Lumos Solem

26 Capítulo XIV


Notas iniciais
Espero que tenham sentido minha falta nesse três dias ♥ Lá vai

— Hum, não aparecem muitas pessoas interessantes. — Ela revelou com as mãos nos bolsos.

— Mas você também não parece que está com muitas pessoas ou que fica com muitas pessoas. — Sirius explicou.

Pasca ficou vermelha de vergonha e culpa. — E se eu estivesse com outras pessoas?

Sirius encarou a rua, refletindo sobre a pergunta. Ele partiu os lábios para falar algo, mas voltou a fechar a boca, sem saber exatamente o que dizer.

— Significaria que você está se divertindo.

Eles ficaram em silêncio por um tempo. Pasca refletia sobre o animago e se o que Sirius tinha dito era sincero, parecia vago.

— Não aparecem muitas pessoas interessantes que valem o esforço. — Ela disse.

Sirius abaixou o cigarro e a encarou, surpreso com a fala.

— O que? — Ela perguntou.

— Nada. — Ele respondeu.

Eles ficaram em silêncio por mais um instante.

— Você vale o esforço. — Sirius disse e foi a vez dela de ficar surpresa.

Ela sorriu e pensou que não sabia como se aproximar dele, queria abraçá-lo, ninha-lo em seu ombro por tentar entendê-la. Também queria contar que havia beijado um garoto que se transforma em cão e que quase não aguenta guardar esse segredo, mas sabia que ainda precisava ficar quieta sobre esta parte.

Pasca pensou sobre como gostava de Sirius Black e como ele era doce com ela, e que estava gostando daquele dia, mas também sabia que precisava ir com calma, sabia que esse era um cara que se assustava fácil com intimidade e que não queria que ele se afastasse. Pensou sobre como sabia que ele gostava dela, como ele havia deixado aquilo claro algumas vezes. Então simplesmente quebrou o espaço que dividia os dois parando em sua frente. Ela o abraçou pela cintura, por cima da jaqueta, e plantou o rosto em seu peito. Pasca o escutou arfar antes de envolvê-la com os braços também. Ela conseguia escutar o coração dele batendo forte e ritmado.

— Você vale a pena. — Ela disse sem olhar para Sirius, mas sentiu que foi o suficiente.

Ele a abraçou mais forte, colocando o queixo em cima da cabeça dela. Os dois ficaram assim por um tempo, até Pasca reunir coragem e levantar o rosto, inclinando-se nos dedos dos pés, para alcançar seus lábios para um beijo casto.

Aquela pequena cena despertou algo no âmago de Sirius, que pegou o rosto da garota com as duas mãos e a procedeu a beijá-la de volta, em um beijo bem menos casto.

Eles foram interrompidos rapidamente por um som alto na rua a frente. Ambos viraram-se na direção do barulho, Sirius agiu tão rápido quanto, pegando o pulso de Pasca e a colocando atrás de seu corpo. Ele reconhecia aquele som, não era algo de trouxas.

Pessoas corriam pela rua gritando, carros buzinando, fugindo do centro, fugindo da fumaça que havia sido instaurada. Quando ela se dissipou um pouco mais, Sirius pode ver seres encapuzados atordoando pessoas vestidas comumente.

Pasca arfou, vendo o mesmo que Sirius. Os dois pegaram as varinhas, Sirius sentia Pasca tremer atrás dele, mas ele estava reto e pronto.

— Estupefaça! — Sirius gritou, atingindo uma das pessoas encapuzadas, levando-a 10 metros longe e ao chão.

Os Comensais da Morte procuraram ao redor antes de seu colega cair ao chão e rapidamente viram Sirius e Pasca de varinhas erguidas.

— Avadra Kedrava! — Uma voz feminina gritou na direção deles.

Sirius simplesmente rebateu o feitiço torcendo o pulso. Pasca o puxou na direção de uma ruela, Sirius a deixou conduzir, ao mesmo tempo que olhava para trás.

— Estamos longe da moto? — Pasca perguntou enquanto corria de mãos dadas com Sirius.

— Não. — Ele respondeu e virou-se novamente na direção da entrada da rua.

— Petrificus Totalus.— Alguém atrás deles gritou, atingindo o chão onde Sirius pisou menos de 1 segundos antes.

— Bombarda Máxima! — Pasca gritou apontando para o prédio ao lado de alguns Comensais.

A parede de tijolos desmoronou, caindo em cima de dois bruxos.

Sirius riu de forma maníaca. — Boa!

— Obrigada! — Ela agradeceu se divertindo enquanto eles viravam a esquerda.

Eles correram sem olhar para trás e já conseguiam ver a moto de Sirius. Pasca repetiu o mesmo feitiço em outro prédio, complicando a passagem dos Comensais que virariam a esquina como eles.

Os dois montaram na moto, arfando como desesperados. Pasca enrolou seu braço esquerdo ao redor de Sirius e virou-se com a varinha erguida, pronta para disparar mais feitiços.

— Abaixe-se! — Pasca gritou enquanto puxava Sirius para a esquerda, um raio verde passando muito próximo a eles. — Oppugno!— Pasca gritou apontando para a estátua de Oliver Cromwell, que saltou do pedestal e começou a perseguir os Comensais, seus feitiços sendo vãos contra o bronze.

— Vai, vai! — Pasca gritou para Sirius imediatamente depois.

A garota teve que se segurar com mais afinco, ela escorregava para fora do banco sendo impulsionada pela velocidade. Ela virou o rosto na direção dos Comensais; dois tentavam acertá-los, mas o outro estava ocupado com a estátua.

Pasca viu quando Sirius acionou a invisibilidade e os dois subiram para o céu.



A ida foi mais difícil que a vinda, Sirius conduzia com mais pressa e mais alto. Os dentes de Pasca batiam com força e ela sentia partes do cabelo tão geladas que pareciam começar a congelar.

Sirius, preocupado, continuava repetindo que eles estavam perto e que ficaria tudo bem. Pasca assentia, sem falar nada.

Quando eles finalmente pousaram em Hogsmeade, Sirius voltou rapidamente para a casa abandonada de antes, deixando a moto na garagem. Ele conferiu o relógio, eram 21h.

— Você está bem? — Ele perguntou do lado de fora.

Ela assentiu, seus lábios estavam azulados.

— Quenterralopus. — Sirius murmurou e ar quente surgiu da ponta de sua varinha, logo o tom de pele de Pasca voltou ao rosado normal.

— Obrigada, precisava disso. — Ela disse.

Sirius assentiu. — Precisamos voltar para Hogwarts, sei um caminho rápido, mas um pouco perigoso.

— Quando não é? — Ela disse divertida.

Sirius deu um pequeno sorriso, mas não falou nada, sentia-se culpado, um gelado que não passava no estômago. Ele a guiou para uma área da casa, abaixando-se e engatinhando para dentro de um buraco. O espaço lá dentro era mais espaçoso.

— Sirius, o que aconteceu lá? — Pasca sussurrou.

Black ficou em silêncio por um tempo.

— Mais ataques a trouxas. — Ele disse. — Não deveria ter feito nada, eles me reconhecem agora e, pior, te conhecem.

Foi o momento de Pasca ficar em silêncio.

— Não estivemos perto o suficiente deles, talvez não tenham reconhecido a gente. — Pasca disse se erguendo, a subida estava ficando mais larga, de forma que eles podiam andar eretos.

— Eles já desconfiavam que eu estava envolvido. — Sirius suspirou.

— … Como?

“Em algum momento vou ter que contar sobre Regulus.”, pensou.

— Meu irmão faz parte dos Comensais da Morte. Aconteceu esse ano… Ele era fã de Voldemort como os meus pais, mas… — Sirius parou de falar, ocupado pelos pensamentos que aquele assunto trazia.

Pasca estava quieta atrás dele, o que o fez perceber que havia parado de falar.

— Claro que eles perceberam que eu era o único que não queria fazer parte do fã clube obsessivo. — Sirius disse com um humor que babava veneno.

— Ah, Sirius…. Isso soa… horrível. — Pasca murmurou atrás dele.

Ele sentiu os dedos gelados dela segurarem os quentes dele. Incrivelmente, aquele contato o fez se sentir melhor.

— Não posso fazer nada agora. — Ele disse qualquer coisa.

— Você nunca pôde. Essa foi a decisão deles. Você tem sorte.

Ele pensou sobre o que ela falava. Realmente tinha sorte, de uma família de quatro bruxos puro sangue, ele era o único que não havia sido enfeitiçado pela ideia de supremacia.

— Não é como se fossem nos matar, também. — Pasca disse como se na verdade aquilo fosse ruim. — Somos puro sangue, eles precisam de gente como nós. — Ela falou com nojo.

Sirius sentiu uma conexão maior entre eles que o fez sorrir.

— Estamos chegando. Olha, estamos embaixo do Salgueiro Lutador. — Mesmo no escuro Sirius viu os olhos dela se arregalarem.

— Está tudo bem, ele vai parar. Confie em mim. — Sirius disse.

— Ok…

E como ele disse, a árvore realmente parou de se remexer. E eles passaram com facilidade pelo buraco perto de suas raízes.

Os dois correram na direção do castelo e Sirius se sentia agitado, mal, chateado por tê-la envolvido naquela enrascada. Queria ter saído dali mais cedo por causa dela, mas também sentia-se melhor por limitar alguns Comensais.

— Pasca, espere. — Ele pediu enquanto ela virava uma esquina.

A garota voltou, sua expressão uma interrogação.

— Desculpe de verdade… Não devia ter te envolvido nisso.

— Sirius… — Ele gostava de quando o nome dele escorria pela boca dele — a culpa não é sua de forma alguma. E, aliás, foi bom fazer alguma coisa.

Sirius balançou a cabeça negativamente. — Você não precisava estar envolvida nisso.

Pasca revirou os olhos. — O que foi isso de qualquer forma?

Ele ficou em silêncio. — Não sei. Vamos procurar James e os outros.

Os dois subiram as escadas temperamentais que levavam até o dormitório da Grifinória e Sirius deu a senha para a Mulher Gorda, que tomava vinho com a musa de outro quadro.

— Pastéis de Abacaxi? — Pasca repetiu a senha.

— Ela é uma mulher de gostos exóticos. — Sirius disse.

Os dois arregalaram os olhos para a visão da Sala Comunal da Grifinória depois da Mulher Gorda autorizar a entrada deles, vislumbrando algo perto de uma zona de guerra. Mais de uma vitrola tocava uma das músicas do momento de uma banda chamada 7 Hipogrifos, bruxos dançavam em descontrole pelo Salão usando máscaras e as luzes estavam baixas. Era uma enorme festa de máscaras.

— Droga, esqueci completamente disso! — Sirius disse no ouvido de Pasca, tentando superar a música.

Sirius olhou ao redor e encontrou James e Lily dançando de forma empolgada demais para ser graciosa e Peter e Lupin sentados bebendo observando os dois.

O garoto deu um passo à frente, mas foi barrado por uma grifinória alta que mascava alguma coisa.

— Não entra sem máscara. — Ela disse com uma voz profunda.

— Esse é o meu dormitório.

Ela deu de ombros. Sirius suspirou.

Notas finais
Não gosto das minhas cenas de ação, mas foi o que tivemos, não é mesmo? Espero que vocês tenham gostado mais do que eu e, se não, que tenham paciência kkkkk tô tentando. Até domingooo!