Apesar de semanas de exploração e integração à vila, Lino ainda não havia conseguido desenterrar as memórias que procurava. O sentimento de frustração crescia, e ele começou a se perguntar se algum dia teria respostas para suas perguntas.

Uma noite, quando uma tempestade rugia lá fora, Lino adormeceu com a mente inquieta. Em seu sonho, ele se encontrava em um penhasco alto e abrupto, com o vento soprando e as nuvens cinzentas se amontoando no céu. Diante dele, uma porta misteriosa apareceu, com detalhes intrincados esculpidos em sua superfície. Atrás dela, uma cidade futurística cintilava com luzes brilhantes e estruturas arrojadas.

Um impulso o levou a tocar a maçaneta da porta. Ele sentiu um formigamento em sua pele enquanto a porta se abria lentamente, como se o chamasse para um destino desconhecido. Lino teve a sensação de passar pela porta, um breve vislumbre da cidade futurística o envolveu. Mas antes que pudesse explorar mais, uma sensação de vertigem o dominou e ele sentiu que estava caindo.

Com um sobressalto, Lino acordou em seu quarto, a chuva ainda caindo lá fora. Seu coração batia descompassado, e ele estava ofegante. Ele podia jurar que ouvira a voz de Louis chamando por ele no momento em que acordou. Ele se sentou na cama, passando as mãos pelo rosto, tentando recuperar o fôlego.

A voz de Louis ecoava em sua mente, pedindo ajuda. Lino sentiu um misto de urgência e confusão. Ele sabia que precisava compartilhar esse sonho com Louis, talvez ela tivesse alguma perspectiva sobre o que isso significava. Ele se levantou, vestiu-se rapidamente e foi até a casa onde Louis vivia.

Encontrou-a na sala, folheando um livro. Lino fez uma breve pausa ao entrar, sentindo um certo nervosismo. "Louis, posso falar com você?"

Louis olhou para cima e sorriu calorosamente. "Claro, Lino. Como posso ajudar?"

Lino se aproximou e se sentou, passando a mão pelo cabelo. "Tive um sonho estranho esta noite. Vi uma porta em um penhasco alto, e do outro lado, uma cidade futurística. Quando toquei a maçaneta, tive a sensação de passar pela porta, mas comecei a cair e acordei. E antes de acordar, ouvi sua voz pedindo ajuda."

Louis parecia intrigada e ao mesmo tempo pensativa. "Esse sonho é interessante, Lino. Você não foi o único a sonhar com essa porta no penhasco. Muitos aqui na vila tiveram sonhos semelhantes, mas nenhum de nós conseguiu entender completamente o que isso significa."

Lino franziu a testa. "Você também sonhou com essa porta?"

Louis balançou a cabeça suavemente. "Não, na verdade, nunca vi essa porta nos meus sonhos. Mas a ideia de uma porta que leva a um futuro desconhecido é intrigante. Pode estar relacionado à sua busca por memórias perdidas."

Lino ponderou as palavras dela. "Você acha que isso pode ser uma pista sobre meu passado?"

Louis sorriu, gentil. "Lino, os sonhos são como chaves para as partes ocultas de nossa mente. Eles podem conter pistas, lembranças reprimidas ou simbolismo importante. Não posso afirmar com certeza, mas talvez investigar mais sobre essa porta e a cidade futurística possa te ajudar a desvendar esse mistério."

Enquanto a chuva continuava a cair lá fora, Lino sentiu que tinha uma nova direção para seguir em sua busca. Ele agradeceu a Louis por sua orientação e saiu da casa, olhando para o céu cinzento com um misto de expectativa e esperança. O sonho tinha aberto uma nova janela em sua busca por respostas, e ele estava determinado a explorar o

que havia do outro lado.