Lumius et Nox

8 Eclipse da Vida


ECLIPSE DA VIDA

Parte VIII

A última coisa que eu enxergo...

É a luz do sol sobrepor a lua,

Como uma sombra que torna minha existência oculta.

Para eles, eu ainda serei impura,

Enquanto vida pulsa em minha agonia,

Morte corre pelas minhas veias, escura.

A última linha que penso...

É sobre as peripécias da infância,

Onde fui acometida por ânsia,

Por viver.

Dizem que os mais apegados à vida,

São os mais propícios a morrer.

O experimento que fazem no meu corpo,

Torna essa ideia absurda em absorto.

Provavelmente, será minha última lua...

Meu último suspiro por memórias tuas.

É irônico perceber que minha procura,

Nunca findou em vida, só em ruptura.

Por onde andei...

Nada me guiava, nada me preenchia.

Por onde andei...

Vocês perguntam à sua irmã distraída?

São tantas histórias vazias,

Que parecem só ter sentido quando debilmente recito:

Aos fantasmas em meus ouvidos.

A sombra escura da lua é uma runa,

Que interpreto como o fim da minha sina.

Há crises que surgem no meu peito,

Porém não sinto mais medo.

O rosto de vocês me é belo...

E me arrependo de novo de ter partido.

Eu podia ter ouvido...

Por onde andei? Vocês estão curiosos...

Contar-lhes-ei todos os detalhes, ansiosos.

Eu podia ter cuidado...

É impossível dizer se o destino os manteria,

Mas ao menos eu cumpriria a pena dos meus pecados.

Nada importa agora, todavia...

Nem os caminhos, nem as escolhas, nem a vida.

Tudo termina nessa estrada esquecida,

Onde eu irei partir sozinha.

O Eclipse no céu marca o fim...

A doença que os acometeu,

Finalmente chega até mim.

É uma herança maldita?

Que ironia...

Vou perecer da mesma sina que os acometeu.

Porém longe de casa e sozinha.

O Eclipse me mostra uma vida,

Que eu jamais teria.

O Eclipse da Vida:

Onde a morte que sempre me perseguia,

Finalmente alcançou.

Como o fim desse dia,

Será sombra da lua sobre o sol,

Ardendo incandescente,

Pelos meus erros, eternamente.

~Gabriel.