Lumius et Nox
9 Eclipse da Morte
Notas iniciais
ECLIPSE DA MORTE
Parte Final
Sobre a cabana que arde em chamas,
Eu vejo um Eclipse nascer.
Entre as montanhas e suas flâmulas,
Num horário que devia ser o amanhecer.
Isso seria um sinal?
De que foram abertas as portas do apocalipse,
E hoje é o dia do juízo final?
É estranho que isso não me aflija?
Sinto uma vontade quase aflita,
Em me sentar e esperar o som da última trombeta.
Quem sabe onde esses sons irão me levar...
Ah, há tantos lugares para visitar.
Mas me contentaria só em teu olhar.
De todas as fases do meu luto,
Chegara finalmente a última, onde só vou me entregar.
Surge uma brisa fria para me acalentar...
O destino e a morte irão me encontrar.
Perdi a vontade,
O desejo, o objetivo, a vaidade.
A certeza que tinha sobre tudo acabar,
É apenas uma cor do céu âmbar.
Disseste-me para caminhar...
Esse não pode ser o fim.
Ou pelo menos, não o desejei assim.
Você recitou para mim,
Sobre pétalas e despedidas em manhãs carmins.
Finalmente é determinado,
O caminho do meu ciclo.
Em minha cabeça vem as suas palavras,
Límpidas e vastas como o infinito.
Nessa toada da morte, eu sinto...
O seu desejo que grita vivo.
Entendo e sorrio;
Tu irias querer algo diferente.
Siga em frente,
E combata os terrores consigo.
Entendo e digo;
Que finalmente posso seguir.
Sempre contigo, mas separados enfim.
Hás de estar sempre dentro de mim.
O Eclipse da Morte:
Mudou a minha vida à própria sorte.
Irei viver, sob essa sombra constante,
E com esse luto frequente.
Viver ainda é uma alternativa,
Para manter sua memória vi-...
Viva!
Receio ter de partir e deixa-la,
Nessa nossa cabana abandonada,
Ardendo em uma chama lúgubre passada.
Sob o Eclipse que a sombra do sol na lua formava,
Eu te disse minhas últimas palavras:
Obrigado eternamente, minha amada.
~Gabriel.
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