Lucila

6 VI – Pressa!


ARRASTAR a mulher até o carrinho não foi o pior; o pior foi erguê-la para dentro do carro, um compartimento retangular e que mesmo longo, ficou apertado para ela, os meninos e os equipamentos espalhados nele. Às vezes ela reagia, gemendo incomodada. Mas um ou outro acalmava e ela sossegava de novo:

– Acho que é medo de ser deixada sozinha. – Disse Sergio – Ela acalma quando falamos. Também, não pode abrir os olhos. Limpo?

– Hm, ainda não. – respondeu Ricky, ligando o carro, enquanto eles recolhiam as lanternas e o facão – Se ela vir o ao redor, pode se apavorar.

Nenhum deles falava a respeito. Mas claro que estavam surpresos e ainda muito assustados com o que viram. Ora, leitor, quantos você conhece que socorreram um gigante albino com asas no quintal de casa?

E ela estava consciente. Sentia que eles estavam ali. Entendia tudo ou apenas relaxava ao ouvir seus acalmares? Era inteligente ou instintiva? O que ela era? De onde veio?

E por que eles não fugiram? Era o lógico! Mas não; ficaram e ainda a ajudaram. Como foi que criaram coragem e estômago para tudo aquilo? Em silêncio, embarcaram. Rubem preferia agora aquietar... Ainda se sentia fraco. Sergio acomodava os excessos da lona ao redor da mulher; ela iria escondida no carrinho, mas achou a mão dela e segurou. Ela aceitou, sem forças. Finalmente, iriam embora dali.

Mas para casa, não poderia ser. E somente podiam sair para a rua se passassem pelo oitão ao lado da mansão.

E de lá, a levariam para onde?

Eram integrantes de uma banda famosa. Iriam bater na porta dum hospital com ela? Sujos de sangue, inclusive!

E dizendo o quê? Não tinham muito tempo.