Lua Negra

20 Newborn Vampires


Mais de quarenta e oito horas acordada e agora eu ainda tenho que participar de uma espécie da batalha com vampiros novos. Eu quase me arrependo de ter me oferecido, mas eu não acredito neles para não morrerem se eu deixar que se virem sozinhos, então aqui estou, com Alek, a caminho da clareira com uma vampira vidente maluca dirigindo ao lado do seu companheiro caladão.

Sério, porque raios eles dirigem tão rápido??

— Você está bem? — Alek perguntou, de repente.

Eu tirei meus olhos do velocímetro e virei para ele. Suas próprias olheiras me fizeram retrucar:

— Eu poderia te perguntar a mesma coisa.

Ele soltou uma risada seca e então suspirou.

— São apenas pesadelos.

Eu arqueei uma sobrancelha.

— E você não me disse antes porque...?

— Eu acho que você já tem coisas o suficiente para lidar — ele deu de ombros e olhou para mim — Não se preocupe.

Tarde de mais, pensei, mas não disse em voz alta, apenas continuei o observando por um momento. Era verdade que já havia um tempinho que ele estava estranho e irritadiço, talvez esse fosse o motivo, afinal.

— Aqui estamos — Alice disse, estacionando absolutamente no meio do nada — Temos que andar o resto do caminho.

— Sem problemas — respondi.

Saímos do carro e então os vampiros nos carregaram por sabe-se lá quantos metros ou quilômetros até a tal clareira para onde iriam atrair os vampiros. Jasper, quem estava me carregando, parou quase ao lado do Carlisle e me ajudou a descer. Eu abri a boca para agradecer, mas Carlisle virou para mim e disse:

— Obrigado por ter vindo ajudar a nossa família com isso.

— Uh, disponha, acho — gaguejei, me sentindo absolutamente embaraçada, por algum motivo — Você não devia me agradecer antes da luta, no entanto.

Ele sorriu para isso e então uma moça com um sorriso caloroso se aproximou e parou ao lado dele.

— Eu não pude me apresentar naquele dia de treino — ela disse, ainda sorrindo — Eu sou Esme, esposa do Carlisle.

Ele sorriu para ela e, todo fofo, colocou o braço sobre seus ombros.

— É um praz...

— Hey! — alguém exclamou e, ao olhar para o lado, vi o grandalhão que perdeu para o Jasper no treino se aproximar com um sorriso no rosto — Também não pudemos nos apresentar da ultima vez. Eu sou Emmett e essa é Rose, minha ursinha.

Eu tenho certeza que, se ela pudesse, teria ficado vermelha. Se não pelo apelido, seria pelo fato de todos terem rido.

Eles são mesmo uma família de bobos e felizes vampiros (e um vampiro emo).

— Eu sou Rosalie — a loira disse, depois de se recompor — Porque você está aqui, exatamente? É por causa da humana?

— Também — dei de ombros — Porque?

— Ela não gosta muito da Bella — Emmett respondeu e ganhou um cenho franzido da Rosalie como resposta.

— Apenas... Todos nós acabamos tendo que lutar por ela porque agora ela é "da família" — Rosalie fez aspas com os dedos — Você não tem essa obrigação.

Eu observei ela sem responder por um momento, tentando entender qual o objetivo dela com aquela conversa. Ela queria apenas falar mal da Bella ou estava querendo dizer que eu não devia estar ali?

— Isso não é simplesmente sobre a Bella — meu irmão disse — Os vampiros atacariam mesmo se tivessem simplesmente tirado ela da cidade, certo?

— E depois, se conseguissem matar ela de qualquer forma, poderiam atacar a cidade também — comentei.

— Logo, a melhor solução é acabar com isso aqui mesmo — Alek disse, assentindo com a cabeça — Agora, se você não concorda com isso, não devia ser obrigada a continuar aqui. Mesmo ela sendo "da família".

— Família é uma merda às vezes — concordei, pensando na minha não-amada tia que literalmente me quer morta. Aliás, seria irônico ter fugido dela e morrer na mão de vampiros-bebês-turbinados.

Rosalie não respondeu por um momento, mas então deu um pequeno sorriso.

— Acho que vamos nos dar bem — foi o que ela disse.

Então uma tensão abrupta tomou o ar logo antes do Carlisle dizer:

— Então chegando.

Todos eles olharam na mesma direção então presumi que era de lá que eles viriam e troquei um olhar com Alec antes de nos afastarmos. Ele tirou a espada do coldre e se moveu para o lado dos Cullen, enquanto eu me movi mais para trás. É claro que, se fosse necessário, eu enfiaria a minha espada em cada vampiro-bebê-turbinado que aparecesse, mas por ora eu seria o apoio.

Até porque, honestamente, eu estava exausta.

Não levou sequer um minuto e então eu ouvi grunhidos, rosnados e um monte de vampiros-bebês-selvagens surgiram através das árvores e correram numa velocidade insana na nossa direção. Os Culllen, é claro, não ficaram para trás e correram na direção deles também, assim como meu irmão e atacaram sem nenhuma hesitação.

Jasper literalmente chegou socando a cara de um deles e Emmett jogou um longe apenas empurrando. Alice se abaixou e girou o corpo quando um dos vampiros tentou agarra-la e aproveitou sua posição para derrubar o vampiro que vinha logo atrás, acertando sua perna.

Foi então que os lobos chegaram e saltaram sobre os adversários como o bando de animais selvagens que são. E digo isso de uma forma positiva, embora seja muito bom que vampiros não sangrem então eu não tinha que ver tudo ficar nojento quando um deles arrancou o braço de um inimigo.

Eu olhei para a esquerda quando senti a presença de alguém e vi uma vampira ruiva muito suspeita olhando assustada para os outros. Ela tinha olhos vermelhos, mas não parecia descontrolada como os outros, então provavelmente não era uma recém-criada.

Seria ela a tal Victoria?

Ela correu e eu sabia que a maldita iria para onde Edward e Jacob foram com a Bella, no topo da montanha, então virei para segui-la, quando ouvi o rosnado alto e furioso. Eu sabia que era o Jacob antes mesmo de olhá-lo, o que era, por si só, irritante. No entanto, mais enfurecedor do que isso era o fato de eu ter ficado em dúvida se devia seguir a ruiva ou ajudar o Jacob.

Porque diabos eu deveria ajudar o Jacob??? Ele sequer parecia precisar de ajuda, ligação mágica estúpida.

Eu olhei para eles por um momento e depois para o meu irmão, que estava lutando lado-a-lado com Leah em forma de lobo e então virei as costas e corri na direção que a ruiva seguiu. Confiaria neles, em Jasper e Alice para cuidar dos vampiros-bebês. Se Victoria sabia que Bella não estava lá e estava indo atrás deles, talvez precisassem de ajuda.

Eu, obviamente, não corria tanto quanto uma vampira. Quero dizer, eu corro mais rápido do que um humano, mas não tanto assim. Além disso, subir uma montanha estúpida é um inferno seja qual for sua espécie.

Eu pedi a ajuda dos elementais da Terra e raízes rasgaram seu caminho através do chão para alcançarem a superfície. Elas moveram-se como cobras sobre a neve até onde alcançavam, então eu saltei para a raiz de outra árvore até finalmente chegar numa clareira aberta, coberta de neve, onde a primeira coisa que vi foi um lobo conhecido caído no chão e meu coração quase parou.

— SETH! — gritei sem nem pensar e avancei para verificar se ele ainda estava vivo. Eu não podia ter certeza de que ele estava inteiro, mas seus pulmões e coração estavam funcionando, então suspirei aliviada e comecei a trabalhar no meu feitiço de cura.

Isso definitivamente não era a minha especialidade e talvez eu não devesse estar usando tanta energia quando eu já estava cansada, ainda mais levando em conta que eu literalmente usei magia para chegar até aqui. No entanto, eu não podia simplesmente largar Seth aqui, desacordado na neve.

Eu coloquei as duas mãos sobre ele enquanto recitava o feitiço e fechei os olhos, tentando me focar nisso ao invés do som de luta há alguns metros. Vamos lá, Seth, acorda!

Ele levantou abruptamente, como se tivesse tomado um susto ou um choque e olhou alerta ao redor, enquanto eu me sentia zonza e distante. Balancei a cabeça tentando me focar e olhei para o lobo.

— Acho que Edward precisa de ajuda.

Ele me observou por um momento com as orelhas baixas, mas então correu na direção do barulho. Assim que perdi ele de vista, soltei um longo suspiro.

Nota para mim mesma: não ficar dois dias acordada direto antes de uma luta.

Isso significa que eu tenho que descobrir quem diabos está tentando me matar.

Me levantei apoiada na pedra e respirei fundo antes de seguir na mesma direção do Seth. Alcancei eles bem a tempo de ouvir Edward dizer:

— Alice precisa de nós.

Suspirei novamente sentindo meu corpo exausto.

O vampiro carregou Bella e eu fui com Seth, então voltamos à clareira. Havia uma grande fogueira feita com restos de vampiros mortos e os outros estavam ao redor. Meu irmão veio até mim imediatamente.

— Onde diabos você estava??

— Victoria passou por aqui, eu vi ela indo na direção da montanha e segui — respondi, descendo de cima do Seth — Esse pirralho aqui tinha sido nocauteado.

Ele me empurrou com o focinho, claramente reclamando de eu ter dito, mas eu apenas ri dele em resposta.

Alek assentiu, parecendo aliviado, mas isso desapareceu no momento que ele disse:

— Os Volturi estão vindo.

— Hm... — murmurei — Isso pode ser um problema para nós?

— Talvez — ele respondeu — Mas o nosso cheiro já está aqui, então não adianta mais.

— Eu sinto muito — disse Alice, se aproximando de nós — Eles não tinham aparecido para mim até poucos minutos atrás...

— Não se preocupe com isso, Alice — respondi, sorrindo para ela numa tentativa de confortá-la — Eles não podem nos matar nem nada assim, isso seria contra as Leis.

— Mas eles podem definitivamente contar para a Annora que estamos aqui — Alec disse, cruzando os braços antes de virar novamente para Alice — Apenas... Se você ver algo sobre eles depois, pode nos contar?

Ela assentiu rapidamente, nervosa.

— Os lobos tem que ir — Carlisle disse — Os Volturi não honrarão o tratado.

Jacob saiu do meio das árvores e trocou um olhar com a Leah, talvez dizendo que deviam ir ou algo assim. No entanto, um dos vampiros inimigos que aparentemente conseguira escapar, decidiu que essa era a hora de se mostrar e fazer um ataque surpresa. Leah rosnou e pulou precipitadamente sobre ele, que conseguiu colocar os braços ao redor das costelas dela.

Imediatamente, todos nós nos movemos. Eu já estava prestes a usar um feitiço no maldito quando Jacob, quem estava mais próximo, avançou e agarrou a cabeça do vampiro com a boca. Ele soltou a Leah e se virou para agarrar Jacob rosnando furioso.

Os dois começaram a brigar no chão mas estavam tão engalfinhados que eu não podia usar magia sem correr o risco de machucar o lobo também.

O vampiro, então, conseguiu agarrar Jacob por trás e apertou suas costelas até todos nós ouvirmos o som dos ossos se partindo seguido pelo ganido doloroso que Jacob soltou antes de cair no chão e se destransformar.

O vampiro foi cercado por lobos furiosos que o despedaçaram. Carlisle e Edward estavam com Jacob num piscar de olhos, seguidos por mim e Bella.

— Jacob, resista, Carlisle vai cuidar de você — Edward disse, enquanto o mais velho verificava o estado do lobo.

— Os ossos da parte direita do corpo estão esmagados — Carlisle disse e meu coração quase parou novamente naquele dia.

— Mas ele vai ficar bem, certo? — perguntei — Quero dizer, lobos se curam rapidamente, não é?

Bella segurou a mão dele, apavorada e olhou para Carlisle, aguardando uma resposta também. Uma que não obtivemos.

Então o restante dos lobos, destransformados e vestidos, se aproximaram de nós. Leah parecia tão preocupada quanto furiosa.

— Seu idiota, estava tudo sobe controle! — ela exclamou.

— Leah! — Sam exclamou, num claro "cala a boca, porra". Era curioso ver ele agir como Alfa novamente. Será que isso significava que eu poderia dormir de novo?

— Preciso alinhar os ossos antes que a cicatrização comece — disse Carlisle, para ninguém específico, enquanto Sam se abaixava ao seu lado claramente evitando olhar para mim se um jeito bem esquisito e nada sutil.

— Precisamos tirá-lo daqui — Edward disse — Não vamos vencer uma luta contra os Volturi.

— Vamos levar ele para a casa do Billy — disse Sam.

— Vou lá assim que puder — garantiu Carlisle.

Os vampiros se levantaram, mas eu e Bella continuamos por mais alguns segundos. Ela apertou a mão dele e eu, apesar de querer fazer o mesmo, me forcei a não fazê-lo com medo de tornar tudo isso desconfortável.

— Aguente firme Jake — Bella disse, antes de enfim soltá-lo.

Eu, apesar de hesitante, a segui quando se afastou, mas observei atentamente enquanto os lobos o erguiam do chão com cuidado e o levavam. Paul tentou o confortar, dizendo que tudo estava bem e eu tive que afastar o olhar me sentindo um pouco mal por não poder ajudá-los.

Se eu não tivesse ficado com medo e tivesse dormido um pouco, não estaria exausta e poderia ajudá-lo, mesmo que apenas parando a dor.

Além disso, vê-los todos juntos me fez sentir culpa por causar toda essa confusão entre a alcateia. Talvez eu estivesse exagerando, talvez apenas... Seja uma coincidência ou algo assim. Sam e Paul pareceram bem normais para mim.

— Estão vindo! — alertou Alice e meu cérebro voltou ao problema mais imediato.

Eu e Bella nos juntamos ao resto deles no centro da clareira e só então notei uma garotinha de cabelo escuro encolhida junto com a Esme. A julgar pelos olhos vermelhos, ela definitivamente era um dos inimigos.

Era, aparentemente.

Tão logo parei ao lado do meu irmão, os Volturi chegaram à clareira. Eu nunca tinha visto nenhum deles pessoalmente, mas eram exatamente como a minha avó dizia. Pálidos, arrogantes e bonitos.

Ênfase no arrogantes, é claro. Isso estava pintado em cada contorno deles, desde seus narizes empinados até as roupas feitas com tecidos caros.

Não posso fizer que não gostei dos capuzes, no entanto.

— Impressionante — a loira disse. De alguma forma, ela soava falsa e condescendente — Nunca vi um clã escapar intacto de um ataque dessa magnitude.

— Tivemos sorte — disse Carlisle.

— Eu duvido — ela retrucou.

— Parece que perdemos uma luta interessante — o garoto moreno ao lado dela comentou, com um sorriso que me fazia ter vontade de socar sua cara, por algum motivo.

— É... — ela concordou — Não é sempre que nos tornamos desnecessários.

— Se tivessem chegado há meia hora teriam cumprido seu propósito — Edward alfinetou.

— Que pena — a loira comentou, não soando nem um pouco arrependida.

Esse era exatamente o tipo de conversa falsa e estúpida que eu não sentia falta de ter durante encontros entre Clãs. Falar com seu inimigo e ter que ser amável e educado para não começar uma guerra.

Era isso que estava acontecendo ali também.

Senti Alek ficar tenso ao meu lado e ergui os olhos para encontrar a loira me encarando abertamente.

— Parece que tiveram alguma ajuda, no entanto.

— Que eu saiba ajudar vampiros a proteger a sua casa não infringe nenhuma lei — eu disse, cruzando os braços.

— Talvez não — ela disse cinicamente — Mas assassinar vampiros sim.

— Não matamos ninguém, apenas demos suporte aos Cullen — respondi.

— É a verdade — disse Carlisle.

Ela nos encarou por mais um algum momento, claramente não acreditando nem um pouco, mas então seus olhos caíram sobre a garotinha de cabelo escuro e disse:

— Esqueceram uma.

Jasper moveu-se imediatamente para o lado da garotinha, a fim de protegê-la junto com Esme, enquanto Carlisle disse:

— Oferecemos asilo a ela em troca da rendição.

A loira o encarou séria e irritada ao dizer:

— Não poderiam fazer isso — então ela voltou a encarar a garota assustada — Por que você veio?

De repente a garota começou a gritar de dor e caiu no chão. Eu me movi instintivamente, mas mal cheguei a dar um passo antes do Alek segurar meu braço. Olhei para ele irritada, mas sua expressão séria me fez parar.

— Quem criou você? — a loira perguntou, enquanto a garota continuava a gritar e a se contorcer de dor.

— Não precisa fazer isso — protestou Esme — Ela vai te contar tudo o que quiser.

— Eu sei — a loira disse arrogantemente.

— Eu não sei! — a garota chorou — O Riley não quis contar, ele disse que os nossos pensamentos não eram seguros!

— Seu nome era Victoria, talvez a conhecesse — disse Edward, claramente irritado.

— Edward... — disse Carlisle cinicamente — Se os Volturi tivessem conhecimento de Victoria, eles a teriam impedido. — ele fez uma pequena pausa dramática e olhou para a loira — Não é mesmo, Jane?

— É claro — ela disse, ainda mais cinicamente do que ele e eu só queria poder partir essa garota em pedaços. Ela claramente sabia de toda essa merda. Então, Jane olhou para o homem super-alto à sua esquerda e disse — Felix?

O homem assentiu e começou a avançar como um bom pau-mandado, mas Jane o parou quando Esme protestou novamente:

— Ela não sabia o que estava fazendo! Vamos ficar responsáveis por ela...

— Dê uma chance à ela — Carlisle pediu.

— Os Volturi nunca dão uma segunda chance — Jane disse — Tenham isso em mente.

Ela claramente não estava apenas falando da garotinha e seu olhar para Bella e Edward apenas enfatizou isso. Eu me lembro que ela tinha comentado algo sobre ser morta se não for transformada.

— Caius vai gostar de saber que ela ainda é humana — Jane continuou, apenas para atiçá-los mais. Como se Edward já não parecesse suficientemente irritado...

— A data já está marcada — informou Bella.

Jane claramente não deu a mínima para a humana, ao invés disso olhou para a garotinha novamente e disse, num tom entediado:

— Cuide disso, Felix. Quero ir para casa.

Quando o grandalhão avançou, eu tentei avançar também para impedi-lo, mas a mão de Alek se apertou mais ao redor do meu braço. Olhei para ele a fim de reclamar, mas seus olhos brilhantes me fizeram parar novamente. Okay, o que diabos estava acontecendo ali??

Sob o olhar crítico dos Cullen, Felix passou entre eles para alcançar a garotinha. Jane deu um sorrisinho maníaco quando ele segurou a morena pelos braços e então matou-a na frente de todos ao arrancar sua cabeça num movimento só.

Ele, assim como o resto dos Volturi, partiram sem fazer qualquer outro comentário e um silêncio tenso se instalou na clareira por alguns segundos.

— Eles já foram? — perguntou Alek, de repente.

Edward assentiu e então os restos da garotinha desapareceram em fogo negro e a própria, viva, apareceu dentro de um casulo transparente.

Suspirei e olhei para o meu irmão.

— Eu juro, da próxima vez eu quebro a sua cara!

Ele deu um sorrisinho em resposta.

— Eu tenho que ir ver o Jacob — disse Carlisle.

— Tudo bem, eu levo ela para casa. — disse Esme.

Eles trocaram um selinho super fofo e então Carlisle basicamente sumiu usando sua super velocidade. Esme foi até a garotinha assustada e sorriu amigavelmente para ela tentando confortá-la. Enquanto isso, Bella e Edward vieram até nós.

— Eu também vou ver o Jake — ela disse — Você vem comigo?

Eu abri a boca para falar "mas é claro que vou", quando meu irmão me lembrou a realidade:

— Não é seguro entrarmos na reserva.

Mordi o interior da minha bochecha tentando descontar a frustração e então disse:

— Apenas me diga depois como ele está, okay?

Ela assentiu e foi com o Edward na outra direção. Os observei até sumirei entre as árvores e depois virei para o outros Cullen, bem à tempo de ver Esme se aproximar com a garota.

— Muito obrigada por ter nos ajudado à salvá-la — ela disse, sorrindo amávelmente para o meu irmão.

— Eles estavam errados — Alek disse, dando ombros com as bochechas um pouco coradas .

— Mesmo assim foi um gesto bastante nobre — ela elogiou — Vocês querem vir almoçar na nossa casa?

Eu pisquei, confusa e, a julgar pelo silêncio, presumo que Alek estava tão confuso quanto. Notando a cena, Alice se aproximou soltando uma risadinha.

— Ela gosta de cozinhar quando pode, mesmo que não possa comer.

— Eu acho melhor marcarmos outro dia — respondi lentamente — Eu estou exausta e realmente prefiro ir para casa dormir.

Alice ficou séria observando eu e Alek por um momento antes de dizer:

— Vocês parecem mesmo exaustos. Venham, vou levá-los para casa.

A despedida foi rápida e, sinceramente, eu já estava tão sonolenta que não lembro a metade. Nós caminhamos até o carro com ela e então eu apaguei com a cabeça apoiada no ombro do meu irmão num sono, felizmente, sem sonhos. Ou pesadelos.