Luar Sangrento (Hyatus)

3 Capítulo 3 - O Rapaz Misterioso


Notas iniciais
Olá queridos leitores!
Aqui está outro cap.
Desculpem o atraso mas só agora nas férias é que tenho tido tempo para fazer alguma coisa de jeito. O atraso também se deveu ao facto de estar a fazer um trailer para a história que vou postar brevemente.

Eu não era rapariga de estudar, principalmente porque não tinha muito tempo nem paciência para isso, mas se havia disciplina a que eu não tinha dificuldades era matemática. Não se devia ao facto de estar atenta, devia-se ao facto de simplesmente perceber a matéria sem grande dificuldade.

Levantei-me e encaminhei-me para o quadro. À medida que andava, ia lendo o exercício. Era um problema muito básico, que implicava a resolução de uma inequação e a representação gráfica.

Oh please! Ela não podia estar mesmo à espera que eu errasse naquilo.

Em menos de 2 min, tinha o exercício resolvido e a stora olhava-me com ar desconfiado como se estivesse à procura de um papel com a solução do exercício escondido na minha mão, mas eu nem sequer o livro tinha levado.

— Está correto! – acabou ela por dizer, com cara de quem engole um sapo – Pode voltar para o seu lugar e veja se está atenta desta vez!

Assim fiz, voltei para o meu lugar, enquanto ela me fulminava com o olhar. No entanto, não tive muito tempo para “não estar atenta” pois, poucos segundos depois de me sentar deu o toque.

Arrumei as minhas coisas e sai da sala. Toda a gente me olhava como se eu fosse a nova atração do jardim zoológico. Eu já estava habituada a ser tratada como “a miúda nova” porque, como já disse, viajava muito com a minha família e isso obrigava-me a mudar de casa frequentemente. No entanto, desta vez era diferente. Eu não só era “ a miúda nova”, como era “a miúda que enfrentou a stora ranhosa”. É verdade que esta não foi a primeira stora a quem eu faltei ao respeito, mas para estes miúdos, eu devo ter sido a única aluna que eles alguma vez viram a responder-lhe à letra. Para além disso e apesar de eu não me interessar com aquilo que os outros pensam, eu frequentarei esta escola durante três anos, até atingir a maioridade e poder finalmente voltar às minhas funções de caçadora e, para quem tinha decidido passar despercebida, já dei muito nas vistas.

Como já estava farta de todos aqueles olhares que não faziam esforço nenhum para disfarçar e, antes que espetasse uma certa adaga de prata que estava num certo bolso da minha mochila no olho de alguém fui-me embora. Atravessei corredores, até finalmente encontrar a saída do pavilhão que dava para a parte exterior da escola. Um local ao ar livre com muitas árvores, onde culminavam as entradas de quatro pavilhões e onde se concentrava a maioria dos alunos. Seitei-me num banquinho de pedra, coloquei os meus phones, peguei no livro que estava a ler e abstrai-me do mundo e desta vida miserável.

Pouco tempo depois, fui trazida à realidade por uma mão que balançava entre os meus olhos e as páginas do livro. Tirei de imediato os phones e olhei para cima. Percebi que essa mão pertencia com certeza a alguém que me tinha tentado chamar mas sem sucesso, uma vez que a música a altos berros ocultava todos os outros sons. Olhei para cima e reparei que a tal mão pertencia a uma rapariga morena que me olhava com um sorrisinho irritante. Percebi também que aquela rapariga era uma das minhas “amorosas coleguinhas de turma”. Que sorte a minha!

– Olá! – saudou-me ela com uma vozinha aguda e irritante que combinava na perfeição com aquele sorrisinho idiota e prosseguiu: – Com que então és estrangeira! De que país vieste mesmo?

Oh sorte! Só me faltava mais esta. Uma betinha qualquer a meter conversa comigo. E, como se não bastasse, agora, não só era a “miúda nova” como era a “miúda estrangeira” e tudo por causa daquela imitação barata de animal racional. Estava capaz de matar alguém. E não estou a falar no sentido figurado!

– Eu não sou estrangeira ok? E não te perguntei nada por isso agradeço que faças o mesmo!

– Não tem mal nenhum seres estrageira. Eu até acho bastante interessante. Conhecer uma cultura diferente deve ser fascinante...

Afinal enganei-me. Não era uma “betinha qualquer”, era uma “marrona qualquer”. Oh please! Tirem-me deste filme de terror.

– Ouve miúda – interrompi-a, já no limiar da minha paciência – Eu chamo-me Juliana Ferreira, falo português, nasci em Portugal, vivo em Portugal e sou COMPLETAMENTE portuguesa, ok? E se só vieste aqui para me perguntares isso podes dar meia volta e ir embora!

A rapariga absorveu cada uma das minhas palavras mas, em vez de ir embora ficou especada a olhar para mim.

– Sim? – perguntei-lhe ligeiramente mais calma, mas igualmente com pouca paciência, talvez ainda com menos do que aquela que tinha há segundos atrás.

– Não vim aqui só para te perguntar isso! Na verdade tenho um convite a fazer-te. – continuou ela com aquele sorrisinho irritante. Uma coisa eu tinha que admitir, a miúda era corajosa. Qualquer outra pessoa no lugar dela que tivesse ouvido aqueles gritos todos vindos de uma pessoa com cara de quem está prestes a estrangular alguém já se tinha posto a milhas.

– Diz então!

– Acabamos de saber que o stor de Biologia está a faltar e, por isso, estávamos a pensar ir almoçar a um cafezinho simpático que há na cidade. E queríamos saber se queres vir connosco. – finalizou ela, apontando para um grupo que reconheci de imediato como sendo o resto dos meus colegas de turma.

– Não, obrigada! Tenho cenas para fazer. – respondi-lhe no meu habitual tom de voz arrogante e desagradável.

– Ok! Se mudares de ideias, o café chama-se “Garden” e fica mesmo no centro da cidade. Já agora, eu sou a Lara. – Acabou de falar e seguiu para o grupo de jovens que nos olhava embasbacados como se estivessem a ver um filme muito interessante.

Virei-me de costas para o grupo com a intenção de retomar a minha leitura quando tive uma sensação que conhecia muito bem, a sensação de estar a ser observada. Perscrutei cuidadosamente o recinto escolar à minha volta e foi então que encontrei o meu espião. A cerca de vinte metros, um rapaz alto e moreno observava-me parcialmente escondido por um dos muitos arbustos existentes naquela escola. No entanto, assim que os nossos olhares se cruzaram ele simplesmente desapareceu.

Notas finais
Deixem reviews!
Visitem o meu blog da história: http://luarsangrento.blogspot.pt/