Lua Escaldante
5 Portal dos desejos
Notas iniciais
Dia 4
Quarto dia. A mesma rotina. Eu e Juliana nos levantamos de manhã, porém, dessa vez fomos as primeiras a tomar banho. Nós colocamos as mesmas roupas que havíamos usado ontem, quando voltamos da nossa trilha, e quando Marilu surgiu no quarto, nós demos bom dia para ela.
— Bom dia, Marilu — eu a cumprimentei.
— Bom dia, Marilu — Juliana a cumprimentou.
— Bom dia, meninas — Marilu nos cumprimentou. Ela parecia diferente, mais enérgica.
— Nossa! O que aconteceu? Você nunca esteve assim antes — eu estranhei.
— Acho que ela viu um passarinho verde — Juliana supôs.
— Bem, digamos que esses dias eu estava com a mente na minha profissão, e hoje eu acordei e refleti um pouco sobre o que houve até ontem, e...eu percebi que eu não estou mais na escola dando aulas para vocês. Então, eu resolvi relaxar. Afinal, estamos no quarto dia desse acampamento. Então, acho que é melhor aproveitarmos mais — Marilu retrucou.
— Se você diz... — eu balbuciei.
—Hmm...eu acho que eu acabo de pensar em uma coisa — Marilu exclamou— E se nós...fossemos na piscina?
— Contanto que não seja para satisfazer seus desejos pervertidos, eu topo — eu falei desconfiada.
— Não, não. Isso são águas passadas — Marilu jurou.
— O que você acha, Poca? — eu inquiri olhando fixamente para Juliana.
— Não sei, talvez...mas vamos ficar de olho nessa ninfo... — Juliana interrompeu.
— Garotas, eu mudei. Eu agora sou uma nova mulher... — Marilu atestou — Enfim, para vocês não duvidarem das minhas boas intenções, vamos tomar café da manhã junto com os outros professores e a diretora.
O quê?! Tomar café com os professores? Hmm...talvez fosse uma ideia interessante. Mas, eu já estava acostumada a tomar o café da manhã com os meus amigos.
— Bem, parece interessante, Marilu... — eu retruquei.
Eu sei, uma chance dessas é como um raio, não cai duas vezes no mesmo lugar, ou seja lá o que isso quer dizer...
— Então, vocês topam, garotas? — Marilu inquiriu.
— Eu acho que eu vou aceitar — eu repliquei.
— Bem, se é para ficar de olho na Mari, eu aceito — Juliana comentou comigo.
— Está bem. Então, vamos tomar café.
[...]
Saímos do quarto e fomos para o refeitório. Olhei de soslaio e vi Ricardo e Letícia boquiabertos porque eu e Juliana íamos nos sentar com a Marilu.
Acho que eles pensaram: "Quê?! A Sylvia fala da professora ninfomaníaca que é a Marilu, mas ela mesma vai se sentar com o diabo de saia chamado Marilu!".
Não vou negar que eu fiquei meio chateada de não ir sentar com o Ricardo e a Letícia. Mas, eu não poderia deixar de aproveitar aquela chance naquele dia.
Então, chegamos na mesa dos professores e nos sentamos com Marilu, o professor de geografia...acho que o nome dele era Gilberto Angeloni, eu confesso que sou ruim para guardar nomes. Eu não consigo associar a pessoa ao nome.
Nós nos acomodamos na mesa, e Gilberto comentou sobre o episódio da "areia movediça".
— Ei, lembra da areia movediça? Pombas! Aquilo foi de lascar, mas...nós sobrevivemos — Gilberto começou a gargalhar. Eu olhei para ele e gargalhei junto com ele.
— Foi, foi sim — eu cortei a gargalhada — Eu olhava para a Juliana e nós ficamos desesperadas. Ai você, a diretora e a Marilu apareceram e nos tiraram de lá.
— É verdade — Gilberto atestou.
Gilberto parecia ser um cara bastante descontraído. Eu nunca tinha visto um professor de geografia assim. Ah sim, eu nunca vi porque eu até então não estava estudando, só relaxando minha bunda em casa.
Então, uma empregada da cozinha foi nos atender.
—Bom dia, o que vão querer hoje? Temos pãezinhos fresquinhos que eu e a menina da cozinha preparamos. Temos café, chá... — a empregada retrucou.
— Bom, eu vou querer um café com leite, se o leite for direto da vaca, melhor — Marilu falou com sarcasmo fuzilando a empregada.
— Marilu! — eu chamei a atenção dela — Coitada da moça da cozinha! Você ainda insiste nessa história?
— Desculpa. Eu estava sendo sarcástica — Marilu replicou.
A moça da cozinha começou a chorar por causa da piadinha que a Marilu fez e foi continuar o choro na cozinha.
— Meu Deus! Que falta de respeito! — eu exclamei.
— Eu também acho — Juliana ficou do meu lado.
— Marilu, você é uma mulher adulta, aja como tal — eu a lembrei.
—Poxa Marilu, eu te admiro muito. Eu até tava pensando em te pedir em casamento — Gilberto brincou.
—Ela é lésbica, Gilberto — eu falei para ele.
— Ah, tudo bem, então — Gilberto compreendeu.
— Gilberto...eu já fui casada com um homem. Mas, eu sou mais interessada em garotas agora. Eu casei na época porque bem...eu sou daquela época quando os nossos pais arranjavam casamento. Eu gosto de garotas desde aquela época, e quando os meus pais descobriram que eu gostava de garotas, eles arranjaram o meu casamento com um homem. Eu era bem nova na época, uns 19 anos, dai eu larguei o meu marido porque eu não o amava, e gostava mais de garotas, e ai tive um caso com essa aluna minha que tinha a idade que eu tinha quando eu me casei...ela era bonita, muito bonita... — Marilu revelou — Tão jovem, tão pura...
— É, a Marilu gosta de garotas novinhas... — eu lembrei o Gilberto.
—Para, Sylvia! Eu já disse que eu estou arrependida, não disse? — Marilu inquiriu — Além disso, eu só estava desabafando. Porque essas lembranças não saem da minha cabeça.
— Eu entendo como você se sente — Elsa disse confortando Marilu...
Marilu começou a chorar, mas conteve as lágrimas.
[...]
Então, uma cozinheira veio com a moça que a Marilu tinha ofendido. Ela estava cabisbaixa chorando as pitangas.
— Com licença. Eu vim aqui com a minha amiga, porque ela confessou que uma mulher a ofendeu chamando-a de "Vaca", e eu gostaria que essa pessoa se revelasse e pedisse desculpas a minha amiga — a cozinheira disse.
Nós voltamos nossos olhares para Marilu e ela se levantou incomodada com nossos olhares.
— Está bem. Fui eu, eu confesso! — Marilu bradou — Mas eu só estava brincando.
— Pois é, senhora. Mas, você ofendeu profundamente a minha amiga. E eu gostaria que você pedisse desculpas à ela.
Marilu resmungou.
— Tudo bem, me desculpa... — Marilu disse relutante.
— E ai, amiga? — a cozinheira falou olhando para a moça do café — Você aceita as desculpas dela?
— Sim, desculpas aceitas... — a moça do café falou baixinho sem ao menos olhar no rosto da cozinheira.
Então, a moça do café levantou a cabeça e falou com a cozinheira.
— Desculpa, eu não vou conseguir trabalhar mais hoje, você pode me substituir? — a moça do café quis saber.
— Claro. Tire o dia de folga, amiga — a cozinheira sugeriu.
—Obrigada.
Então eu vi a moça do café se retirando do refeitório e desaparecer ao vento.
— Muito bem. Eu vou substituir a minha amiga, mas se houver mais uma gracinha, eu juro que eu corto a língua dessa pessoa e faço uma feijoada com ela — a cozinheira era daquelas bem ríspidas.
— Você ouviu, não é Marilu? — eu bradei.
— Bem, eu acho que eu perdi a vontade de tomar o café da manhã — Marilu foi se retirando da mesa.
Na mesa ficaram eu, Juliana, Gilberto e a diretora.
— Essa mulher precisa se tratar — eu sugeri para a diretora.
— E o que você quer que eu faça? Eu estou de mãos atadas aqui. Eu sou diretora de um colégio e preciso de dinheiro, então... — Elsa rebateu — Você acha que é fácil ser diretora de um colégio, Sylvia?
Resolvi que eu não iria aguentar desaforo da diretora, então...eu peguei Juliana e fomos nos sentar com Letícia e Ricardo na mesa do café da manhã.
Chegamos lá e nos sentamos. Acho que eu deveria ter recusado o convite para sentar com os adultos.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Letícia inquiriu.
—Letícia, não começa! Vocês não queriam que nós sentássemos com vocês? Então, estamos aqui— eu exclamei.
— Ué! Vocês não iam ficar com os professores? — Letícia estranhou.
— Íamos! Mas foi só para vigiar a Marilu — eu confessei.
—Sim, até a Marilu chamar a moça que foi nos atender de...você sabe, aquela palavra com "V"..— Juliana falou meio tímida.
— E vocês vão se sentar com esse tipo de pessoa? — Letícia falou retoricamente.
— Garotas, vamos parar, está bem? Olhem pelo lado bom, pelo menos a Sylvia e a Juliana estão aqui conosco— Ricardo interferiu.
— Não se mete, Ricardo! — Letícia exclamou.
Eu bufei e revirei os olhos. Meu Deus! Como a Letícia estava chata hoje!
— O que você quer fazer, coelho branco? — Juliana inquiriu.
— Não sei, Poca. Eu acho que eu estou precisando aliviar a tensão — eu fuzilei Letícia com um olhar penetrante.
—Olha, coelho branco. Porque não vamos falar com o Mario, quem sabe ele nos ajude a superar isso? — Juliana sugeriu.
Eu voltei o olhar para Juliana.
— É, vamos falar com o Mario — eu estava P da vida com a provocação de Letícia.
Novamente saímos da mesa do café da manhã.
"Que saco! Outra vez eu perco a vontade de tomar o café da manhã!", eu pensei.
Nós saímos e fomos procurar o Mario. Talvez ele estivesse na cabana dele, ou...checando os cavalos no estábulo, claro!
[...]
Fomos para o estábulo e encontramos o próprio fazendo um agrado no cavalo que havíamos usado para ir até o lago ontem a noite.
— Mario? — eu o chamei.
Mario voltou sua atenção para mim enquanto continuava a fazer um agrado no animal.
— Olá, Sylvia, Juliana! Bom dia! — Mario exclamou e logo depois abriu um sorriso.
—Bem, do jeito que as coisas estão, está mais para "Mau dia!" — eu retruquei.
Mario então desfez o sorriso e ficou sério.
— O que houve, garotas? — Mario estranhou.
— M-A-R-I-L-U — eu repliquei soletrando o nome daquele demônio de saia. Eu estava muito furiosa.
—Marilu? O que tem ela? — Mario quis saber.
— Ela deu piti na mesa do café da manhã, foi um rolo, e para coroar o meu dia, a cereja do bolo, minha amiga Letícia implicou comigo — eu explanei para ele.
— Sobre?
— Bom, é que eu fui me sentar com os professores, e ai depois do piti da Marilu eu e Juliana fomos nos sentar com nossos amigos, a Letícia e o Ricardo... — eu prossegui.
— Entendo. Bem, já que vocês não tomaram o café da manhã e parecem com fome, eu posso preparar alguma coisa na minha cabana para vocês — Mario sugeriu.
Eu então respirei fundo para tentar aliviar a minha fúria.
— Tudo bem. Nós, aceitamos, não é, Juliana? — eu inquiri olhando para ela.
— Sim. Eu estou começando a ficar com fome e nós não comemos nada, só evitamos as mesas do café da manhã... — Juliana falou com uma cara de abalada.
Eu também estava com fome, e também com pena de Juliana. Ela era a garota que eu amava, e me seguia para onde eu ia...Mas M...eu sabia que aquela mulher não valia nada, não depois de ter me assediado depois de se justificar por tentar me separar de Juliana...
[...]
Mario tirou o cavalo que havíamos usado anteriormente do estábulo, colocou a sela nele e o montou primeiro. Depois, ele nos ajudou a subir e nos colocou atrás dele. Nós nos seguramos nas cinturas uns dos outros como se fosse a brincadeira do "trenzinho". Ele então deu uma batida na barriga do cavalo, puxou as rédeas, e nós fomos para a cabana dele.
Cabana de Mario
A cabana do Mario ficava na floresta onde nós tínhamos descido do ônibus.
A cabana era pequena, toda feita de madeira como as cabanas dos lenhadores nos filmes norte americanos.
Nós descemos do cavalo, e Mario amarrou parte da rédea num toco de madeira cravado no chão. Aquilo parecia cena de filme de faroeste.
Entramos na casa de Mario, e ele pediu para nós nos sentarmos em uma mesa grande de madeira rústica com quatro cadeiras, e nós nos sentamos.
— Eu vou preparar um omelete para vocês duas— Mario retrucou.
Ele então pegou alguns ovos que estavam em uma cesta de metal na forma de uma galinha marrom, colocou em uma tigela que havia pego de um velho armário e os quebrou. As gemas foram despejadas na tigela,e depois ele pegou o saleiro e adicionou um pouco de sal. Em seguida, ele pegou um garfo que estava em um escorredor, e começou a bater as gemas até ficarem uma mistura homogênea.
Então, Mario pegou uma frigideira em um velho fogão colocou em uma das bocas e acendeu. Depois ele despejou o óleo e a mistura de ovos na frigideira. Enquanto esperava a mistura cozinhar, Mario pegou uma colher de madeira no escorredor, e começou e quando viu que a mistura estava fritando, ele começou a mexer com a colher até ela ficar pronta.
[...]
Depois de um tempo, a omelete estava pronta. Mario partiu ao meio a fritura com a colher de madeira, e depois serviu dois pratos com as partes da omelete.
—Um para a Sylvia, e outro para a Juliana — Mario nos informou.
Então, ele pegou um garfo e uma faca para nós e...estávamos prontas para experimentar a omelete.
—Bom apetite, garotas!
Nós agradecemos e começamos a comer a omelete. Simples, porém muito gostoso. Bem, é melhor do que ficar passando fome por causa daquele escândalo todo.
Mais tarde, Mario nos serviu um pouco de café feito no coador a moda antiga para acompanhar a omelete.
— Me diz uma coisa, Mario. Você mora aqui sozinho? — eu fiquei curiosa. Pois a casa apesar de pequena era cheia de coisas.
—Sim. Mas, na verdade eu costumava morar aqui com a minha falecida esposa. Ela infelizmente adoeceu, e eu continuei a morar nessa casa — Mario nos contou.
— Entendo. Você deve se sentir muito sozinho morando nessa casa... — eu comentei.
— Na verdade, eu já me acostumei — Mario replicou — Mas, não vou negar que as vezes eu sinto que se a minha mulher estivesse viva, seria muito melhor. Tinha coisas que eu não sabia fazer, e ela sim...
— Entendo. E aquela casa abandonada perto lago onde estivemos outro dia?
— Aquela casa...bem, eu a construí para a minha mulher depois que nós brigamos uma vez, e então começamos a morar separados — Mario explanou.
Então aquela casa era da ex mulher do Mario?
—Aquela parte onde vocês estavam, onde tem o lago, e a casa da minha ex mulher, está fechada há vários anos. Eu mesmo selei com corrente na porteira, pois ela já não é mais necessário estar anexada ao acampamento. O acampamento é só onde vocês ficam.
— Entendo. Me diga, Mario, tem algum lugar que você goste dessas terras?
— Tem sim, Sylvia. E eu acho que vocês também vão gostar. Eu passarei no alojamento de vocês depois do jantar para mostrá-lo a vocês, embora eu nunca tenha levado ninguém para lá, exceto a minha ex mulher — Mario comentou.
Depois Mario nos levou de volta para o acampamento.
20:00
Depois de termos voltado de termos jantado, tomado banho, e vestirmos roupas limpas — eu vesti uma blusa de moletom verde com uma camisa de manga comprida qualquer por baixo, uma calça de ginástica preta, e de novo a minha bota de couro, Juliana vestiu um agasalho de lã rosa, uma calça jeans e tênis — Eis que Mario surge na porta do alojamento. Ele estava esperando por nós.
—Prontas para conhecer um lugar mágico? — Mario inquiriu.
—Eu estou pronta — eu repliquei.
— Eu também — Juliana respondeu.
Então, ele nos levou a cavalo para um morro que havia depois da quadra de futebol e chegando no local que ele queria nos mostrar, descemos do cavalo.
Havia esse tronco de árvore caído, formando um arco, que parecia um portal ou uma porta.
— Esse, garotas...é o "Portal dos desejos" — Mario nos apresentou aquele monumento.
— Portal dos desejos? Como assim? — eu quis saber.
— Bem, Sylvia...Essa árvore foi atingida por um relâmpago bem no meio do tronco, o que fez com que ela se curva-se formando uma espécie de porta ou portal. Então eu e minha mulher quando éramos jovens, encontramos esse "monumento", e resolvemos chamar de "Portal dos desejos", pois nós inventamos que aqueles que fizesse um pedido, e atravessasse o "Portal", ficariam juntos para sempre. Isso seria como um casamento, mas sem a formalidade toda da igreja— Mario explanou.
—Então, como funciona? — eu quis saber.
—Você tem que ficar de frente para o "Portal", fechar os olhos e fazer o seu pedido. Depois de fazer o pedido, você segura na mão da Juliana ou atravessa direto o "Portal", mas eu aconselho que não façam isso, pois se vocês atravessarem o "Portal" sozinhas, vocês vão ficar separadas para sempre — Mario comentou.
—Entendi. Então, eu e Juliana fazemos um pedido para o portal, damos as mãos e atravessamos juntas o "Portal"? É isso? — eu quis saber.
—Sim. Eu acho que o motivo de eu e minha esposa termos nos "separado", afinal ela acabou adoecendo, foi porque nós atravessamos o "Portal" sozinhos. Se tivéssemos atravessado o monumento juntos, nosso relacionamento teria sido mais saudável, sem brigas, e eventualmente nós morreríamos juntos — Mario confessou.
—Entendi. Você queria ter ficado junto com a sua esposa, para morrer junto com ela... —eu retruquei — e foi por terem atravessado o portal separado que você acabou ficando e ela se foi...
— Exatamente, Sylvia — Mario atestou.
—Mas, acho que há males que vem para o bem. Se você tivesse morrido com sua esposa, você não guardaria as terras do acampamento, e não teria ninguém para nos receber quando viéssemos para cá— eu argumentei.
—Bem, eu acho que isso é verdade — Mario replicou.
Então, eu e Juliana nos aproximamos do "Portal", e ficamos uma ao lado da outra. Depois, fechamos nossos olhos e fizemos um pedido para o monumento. Nós queríamos ficar "juntas para sempre".
Depois de algum tempo, nós abrimos nossos olhos, demos as mãos entrelaçando nossos dedos, e olhamos uma para a outra.
— Você está pronta para atravessar o "Portal", Poca? — eu inquiri.
— Sim. Quem sabe o "Portal dos desejos" possa nos deixar mais unidas e nos dar força para superar qualquer adversidade no nosso caminho — Juliana replicou.
—Ok. Então, vamos atravessar esse portal — eu exclamei.
Eu estava um misto de ansiosa e nervosa, porque eu tinha medo que nos acontecesse o mesmo que aconteceu com o Mario e a esposa dele. Ninguém dura para sempre, isso é um fato, mas...quando duas pessoas realmente se amam, o relacionamento se torna mais duradouro, eu acho. Eu também não sou nenhuma psicóloga ou terapeuta de casais para atestar isso.
Voltamos nossa atenção para o "Portal", corremos juntas, e atravessamos ele com as mãos dadas ainda. Acho que eu e Juliana iremos ficar sempre juntas. E isso é incrível!
Então, Mario nos parabenizou batendo palmas para nós.
—Parabéns! Agora vocês ficarão "juntas para sempre". Parece que o "Portal" está a favor de vocês, então...muitas felicidades para vocês duas.
—Obrigada, Mario. Nós te agradecemos muito por ser nosso guia nesse acampamento e pelo que você fez por nós essa noite — eu agradeci.
—Sim, você é mesmo uma alma muito generosa — Juliana comentou.
—Obrigado, garotas. Olha, eu vou ser sincero com vocês, eu não tenho nenhum preconceito com esse tipo de amor que vocês tem. Eu acho que vocês tem mais é que ser feliz mesmo, a vida é muito curta para quem vive sozinho. Se você vive junto com quem você ama, as coisas podem ser muito mais duradouras — Mario declarou.
—Muito obrigada, Mario!
Eu acho que depois de termos passado pelo "Portal dos desejos", as coisas certamente iriam mudar para melhor. Agora, nem Marilu, nem Letícia, nem Ricardo, nem nada poderia nos impedir de sermos felizes juntas.
Acho que esse dia foi dia mais feliz da minha vida. E esse foi apenas o quarto dia no Acampamento Lua Escaldante.
Às 21:00, Mario nos levou de volta para o nosso alojamento. Nós fomos tomar um banho, para depois cair na cama.
Depois do banho, nós nos secamos, e eu deitei na cama. Juliana afastou as minhas pernas e olhou fixamente para mim. Ela parecia que estava com muita fome e queria me comer de qualquer jeito. Acho que ter atravessado o "Portal" fez com que o sexo fosse mais mágico e prazeroso do que era antes.
Eu voltei meu olhar para ela, e vi uma expressão de malícia que se formara no semblante dela.
Então, Juliana começou a lamber a minha vulva e a brincar com dois dedos dela dentro da minha intimidade. O ritmo que os dedos dela se movimentavam dentro de mim, não só me arrancava suspiros, como também me fazia surtar.
Acho que as outras garotas deviam estar se sentindo incomodadas com os meus gemidos, mas eu não ligava. Nossa relação estava começando a ficar mais intensa e gostosa agora.
— Ju...liana.. — eu suspirei e arqueei minhas costas, o que fez com que meus seios se empinassem.
Então, Juliana parou e se encaixou entre minhas pernas. Ela segurou minhas pernas e começou a roçar a vulva dela na minha. Eu soltei meus braços no travesseiro e me entreguei ao prazer.
Nós nos dedicamos a satisfazer os nossos desejos naquela noite. E o bom disso, é que não era um prazer libidinoso que sentíamos uma pela outra, era mais...sensual.
Depois nós trocamos, Juliana ficou no meu lugar e eu fui excitá-la dessa vez.
[...]
Nós viramos a noite nos excitando e trocando de posições, e somente lá pelas 5:30 da manhã, nós fomos dormir. Nossos corpos estavam exaustos e pediam para descansar.
Nós estávamos nuas debaixo do lençol, e...quando acordamos, já devia ser 12:00 ou 13:00 da tarde. Acho que o feitiço do "Portal dos desejos" nos afetou como a feijoada do outro dia. Eu não fazia ideia do quão místico e poderoso era aquele monumento.
Hmm...acho que deveria ser 13:00 da tarde mesmo. Nos levantamos e fomos tomar um banho. Depois nos enxugamos, e de repente vimos Gilberto surgir no quarto, acho que depois do escândalo no café da manhã, a diretora resolveu substituir Marilu por Gilberto, o que para mim de certa forma foi ótimo, porque ele tinha um senso de humor marcante, e eu gostava dele.
Ele foi se aproximando de nós e nós rapidamente enrolamos nossos corpos nas toalhas.
— Gilberto? O que você está fazendo aqui no quarto das garotas? — eu inquiri.
—Bem, garotas...desculpa eu ir entrando assim, mas é que a diretora Elsa pediu para avisar vocês que eu estarei substituindo a Marilu depois daquele episódio no café da manhã — Gilberto revelou.
—Entendi. É, acho que vai ser melhor assim. A Marilu é muito instável — eu sorri para ele.
— Então, se precisarem que eu saia para vocês se trocarem... — Gilberto se referiu ao fato de estarmos apenas com as toalhas no corpo — eu sei que garotas não gostam de se trocar na frente dos rapazes, então...
— Está tudo bem, Gilberto. Nós estamos de toalha no corpo — eu falei para ele.
— Está bem, então...bom, eu fui falar com o Mario, e...ele me mostrou uma segunda piscina do acampamento, e lá também tem um "American Bar", então...eu discuti com a diretora e os outros professores, com exceção da Marilu, obviamente, e...resolvemos fazer uma festa na piscina... — Gilberto nos contou.
— Nossa! Que legal! E...eu não sabia que tinha uma segunda piscina no acampamento — eu exclamei.
— Pois é, nem eu. Até porque não tem isso no site do acampamento... — Gilberto rebateu.
Sites de internet são apenas o "cartão de visitas" de um negócio, eles geralmente não tem tudo o que dizem ter no site, e as fotos também não são muito confiáveis. Acho que é por isso que hoje em dia, a divulgação maciça está no Facebook, no Twitter, Linkedn, e todas as modernidades que temos hoje em dia, mas...existe a parcela da população que não dispõe de acesso a internet, e nem possuí um computador em casa.
— Legal, eu gostei disso — Juliana comentou.
—Legal. Nós vamos fazer tipo um "Happy Hour" na piscina. Acho que vai ser muito bacana. E tem um tobogã lá também — Gilberto replicou.
— Tudo bem, nós vamos sim. Ainda bem que eu trouxe biquíni. É de quando a minha mãe era jovem, mas acho que vai servir— eu comentei.
—É, eu também trouxe um biquíni, apesar de o meu pai não gostar que eu mostre muito o meu corpo, mas eu não ligo para isso. A minha mãe é mais liberal — Juliana comentou.
— Tudo bem. Coloquem os seus biquínis e depois me encontrem no refeitório. Eu levarei vocês até o "Happy Hour" — Gilberto nos aconselhou.
— Tudo bem...
Bom, eu acho que nós ficamos por aqui. Depois eu conto como foi o "Happy Hour".
Até a próxima, pessoal!
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