Notas iniciais
Entãaaaaao.... Capítulo novo pra vocês (eu sei, eu sei, eu demorei pacas, mas não tenho jeito, eu sou um caso perdido). Eu posso demorar éons pra atualizar mas nunca abandono nada, então não desistam de mim, please. Que todos façam uma boa leitura :3

— Ah… espero que esteja preparado para ser caçado, Aborto Tresloucado.

Enquanto se dirigiam para a “arena de combate”, Cateline conseguiria aproximar-se de Glen, na tentativa de aterrorizá-lo um pouco mais, o que não era necessário, já que ele tremia enquanto caminhava. Estava quase apiedando-se dele, afinal um trouxa sendo alvo de bruxos não devia ser animador… para ele, pelo menos. — Ora, não faça essa cara. Vamos fazer o seguinte, depois disso tudo eu lhe devolvo a aparência artística que tanto te atrai.

— Pode decidir se quer me assustar ou me consolar? — ele retrucou, descrente.

—Ambos. — o sorriso de satisfação dela era realmente assustador, mas não durou muito. — Mas não se preocupe com isso, nenhum de nós vai machucá-lo de propósito.

— Isso quer dizer que existe a possibilidade…

— Ah, existe, claro… mas de minha parte evitarei tal coisa.

Ela parecia muito sincera ao alegar isso, levando a mão ao peito, como se fizesse uma promessa. Depois voltou a olhar para frente, e abriu um dos seus habituais sorrisos irônicos. — Além do mais, se eu te ferisse de verdade, aquela garota ia ficar zangada comigo.

— Aquela…? — ele franziu o cenho, sem compreender muito bem a frase, e lançou sua atenção ao tal campo aberto que Godric mencionara. Atualmente, ali foi construído o campo para a prática de Quadriboll, mas naqueles antigos dias este esporte sequer existia, então o local era apenas uma área extensa e bem cuidada, onde alguns estudantes iam para gastar o tempo, e professores como o próprio Griffindor arranjam espaço o bastante para testar suas ideias.

Grama verde e macia cobria-o completamente, e o rapaz só podia ver o quanto era grande, já que não tinha muita noção de dimensões. Ao menos teria um bom espaço para percorrer, embora não fosse muito bom em correr, principalmente de desviar de feitiços lançados contra ele. Se Cateline ia ser sua caçadora, esperava que os seus guardiões fossem igualmente capazes.

O fundador adiantou-se, fazendo um sinal para que todos os presentes se reunissem em um mesmo local. Glen postou-se ao seu lado, nervosismo puro correndo por suas veias, enquanto murmurava uma prece qualquer em sua mente, pedindo proteção física e mental. A turma reuniu-se em um semicírculo em frente a Godric, enquanto ele levantava a mão, pedindo sua atenção. — Vamos começar pelo mais fácil… Algum de vocês tem preferência por ser os caçadores?

Cateline estendeu a mão, junto com mais meia dúzia de alunos, incluindo Ian.

— E quanto aos guardiões?

Lottie ergueu a mão, e mais alguns. Katherine parecia não ver diferença entre um e outro, então se absteve de escolher… O mestre fez um movimento afirmativo com a cabeça algumas vezes, e com a voz mais séria do mundo, alegou: — Vocês que escolheram… ficarão na posição oposta a que desejam.

Um murmúrio de chateação percorreu o pequeno grupo. Cateline cruzou os braços, levantando uma sobrancelha, com uma expressão frustrada. — O quê? Isso não se faz, Godric, ficar brincando com os sentimentos alheios.

— Eu não estou brincando, muito pelo contrário. — ele deu uma risada divertida, inclinando a cabeça para a direita. — A maior parte de vocês tem preferências quanto ao uso que dão a magia… sendo atacantes ou defensores, é sempre bom sair da zona de conforto, nunca se sabe quando precisarão tomar uma atitude diferente, no futuro. — Uma sombra repassou por seus olhos. Era quase como se ele dissesse, subentendido, que esse futuro poderia estar bem próximo, mas quase ninguém que estava reunido ali reparou. — Por enquanto, movam-se… defensores, venham para o meu lado. Atacantes, deem um passo atrás. O restante pode manter-se onde está, vou separá-los para que ambos os grupos fiquem nivelados.

Ainda com alguns resmungos e imprecauções, os estudantes tomaram seus lugares. Godric observou os poucos que restaram, separando-os. Katherine acabou ficando com Lottie no grupo de ataque, lançando um olhar zombeteiro para Cat, presa na defesa. — Tente não amolecer só porque está no lado que não quer, Cateline, ou vou ganhar de você.

— Tsc. — a outra jogou os longos cabelos ruivos para trás, mantendo a mão direita na cintura. — Pode vir, parceira, estou disposta a jogar com tudo o que tenho!

— Ei Lottie, se eu ganhar vai ficar me devendo um beijo… — Ian levou as mãos para perto dos lábios para lançar o desafio a grifinória, que apenas piscou os olhos, tranquila.

— Se isso fazê-lo cumprir sua função direito… — ela voltou a piscar, mas dessa vez apenas com o olho direito. — Ainda assim, não pretendo perder.

Mais algumas frases foram lançadas de um lado para o outro, principalmente entre grupos de amigos que foram separados. Godric parecia bastante satisfeito: — Ora, ora, é bom ver que todos estão animados! Então, vamos às regras… como já disse, não aceitarei que usem feitiços que machuquem nosso pequeno alvo. Estou falando sério, se alguém aqui machucá-lo propositalmente, arranjarei para que fiquem sob os cuidados de Salazar.

Os poucos alunos da Sonserina que calharam de ficar no grupo de ataque, e estavam cogitando fazer um estrago em Glen, recuaram imediatamente com esse aviso. Estranhamente, Cateline cruzara os braços e lançava olhares mortais para os ditos cujos, como se desdenhasse de sua personalidade mesquinha e os desafiasse a passar por ela. Fingindo não ver essas reações, Godric continuou: — A missão do grupo de ataque é capturar Glen. A missão do grupo de defesa, obviamente, é mantê-lo sob seus cuidados e protegê-lo. O grupo vencedor será o que cumprir sua tarefa com perfeição… Se algum feitiço acertar Glen, o grupo defensivo perderá, porém o grupo atacante só poderá ganhar o jogo se tiverem-no em seu poder. Ou seja… — ele levantou o dedo indicador. — Se Glen for acertado e não tiver sido capturado, será considerado empate.

— E quanto ao tempo? — Cateline questionou, trocando o peso de uma perna para a outra. Ela dava pequenos saltos, como se estivesse preparando-se para correr bastante.

— Hum… — ele coçou o queixo, pensativo.

— Não me diga que não pensou sobre isso?

Esqueci-me completamente.

Foi o que Godric pensou, dissimulando e erguendo a varinha, apontando-a para sua frente. Seus lábios moveram-se, e no minuto seguinte uma ampulheta surgiu no espaço vazio, toda feita de material transparente, com areias azuis acumuladas na sua parte inferior. — Uma hora.

Lottie franziu o cenho. É muito tempo.

— Ambos ficaremos cansados demais… — Ian retrucou, revoltado.

— Na verdade, não exatamente. O jogo terminará antes, se eles conseguirem tirar Glen de nós. — Cat murmurou, levando a mão direita aos lábios.

Um rapaz da Grifinória, atrás dela, complementou seu pensamento. — Vai testar nossa resistência… nossa lealdade.

— Nem todos de nós gostaram dessa ideia de jogo. — Lottie falou baixinho de seu lado, de forma que só os mais próximos conseguiram ouvi-la, entre eles, Kat. — Creio que… o Mestre acredita que alguém do grupo de defesa vai traí-los para que a partida acabe mais rápido.

— E obviamente vamos nos aproveitar disso. — foi a resposta da animaga, abrindo um sorriso felino logo após.

A grifinória fechou os olhos, suspirando, e voltou a abri-los. Não concordava em tirar vantagem desse tipo de coisa. Sabia que isso também era um teste, para descobrir se eles conseguiam usar as fraquezas do inimigo contra ele. Aquele lugar estava pra se tornar um campo de batalha, e apenas a ameaça de cair nas mãos de Salazar impediria alguns alunos de serem letais. A jovem engoliu em seco, vendo o mestre se afastar, a ampulheta seguindo-o até a borda do campo, um limite que obviamente não devia ser ultrapassado.

— Preparem-se para começar depois do sinal!

Charllotie viu quando o grupo de defesa fechou-se em torno de seu protegido, e automaticamente puxou a varinha. Seus parceiros posicionaram-se ao seu lado, concentrando-se.

— Três!

Uma sensação desagradável afundou em seu estômago… o que Godric estava pensando? Entendia que ele, como todos os outros fundadores, precisava prepará-los para a vida pós-Hogwarts, mas isso não era um pouco demais?

— Dois!

A desconfiança tomou sua mente por um momento. E se realmente estivesse acontecendo algo importante por trás dos panos? Ela e os amigos não paravam de questionar sobre isso, mas se até mesmo os Fundadores estavam preparando-os para seja lá o que for que estivesse por vir, talvez as coisas estivessem muito mais sérias do que pensava.

— Um!

Várias ideias passaram por sua cabeça, enquanto ela apertava com mais força a varinha entre seus dedos. Puxou o ar para os pulmões e soltou-o, acalmando-se e focando sua atenção no agora. Seu mestre lhe dera uma missão, e ela iria cumpri-la, como a esforçada aluna que era.

— Vão!

Ela jogou-se para frente, atirando um feitiço petrificante.

Naquele momento, não importava se precisaria aproveitar-se da fraqueza de alguns oponentes para vencer… afinal, ela estava no ataque.

E os caçadores faziam o necessário para capturar sua presa.

X-X

— Espere um momento, deixe-me ver se entendi… — Rowena apoiou os braços sobre a mesa de Slytherin. Sua aula de poções acabara de terminar e alguém lhe passara a informação que Godric raptara os alunos para um campo aberto e fizera-os entrar numa batalha pelo mais novo zelador da escola. Num primeiro momento, não levou muito a sério… até ver Alana disparar por ela, alegando que fariam Glen em pedacinhos. — Aquele homem resolveu testar os próprios alunos usando um aborto como alvo? E tu estás dando cobertura?

— Estás equivocada. — Salazar não modificou um centímetro da sua expressão indiferente de sempre, deixando a amiga exasperada.

— Como estou equivocada? Explique-me onde é que me equivoquei, aquela criança não é uma presa a ser caçada! Eu esperava esse tipo de coisa de ti, nunca dele.

— Equivoca-se quando diz que estou dando-lhe cobertura, eu apenas tomarei providências para punir aqueles que machucarem o rapaz. — ele ignorou completamente a alfinetada por parte dela.

— E quem é que coloca essas ideias preconceituosas na cabeça da maioria dos alunos de sua casa a não ser você mesmo? — levou uma das mãos a cintura, batendo com a outra, aberta, sobre a mesa. — E se acontecer algo a ele, o que diremos aos pais, que colocaram-no junto com o irmão aos nossos cuidados?

— Eu não influencio ninguém, Rowena. Se meus alunos ou quaisquer outros não querem uma aberração entre eles, isso não é de minha alçada. — ele levantou-se, sem demonstrar impaciência. — Sou contra deixá-los matando-se, contudo, por essa razão aquele que não conseguir seguir as regras passará um dia desagradável nas masmorras. Nada acontecerá ao tão precioso aborto que vós convidastes para nosso meio.

O rosto dela tencionou-se. — Por que odeia-os tanto? Os trouxas, os abortos… aqueles que não podem usar magia?

— Lobos em pele de cordeiros. — foi a resposta seca vinda de seus lábios. — São eles que matam tudo que não podem compreender e queimam-nos como se fossemos crias de seu demônio. Eles não merecem minha misericórdia, muito menos a oportunidade de viver entre nós.

— Nós não somos assim tão diferentes deles. — ela estreitou os olhos.

— Mencionará os Blackhearts, agora? Poupe-me, Rowena. Está fazendo um papel ridículo para alguém com a sua inteligência. — ele permanecia frio, mesmo dizendo palavras cruéis. Caminhou com passos lentos até o outro canto da sala, recostando-se na parede. — Esqueça preconceitos e afins. Não é isso que Godric quer provar com toda essa atuação. Ele está preparando-os.

— Preparando-os para quê?

Slytherin estreitou os olhos, observando-a atentamente, e enfiou as mãos por dentro das magas longas de suas vestes. — Para o que está por vir… obviamente.

— São apenas conjecturas da nossa parte, Salazar!

— Conjecturas ou não, são tempos sombrios. Irá negar instrução àqueles jovens? Não faz parte de seu feitio, Rowena.

Se ela pensou em revidar, seus lábios foram calados por uma Helga esbaforida que acabava de passar pela porta da sala e espichara o pescoço para dentro, observando-os. — Estou interrompendo nada não, né? É verdade o que disseram, que Godric organizou uma caçada?

— Algo nesse nível, sim. — o fundador da Sonserina deu de ombros, mostrando apenas apatia. — Quer me dar um sermão sobre moral bruxa também, Helga?

— Hein? — ela franziu o cenho. — Por que eu daria, estou curiosa pra ver como isso vai acabar.

— Helga, as suas aulas… — ia dizendo Rowena, mas a outra já havia deixado-os sozinhos novamente.

— Vão ser adiadas por mais um tempo, pelo visto. — Slytherin estalou a língua. Se a fundadora não o conhecesse, poderia jurar que estava debochando dela.

— Francamente. — ela desencostou-se da mesa, dando as costas para ele para esconder o olhar furioso que havia adquirido. — Todos vós… acabarão por me enlouquecer. — deu alguns passos pesados em direção a porta, apoiando a mão nela para fechá-la atrás de si. Se contentaria em continuar as aulas para as turmas mais novas, para tentar esquecer a agonia que ia apertando seu coração.

— Rowena.

— O que?

— Está equivocada mais uma vez, quando diz que eu faria algo para machucar seus protegidos e os dos outros. Eu nunca o faria.

Ela lançou-lhe um olhar por cima do ombro, completamente muda, e cruzou o batente, fechando a porta com força atrás de si. Sem demonstrar qualquer sinal de mágoa ou raiva, Salazar continuou parado no mesmo lugar, observando a porta, com as mãos dentro das mangas. Uma voz ciciada veio aos seus ouvidos alguns instantes depois, clamando por sua atenção.

Mentiroso…

Eu nunca minto. — seus lábios formaram a frase, embora fosse dita em uma língua completamente diferente de qualquer outra falada pelos homens. — Enquanto eu estiver vivo, nenhum dos alunos deles três serão feridos por minha ordem. Eu posso fazer valer minha vontade por mim mesmo.

E então… por que eu estou aqui?

Para fazer valer minha vontade quando eu não estiver mais. Até lá, eu já não estarei mais vivo. Assim como Godric, Rowena ou Helga. Minhas palavras não significarão mais nada, e terás um novo mestre a obedecer.

Que cruel, mestre. Me deixará aqui, só, até o dia em que um herdeiro venha me utilizar?

Ninguém nunca fica só em Hogwarts. — Salazar corrigiu, e caminhou em direção a porta, retirando as mãos de suas vestes para abri-la. Seus olhos gélidos passearam pelo corredor por um tempo, e então voltou para dentro, sentando-se em sua escrivaninha e preparando-se para a próxima aula, com os alunos do segundo ano, que não demorariam a chegar.

X-X

Alana derrapou nos corredores, acabando por tropeçar e escorregar pelo chão, perigosamente aproximando-se dos degraus de entrada da escola. No último segundo, porém, Connor conseguiu agarrá-la pelas costas do vestido, quase sendo carregado junto. — Caramba, Alana, você vai acabar se matando um dia desses, não dá pra correr como uma pessoa normal?

Ela havia prendido a respiração, ainda olhando o vão onde deveria ter caído, e só depois de soltar o ar que conseguiu por-se novamente de pé e focalizá-lo. — Mas está acontecendo uma caçada e o alvo é… o alvo é… — ela engoliu em seco, nervosa, bagunçando os cabelos. Connor encarou-a por um tempo, antes que deixasse os braços caírem folgadamente do lado do corpo. — Glen. Não acho isso justo.

— Ele é um aborto no meio de bruxos, não tem como as coisas serem justas pra ele.

— Você está errado. — ela franziu as sobrancelhas, magoada. — Hogwarts é um lugar de aprendizado, por isso os fundadores decidiram trazê-lo. Para que ele aprenda com a gente e vice-versa.

Certo, ele tinha de assumir que de vez em quando Alana dizia coisas sérias e muito mais complexas do que sua aparência inocente e feliz poderiam mostrar. — De qualquer forma, estamos falando de Godric, ele não vai deixar ninguém machucar o garoto de propósito, acho.

— E quem é que disse que estou falando do Godric, to mais preocupada com a Cateline!

— Cateline vai caçar? — Max, que atraído por toda aquela balbúrdia acabou se aproximando deles também, levou uma mão a testa. — Isso é ruim… Ela é um demônio, estou dizendo.

— A intenção aqui é deixá-la calma, se ainda não percebeu. — Connor reclamou, dardejando-o com o olhar.

— Ah… sinto muito. — o rapaz passou a mão pelos cabelos negros e engoliu em seco. — Er… certo, que tal nós irmos até lá torcer por ele? Até mesmo a Helga está indo, mesmo…

Alana piscou os olhos algumas vezes, enquanto inconscientemente alisava o vestido, arrumando-o. Logo, abria um sorriso, tocando ligeiramente a mão na dele. — Ótima ideia, Max!

— Mesmo…? Quero dizer… sou muito criativo, lógico que tinha que ser uma boa ideia.

— Então vamos logo. — Connor retrucou, fazendo um sinal de cabeça para que seguissem-no, mantendo as mãos nos bolsos e andando com passos largos.

O grupo não demorou muito a chegar no local da caçada. Uma fileira de curiosos se postava alguns passos atrás de Godric, por prevenção, já que choviam feitiços de um lado para o outro e ninguém queria ser azarado. Com o canto dos olhos, Connor pôde observar a maior parte do quinto ano e mais alguns desgarrados mais novos, assim como Helga, apoiada nos ombros de uma Anastácia angustiada, que roía as unhas de preocupação. Dimitry mantinha-se sentado em posição de meditação, enquanto tamborilava preguiçosamente os dedos nos joelhos, e milagrosamente não parecia tão sonolento quanto seu normal. Helena estava de braços cruzados, com sua expressão ranzinza habitual. Nenhum sinal de Ana. Andrômeda ficaria mais alguns dias fora, então não esperava realmente vê-la ali. Uma das subordinadas de Beatrice, a chefe da enfermaria, mantinha-se de olhos grudados no campo, pronta para interferir se alguém se machucasse seriamente.

Godric não tirava sua atenção do campo em momento algum, mantendo um sorriso de satisfação, estava completamente submerso naquele entretenimento. Era óbvio, estava gostando do que via, podia-se dizer que seus alunos estavam saindo-se melhor do que o esperado.

Não era apenas ele. Aqueles que assistiam pareciam estasiados, enquanto viam os colegas lá dentro, desviando, sendo acertados, dando tudo de si pelo prêmio. Não parecia importar que o alvo era um aborto, não faria diferença se fosse um bruxo ou um trouxa ali no meio, todos sabiam o que aquela simulação significava. Gritos cruzavam o ar, vivas e salvas de palmas, cada movimento era seguido por olhos ansiosos.

Alana conseguiu enfiar-se em baixo do braço de Connor para observar o que estava sucedendo. Foi exatamente o momento que um aluno do grupo de atacantes era levado ao chão por uma rasteira de Cateline, que logo após conjurou com sua varinha amarras para mantê-lo ali. Atrás dela, o totalmente incapaz Glen desviava de um fiapo de luz colorido e mergulhava no chão, rolando para evitar mais objetos lançados em sua direção (havia de tudo, de livros a escovas de cabelo). Ian entrou na sua frente, lançando um escudo e parando momentaneamente a chuva, assim como outra azaração vinda de Lottie. — Vai precisar fazer melhor que isso, amor!

A lufana fechou os olhos com força ao ver Cateline chegar por trás e agarrar o braço de Glen. Max cutucou-a, mostrando-lhe algo, então Alana viu quando Cat girou Glen para tirá-lo da rota de colisão de mais um feitiço petrificante e puxou novamente a varinha, fazendo uma revoada de pássaros atacar o seu conjurador.

— Cateline está do lado da defesa.

— Cat está… — ela repetiu parcialmente, chocada demais para acreditar. Lhe deu uma vontade louca de sorrir, e quando não conseguiu reprimi-la mais, levou as mãos aos lábios em posição de concha e gritou, com toda a força que sua garganta aguentava. — Vaiiii, Cat!!!

Cateline conhecia todas as vozes daquela escola, e tinha uma certa noção da única que torceria por ela com tanto orgulho. Com o canto dos olhos, observou Alana acenar, torcendo por ela, e meneou a cabeça.

— Ela é assim sempre? — Glen suava, apoiando as mãos nos joelhos e aproveitando uma trégua rápida para descansar. Seu rosto estava afogueado pelo esforço e pela ideia de que aquela garota estava torcendo por ele também, não só pelos colegas envolvidos na caçada.

— Normalmente… — Cateline tirou uma das mechas desgrenhadas dos olhos, voltando-se para a frente, focando sua atenção no grupo de defensores que mantinham o resto dos atacantes longe para que Glen pudesse descansar pelo menos um pouco. — Vá se acostumando, quando aquela pirralha gosta de você, é pra valer.

Era claro que ela mencionara aquela frase do modo mais inocente possível, referindo-se a amizade, mas ele sentiu a pele esquentar e abaixou a cabeça para respirar mais fundo.

— Você não vai dizer pra ela que Godric lhe passou a perna? — Ian ergueu uma sobrancelha, brandindo a varinha, pronto para entrar mais uma vez na briga.

— Ela não precisa saber. E estou fazendo meu trabalho direito, não estou? — piscou um dos olhos para Glen, que respondeu com um aceno rápido de cabeça.

— S… sim…

— Viu só, eu não sou tão megera assim, no final das contas. — Um sorriso sincero brotou em seu rosto, coberto por boa parte dos cabelos ruivos, de modo que ninguém pôde admirá-lo. Então abriu-se ainda mais, tornando-se desafiador, e ela jogou a cabeça para trás, para tirar suas madeixas do caminho. Seus dedos da mão livre passaram pelos fios, transformando-os com seu toque, e eles encurtaram até os ombros, desbotando para um ruivo ainda mais forte, como chamas. — Hora de ficar séria, Aborto Tresloucado. Ninguém vai sequer encostar em você hoje.

— Se você diz…

Ele pôs-se de pé, um pouco mais relaxado, e viu-a estalar o pescoço, novamente dando aqueles saltinhos de um lado para o outro, preparada para disparar. Se seu desempenho de antes era devido a uma mera brincadeira, como seria então agora que ela estava séria?

Notas finais
Considerações do cap: +Começando sempre com a imagem, o personagem é Garry, do jogo IB. O Glen foi inspirado nele, principalmente quando sofre as modificações feitas pela travessura de Cat quando aparece pela primeira vez na história. Foi sofrido achar uma imagem que eu conseguisse tirar a maior parte do roxo pra que aparecesse sua aparência "normal", mas tranquilo... -q . +Mil desculpas a minha querida Doomsday Noble, infelizmente não teve Andrômeda neste capítulo, eu até pensei em colocar uma ceninha dela no enterro do irmão mas eu não estava muito no clima, então eu preferi atrasá-la para o próximo. Scorpius, Dominique e Ben aparecerão no próximo capítulo também. . +Quanto a nossa caçada... quem vocês acham que vai ganhar? Atacantes, defensores, ou será que vai rolar um empate? Vamos, digam-me para quem estão torcendo, eu gostaria muito de saber. -q . +Acho que é apenas isso por hora... até a próxima, queridos, beijos para todos vocês ♥