Loyalty
3 III - Música e letras
Luka lembrava muito bem daquela noite. Mesmo tendo acontecido anos atrás, ela não poderia esquecer.
Não poderia esquecer de quando tocou violino para Meito pela primeira vez.
Os olhos dele cresceram, cintilando à luz da lareira. Sentado no sofá da sala ele a observou iniciar os primeiros acordes, extraindo do violino uma suave melodia natalina. Havia algo como um sorriso no canto dos lábios dele ao ouvir uma melodia conhecida num instrumento que nunca ouvira pessoalmente.
A garota acenou em aprovação ao ver o interesse do rapaz, e tocou a canção até o final com grande prazer. A música era algo que agitava sua alma, e testemunhar o mesmo sentimento em outra pessoa, especialmente alguém a quem pouco conhecia, era algo que a animava bastante.
Ao fim a avó dela lhe aplaudiu, enquanto Meito continuava a olhá-la, o sorriso quase imperceptível em seu rosto.
― Vou pegar mais vinho― disse a senhora, levantando-se do sofá onde estava ao lado do visitante.
― Quer ajuda?― ele indagou.
― Oh não, é só uma garrafa. Eu já volto.
Ela sorriu amigavelmente para o rapaz e foi até a cozinha.
― Baa-chan está feliz por você ter vindo― a garota disse-lhe, pondo o violino sobre o criado-mudo, ao lado da pequena árvore de Natal. ―Eu disse a ela que você talvez não viesse, mas ela se recusou a considerar essa possibilidade.
Pela acolhida que recebeu da gentil e educada senhora desde que bateu à porta daquela casa, levando algumas garrafas de vinho (não tinha ideia do que levar a uma ceia de Natal, então resolveu seguir sua própria lógica, que de fato funcionava) e tendo a certeza absoluta de que estava fazendo uma grande idiotice, Meito não duvidava de que a avó de Luka tivesse algum apreço por ele. A senhora o retirou da rua fria imediatamente e o levou para o interior aquecido da casa, onde ela e Luka o aguardavam para a ceia.
Vinha sendo uma noite agradável até então. Após a refeição, que estava de fato deliciosa, os três foram para a sala de estar, onde beberam vinho à luz da lareira e escutavam composições de Beethoven vindas da vitrola na estante de livros. Luka e a avó conversavam tranquilamente, enquanto Meito apenas as observava; não era muito de falar, e já estava à vontade o bastante para apenas observar suas anfitriãs e ouvir suas vozes pacíficas.
A avó de Luka nada lhe perguntou sobre o que ele fazia da vida, ou mesmo sobre seu passado. Tudo o que quis saber dele se referia ao presente – se não havia esperado muito até que ela o atendesse na porta (“não tenho a mesma audição de antes”, desculpou-se gentilmente a senhora), se ele havia gostado da refeição, se a música não estava lhe incomodando. Meito foi igualmente gentil, o máximo que pode, pois aquela não era uma habilidade que exercitasse frequentemente. E quando sentaram-se diante da lareira ele observou intrigado como a avó de Luka conversava normalmente com ele sobre Natais passados, da época em que o marido era vivo, como se Meito fosse um visitante costumeiro da residência. Mais que isso. Como se ele fosse uma pessoa comum.
Que sensação estranha, pensou por um momento. Estar na casa de pessoas que o acolhiam sem reservas. Nunca soube o que era aquilo. Aquela não era uma sensação ruim, isso ele sabia. Mas o deixava um tanto desnorteado.
― Disse a sua avó quem eu sou?― indagou a Luka, que o fitava atentamente.
― Sim.
― O quê, exatamente, você disse a ela?
― Tudo o que ela precisava saber.
― E é o suficiente pra você?
A jovem sorriu e aproximou-se dele.
― Olhe para você― disse, seus olhos fixos nos castanhos.― Olhe para a minha avó e para mim. Olhe para nós três, e para essa noite, e me diga se é o suficiente.
Sua avó chegou trazendo uma nova garrafa. Encheu os três cálices e voltou a sentar-se ao lado de Meito no sofá.
― O que vai tocar para nós agora?― indagou para a neta.
― Aquela que o jii-san gostava― Luka tomou um gole de sua taça e deixou-a na mesinha, tirando de lá o violino e o arco.
― Oh, é uma bela canção― ela contou para o rapaz.― Meu marido a adorava. Eu sempre a achei um pouco triste, mas não sinto isso quando minha neta a toca.
Os primeiros acordes vieram graves, crescentes e rascantes. Meito sentiu algo como um pequeno choque, como se o som lhe trespassasse o peito. Lentamente as notas graves se alternaram a agudas, reunindo-se numa melodia de intensidade crescente.
― Que música é essa?― ele indagou, o olhar vidrado.
― Uma sonata de Bach― a velha senhora contou. ― É uma melodia triste, sim. Mas muito bonita também. E Luka-chan sempre consegue ressaltar as notas mais belas das músicas que toca.
A garota fechou os olhos, concentrada, o arco deslizando habilmente sobre as cordas. Passeava do agudo penetrante ao grave profundo naturalmente, como se tivesse nascido sabendo tocar. Por alguns segundos se perdeu na melodia, a mente viajando par os lugares onde gostava de ir quando ouvia música. E então, ela respirou fundo e abriu os olhos, entrando na parte final da peça.
Meito a fitava com uma estranha expressão no rosto, um misto de admiração e estarrecimento. Suas costas estavam eretas, os olhos fixos não piscavam. Também parecia imerso no som, e Luka partiu para as notas finais com vontade, querendo que seu ouvinte absorto terminasse por se afogar naquela melodia de uma vez.
Mais tarde, depois de Meito despedir-se da avó de Luka e lhe agradecer a hospitalidade, a garotão levou até a porta. O rapaz parou na calçada, as mãos abrigadas nos bolsos enquanto Luka o fitava da soleira da porta.
― Ainda não sei por que fez isso― disse ele, sem encará-la. ―Mas agradeço, de qualquer maneira.
― Se alguém tem que agradecer, somos nós duas― ela cruzou os braços, sorrindo levemente.― Nossos Natais são sempre muito solitários. Foi bom compartilharmos essa noite com você.
Meito sorriu, sacudindo a cabeça.
― Você toca bem―disse, olhando-a nos olhos, e Luka via que ele a elogiava sinceramente. Ergueu a mão num aceno de despedida e se afastou.― Oyasumi.
― Durma bem, Meito-kun― ela murmurou.
Ficou na porta até vê-lo sumir completamente na escuridão, e só depois trancou a porta.
― Ele é um bom rapaz― sua avó comentou.― Ainda assim, o mundo dele é perigoso.
― Eu sei, baa-chan― Luka suspirou cansada.― Não se preocupe, sei me cuidar. Não vou me envolver com ele.
― Oh, eu sei disso― a velha senhora lhe fitou pesarosa.― Estava falando desse garoto. É um mundo perigoso, esse em que ele vive. Deve ser uma vida terrível para ele.
O rosto dele, sua expressão admirada e surpresa, vieram à memória dela como notas de uma estranha e doce partitura. Ela deitou-se no sofá, encolhendo-se perto das cinzas quentes da lareira.
― Deve ser, sim― murmurou, adormecendo lentamente.
Ele fechou a porta do apartamento, a balbúrdia da zona baixa da cidade ficando para trás. Encostou-se na parede e respirou fundo.
Por todos aqueles anos, raras vezes tinha experimentado a sensação que tinha agora.
A certeza de que não estava vivo apenas por estar. E que havia algo no mundo que vali a pena proteger.
No dia seguinte, um homem bateu em sua porta. Ele despertou no quarto úmido, iluminado pela luz fria da manhã. Vestiu o casaco e foi atender.
― O chefe mandou te entregar― disse, estendendo a Meito um envelope. ― Perguntou se você consegue tudo antes do fim do ano.
Ele abriu o envelope. Dentro havia folhas com instruções e rabiscos de plantas de uma casa. Meito presumia que fossem instruções naquelas folhas. Estavam datilografadas e extremamente legíveis. Mas o mal de um profissional como ele era tornar-se conhecido demais por seus pontos fortes, a ponto de nem mesmo sua presunção salvá-lo de suas fraquezas. Pior seria se alguém soubesse delas, ele refletiu, dobrando o envelope.
― Diga ao seu chefe que consigo tudo antes da virada― disse, e fechou a porta.
―v―
A surpresa no rosto da jovem era visível, mesmo sob a luz escassa da rua.
― Você... não sabe ler?― indagou confusa. ― E quer que eu lhe ensine?
― Mais ou menos isso― ele passou a mão pelos cabelos, sentindo-se pouco à vontade. ― Não é que eu não saiba ler. Mas parei de estudar muito cedo, e tenho... algumas dificuldades.
― Mas... você acha que eu posso te ajudar de alguma forma?
― Pode, ué. Você estuda, então deve saber ler. E eu vi uma estante cheia de livros na sua sala anteontem.
― Tá, mas... ― ela franziu a testa.― Uma coisa é saber ler, outra é ensinar outra pessoa. Não sei se consigo fazer isso.
Meito não lhe respondeu. Desviou o olhar e assentiu em concordância. Tudo bem, era só um pedido. No fundo ele não esperava que ela fosse aceitar tão rapidamente.
Luka percebeu o gesto resignado dele e apertou a mão dele entre as suas, apressada.
― Espere... Eu posso tentar. Não garanto que vou ser de alguma ajuda, mas posso tentar.
Meito virou-se. Estranhava o calor das mãos dela envolvendo a sua.
― Se puder me ajudar, vou considerar paga a dívida que você diz ter comigo― garantiu o rapaz por fim.
Luka sorriu e acenou enérgica, a franja rosada caindo sobre o rosto.
― Vou fazer tudo o que puder ― ela prometeu.
Honra e laços
Ao que parecia, no entanto, nem tudo o que ela pudesse fazer seria o suficiente.
No dia seguinte, durante a folga de seu trabalho, Luka levou Meito para os fundos do café, onde sentaram-se na pequena escadaria que dava para a área de serviço. Era um pátio quentinho, por causa da fornalha de uma padaria contígua à loja. A garota levou também xícaras fumegantes de café au lait para lá, e enquanto bebia ela examinava os papéis que Meito precisava desvendar. Ela ainda tinha que estudar para as provas da escola, mas seu compromisso com o rapaz estava acima de tudo.
― Certo― ela disse ao terminar. ― E então, o que você conseguiu ler aqui?
― Pouca coisa― Meito disse relutante. ―Tenho um problema com essas letras pequenas.
― Não são tão pequenas assim― ela ponderou, mas calou-se assim que percebeu o olhar dele fuzilá-la. ―Digo... você tem esse problema só ao ler ou ele lhe atrapalha em outras coisas?
― Não― ele respondeu pensativo.― Tenho uma boa pontaria, enxergo de longe e de perto sem problemas. Mas quando tento ler qualquer texto numa folha de papel, as linhas parecem entrar umas nas outras. Não consigo acompanhar.
―Certo― ela o ouviu atentamente, uma ideia se formando em sua mente.
Abaixou-se até alcançar a mochila caída na escadaria. Apanhou o estojo lá dentro e tirou uma pequena régua vermelha. Colocou-a sobre o texto, logo abaixo de uma das linhas, e mostrou a página a Meito.
― Tente agora― disse.
O rapaz apanhou a folha, seus olhos correndo sobre as palavras lentamente, e suas sobrancelhas franzidas ergueram-se numa leve surpresa. Ele abaixou a régua para poder ler a linha seguinte, e assim o fez até terminar todo o parágrafo.
― E então? ―Luka indagou ansiosa.
Meito olhou para ela de lado. Tirou a régua de cima da folha e a estendeu à jovem.
― Consigo acompanhar as linhas agora― declarou.― Eu devia ter pensado nessa solução antes.
Luka assentiu animada.
― Tenho uma colega na sala que tem esse mesmo problema― explicou. ― Ela conseguiu resolver usando a régua. Em alguns meses já lia normalmente.
Ele balançou a cabeça em silêncio, e permaneceu calado por alguns segundos, olhando distraído para as paredes cobertas de fuligem diante deles.
― E então?― Luka indagou para ele, fazendo-o voltar-se.
― Então o quê?
― O que está escrito?
Meito suspirou e voltou a fitar as paredes.
― Por que quer saber?― resmungou áspero.
A garota ficou estarrecida. Ele era louco por acaso?
― Porque você pediu minha ajuda― disse. ―Preciso saber onde você tem dificuldade, pra poder te ajudar.
Ele voltou-se para a garota, atirando perto dela a folha de papel dobrada.
― Não sei o que está escrito― respondeu bruscamente.―Praticamente não sei ler. Satisfeita agora?
― Não― Luka o fitou incisiva.― Lógico que não. Por que eu estaria satisfeita por você não saber ler?
― Você viu o que estava escrito, não foi?
― Vi.― Ela apanhou a folha no degrau.― Está falando da rotina de uma pessoa, os lugares onde ela costuma ir, a que horas está em casa.
― Sabe por que preciso disso?
Os olhos de Luka estremeceram, mas ela prosseguiu com firmeza.
― Claro que sei. Não sou idiota.
Meito ergueu-se dos degraus e desceu até a calçada do pátio. Procurou algo no bolso da jaqueta, de onde tirou um isqueiro e uma carteira de cigarros. Luka nunca o tinha visto fumar até então.
― Se eu não souber a rotina dessa pessoa, não vou saber quando é o melhor momento pra eliminá-la― disse, pondo o cigarro na poça e tragando a fumaça, soprando-a para longe.― Isso não lhe deixa feliz? Uma vida está salva, graças a minha burrice. Ótimo, não.
― O que acontece se você não matar essa pessoa? ―Luka indagou lentamente.
― Ela vive. Não é óbvio?
― Estou falando de você, seu imbecil― ela exclamou, mais apreensiva do que realmente irritada.― O que acontece se não fizer isso?
― No mínimo, a pessoa que me contratou vai ficar... bem desapontada comigo.
O tom que ele usou fez Luka sentir um arrepio súbito. Ela apertou a página entre os dedos.
― Quer que eu leia isso pra você, não é?
Meito não respondeu, fumando silenciosamente, seus olhos agudos fixos na garota. Ela ficou de pé, segurando a folha numa das mãos, encarando o rapaz decidida.
― Devia ter dito antes― ela falou.― Teríamos poupado tempo. Meu intervalo está quase acabando.
― Você vai mesmo fazer isso?― ele indagou incrédulo. ― Vai me dar as informações de que preciso para matar uma pessoa?
― Não é isso o que você quer?― ela insistiu.
Meito jogou o cigarro no chão, ainda pela metade, e o amassou com a bota.
Estava confuso. Luka não havia reagido como ele imaginou. Tinha tentado fazê-la ler as instruções enquanto o ensinava, mas a garota havia se adiantado e percebido tudo. Talvez ele tivesse sido óbvio demais, no fim das contas.
Mas também não esperava que ela fosse concordar tão rápido.
― Vai se arrepender disso― ele avisou.
― Claro que vou― Luka suspirou, cansada. ― Mas eu disse que faria o que pudesse pra te ajudar. Você tem a sua palavra de honra, eu tenho a minha.
Ele crispou os lábios.
― Estou ouvindo― disse por fim.
A garota ergueu a folha, correndo os olhos sobre o primeiro parágrafo, e então começou a ler em voz alta.
As informações eram sobre um um bancário de rotina comum, que costumava ir de casa para o trabalho e vice-versa. Não tinha vícios além do jogo, e só frequentava casas de apostas duas ou três vezes na semana. Luka seguiu listando os horários de saída e chegada dele em cada local de seu roteiro diário. Presumia que algum espião tinha recolhido aqueles dados tão minuciosos. Ela terminou a primeira página e apanhou a segunda.
Meito notou a voz dela estremecer. As instruções agora eram sobre o filho do bancário, um rapaz de 17 anos, que como a maioria dos jovens daquela idade tinha a rotina tomada pelos estudos e o cursinho pré-vestibular. Os horários em que ele chegava a casa e saía de lá também tinham sido rigorosamente marcados. Na mesma folha havia informações sobre a filha mais nova, de cinco anos, que morava com a mãe, divorciada do bancário havia dois anos. Ela ia visitá-lo todo fim de semana.
Luka terminou a leitura e baixou a folha, sentindo uma vertigem estranha. Balançou para frente sem perceber, e teria caído do degrau se Meito não a amparasse. Ele apanhou a folha das mãos dela, sentindo-as geladas. O rosto dela estava lívido.
― Luka-san― ele exclamou apreensivo.― Luka-san!
― Qual deles...? ― ela murmurou sem olhá-lo.
― O pai e o filho― respondeu. ― A filha só vai estar lá no fim de semana, mas eu tenho que cumprir a missão antes do ano novo. E o próximo fim de semana já é em janeiro. Luka-san... olhe pra mim.
Ela ergueu os olhos, tentando manter a calma, tentando não pensar no quanto havia condenado a vida daquelas pessoas que sequer conhecia.
O olhar de Meito era frio, tão frio como ela nunca havia percebido. Ele sabia o que tinha de fazer. E ele faria. E ela não poderia julgá-lo, por mais que o seu íntimo se revirasse agora dentro dela, com um repentino nojo de si mesma.
― Eu sabia que ia me arrepender― disse, sorrindo fracamente.― Não ligue pra mim. Só... faça o que tem que fazer.
Um estranho e imenso alívio tomou conta de Meito, ao ver a perturbação da garota.
Agora sim, as coisas pareciam certas para ele. Uma natureza boa como a de Luka não poderia ter feito aquilo sem no mínimo se assustar ou se revoltar. Ver o esforço dela em se controlar e fazer tudo parecer bem era algo que o fazia sorrir por dentro. E por fora.
Ergueu a mão instintivamente, tentando abraçá-la e confortá-la, mas parou a meio caminho. Não sabia ao certo como fazer aquilo. E nem se achava no direito de fazê-lo. Afinal, ele era o responsável pela perturbação dela.
― Me desculpe por isso― disse num murmúrio suave.
― Quê? Não― ela falou ansiosa. ― Não tem nada que se desculpar. Está tudo bem.
― Não quero que faça mais isso. Você não é uma criminosa. Nem precisa ser.
― Eu sei.
Meito afastou-se e apanhou a outra folha, a planta da casa do bancário e o envelope. Despediu-se dela e foi embora.
Luka o observou tensa, até resolver pegar suas coisas e voltar para dentro do café.
Naquela noite, enquanto voltava para casa, ela pôde sentir os olhos de Meito sobre ela, vigiando seu caminho. Mas não quis falar com ele. E nem o rapaz a abordou. Em casa a avó estranhou o comportamento arredio da garota, que jantou e foi para o quarto sem falar muito, alegando apenas cansaço. Mas a velha senhora sabia que havia coisa ali.
A garota deitou na cama, sentindo um peso terrível pressionar seu peito e quase sufocá-la. Estava terrivelmente triste. Sentia que havia feito algo imperdoável.
E ainda assim, sentia que havia estabelecido um estranho laço com Meito. Estava ligada a ele agora, pela consciência de um crime, pela culpa que ele lhe causava. E se o rapaz não parecesse sentir nenhuma culpa, Luka achava que, pela dor que sentia agora, estava carregando a culpa dele também.
Do outro lado da cidade, oculto nas sombras enquanto esperava um pai e seu filho voltarem para casa, Meito sentia mais ou menos a mesma coisa.
Estava se aproximando demais de Luka. Tinha plena consciência do quanto aquilo era nocivo para ela. E definitivamente, sabia que gostava dela o bastante para não querer que ela se envolvesse mais...
Notas finais
Caso possam deixar um comentário, dizendo o que achou, o que pode melhorar, sua opinião enfim, fica à vontade!
Té maisinho :*
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