Lua Negra

4 04 | La Push


Notas iniciais
Ooi! Trago um capítulo novinho para você, espero que goste!!

Eu dormi durante um dia inteiro e mais um pouco, aparentemente, e acordei novamente por causa da dor, enquanto Alek limpava meu ferimento.

— Precisamos procurar um médico, Sel — disse Alek, soando nervoso, o que era por si só muito preocupante. Alek era a pessoa mais calma e controlada que já conheci — Está infeccionando.

Eu suspirei e neguei com a cabeça, fechando os olhos por um momento para esquecer a dor.

— Não é seguro...

— Você não pode morrer — ele respondeu, enquanto terminava de fazer o curativo —Fizemos o feitiço para evitar que sejamos rastreados, Sel, ela não vai nos encontrar aqui por algum tempo.

— Não sabemos onde os aliados dela se escondem — eu disse, forçando o meu corpo a se erguer. Quando cambaleei, zonza, ele me ajudou a me manter de pé.

— Você não pode morrer — ele repetiu, me encarando seriamente — Eu vou te levar a um hospital, mesmo que seja arrastada.

Eu bufei, mas concordei com a cabeça.

— Tudo bem, mas não deveríamos ir até a tal Reserva primeiro? — perguntei — Não quero ser mordida por um lobo enquanto saio da farmácia.

Alek negou com a cabeça e foi comigo até a saleta, me deixando no sofá enquanto ia preparar mais sanduiches.

— Não acho que atacariam assim na frente de humanos.

— Lobos são temperamentais — respondi, dando de ombros — Não acho que são capazes que se controlar devidamente.

Alek me olhou, arqueando uma sobrancelha de um jeito irritante.

— O que?? — perguntei

— Por que está sendo tão implicante? — ele perguntou e eu bufei em resposta

— Não gostei deles, principalmente do Alfa. Não gosto que pensem que podem mandar em nós, como se fossem algum tipo de realeza canina.

— Não é assim e você sabe — Alek disse, achando graça do que eu falei — Lobos são territoriais, isso é tudo. Somos estranhos, por isso foram hostis conosco...

— Eles devem ser ótimos com as visitas — retruquei, enquanto Alek se juntava a mim no sofá com os sanduiches e sucos

— Você está sendo implicante — ele repetiu

— Eles começaram — dei de ombros

Alek soltou uma risadinha e eu o ignorei completamente, focando em comer o meu sanduiche. Não estava exatamente com fome, apesar de tudo, mas sabia que precisaria de energia se fosse ver os lobos de novo.

Saímos logo depois que eu tomei um banho e me troquei. Vesti o jeans que estava guardado na mochila, com uma segunda pele, jaqueta e cachecol. Coloquei novamente as botas que estava vestindo antes, mas com um par de meias limpas. Precisávamos lavar logo as roupas, já que não temos muitas delas.

O carro que Alek havia roubado ainda estava lá fora, enquanto fomos com ele até a cidade e o largamos. A casa onde estávamos não ficava muito longe da cidade, felizmente, então não seria muito difícil cruzar a floresta para alcançá-la sem o carro.

Além disso, seria realmente deprimente estarmos numa batalha contra Annora e sermos pegos pela polícia por termos roubado um carro.

Seria patético, francamente.

Aparentemente só havia um consultório médico na cidade, então não havia muita escolha. Eu fiquei sentada no banco de espera enquanto Alek conversava com a recepcionista sobre o ferimento. Não trouxeram uma maca, então presumo que ele não tenha sido totalmente honesto sobre a gravidade da ferida.

Levou vinte minutos até que me chamassem para ser atendida. Alek me ajudou a ir até o consultório, onde um homem loiro e pálido, com olhos dourados e claramente vampiro esperava.

— Isso só pode ser uma piada — bufei rudemente.

— Comporte-se — disse Alek, me ajudando a sentar numa maca que estava no canto

— Bom dia — disse ele, sorrindo agradável — Eu sou o Dr. Cullen, mas podem me chamar de Carlisle. Então, o que houve?

— Espada — respondi imediatamente

Ele arqueou uma das suas sobrancelhas e pediu licença para ver o machucado. Ele tinha a mão leve, muito mais do que a do Alek, então eu fiquei aliviada. Pelo menos até ele dizer:

— Você precisa levar pontos. Faz quantos dias desde que... Você se cortou?

— Um dia e meio — respondeu Alek — Estávamos no meio do nada, acampando, por isso não podemos vir até um hospital até agora.

Eu pude ver nos olhos do Dr. Cullen que, apesar do meu irmão ser um ótimo mentiroso, ele não cairia nessa. Ele me encarou por um momento e eu devolvi o olhar sem hesitar.

Não tenho medo de vampiros, o enfrentaria se necessário.

— Muito bem... — ele disse, virando-se para pegar suas luvas — Deite-se, por favor.

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— Odeio vampiros — resmunguei, quando saímos do consultório. Eu estava sentindo dor e odiava agulhas, mas tinha que admitir que ele era bom. Eu queria perguntar como ele consegue mexer com tanto sangue e ficar sem dar uma mordida, mas provavelmente isso o alertaria e não queremos chamar atenção.

Não que isso seja possível, já que somos pessoas desconhecidas numa cidade pequena.

— Eu posso sentir as pessoas nos encarando — comentou Alek, me ignorando — Eu acho que não tem muitas pessoas desconhecidas andando por aqui.

— Quem viria para Forks, exceto para sumir do mapa? — perguntei — Deve ser por isso que o vampiro está aqui.

— Ou talvez por que seja uma das cidades que fica mais tempo sem sol dos Estados Unidos? — perguntou ele, com um sorrisinho irônico

— Você quer mesmo levar um soco no meio da rua?

— Não acho que você esteja boa o suficiente para isso no momento, maninha — ele riu — Está com fome?

— Não — resmunguei, mas ele ainda agarrou o meu braço e me puxou até a lanchonete da esquina — Sabia que nós temos que economizar? Que eu saiba, não temos um emprego ainda.

Só de pensar em trabalhar como uma pessoa normal, meu cérebro já se contorcia, mas a opção era morrer de fome e, como Alek disse, eu não posso morrer ainda.

— Nós precisamos comer — ele retrucou, quando passamos pela porta

Eu bufei, mas deixei que ele me arrastasse até uma mesa no canto. Não demorou muito para que uma moça negra viesse nos atender. Eu olhei através da janela, suspirando enquanto Alek fazia os pedidos.

Não levamos muito mais de meia hora naquela lanchonete. Eles tinham ótimas batatas fritas e eu definitivamente voltaria ali depois, quando arrumasse um emprego e pudesse pagar. Nós saímos depois de perguntar como chegar até a reserva e, felizmente, havia um policial que estava indo para lá e nos daria carona.

Finalmente alguma sorte!

— Vocês se mudaram há pouco tempo? — perguntou ele, casualmente

— Sim, senhor — disse Alek, tentando parecer inofensivo e falhando miseravelmente. Se não doesse, eu riria da cara dele agora — A nossa temos uma propriedade aqui, mas fica praticamente no meio do mato...

— Você sabe onde podemos conseguir um emprego? — perguntei, sem muita paciência para conversa fiada — Vamos passar um tempo aqui enquanto nossa família está lidando com alguns problemas, então vamos precisar...

— Aqui em Forks não há nada, até onde sei — ele disse, me fazendo afundar na cadeira de desânimo — Talvez tenham mais sorte em Port Angeles...

— Valeu pela dica — disse Alek, sorrindo — A propósito, meu nome é Alek e essa é a minha irmã, Selene.

— Meu nome é Charlie Swan, sou o chefe de polícia local. Vocês podem me chamar de Charlie.

O chefe de polícia. Que ótimo.

— É ótimo conhecer o senhor — disse Alek, com um sorriso meio tenso.

O homem assentiu. Acho que ele gosta que Alek esteja sendo tão educado.

— Vocês deviam conhecer a minha filha, Bella. Vocês vão estudar por aqui?

Eu e Alek trocamos olhares. Não havíamos pensado sobre isso.

Até porque, sinceramente, isso está longe de ser uma prioridade.

— Nós... Fomos educados em casa, na verdade — disse Alek, lentamente — Então pretendemos voltar aos estudos quando voltarmos para casa.

Assenti, concordando.

O resto do caminho foi, principalmente, Alek e Charlie jogando conversa fora e eu olhando através da janela entediada. Honestamente, Forks era o último lugar na Terra onde eu queria estar, mas era um bom esconderijo. Além disso, era até bonita. Todo aquele verde, toda aquela natureza... Era quase como estar em casa.

Era um paraíso para Bruxas. Ou seria, se não tivesse a mesma temperatura que uma geladeira.

— Aqui estamos — disse Charlie, me fazendo voltar à realidade — Bem-vindos à La Push!

Não era exatamente no meio do mato como eu e Alek vivíamos, mas era bem próximo. Parecia um ótimo lugar para morar, na verdade, eu já podia sentir o cheiro do mar.

Charlie estacionou em frente a uma grande casa de madeira pintada de vermelha, de onde um homem de cadeira de rodas saiu. Eu e meu irmão pulamos para fora do carro logo após o chefe Swan e o seguimos hesitantemente. Como exatamente encontraríamos aqueles logos estúpidos?

— Garotos, este é Billy Black. Billy, estes são Alek e Selene, novos moradores da cidade.

Eu acenei com a cabeça, mas me mantive em silêncio e distante, enquanto Alek se aproximava e sorria com a mão estendida.

— É um prazer conhecê-lo, senhor.

Os dois apertaram as mãos e eu me contive para não revirar os olhos. Acho que a dor me deixava irritadiça.

— Seja bem-vindo, rapaz. Senhorita. — ele acrescentou, olhando para mim por um momento antes de virar para Charlie — Vamos entrar? O jogo já vai começar.

— Claro — ele respondeu, antes de virar para nós — Vocês...

— Não se preocupe conosco, temos que encontrar uma pessoa — respondi, sorrindo um pouco — Até a próxima.

Ele acenou para a gente e entrou, empurrando a cadeira do amigo. Suspirei.

— Como está a sua bússola canina? — perguntei, virando-me para Alek

— Aquele cara só disse para virmos até a Reserva. Estamos aqui — disse Alek, encolhendo os ombros

Eu suspirei, frustrada e comecei a andar pela rua, tentando encontrar alguém que parecesse saber sobre os lobos. Não demorou muito até encontramos alguns garotos de jeans e sem camisa fazendo uma algazarra.

— Ainda bem que a minha bússola funciona — disse, zombando do meu irmão

Ele bufou e me puxou na direção dos lobos. Eles até que são bonitos, provavelmente para compensar com o fato de se acharem os donos da cidade.

Eles tinham que ter alguma coisa boa, suponho.

— Ei, com licença — disse Alek, atraindo a atenção deles. Todos ficaram tensos ao mesmo tempo, o que me lembrou a telepatia lupina. Credo — Vocês são os lobos, certo? — ele fez uma pausa, mas como nenhum deles respondeu, Alek continuou — Seu alfa pediu para que viéssemos e aqui estamos. Onde ele está?

— Meu nome é Sam — disse o homem agora não nu saindo da casa — Que bom que vieram pacificamente.

Estreitei os olhos e mordi o interior da boca para não retrucar. Soava como se eles fossem algum tipo de polícia e nós os fugitivos.

— Não viemos para causar problemas — disse Alek, num tom apaziguador — Só precisamos de abrigo por um tempo.

Sam o encarou por um momento, seu rosto completamente sem emoções, o que me frustrava. Eu não tinha ideia do que ele estava pensando.

Quando seu olhar veio para mim, eu quase dei um passo para trás, mas esse instinto me irritou o suficiente para que eu conseguisse encará-lo de volta e, diferente do meu irmão, não havia nada de apaziguador em mim.

— Vocês estão correndo perigo? — ele perguntou para mim, por algum motivo. Talvez porque era eu quem estava ferida.

— Não precisa se preocupar com isso — retruquei, cruzando os braços — Nossos problemas não vão afetar vocês.

Ele segurou meu olhar alguns segundos antes de assentir.

— Bom. Então eu acho que desde que não usem sua Magia contra nós ou os humanos, não haverá problemas.

Eu queria agradecer sarcasticamente por ele ter nos dado permissão para fazer algo que é nosso direito, ou talvez atirar uma pedra na sua cabeça, mas parecia que eu não era a única irritada ali e um dos lobos reclamou:

— Nós não podemos confiar neles, são forasteiros!

Não importa o quão focada em não ser sarcástica eu estivesse, não pude evitar a risada sardônica que brotou na minha garganta. Eu olhei para o lobinho e disse:

— Se eu quisesse fazer alguma coisa contra você, eu faria agora.

— Isso deveria ser tranquilizador? — ele retrucou

— Se você tem metade de um cérebro, sim — eu respondi, antes de olhar novamente para o Sam — Desde que se mantenham longe de nós, nada vai acontecer. Até nunca mais.

Eu virei as costas para cair fora, quando meus olhos foram direto para o garoto lobo musculoso e sem camisa que vinha na nossa direção. Ele congelou quando seus olhos cruzaram com os meus e, por algum motivo, eu também não pude desviar.

Eu poderia escrever todo um livro sobre isso, mas não existem palavras suficientes no mundo que me fizessem capaz de descrever exatamente o que senti naquele momento. Era como ansiedade, quando o coração aperta e o ar se recusa a entrar nos pulmões, mas também era algo bom. Algo que aquece o peito, como chá quentinho. E havia alguma coisa mágica nisso tudo, uma espécie de conexão. Um elo.

Aquilo era Magia.

— Você só pode estar brincando! — disse a voz desagradável do lobo atrás de mim, me arrancando do meu transe — Uma Bruxa, Jacob??

Apesar de não entender completamente o contexto, a forma como ele disse "bruxa" me irritou o suficiente para eu encará-lo novamente.

— Algo contra bruxas, lobinho?

Ele deu um passo à frente, me encarando com olhos em chamas. Por um momento, pensei que devia haver algum motivo para esse cara odiar tanto bruxas, mas ignorei esse pensamento.

Eu não tenho nada a ver com os problemas dele, mas tenho tudo a ver com ele me desafiando dessa forma.

— Seu tipo não é confiável, bruxinha — ele retrucou

Eu não fiz isso conscientemente, mas o vento ao nosso redor começou a se mover violentamente em resposta a minha irritação. Minhas mãos formigavam para dar um soco nele, mas eu sabia que não adiantaria nada.

— Sel... — disse Alek, colocando a mão no meu ombro — Não podemos chamar atenção, lembra-se?

Custou todo o meu autocontrole para puxar a minha magia de volta. Com exceção do babaca, os outros lobos, incluindo Sam, pareciam curiosos, surpresos e, chocantemente, pareciam ter gostado do que viram.

Lobos esquisitos.

— Você controla o vento? — perguntou o mais novo dos lobos, sentado na escada. Ele parecia mais empolgado do que assustado e isso era muito esquisito.

— Ninguém controla o vento — bufei, de repente me sentindo desconfortável — Eu só me dou bem com os Elementais.

Ignorei o sorrisinho que o meu irmão deu na minha direção. Tudo bem, não era tão simples assim, mas não explicaria tudo para os lobos. ç

— Elementais? — ele perguntou, curioso

— Seth — cortou um outro lobo — Pare de fazer perguntas, ela já está desconfortável!

Eu mudei o peso de pé e olhei para o lado, me sentindo ainda mais desconfortável. No entanto, sem olhar para ele, respondi:

— Elementais são criaturas que controlam os elementos. Fazem parte da natureza.

O lobo mais novo — Seth — soltou uma exclamação, soando surpreso e entusiasmado. Como uma criança, na realidade. Era quase fofo.

Quase.

— Então... — disse o meu irmão, limpando a garganta — Já que acertamos tudo, vocês sabem onde podemos pegar um taxi?

Sam abriu a boca para responder, mas sons atrás de mim chamaram a atenção de todos e me virei. O tal lobo com quem senti aquela conexão esquisita havia se afastado e parecia irritado, por algum motivo. Estava andando como se tentasse abrir buracos no chão.

Lobos são esquisitos. De verdade.

Eu e meu irmão trocamos olhares confusos antes de virarmos novamente para o resto da matinha. De alguma forma, alguns deles pareciam irritados com o que saiu, enquanto o imbecil continuava irritado apenas porque era um imbecil e Seth tinha um olhar preocupado.

— Jake é um idiota — resmungou um que não era o imbecil

Ninguém concordou e nem discordou, mas um silêncio esquisito prevaleceu no ambiente por um momento. Eu estava muito tentada a apenas virar as costas e descobrir sozinha onde podíamos arrumar um taxi, mas uma mulher com metade do rosto tomado por uma cicatriz feia saiu da casa com um sorriso.

— Meninos, o que vocês... — ela olhou para mim e o meu irmão confusa — Vocês... São da cidade?

— Estamos de saída — falei, agarrando o braço do meu irmão. Eu sentia que se ficasse na Reserva por mais tempo, aquela esquisitice lupina de impregnaria em mim — Tchau lobos estranhos e humana. Tenham um bom dia!

Virei as costas e arrastei o meu irmão para longe comigo.

Eu quase sentia falta dos momentos passivo agressivos dos jantares-reunião promovidos pela Aliança do Norte. Era menos esquisito que esses lobos.