Lua Negra
2 02 | Protection
Notas iniciais

Quando eu acordei novamente, estava frio.
Parece que chegamos à Forks, afinal.
Lentamente, eu me sentei, sentindo meu corpo inteiro latejar, e olhei ao redor. Era um quarto praticamente vazio, não havia nada além dos dois colchonetes (o que eu estava e onde o meu irmão dormia), duas portas e uma enorme janela. Tentei me levantar, mas uma fisgada violenta me fez voltar e soltar um grunhido de dor.
Alek acordou bruscamente, olhando ao redor alarmado até seus olhos fixarem em mim. Felizmente, além de alguns arranhões, ele pareceu ter mais sorte do que eu na luta.
— Você está bem? — ele perguntou, vindo até mim e levantando um pouco o meu casaco para verificar o curativo que fez.
— Vou ficar — respondi, engolindo a seco — Estamos em Forks?
— Sim — ele respondeu, suspirando antes de sentar-se do meu lado — Duvido que Annora venha nos procurar aqui por alguns meses.
— Ela pode tentar nos rastrear — eu disse, franzindo o cenho — Eu deveria fazer alguns feitiços de pro...
— Agora não — ele cortou — Você perdeu muito sangue, maninha, e usou muita Magia. Você precisa se recuperar primeiro.
Um pressentimento esquisito me fez sentir medo, então o encarei firmemente e disse:
— Eu não posso me recuperar da morte, então devíamos fazer os feitiços agora... Se eu te canalizar, não vai exigir muito de mim.
Ele me encarou, avaliando o que eu disse por um momento, mas então suspirou e levantou-se, saindo do quarto. Eu me ajeitei no colchonete e me enrolei no cobertor, tentando o máximo para me manter aquecida, o que parecia impossível naquele lugar.
Quase valia a pena queimar a casa e fazer uma fogueira para ter alguns minutos de calor, mas então ficaríamos sem abrigo contra a neve.
Droga.
Quando Alek voltou, ele estava carregando duas mochilas que eram, basicamente, nosso plano de emergência que a nossa avó nos obrigava a refazer todo mês, para que tivéssemos o essencial para sobreviver se algo desse errado, afinal estar em um Clã de Bruxas significava que haviam alianças, e isso significava inimigos.
Fodida política.
Alek tirou algumas velas e ervas, e montou um círculo no chão de madeira, enquanto murmurava o encantamento para formar o círculo mágico. Eu me sentei no meio, observando e esperando ele terminar e se juntar a mim.
— Me dê as mãos e feche os olhos — falei, estendendo as mãos para ele.
Juntei as nossas palmas, fechei os olhos e suspirei, visualizando um círculo de energia fluindo entre nós e o tecendo para que se tornasse real. Felizmente, por causa dos anos de prática, foi fácil nos conectar. Aquilo era o básico que as Bruxas aprendiam e eu e Alek estudávamos essas coisas desde pequenos.
Sorri ao sentir a Magia fluir entre nós e comecei a me concentrar no que queria. Primeiro, eu pedi aos Elementais que nos protegesse, e depois pedi aos Deuses. Era como se os invocasse ao círculo, o que tornava a magia ainda mais intensa, poderosa e cansativa, como se drenasse tudo de mim para manter aquela presença calorosa no quarto. Quando senti a minha magia esgotar, o que não demorou a acontecer, já que eu não estava recuperada, comecei a usar a do Alek para manter o círculo inteiro e a Magia dentro dele.
Mantive meus olhos fechados, como sinal de confiança e respeito, mas podia sentir os Elementais que responderam ao nosso chamado ao redor do quarto. Podia ouvi-los se moverem e dançassem uma música que eu não podia escutar. Podia ouvir seus passos e sentir a sua magia pulsante e intensa preenchendo cada canto possível.
Recitei em voz baixa o feitiço nos tornaria invisível para feitiços de rastreamento e o recitei com muito cuidado. O mundo era um lugar imenso, então não podíamos permitir que ela descobrisse onde estávamos com tanta facilidade.
Ela que lute.
Assim que este foi firmado, comecei a recitar um outro feitiço, para manter a casa segura. Não permitiria que ninguém sem convite entrasse, isso evitaria ataques no meio da noite.
Eu podia sentir a barreira ao redor da casa ser erguida conforme proferia as palavras, era como um muro invisível. Mantive meu foco nisso, tornando-o tão resistente quando nossa magia permitia no momento.
Duraria alguns dias.
Quando me dei por satisfeita, me despedi dos espíritos que havia invocado e os agradeci por ter nos emprestado sua Magia. Se não fosse pelo apoio deles, não teríamos conseguido montar a barreira.
— Está feito — eu disse, abrindo os olhos. Estava me sentindo, sinceramente, exausta. Mais do que isso, acho que dormiria uma semana inteira se pudesse.
Magia elemental é tão desgastante... Mas pelo menos é poderosa. Vale a pena.
Alek levantou-se e desfez o círculo, só então eu me arrastei de volta para o meu colchonete e o encarei.
— Dorme comigo — eu disse, sonolenta — Está muito frio...
Ele pegou o cobertor que estava sobre seu colchonete e se juntou a mim, nos cobrindo e me abraçando. Apesar de querer dormir logo, me forcei a manter os olhos abertos e olhei para ele.
— Você está bem? — perguntei
— Não sou eu que quase tive as estranhas vazando do corpo.
Fiz uma careta para o exagero dele e suspirei profundamente.
— Você acha que a vovó...
— Se ela estiver viva, vai encontrar um jeito que nos contatar — ele disse, firmemente — Se não... Teremos que nos virar sem ela.
Eu engoli a seco e deitei a cabeça sobre o peito dele, sem querer pensar sobre isso. Dormi rapidamente ouvindo as batidas do coração dele, provando a mim mesma que eu não estava sozinha, que meu irmão estava comigo.
Enfrentaremos isso juntos.
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