Luar Sangrento (Hyatus)
2 Capítulo 2 - "Nova Vida"
Notas iniciais
Espero que continuem a ler e deixem reviews please! Se deixarem reviews prometo que começo a atualiza-la regularmente!
Sentia-me como se algo muito pesado me tivesse caído em cima da cabeça.
Como é que pode ser? Como é que eu grito todas as noites enquanto durmo e nunca reparei?
Isto explicava as perguntas dele, todas as semanas, sobre os meus pesadelos, apesar de eu apenas lhe ter contado o primeiro.
― Não é? – repetiu ele.
Exitei um pouco antes de responder.
― E se for? O problema é meu, não tens nada a ver com isso!
― SOU TEU IRMÃO. É CLARO QUE TENHO A VER COM ISSO!
Não respondi.
― Estou preocupado! – disse ele, deixando de gritar.
― Sim, já disseste isso. Estás a tornar-te repetitivo! – disse eu, em tom de provocação.
― DEIXA-TE DE BRINCADEIRAS! ISTO É UM ASSUNTO SÉRIO. TU NÃO PODES CONTINUAR A TER ESSES SONHOS.
Pronto, os gritos não cessaram por muito tempo.
― Sim, porque eu adoro ter estes sonhos. Ui... são fantásticos! – disse eu irónica e prossegui, após uma breve pausa, falando noutro tom – Não sei se sabes, mas ninguém controla aquilo com que sonha!
― É por isso que acho melhor, sei lá, consultares um especialista... um psicólogo, por exemplo! Esses pesadelos podem ser stress pós traumático ou algo do género.
― Claro, isso é uma ideia genial! Vou a um psicólogo e digo-lhe que ando a ter pesadelos com lobisomens desde que fui atacada por um! Como é que eu não me lembrei disso antes? – ironizei – Só há um pequeno problema: é que o mais provável é ele pôr-me diretamente num manicómio!
Muito bem! De cada vez que penso que o meu irmão não consegue ter ideias mais estúpidas, ele surpreende-me!
― É capaz de não ser uma boa ideia! Mas... ainda assim... continuo a achar que seja bom falares com alguém!
Queria acabar com aquela conversa rapidamente! Já estava farta daquilo...
― Olha, adorava ficar aqui na treta, mas já estou atrasada para a escola e não quero dar má impressão logo no primeiro dia. Por isso... Adeus!
E dirigi-me para a porta que dava passagem para a garagem enquanto ele dizia:
― Como se te interessasses pela escola. Só estás a tentar fugir à conversa!
― Estou a tentar viver uma vida normal, como nos mandaste. – respondi antes de transpor a porta.
Entrei na garagem e peguei na mota que, apesar de ser do André, é usada normalmente por mim. Pus o motor a trabalhar e, já tinha aberto o portão para sair quando o Rui apareceu gritando:
― NEM PENSES QUE VAIS LEVAR A MOTA E MUITO MENOS SEM CAPACETE.
― DESCULPA, NÃO TE CONSIGO OUVIR! – respondi, gritando mais alto que o barulho do motor e arranquei.
Já sabia que ia ouvir das boas quando chegasse a casa por ter levado a mota, mas eu sabia sempre dar a volta ao Rui. Esta era uma das novas regrazinhas, a regra 325 talvez: não podia andar de mota até tirar a carta. O Rui andava muito estranho desde que ficara responsável por nós, sempre com a mesma história de termos uma “Nova Vida”, uma vida normal. Dantes, era sempre ele quem nos levava a fazer as coisas mais emocionantes e, inclusive, fora ele que me ensinara a andar de mota. Mas, agora, andava sempre atrás de nós a dizer: “Não façam isso!” e “Não façam aquilo!”.
A viagem até à escola foi rápida. A nossa casa, situada no meio do pinhal, perto da praia, era um pouco longe da escola. No entanto, as estradas eram pouco movimentadas, quase desertas àquela hora da manhã.
Enquanto percorria aquelas estradas, à minha volta apenas via uma nuvem verde de pinheiros e eucaliptos. O cheiro a maresia enchia o ar e tudo aquilo transmitia uma sensação de paz. No entanto, a nuvem verde
começou a tornar-se cada vez menos densa e comecei a avistar alguns edifícios.
Algumas curvas depois, avistei um edifício muito maior do que os outros, a Escola Secundária.
Cheguei bastante atrasada e, quando bati à porta já tinha dado o segundo toque.
― Posso entrar?
A stora olhou para mim, mas parece que não gostou daquilo que viu. Na verdade, tinha cara de quem não gostava de nada.
― É a aluna estrangeira, não é?
Oh boa! Publicidade. Era mesmo disso que eu preciso neste momento, não haja dúvida!
― Normalmente gosto que me tratem pelo meu nome! – desafiei-a.
Um burburinho percorreu toda a sala. Ao que parece, ninguém devia ter desafiado aquela stora muitas vezes. Mas eu não estava com a mínima paciência para aturar isto, muito menos depois da discussão que tivera com o Rui.
― E eu, normalmente, gosto que os meus alunos cheguem a horas! – respondeu ela muito depressa – Entre, rápido! Já perdemos muito tempo.
― Que simpática! – murmurei enquanto caminhava ao longo da sala.
― Desculpe? – perguntou ela incrédula.
― Está desculpada! – respondi em tom audível.
― O que é que disse?
Não respondi. Continuei a caminhar pela sala até me sentar numa mesa vazia na última fila. Ela olhou-me durante um bocado, depois começou a falar, dirigindo-se a todos:
― Vamos, então, continuar o exercício...
O burburinho cessou, mas todos os olhos da sala estavam pregados em mim. Isso não me incomodava, eu estava-me nas tintas para aquilo que eles estavam a pensar mas, a última coisa que queria, era ser o centro das atenções. Apenas queria passar despercebida e completar os dezoito anos o mais depressa possível para poder ir embora e continuar a fazer aquilo que sempre fiz. No entanto, os meus planos saíram-me todos trocados! Agora, para além de ser a “miúda nova”, era a “miúda estrangeira”. O que mais me irritava era que, eu nem sequer era estrangeira! Nasci em Portugal, mas como já contei viajava muito, e tinha terminado o meu
último ano lectivo numa escola espanhola. Daí vinha, provavelmente, a confusão que aquela imitação barata de animal racional tinha feito.
Estava totalmente abstraída daquela aula de matemática, quando reparei que a stora estava à frente da minha mesa, a falar num tom de voz a que eu já não chamava “falar”, mas sim “gritar”.
― Qual é a sua opinião sobre a resposta da sua colega, menina?
Eu sabia que esta não ia perder uma oportunidade para me infernizar a vida! – pensei.
― Não tenho. – respondi.
― Não tem o quê?
― Não tenho opinião a dar sobre a resposta da minha colega.
― Ah sim? E porque será? Se calhar não estava a prestar atenção, não é verdade?
― Talvez!
― “Talvez!”? – perguntou ela num tom de voz mais elevado e percebi que já devia estar a chegar ao limite da paciência – Muito bem! Se não tem opinião sobre o exercício da sua colega, a turma terá uma opinião sobre o seu exercício. Porque é que não vai resolver o problema ao quadro?
Notas finais
Consultem o meu blog: http://luarsangrento.blogspot.pt/
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