinha morrido no parto de risco no qual ela fora concebida, Thalia nunca a conheceu, mas seu pai parecia adorar lhe informar de que ela tinha puxado os cabelos cor-de-cobre da mãe. O velho Sr. Ohana havia morrido de uma doença incurável no ano passado, a amizade de Alex uma coisa essencial para ela conseguir superar essa perda e seguir em frente. Quando o amigo lhe contou que seu pai queria o forçar a se casar e que ele fugiria quando as primeiras folhas de outono caíssem, ela não hesitou antes de decidir que iria com ele.
"Por que não?" Thalia pensou. Nada a prendia à aquele reino, ela era órfão, sua irmã se casará com um marquês e tinha partido para outro reino a quase oito meses. Alex era a única família que restava para ela, e essa fuga era a chance de realizar seu sonho de conhecer e explorar o mundo além dessas muralhas que a cercavam.
"Por que não?" Thalia perguntou em voz alta, encarando o príncipe com uma intensidade que fez o coração do mesmo acelerar. Foi nesse momento, no alto de um telhado, quando os relógios marcavam cinco para a meia-noite, que eles se beijaram pela primeira vez.
Um som incomum despertou Thalia de suas lembranças. A ruiva levantou o olhar para o começo da ruas de terra e cascalho, arfando com o que viu. Cerca de trinta soldados, armados e trajado belas armaduras com o brasão do RealisAurum do lado esquerdo do peito, caminhavam e se aproximavam perigosamente da hospedagem. Thalia correu até Alex, o sacudido violentamente e exclamando seu nome na tentativa de acordá-lo. Quando o homem abriu os olhos e a encarou, confuso, a plebéia se apressou em se vestir.
—- Thalia...
—- Os soldados nos alcançaram! -- Ela interrompeu, já vestida e começando a arrumar suas coisas. -- Estão aqui no vilarejo!
—- Que?! -- Alex empurrou a sonolência para longe e se pôs de pé, também começando a se vestir. -- Como nos alcançaram tão rápido?
—- É uma ótima pergunta. -- Thalia jogou as bolsas dos dois por cima do ombro e observou ele abotoar de forma rápida e um tanto desajeitada os botões da camisa de algodão. -- O que vamos fazer?
Alex foi até a janela, vendo que três soldados estavam em uma discussão com a dona da hospedagem, que não estava nem um pouco feliz com a chegada do estranhos armados que queriam incomodar seus hóspedes.
—- Temos que sair daqui o mais rápido que pudemos. Já pagamos nossa estadia aqui, não há problema nenhum em simplesmente saímos sem muitas explicações. -- O homem disse, por fim.
Alex colocou se chapéu de palha, enfiando os cabelos negros para dentro dele e se preparou para fixar os olhos no chão até estarem longe daquele vilarejo. Thalia lhe deu sua bolsa e eles seguiram em silêncio para a saída. Tudo correu bem nos primeiros momentos: Eles desceram as poucas escadas que precisavam cruzar até chegar no hall de entrada onde ficava a recepção, a ruiva agarrou o braço do companheiro e também fixou o olhar no chão. Quando passaram pelos soldados, que pareciam muito ocupados tentando não perder a paciência para notá-los, se sentiram aliviados.
Eles teriam conseguido passar despercebidos, se um dos soldados, precisando olhar para algo que não fosse o rosto enrugado e furioso da mulher com a qual discutia, não tivesse passado os olhos por aquela rua e então notasse aqueles casal se afastado sutilmente.
—- Ei! Vocês dois! -- Alex e Thalia prenderam a respiração, sentindo sua pulsação acelerar. Os outros dois soldados perderam o interesse na velha dona da hospedagem e também notaram o casal. -- Quem são vocês e aonde pensam que vão?
Thalia se virou lentamente, ousando encarar o soldado, seu olhar frio preso no inexpressivo do desconhecido.
—- Acho hilário você achar que nossa vida é da sua conta. -- Foi a resposta que a ruiva lhe lançou num tom ríspido e duro, antes de correr, arrastado Alex junto.
—- PAREM! PAREM AGORA VOCÊS DOIS! -- Os gritos e ordens dos homens foram completamente ignorados pelos dois jovens.
Deixando a plebéia guiá-lo até a estrebaria, Alex apenas seguia a outra, sentido seu coração acelerado com a ideia pessimista de ser pego passando por sua mente. Ao chegar no lugar onde deveriam estar seus animais, na parte de trás da hospedagem, viram que já era tarde demais e que os soldados tinham cercado o local. Estavam prestes a voltar por onde vieram, mas foram impedidos pelos três primeiros soldados que encontraram, que chamaram a atenção dos companheiros que verificavam a estrebaria com seus protestos estridentes.
Alex então pegou a mão de Thalia e correu em direção aos três soldados, pois eram um número menor dos que cercavam a estrebaria. Alex largou a mão da companheira e, num movimento rápido e imprevisível que tinha aprendido com seu treinador de esgrima, se agachou na última hora e aplicou uma rasteira no soldado do meio, liberando um espaço de fuga. Thalia, que não havia recebido um treinamento para combate, tentou algo mais simples e deslizou pelo espaço entre as pernas do que parecia ser o mais descuidado, tomando cuidado para sem manter fora do alcance da espada que ele brandia.
Ambos dispararam pelas ruas, o príncipe se deixava guiar por Thalia que conhecia melhor aquelas ruas. Eles pararam num cruzamento de esquinas para descansar e pegar o fôlego após verificarem que nenhum soldado estava por perto.
—- O que vamos fazer? -- A garota perguntou.
—- Temos que chegar até a saída, sem chamar atenção deles. -- Alex balançou a cabeça, bufando. -- Vamos, temos que encontrar um lugar para nós esconder.
Eles perambularam cuidadosamente pelo vilarejo, acabando por encontrar um casa onde alguém descuidado deixará uma janela, grande o suficiente para eles passarem, aberta. Pularam a cerca e contornaram o pequeno cercado, onde uma vaca os encarou com grandes olhos negros. Passaram por uma horta muito bem cuidada, mas sem muita variedade de legumes e verduras, e adentraram a casa usando a janela.
O casal se viu numa cozinha bastante organizada e limpa. As panelas que não estavam penduradas em pregos, estavam empilhadas em uma uma prateleira de madeira, junto com vidrinhos e saquinhos de tempero. Um fogão a lenha estava junto a parede, com uma panela que exalava um cheiro ótimo, ao lado desse fogão estava a porta que dava para o quintal, seguida da janela que Thalia e Alex usaram. No centro da cozinha, estava uma mesa de tamanho médio, coberta de uma toalha cor de vinho e uma entrada sem porta nenhuma dava para um corredor mal iluminado.
Eles seguiram pela entrada, se vendo num corredor com duas portas. Antes que um dos dois pudessem adentrar mais a casa, uma mulher surgiu no final do corredor. Ela tinha um cabelo liso e quebradiço que parecia algum dia ter sido preto, mas agora era predominado pelos fios brancos, várias rugas marcavam seu rosto e ela tinha olhos dóceis e atentos que se arregalaram quando viram os dois estranhos.
—- Quem...Quem sãovocês? -- A idosa perguntou, alarmada.
—- Nós não vamos machucar a senhora. -- Alex se apressou em dizer. -- Mas precisamos de ajudar.
—- Podemos pagar pelo seu auxílio. -- Thalia acrescentou.
A anfitriã estreitou os olhos e encolheu os ombros, os encarando fixamente por um tempo.
—- Venham, vamos conversar na sala.
Ela sumiu no corredor e o casal hesitou um pouco antes de à seguir. Logo se viram numa sala pequena, onde havia apenas uma lareira bem construída com duas poltronas velhas e remendadas junto e uma janelinha aberta que deixava o ambiente iluminado. A mais velha sentou num dos assentos, e Alex sentou na outra poltrona e puxou Thalia para sentar em seu colo delicadamente.
—- A senhora é casada. -- Thalia afirmou, reparando na fina aliança prateada que brilhava no mão esquerda.
—- Ah, sim... -- A anciã sorriu e, como sempre fazia quando estava perdida em lembranças ou quando estava pensando em algo, encolheu os ombros. -- Eu e Filipe somos casados há muitos anos.
—- Tem filhos? -- Alex emendou.
—- Não. -- O sorriso vacilou por um instante, fazendo o príncipe se arrepender da pergunta. -- Tenho um pequeno problema de fertilidade. Todos os filhos que carreguei morreram nas primeiras semanas.
—- Eu lamento, senhora. -- Thalia disse, com sinceridade.
—- Bem... -- A anfitriã limpou a garganta e sorriu novamente, mas esse sorriso parecia um pouco forçado, como aquele sorriso que se abre para esconder uma dor profunda. -- Quais são seus nomes, meus jovens?
O casal ficou imaginando quantas pessoas já tinham questionado a falta de filhos daquela mulher, quanto tempo ela deixou a dor transparecer por seus olhos, até conseguir forjar um máscara de alegria e indiferença para esconder todos os sentimentos negativos que sua incapacidade de ter herdeiros provocava.
—- Pode me chamar de Thalia. Esse aqui é meu companheiro, Alex. As pessoas próximas a nós nos chamam assim. -- A garota respondeu, depois de um breve silêncio.
A senhora inclinou a cabeça, uma mecha caído por seu rosto queimado de sol.
—- E as pessoas que não são próximas a vocês? Como elas os chamam?
—- Hum... -- Alex mordeu o lábio inferior e passou os braços pela cintura de Thalia. -- De onde viemos, temos o costume de dar apelidos quando criamos uma ligação amigável com alguém.
—- Parece algo divertido de se praticar. -- A mais velha imaginou pessoas conhecendo umas às outras nesse lugar, esperando depois de um longo e animado diálogo a outra lhe chamar por algum apelido bobo indicado que eles tinham acabado de se tornar amigos. -- Me chamo Christiane, é um prazer conhecê-los. Se me permitem perguntar, por que invadiram minha casa?
Thalia abriu um sorriso sem graça e Alex escondeu o rosto vermelho de vergonha atrás dela.
—- Nós precisamos de ajudar. -- O nobre murmurou, um pouco constrangido. Ele olhou para Thalia, perguntando silenciosamente se devia contar a verdade. Sua reposta foi um dar indiferente de ombros. -- Estamos tentando chegar ao reino dos Leonios.
Christiane franziu a testa por uns segundos, então um brilho de compreensão passou por seus olhos escuros.
—- Os soldados que passaram aqui mais cedo... Estão atrás de vocês dois?
—- Sim. -- Alex se sentiu aliviado, se eles já tinham passado ali, não voltariam a incomodar por um tempo. -- Eles querem nos levar de volta para o reino de onde fugimos, senhora. Por isso precisamos de você.
Christiane encolheu os ombros e encarou a lareira apagada por um tempo. A lenha chamuscada era enfeitada por cinzas da madeira que não tinha resistido a implacável destruição provocada pelo fogo. Então, seus olhos voltaram a encarar o casal que fixava um olhar cheio de expectativa nela.
—- Esperem meu marido chegar, e cuidaremos de levá-los para fora do vilarejo. -- A anciã disse com voz doce.
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