Luas de Sangue - Vol. 1 - Ascensão (Amostra)
2 Capítulo 1
11 de agosto, ano 2000.
Querido diário,
Hoje acordei feliz. É aniversário da cidade, e eu, como a miss Damn Hill, terei de fazer o discurso.
É uma pena que o filho do Sr. Scott tenha morrido em um acidente na antiga cidade onde eles moravam. Ele é o prefeito da nossa cidade, um bom homem, embora às vezes pareça meio assustador e me deixe um pouco assustada. Para ser sincera, ele nunca falou de nenhum filho comigo, e acredito que com ninguém mais da cidade, pois todos ficaram surpresos quando ele contou, mas... deixa isso para lá. Hoje conheceremos o novo prefeito, pois o Sr. Scott disse que vai se afastar, mas passará o poder à outra pessoa. Vamos esperar a noite chegar para então sabermos quem é. Estou muito curiosa.
Acho que acordei feliz assim porque semana que vem voltam as aulas. Estou morrendo de saudades dos meus amigos, principalmente do Chris Master. Ele é, tipo, meu melhor amigo; crescemos juntos e sempre o vi sofrer pela morte dos pais. Os tios dele, Sam e Marta, que o criaram, nunca contaram a ele como seus pais morreram. Na verdade, procuram evitar o assunto. Eu também nunca perguntei, mas tudo bem. Sempre o vi sorrindo, mesmo com tudo isso... Às vezes ele fica meio sem jeito e desastrado, quando estamos juntos, não sei por quê.
Sophie parou de escrever por um instante, colocou a caneta na beirada dos lábios. Um sorriso meio histérico correu em seus lábios vermelhos e carnudos, mas logo fugiu de seu rosto e ela voltou a escrever.
Agora o Dillan Sullivan, este eu não quero ver nem pintado de ouro. Maldito, me fez sofrer e chorar muito. Namoramos durante seis meses e foram os piores da minha vida. Ele não me dava valor, era sempre distraído e também não me dava atenção. Mas é lindo, aqueles olhos verdes como folhas secas... Aqueles lábios... O corpo... Mas continua sendo um idiota! Chris se afastou de mim depois que comecei a namorar o Dillan, é claro, eles são melhores amigos. Talvez Chris tenha se afastado para não contrariar o Dillan. Ele é muito ciumento.
Bem, eu fiquei sabendo que o Chris foi viajar nestas férias, acho que para a Grécia antiga; ele ama mitologia e estas coisas de seres sobrenaturais. Então imagina só qual vai ser a reação dele quando eu contar o que minha avó me ensinou nessas férias! Talvez seja difícil de acreditar, mas minha avó me disse que nossa família veio de uma descendência de bruxas, e ela até me ensinou umas coisas bem legais, tipo produzir fogo com o poder da mente. As bruxas tiram o poder da natureza e dos ancestrais, segundo minha avó... Mas também, infelizmente, ando tendo sonhos estranhos ultimamente. Não importa, pode apenas ser coisa da minha cabeça...
Minha prima Sara me ligou ontem e falou que talvez venha estudar aqui em Damn Hill. É nosso último ano, pois nascemos no mesmo mês – ela é do dia dezessete de outubro, e eu, bem, eu sou de trinta e um. Meio estranho comemorar meu aniversário no dia do Halloween, mas minha avó disse que, para as bruxas, isto é uma dádiva.
Agora eu vou para o cabelereiro, tenho que estar linda para esta noite. Vou me encontrar com a Amanda Miller, minha melhor amiga. Ela é filha do delegado, a mãe dela morreu quando ela nasceu. Amanda e o seu pai nunca se deram bem... Também, quem a criou foi o Adrian, o irmão mais velho e, cá entre nós, ele é lindo...
Pena que o Chris não vai estar aqui. Antes ele sempre estava comigo para me dar força, mas ele só vai voltar de viagem no fim de semana por causa das aulas. Tudo bem!
Sophie parou de escrever, fechou seu diário de capa vermelha cintilante e guardou-o embaixo de seu colchão. Ela se levantou e pegou seu celular, que estava em cima da penteadeira. Sophie parou em frente ao grande espelho e ajeitou os cabelos castanho-claros ondulados, um sorriso disfarçado tomou seu rosto e, dando de ombros, saiu. Descendo as escadas, ouviu uma voz doce e suave que vinha da cozinha.
— Aonde vai? – Era sua avó, Anne. Ela estava picando uma cebola para fazer o almoço.
Sophie parou ao pé da escada, olhando para ela.
— Estou indo ao cabelereiro, vovó. Tenho que estar linda para hoje de noite! – Respondeu Sophie, enquanto pegava sua bolsa tiracolo branca e guardava seu celular.
— Tudo bem, mas não demore, querida – Anne sorriu para ela, pois tinha orgulho de sua neta, sempre responsável, sensível, amável e linda.
Sophie abriu a porta e ali estava Amanda.
— Você está linda... – Amanda venerava-a, apreciando o look: a saia curta rodada preta, o salto preto de bico fino e a blusa branca, com a bolsa tiracolo branca com detalhes brilhantes.
— Obrigada! Então, vamos? Tchau, vovó! – Sophie jogou um beijo para Anne e saiu rapidamente, entrando no carro de Amanda, que arrancou o seu Honda Civic prateado.
Naquela noite, na casa do Sr. Scott, uma casa grande, com belos jardins e fontes, realizava-se a festa de aniversário da cidade, em agradecimento aos fundadores, e também a despedida do Sr. Scott. Sophie Winchester, miss Damn Hill, linda e sedutora, usava um vestido longo e decotado, lilás, com um detalhe brilhante na cintura no lado esquerdo. Parecia nervosa ao fazer o discurso da cidade, enrolava o cabelo castanho ondulado nos dedos e mordia os lábios vermelhos e carnudos. Ela ouviu uma voz vinda das caixas de som, que estavam conectadas ao microfone:
“E agora, Sophie Winchester vai fazer um pequeno discurso para que possamos iniciar as comemorações. ”
Ela subiu ao palco confiante. A multidão encarava-a em silêncio, e o vento soprava seu rosto gentilmente.
— Ah... boa noite! Queridos cidadãos de Damn Hill, é com grande prazer que estou aqui na presença de vocês, hoje, aniversário de nossa cidade, a qual comemora seus seiscentos e três anos desde que foi fundada pelas famílias Walker, Sullivan, Scott e Miller, em 1397. Muitas histórias se passaram nesta cidade, muitas famílias e amigos. – Sophie fez uma pequena pausa, e, nervosa, engoliu em seco. – Estamos felizes também de receber como o mais novo prefeito o Sr. Dezon, acompanhado de sua esposa, a primeira-dama, Sra. Dezon. E não falo só por mim, falo por cada cidadão que ama esta cidade, que o Sr. Dezon seja um ótimo sucessor – disse Sophie, olhando para Sr. Dezon com o olhar de um cãozinho sem dono, e continuou – E para o Sr. Scott, queremos dizer que o senhor foi um ótimo prefeito e, em nome de toda a cidade, um grande abraço para o senhor... É uma pena termos de nos despedir e, sinceramente, sentimos muito pela sua perda.
Os aplausos da multidão eram uma canção para os ouvidos de Sophie, que estava sorridente, passando o microfone para as mãos do Sr. Scott, que tinha se emocionado com as palavras de Sophie, mas se mostrava bem calmo. Estava um pouco misterioso, como se não se importasse muito com o acontecido. Seus olhos fitavam os de Sophie, depois a multidão. E, com um grande sorriso correndo em seus lábios finos, ele se dirigiu aos cidadãos.
— Obrigado, Sophie! Eu queria primeiramente agradecer pelo carinho de todos os cidadãos de Damn Hill e dizer que sentirei falta de vocês. Infelizmente, o incidente que aconteceu com meu filho não me permite continuar na cidade, mas passei o poder para as mãos capazes do Sr. Dezon, que é um amigo da família – ele estendeu a mão na direção do Sr. Dezon, o apresentando ao público – E agora, quero que aproveitem a festa, pois tudo isto é para vocês, cidadãos de Damn Hill.
Logo após o discurso e a despedida, a comemoração começou. Sophie estava empolgada pela festa, cumprimentando os convidados com um sorriso que escorregava de seus lábios, mas estava também triste pela despedida do Sr. Scott, que, por sinal, não era muito seu amigo, mas também não era má pessoa. Ela se aproximou do prefeito, indignada pela morte de seu filho.
— Sr. Scott! Ah, com licença, eu... sinto muito pelo seu filho – disse Sophie, enquanto o abraçava gentilmente.
— Tudo bem, Sophie. Não se preocupe, eu estou bem... Mas... – ele fez uma pequena pausa, engolindo em seco – Tenho que ir ao enterro, que será amanhã, e preciso pegar meu voo – disse, com os olhos cheios de lágrimas, sem as deixar cair. Ele conversava tão calmamente que parecia não se importar com a morte de seu filho. Parecia até que estava querendo fugir de algo ou de alguém. Sophie, com toda sua inocência, não desconfiou de nada. Sr. Dezon aproximou-se lentamente de Sophie e do Sr. Scott, e cumprimentou-os.
— Sr. Scott. Senhorita... – Sr. Dezon interrompeu-os.
— Winchester, Sophie Winchester – Completou Sophie para ele.
— Ah sim, senhorita Winchester – Sr. Dezon estendeu a mão para cumprimentá-la. Sophie, educadamente, cumprimentou-o, retribuindo o aperto de mão. Mas, ao apertar-lhe a mão, ela teve uma sensação estranha de que estava prestes a acontecer algo ruim, um frio na barriga, um ardor que saía de dentro dela como um fogo que parecia que ia queimá-la por completo. Mas ela não deixou perceberem. Conseguiu reparar que havia um grande anel prata no dedo do Sr. Dezon, anel o qual tinha uma grande pedra vermelha com uma escritura estranha em sua face.
— Bonito anel – Disse Sophie, encarando-o no olho com certo receio e soltando sua mão.
— Obrigado, é herança de família... Era do meu pai – Sr. Dezon parecia não querer que Sophie continuasse falando sobre o anel, mas continuou olhando-a gentilmente. Ela ficou espantada com a o que acabara de sentir. Mas para não dar uma má impressão, delicadamente inventou uma desculpa para escapar da tensão que ficou no local.
— Bem, eu vou cumprimentar os outros convidados, com licença. Sr. Scott, Sr. Dezon. – Sophie fez um gesto nobre, pegando nos dois lados do seu vestido lilás meio brilhante. Usava um delicado colar, que destacava seus olhos castanhos. Sr. Scott sorriu para ela.
— Claro, Sophie – disse o Sr. Scott, apertando sua mão.
Sophie retirou-se rapidamente para que eles não percebessem que estava tensa e com um pouco de medo. Ela não sabia o que encontraria pela frente. Acelerava cada vez mais o passo, o frio na barriga aumentava, e os calafrios arrepiavam-na. Sem entender por que tinha aquela sensação, começou a chorar, como se tentasse fugir do mundo naquele momento. Seus olhos castanhos refletiam o medo, e ela só queria poder sumir, ou se esconder em um buraco. Sophie passou por Chris Master, que tinha acabado de voltar à cidade, mas nem percebeu a presença do garoto alto, de físico atlético, cabelos pretos finos e pouco ondulados, e aqueles belos olhos azuis que pareciam duas lagoas cristalinas.
Chris não entendeu o motivo do choro e logo se preocupou, avançando alguns passos, rapidamente, na direção de Sophie.
— Sophie – ele gritou, com uma voz meio atordoada.
Sophie reconheceu a voz e parou de imediato, virando-se lentamente.
— Chris? – Sophie ficou muito feliz por estar vendo o amigo, seu belo sorriso apareceu mais uma vez em seus lábios. Chris aproximou-se sem entender o que estava acontecendo.
— O que aconteceu? – Com uma voz baixa e suave, Chris perguntou a Sophie. Ele se sentiu incomodado em ver aqueles belos olhos castanhos cheios de lágrimas, que escorriam pelo rosto da garota. Sophie, sem dizer nada, apenas o abraçou chorando, sentindo-se segura nos braços dele.
Sr. Scott e Sr. Dezon, misteriosos, foram para uma sala, a mais reservada da casa. Disfarçadamente, eles olharam de um lado para o outro, para ver se não tinha ninguém os seguindo. Sr. Dezon abriu a porta lentamente, para que o Sr. Scott entrasse, seguido de uma última olhada pelos corredores da casa e, logo em seguida, entrou também,
— Como você foi idiota o bastante para deixar isso acontecer? – Indagou o Sr. Scott, nervoso. Abriu as gavetas de sua mesa, preocupado. Estava procurando algo? Sim! Era isso, estava procurando algo.
— Não tive culpa, a situação saiu do controle – respondeu o Sr. Dezon, em forma de defesa, e completou – Eu não sei como isso foi acontecer.
Sr. Scott ficou em silêncio durante três segundos; parecia ter achado o que procurava. Ele tirou de dentro da gaveta um colar, de aparência decadente e muito antigo, com uma pedra brilhante de cor roxa – quase que um azul ofuscado, muito escuro.
— Aqui está – disse Sr. Scott, com um brilho no olhar.
— E o que é isso? Um colar velho? Só pode estar de brincadeira. O que um colar velho pode fazer para nos ajudar nesta situação?
— Colar velho? Se você soubesse o poder que está pedra possui, teria mais respeito – respondeu Sr. Scott, com um sorriso irônico.
Sr. Dezon ficou indignado por não saber do que se tratava. Por que o mistério? Ele olhou com reprovação para o Sr. Scott, como se pudesse engoli-lo com os olhos. A Sra. Dezon bateu à porta.
— Querido? Está aí? – A voz ecoou do lado de fora da porta. Com um olhar de espanto, Sr. Scott guardou o colar em seu bolso, no paletó.
— Entre – disse Sr. Scott.
Sra. Dezon abriu a porta e colocou a cabeça para dentro da sala, no vão da porta entreaberta, permanecendo com o corpo de fora.
— Com licença, atrapalho?
Sr. Scott disfarçou com um sorriso:
— Não, por favor, entre. Já terminamos o que tínhamos para conversar e... Sr. Dezon, preciso que venha aqui nesta segunda-feir, por favor. Com licença. Fiquem à vontade. – Sr. Scott saiu da sala elegantemente, sem causar suspeita à esposa do Sr. Dezon.
— O que eu fiz? – Disse ela, sem entender. Sentiu que era a culpada pela saída do Sr. Scott.
— Nada, amor, você não fez nada – afirmou Sr. Dezon, com um sorriso no rosto, enquanto ia em direção à porta. Mas ela insistiu e retrucou o marido:
— Então por que...
— Vamos? – Sr. Dezon interrompeu-a.
Ela percebeu que não iria conseguir sua resposta, então desistiu solenemente, olhando para seu marido como se já soubesse o que havia acontecido. O sorriso correu em seus lábios que logo voltaram a ficar sérios, e ela o encarou com um olhar forte. Sr. Dezon abriu a porta e estendeu a mão, como se dissesse para que ela se retirasse.
Ela assentiu e saiu elegantemente.
Chris chegou com um copo d’agua que havia buscado, para que Sophie se acalmasse. Ele entregou o copo à Sophie, que já enxugara as lágrimas, mas seu belo sorriso ainda não aparecia. Ainda preocupado com o que havia presenciado, Chris sentou-se ao lado de Sophie no gramado verde do jardim, próximo a uma roseira, de rosas brancas como algodão.
— Está melhor, Sophie? – Perguntou ele. Sophie, um pouco cabisbaixa, somente balançou a cabeça, confirmando a pergunta de Chris. – E você pode me falar por que está assim, hein, mocinha? – Disse ele a Sophie, com uma expressão alegre no rosto. Tinha a intenção de tirar um sorriso da bela jovem, que, outra vez, somente balançou a cabeça. Porém, desta vez, a resposta foi negativa – Ok, eu estou conversando sozinho, já entendi. – Chris aborreceu-se por um instante, sentindo-se ignorado, e fez um leve movimento como se fosse se retirar. Sophie logo o segurou pelo braço.
— Chris, espera. Desculpa, mas se eu te contar você vai achar que sou louca – disse Sophie em sua defesa, ainda de cabeça baixa – É muito estranho.
Chris aproximou-se, tocando o rosto dela com um gesto carinhoso, e colocou sua mão no queixo de Sophie. Ele a olhava nos olhos, e seus olhos azuis sabiam tudo que Sophie já passara na vida.
— Sophie, nada que venha de você é estranho para mim, mas se não se sente segura para falar, tudo bem – disse Chris, com a voz sensual. Ele era compreensivo com Sophie, aliás, como foram criados juntos, entendiam bem as necessidades um do outro. Mas aquela compreensão foi usada com outra intenção.
— Ah, por que você sempre faz isso? – Sophie dirigiu-se a Chris com um sorriso meio confuso.
— Faço o quê? – Ele fingiu não saber do que Sophie estava falando.
— Falar... desse jeito... Você sabe que isso me deixa louca, fico igual manteiga derretida – ela sorriu, mas tentou disfarçar, virando o rosto para que Chris não visse.
— Então, vai me contar?
— Tudo bem! Eu conto, mas depois não fala que não avisei – Sophie desistiu e decidiu contar a ele o que tinha acontecido. Ela já estava com um semblante mais feliz. Levantaram-se e começaram a andar pelo jardim, um ao lado do outro, sem se tocarem.
— Nessas férias de verão, minha avó me ensinou umas coisas meio malucas – disse ela, passando uma das mãos no braço como se estivesse se protegendo.
— Mas isso é bom, não é? – Chris interrompeu-a. Na verdade, ele estava com um pouco de receio de saber o motivo. Sophie olhou-o com reprovação, por ele ter interrompido, deixando Chris sem jeito – Está bem, parei, pode continuar.
— Como eu dizia, minha avó me ensinou umas coisas meio malucas, e desde então vêm acontecendo umas coisas estranhas comigo, sensações, visões... Ela me contou várias histórias sobre a linhagem da nossa família, sobre nossas ancestrais e tudo o mais. No começo, eu não entendi muito bem... – Sophie fez uma pequena pausa – E ela me disse que nossa família vem de uma linhagem de bruxas, e que nossas ancestrais foram as mais poderosas bruxas que existiram, e o pior é que, ultimamente, estou tendo sonhos perturbadores e... Fala alguma coisa, esse silêncio está me matando – Sophie sentia-se incomodada com aquilo. Sentou-se à beira de uma fonte, no centro do jardim. O som da água caindo, o vento que soprava lentamente. Chris ficou surpreso com a história, pois não podia acreditar em tamanho absurdo.
— É, isso é loucura...
— Eu avisei – Sophie disse, com um sorriso de deboche.
— Quer saber? Levanta! – Pegando Sophie pela mão, ele completou – Vamos começar de novo... – Chris estendeu a mão para Sophie – Parabéns, miss Damn Hill, estava ótima – ele afirmou com um sorriso no rosto. Sophie não conseguia acreditar na atitude absurda, mas, mesmo assim, entrou na brincadeira.
— Ah meu Deus, você aqui! – Sophie abraçou Chris, contente.
— Claro! Eu não poderia perder o discurso da minha mocinha. – disse Chris, ainda sorrindo. Ele a chamava de “mocinha” porque era um apelido de infância, para descontrair.
— Mas, e sua viagem? Me conta! – Sophie puxou assunto, e foi interrompida pela prima. Sara Winchester estava ruiva, cabelos encaracolados, lábios rosados e olhos pretos, que eram como a escuridão da noite.
— Sophie?
— Sara! – Sophie ficou tão feliz por ver sua prima, que há tanto tempo não via, que esqueceu que conversava com Chris. Correu até ela. Com uma expressão de felicidade, Sophie abraçou a prima – Ah meu Deus, olha para você! O que está fazendo aqui? Seu cabelo, você pintou!
Sara, feliz pela recepção, respondeu, com um sorriso no rosto – Você gostou? Eu estava te procurando lá dentro, mas não te achava, então resolvi procurar aqui – disse ela, lentamente.
Sophie apenas sorriu.
— Adorei!
Sara fez um pouco de mistério e continuou.
— E, dessa vez, eu vim para ficar.
Surpresa! Sophie não acreditou. Agora estava comprovado, iriam mesmo estudar juntas e fazer tudo o que gostavam juntas. Chris se sentiu excluído pelas duas, e começou a se retirar dali andando para trás em passos curto, retirando-se do local disfarçadamente.
— Aonde o senhor pensa que vai, Chris? – Sophie interrompeu seus passos.
— Vocês têm muito que conversar – Sophie percebeu que Chris não gostara de sua atitude e, com um tom de voz triste, completou – Me desculpe.
— Não precisa se desculpar. Aliás, semana que vem tem aula, então a gente se vê no colégio – indignado, Chris despediu-se apenas com um balançar de mão.
— Humm – disse Sara, com um sorriso irônico, percebendo que estava acontecendo algo entre os dois antes de ela os interromper. Sophie não entendeu o porquê do sorriso.
— O que foi?
— Ele gosta de você – disse Sara, sorrindo. Ela ria sem motivos. Sophie encarou aquilo como uma piada e riu histericamente, com um pouco de dúvida.
— Não é nada...
Sara ficou séria e voltou a repetir:
– Ele gosta de você.
Sophie ficou sem jeito de falar sobre o assunto e, para evitar a conversa, ela logo tentou se retirar.
— Ah, cala a boca, vai. Agora me dá licença, tenho que receber os convidados – Sophie empurrou de leve a prima, pelo ombro, e começou a acelerar o passo. Sara ficou sem entender a reação da prima.
— Sophie? – Sophie não deu atenção à prima e continuou andando. Sara, para não ficar sozinha, foi atrás de Sophie – Ei, me espera.
A comemoração continuava, enquanto todos bebiam e comiam à vontade. Divertiam-se e riam. Chris andava no meio das pessoas, procurando por seu amigo, Dillan Sullivan, pois ainda não o havia encontrado desde que voltara de sua viagem à Grécia antiga. Distraído, sem perceber, esbarrou em Clair. Ele ficou fascinado com tanta beleza e elegância, os cabelos loiro-claros, olhos castanhos sedutores e lábios vermelhos. Ficou por alguns segundos calado.
— Me desculpe, sinto muito, eu não queria... – disse Chris, desculpando-se.
Com uma face meio assustada e com medo, Clair olhou para Chris, mas logo sua expressão mudou para uma de surpresa, seus olhos se abriram um pouco mais para que ela pudesse ver melhor. Ela ficou encantada com ele pela sua boa aparência. Olhos azuis eram, certamente, lindos!
— Tudo bem, não se preocupe – Clair interrompeu-o.
— Não, é sério. Me desculpe. Eu estava distraído procurando o Dillan, meu amigo. Você não o viu por ai?
— Não, não sei quem é Dillan. Sou nova na cidade, não conheço ninguém por aqui – Clair respondeu à pergunta com um pouco de incerteza no olhar.
— Nova? Então, me permita. Sou Christopher Master, mas pode me chamar de Chris, todo mundo me chama assim! – Chris estendeu a mão como forma de elegância e respeito. Mas foi interrompido por Dillan Sullivan, que gritou em meio a uma multidão, que estava mais afastada da casa:
— Chris Master? Cara, você aqui?
— Dillan Sullivan! – Chris ficou feliz por reencontrar o amigo e abraçou-o. Ele tinha o corpo atlético e cabelos castanho-claros, e havia crescido dois centímetros. Era época de jogos no colégio, e ele estava mais musculoso.
— Você cresceu, garoto? – Dillan sorriu pelo fato de não fazer nem três meses que ficara sem ver o amigo.
— É, só um pouco – Chris, sem perceber que Clair havia sumido, dirigiu-se a ela, como se ainda estivesse ali – Esse que é meu amigo... Espera, cadê ela? – Chris ficou confuso.
Como era possível? “Como ela havia desaparecido? ”, perguntava-se em sua mente.
— Ela quem? – Dillan perguntou com olhar de dúvida, sem entender o que Chris estava falando.
— A garota que estava aqui comigo quando você chegou – ele se expressou como se dissesse: “Não estou louco”. Ou estava? Não entendia e continuava a se perguntar: “Mas como? ” E de nada adiantava, não encontrava resposta para sua pergunta. Aquilo não tinha explicação.
— Chris, não tinha ninguém com você quando eu cheguei – Dillan afirmou com toda certeza. O mistério ficou no ar e um clima de suspense surgiu ali no meio. Ele acrescentou – Cara, você está bem? – Chris não respondeu à pergunta, mas ficou olhando para a multidão, para ver se a bela Clair não teria ido para lá. De nada adiantava, pois a bela jovem havia desaparecido inexplicavelmente.
Na entrada da cidade, via-se um garoto parado em frente à placa que dizia: “Seja bem-vindo a Damn Hill”. Mas quem seria aquele garoto de boa aparência e porte de play boy, cabelos lisos meio compridos, olhos castanhos como folha seca, alto e magro? Seu nome? Arthur Vincent. Ele continuava parado, colocando as mãos nos bolsos da jaqueta preta. – Damn Hill... – disse ele, com um sorriso – É, vai ser divertido.
Ele avançou para a cidade, sorrindo. Não se sabia quem era o garoto; ninguém o conhecia – era novo na cidade. Arthur tinha um ar misterioso, o qual lhe dava charme. Quais segredos Arthur teria?
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