Lua Escaldante
4 Na Trilha Do Amor
Notas iniciais
Dia 3
No dia seguinte, eu e Juliana acordamos com o nosso "pijama" e levantamos correndo da cama. Nós nos juntamos a fileira de garotas que se formou perto das camas como um batalhão de soldados no exército e Marilu apareceu para fazer a contagem como um sargento. Ela foi colocando as mãos na cabeça de cada uma de nós e passando na fileira.
Quando ela terminou a "contagem", ela dispensou as primeiras garotas dizendo a elas para tomar o café da manhã. Restando apenas eu e Juliana no quarto, ela resolveu conversar em particular com a gente. Ela se aproximou de nós.
—Sylvia e Juliana... — ela disse suspirando.
— O que foi, Marilu? Você vai chiar de novo? — eu quis saber.
— Eu preciso ter uma conversa particular com vocês duas — Marilu revelou.
—Conversar sobre o quê? Vamos recapitular, primeiro você disse que apoiava o meu relacionamento com a Juliana, depois fez um escândalo porque nós transamos e dormimos peladas, depois porque nós fomos namorar na varanda, depois, só porque nós desaparecemos você deduziu que nós estivéssemos transando de novo...então, porque você implica tanto com a gente? Se você apoiasse de verdade o nosso relacionamento, você não implicaria com a gente — eu expus o problema.
— É verdade. Eu tenho um segredo... —Marilu confessou.
— Então fale! — eu exclamei.
— Se eu revelar isso na escola eu posso ser expulsa — Marilu retrucou — Mas, a verdade é que eu sou viúva, e...é verdade, eu fico com ciúmes de vocês duas namorando porque, eu já tive um romance com uma garota mais nova, uma aluna da escola, mas foi ela que começou! Enfim, ela me seduziu, e ela era como a minha Alice Liddell...
Alice Liddell é a garota por trás do livro "Alice No País Das Maravilhas", pelo que eu sei. O livro era um conto de fadas para encobrir um caso de pedofilia do autor Lewis Carroll, que teve um romance com a verdadeira Alice, a qual ele se inspirara para a Alice do conto de fadas. Dizem que na verdade toda a história do conto de fadas era um devaneio, um pesadelo que o escritor havia tido com a verdadeira Alice e decidira escrever o livro.
Então, Marilu era ninfomaníaca? Minha nossa! Então era por isso que ela insistia em tentar separar eu e Juliana? Perguntas retóricas.
—Então é por isso que você fica tentando nos separar? — eu inquiri.
— Sim, Sylvia... — Marilu confessou — E eu me apaixonei por você, Sylvia. Seus olhos, sua pele branquinha e sedosa...mas, eu vou ser presa se a diretora souber disso. Por isso, esse será nosso segredo nesse acampamento...
—Olha, Marilu...você vai me desculpar, mas eu não estou interessada em namorar uma mulher mais velha como você. Eu estou interessada em namorar a Juliana, pois é ela que eu amo, não você! E eu acho que você deveria se tratar! Você é doente! — eu constei.
— Me desculpa por te contar isso, mas...eu precisava me desabafar, e...me desculpa pelo que eu tenho feito a vocês... — Marilu falou com os olhos carregados de lágrimas.
— Desculpa, mas eu não vou aceitar isso, e espero que a Juliana também não! — eu bradei.
—Sim, eu também não engulo essa coisa de você querer nos separar só para ficar com a Sylvia para você! — Juliana se defendeu.
— É agora que nós vamos manter o nosso relacionamento! Vamos transar onde e quando quisermos! E você não vai mais nos impedir — eu retruquei.
— Não, eu não vou. O erro foi meu, me desculpem — Marilu suplicou.
— Isso não se faz, professora! Você é professora e fica tendo casos com suas alunas? — eu deixei ela pensar sobre aquilo.
Então eu peguei na mão de Juliana e entrelacei meus dedos nos dela.
— Vamos, Juliana! Vamos sair de perto dessa ninfomaníaca! — eu esbravejei.
— Vamos! — Juliana fuzilou Marilu.
Então, nós íamos saindo, quando eu parei para dar um lembrete para Marilu.
—Só mais uma coisa! — eu virei minha cabeça na direção dela — Eu vou contar para a diretora que você é uma ninfomaníaca quando eu voltar com a Juliana para o alojamento, caso ela implique conosco de novo!
— Não, Sylvia. Não faça isso! Por favor! Eu peço mil desculpas, eu não sei...o que dizer sobre isso. Eu estou tão envergonhada do que eu fiz... — Marilu choramingou.
— Eu vou fazer isso, sim! Na verdade, eu vou fazer isso agora — eu retruquei.
Então eu fui para a mesa do café da manhã com Juliana, do jeito que eu estava, e deixei Marilu chorando sozinha no canto.
[...]
No refeitório, todos estranharam ao ver eu e Juliana de "Pijama", mas eu não liguei para isso. Eu fui até a mesa dos professores e chamei a diretora.
— Diretora! — eu exclamei.
A diretora se virou para mim e me olhou com uma cara séria.
— Sim, Sylvia? — Elsa inquiriu.
— A professora Marilu, eu preciso muito falar com você sobre ela— eu comecei.
— O que tem ela? E por que eu deveria me importar depois do que vocês andaram fazendo? — Elsa devolveu.
— Bom, eu vou te dar um bom motivo. Talvez você não saiba, mas a professora Marilu é uma ninfomaníaca, e ela disse que estava tentando me separar da Juliana porque ela queria fazer sexo comigo — eu contei a ela.
Na hora eu não me importei quanto ao quão exagerada estava a minha desculpa, pois eu achei que a diretora deveria tomar uma providência sobre aquilo.
— É mesmo? — Elsa levantou uma sobrancelha— E por que você não me contou isso antes?
— Porque eu fiquei sabendo disso agora — eu me justifiquei.
Acho que os outros professores, o de artes e a professora de Português comentaram entre eles sobre aquilo e pelas caretas que eles fizeram, acho que eles acharam aquilo um absurdo.
— Bem, e onde ela está? Eu vou ter uma conversa com ela agora mesmo. Vocês podem ir tomar o café, se quiserem — Elsa retrucou.
Eu nem estava com vontade de tomar o café da manhã com os meus amigos e os outros alunos.
Então, a diretora subiu as escadas e foi falar com a professora Marilu.
Eu peguei Juliana e já farta daquela situação, eu fugi com ela dali.
[...]
Nós fugimos para bem longe até chegarmos a uma parte do acampamento onde havia essa enorme cachoeira. Nós ficamos na beira da cachoeira e sentamos em um tronco seco que tinha até um pouco de musgo na superfície.
Eu tentei relaxar e esperei que a raiva que eu estava sentindo daquilo, passasse.
— Nossa! Eu não imaginava que a Marilu fosse doente daquele jeito — Juliana comentou.
— Pois é, nem eu. Essa mulher é completamente louca — eu retruquei.
— Você acha que ela merece ser perdoada? — Juliana inquiriu.
— Ela deveria ir presa — eu devolvi.
—Sim, eu concordo com você. Então, o que você quer fazer? — Juliana quis saber.
— Eu não sei, esperar a minha raiva passar, eu acho...
— Talvez nós devêssemos tomar um banho de cachoeira, já que nós estamos aqui— Juliana sugeriu.
— Bem pensado, Poca.
Então, nós tiramos o nosso "pijama" e ficamos peladas. Entramos na cachoeira e ficamos debaixo da queda d'água. Nós deixamos a água da cachoeira nos molhar e nos beijamos ali.
Enquanto eu beijava Juliana e a água caia sobre nossas cabeças eu fui sentindo que eu queria levar aquela relação mais à sério depois daquele tempo que nós estávamos dando de tudo.
Eu me afastei de Juliana e comentei com ela o que eu estava sentindo naquele momento.
—Olha, Juliana — Agora a coisa era séria, então não havia motivos para eu usar o apelido dela — Eu sinto que eu preciso falar para você o que eu estou sentindo nesse momento...
— Tudo bem — Juliana consentiu — Pode falar, Sylvia...
— Eu acho que não dá mais pra ficar escondendo o quanto a gente se ama. Então, eu gostaria de levar a nossa relação mais a sério. Poxa, a gente se ama, então não dá mais para ficar negando, ou tentando esconder isso para que as outras pessoas não saibam.
—Sim, Sylvia. Eu concordo com você — Sylvia falou com um jeito amigável.
— Que bom. Você quer namorar mais a sério comigo? — eu quis saber.
— Sim, Sylvia. Eu amo muito você, e estou disposta a tudo para ficar com você — Juliana replicou.
— Então, tudo bem.
Eu olhei para ela, nós aproximamos nossos rostos um do outro, e nos beijamos por um tempo. Depois eu parti para o peito dela. Avancei em direção ao seio direito dela e comecei a chupá-lo. Senti Juliana colocando suas mãos nas minhas costas e as esfregando suavemente. Elas deslizavam para cima e para baixo, alisando a minha pele.
Depois eu me afastei do seio dela, e atraquei o meu corpo ao dela. Ela segurou na minha cintura e eu na dela. Então, depois de algum tempo ali, eu deslizei minhas mãos para as nádegas dela e comecei a dar leves apertos e depois as separei, revelando a cavidade entre as pernas dela.
Juliana suspirou com aquilo e fez o mesmo em mim. Eu reagi da mesma forma que ela tinha reagido, e então comecei a beijá-la no pescoço. Ela começou a ficar eriçada. Então, enquanto continuávamos nos tocando, nós voltamos para os beijos e começamos a beijar com mais intensidade.
Nos separamos de repente, e ela começou a beijar o meu seio esquerdo e a lambê-lo. Eu senti meu mamilo esquerdo começar a endurecer com o contato da língua de Juliana sobre ele.
Suspirei.
Eu me entreguei aquele desejo que eu estava sentindo.
[...]
Algum tempo depois, comecei a ouvir barulho de passos na terra com as folhas secas que pareciam estar sendo pisoteadas e vozes que pareciam nos chamar.
— Sylvia! Juliana! — as vozes diziam e logo ecoavam pela mata.
Nós estremecemos e interrompemos o sexo.
— Acho que estão procurando pela gente — eu falei olhando assustada para Juliana.
— Precisamos sair daqui. Não vamos deixar que nos peguem — Juliana exclamou.
Nós vestimos nossos "pijamas" com os corpos ainda molhados e corremos dali.
Nesse instante, as vozes pareciam continuar ecoando e procurando por nós.
Corremos pela mata, até que chegamos nesse local onde tinha uma enorme poça barrenta.
As vozes começaram a vir atrás de nós. Não pensamos duas vezes e resolvemos atravessar aquela poça. Nós pisamos na poça e de repente nossos pés começaram a afundar. Foi então que nós percebemos que nós estávamos afundando ali. Supus que fosse areia movediça.
— Areia movediça! — eu exclamei— Se nos mexermos mais, nós afundamos mais. O jeito é não se mover.
— O que faremos, Sylvia?! Nós não podemos deixar que nos peguem! — Juliana exclamou. Ela estava tão aflita quanto eu.
Eu insisti naquilo e andei mais um pouco tentando sair daquilo, mas eu acabei escorregando e cai sentada no meio daquela poça que começava a tentar engolir eu e Juliana.
—Sylvia! — Juliana exclamou.
— Juliana! — eu exclamei — Droga! Eu não quero continuar afundando nisso.
Não tinha mais jeito. Tínhamos que apelar e pedir a ajuda de alguém.
Nós começamos a berrar por socorro.
— Socorro! Alguém nos ajude aqui! — eu berrei.
— Ajuda! Alguém nos ajude! Por favor! — Juliana suplicou.
Com nós berrando por ajuda, a poça parecia fazer a gente afundar cada vez mais.
Nós ficamos desesperadas.
[...]
Foi então que vimos a Marilu, a diretora, e um dos professores, acho que era o de geografia. Eles vieram em nossa direção.
—Ai estão vocês! — Elsa exclamou.
— Por favor, diretora! Ajuda a gente! — eu supliquei.
— Eu gostaria de vê-las afundar nessa poça, mas... — Marilu retrucou — Eu vou ajudá-las. Mexam os pés.
Eu e Juliana tentamos fazer o que Marilu nos disse e fomos conseguindo nos levantar, até que ficamos quase de pé.
A diretora, Marilu e o professor de geografia entraram na poça e tentaram manter a calma enquanto nos puxavam e nos colocavam de pé. Nossas roupas e nossos corpos ficaram manchados de barro, mas aquela não era a hora de se preocupar com a roupa. Acho que Marilu nos deu um pequeno empurrão, e nós corremos dali com dificuldade, mas não podíamos olhar para trás. Foi então que eu e Juliana alcançamos essa pequena rampa de terra e subimos. Os professores e a diretora lutavam para sair daquela poça, mas depois de um tempo eles conseguiram e vieram atrás de nós. Nós estendemos nossas mãos para eles e os puxamos para cima.
A poça ficou se movimentando sem ninguém lá e seguimos pela trilha.
— Por que vocês fugiram do alojamento? — Elsa quis saber.
— Nós...resolvemos fazer uma caminhada — eu menti.
— Sylvia, você não está mentindo, está? — Elsa insistiu.
Eu não conseguia manter aquela mentira, então eu acabei revelando.
— Eu senti tanta raiva do que a Marilu havia dito, e eu só queria fugir com a Juliana para bem longe — eu explanei.
— Eu já conversei com a Marilu. Ela prometeu que aquilo não vai se repetir— Elsa retrucou — Não é, Marilu?
A diretora olhou para Marilu que estava atrás dela.
— Sim, diretora. Eu pedi desculpas para elas várias vezes, mas elas me contestavam. Mas, eu juro que eu não vou mais fazer o que eu fiz — Marilu pareceu estar arrependida.
Acho que todo mundo precisa de uma segunda chance, mesmo que você sinta que eles não estão preparados para ela. Então, eu não podia deixar aquilo como estava, e nem continuar culpando a Marilu pelo que ela havia feito, afinal, ela era nossa professora, e bem, tivemos nossos momentos de liberdade, mas também aprendemos que não adianta correr dos seus problemas, chega uma hora que você tem que encará-los para poder seguir em frente.
— Tudo bem. Você está desculpada, Marilu — eu atestei.
— É, afinal, nós te amamos como professora — Juliana comentou e depois sorriu para Marilu.
— Obrigada, garotas. Eu juro solenemente que isso não se repetirá — Marilu jurou.
Foi quando o outro professor interveio.
— Não fiquem gastando as suas vozes. Cada vez que vocês abrem a boca para falar, vocês gastam ar, e ai vocês se cansam mais rápido— o professor de geografia aconselhou.
Enfim, fechamos nossas bocas e continuamos pela trilha. Nossas intenções: Chegar no alojamento.
[...]
Algumas horas mais tarde, nós acabamos descobrindo um atalho com pedras lisas, e...tomando muito cuidado para não escorregarmos, acabamos saindo na colina perto do alojamento. Descemos ela até mais ou menos a entrada do alojamento e entramos.
Devia ser meio — dia, pois o cheiro que vinha da cozinha, e o barulho do vapor saindo das panelas de pressão, do fogo ardendo, nos dava a impressão de que o almoço já estava sendo preparado ali na cozinha.
— Bem, vamos nos trocar e voltamos para o almoço — Elsa sugeriu.
— Certo, diretora — eu repliquei.
Eu e Juliana fomos para o quarto do jeito que estávamos. Pegamos os xampus e os sabonetes fomos para o banheiro. As outras garotas do quarto pareciam já ter tomado banho nesse tempo que estivemos com Marilu, a diretora e o professor de geografia na mata e voltamos para o alojamento.
Nós tiramos as roupas sujas no banheiro, entramos no box com elas nas mãos, e abrimos o registro do chuveiro deixando a água cair. Deixamos os xampus no chão do box, passamos as roupas na água do chuveiro e toda aquela sujeira foi caindo junto com a água,lavando-a. Ensaboamos as nossas peças de roupa, e as colocamos em um gancho que encontramos no box. Nem havíamos percebido esse detalhe antes.
Então nos lavamos e passamos o xampu, e dessa vez, sem beijos, sem sexo, banho rápido pra almoçar.
Quando terminamos, pegamos as roupas molhadas, os xampus e nossos sabonetes e fomos para o quarto peladas mesmo e as guardamos. Nos enxugamos em nossas toalhas, e depois pusemos novas roupas.
Juliana colocou vestidinho frente única, uma calça jeans, e calçou um par de sandálias de tira de couro.
Eu vesti por baixo um novo conjunto de sutiã e calcinha, porém vermelhos dessa vez, uma blusa verde de decote canoa— Irlandeses gostam muito de verde, verde trás sorte, eu acho —uma uma saia rodada com listras brancas e verdes comprida até os meus joelhos, e calcei de novo minhas botas pretas, e coloquei meu velho chapéu preto, e desci com Juliana para a mesa do almoço.
[...]
Chegamos na mesa do almoço e sentamos perto de Letícia e de frente para Ricardo.
— Só por curiosidade, onde as duas estavam? — Ricardo quis saber.
— Bem, nós fizemos um passeio pela mata com o nosso professor de geografia, a Marilu e a diretora — eu informei.
— Eu soube que vocês duas estavam envolvidas em um escândalo com a Marilu e vocês desapareceram — Letícia comentou.
— Quem te contou isso, Letícia? — eu inquiri.
— A professora de português que disse que viu você conversando com a diretora e comentou com o professor de geografia — Letícia replicou.
— Tá, é verdade isso — parece que não tinha como evitar falar naquele episódio perto da Letícia e do Ricardo.
— E o que a Marilu fez pra vocês fugirem dela como se ela fosse um monstro? — Ricardo inquiriu levantando uma sobrancelha.
— A Marilu nos confessou que é ninfomaníaca e que ela estava interessada em mim, por isso ela vinha tentando separar nós duas. Mas, depois eu resolvi perdoar ela. A diretora atestou que ela não iria mais agir do modo como ela agiu — eu explanei para o casal.
—Nossa! Então a Marilu é lésbica e ninfomaníaca? — Letícia ficou chocada ao saber daquilo— Nada contra ser lésbica, afinal, vocês duas também são, mas...ser ninfomaníaca, é simplesmente...inaceitável, a meu ver. Porque ok você ter um relacionamento gay, pois como ela mesma havia dito, "você tem que ser feliz esteja com quem estiver", mas ser ninfomaníaca para mim é muito doentio.
— Pois é, Letícia. Eu concordo com você — eu comentei.
— É, eu acho que eu estou com vocês — Ricardo nos apoiou — Eu fico imaginando se fosse um professor no lugar da Marilu, e que fosse pedófilo, não que seja a mesma coisa, mas é doentio do mesmo jeito. Eu também concordo que a preferência sexual de cada um não importa, mas ter hábitos doentios, ai é doença.
— Eu também acho — Letícia concluiu — Mas, que bom que no final tudo acabou bem entre vocês. E...eu quero pedir desculpas pelo modo como eu tratei vocês aquele dia que a Marilu pegou vocês peladas na cama, e sobre o modo como eu e Ricardo falamos com vocês anteriormente...
— Está tudo bem, Letícia — eu atestei — Nós entendemos o ponto de vista de vocês, e apesar de vocês serem heterossexual, nós super te respeitamos, não é, Poca?
— Sim, coelho branco — Juliana replicou.
— Ok. Sem ressentimentos. Mas, eu fiquei curiosa agora, porque "Poca" e "Coelho branco"? — Letícia quis saber.
Eu e Juliana gargalhamos.
— "Poca" é porque eu acho a Juliana parecida com a índia "Pocahontas", sabe? Daquele filme de animação da Disney — eu explanei.
— Ah! Eu já vi esse filme antes. É muito fofo. Mas ainda não entendi porque a redução do nome — Letícia retrucou.
—Bom, é que eu queria chamar a Juliana de "Pocahontas", mas ela disse que nunca viu o desenho, ai eu falei "Poca", e ela achou legal, então... — eu comentei.
—Jura que você nunca viu Pocahontas, Juliana? — Letícia inquiriu— O desenho é simplesmente perfeito, e muito lindo.
— Não, eu sou muito atribulada com os estudos e os trabalhos da igreja do meu pai. Eu não tenho tempo de assistir TV — Juliana se justificou.
— Entendo. É meio que uma pena, porque o desenho é ótimo — Letícia comentou.
— Continuando — eu prossegui— Explica para eles o porquê do apelido que você me deu, Juliana.
— Bem, é porque ela tem uma pele branquinha e sedosa como a de um coelho branco — Juliana explanou.
— Então é por isso o "Coelho branco"? Que fofo! Vocês duas são muito fofas!
— Obrigada, Letícia — eu agradeci.
— Disponha.
Então as cozinheiras vieram trazer a comida na mesa. Prato do dia: Feijoada com farofa e couve.
Eu fiquei bastante curiosa para experimentar o prato do dia. Minha mãe só sabia cozinhar comidas típicas da Irlanda, e meu pai só sabia fazer churrasco — O que é meio que uma vergonha, pois ele é brasileiro, e até onde eu sei, brasileiro come muita feijoada — Depois as empregadas colocaram os pratos e os talheres na nossa mesa para nós nos servirmos.
[...]
Nós almoçamos, e logo depois começou a dar um sono. Acho que foi a feijoada que nos deixou assim. Eu e Juliana saímos da mesa e fomos para o quarto. Pegamos nossas escovas e pastas de dente, e fomos escovar os dentes no banheiro.
O sono era tanto que nós não conseguíamos resistir. Fomos sonolentas para nossa cama, nos despimos, e as roupas caíram no chão.
Então, nós entramos de novo, peladas, na cama, puxamos o lençol e dormirmos abraçadas uma na outra.
O tempo foi passando bem rápido, e sem percebermos, a noite havia caído.
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