Loyalty
10 A Raposa Púrpura
A garotinha de cabelos curtos e verdes abriu a porta, olhando para Meito desconfiada.
— Você é o velho do saco?—indagou num cochicho.
— Não— ele exclamou confuso. — Aqui é a casa de Kamui Gakupo?
— Ah, visita pro aniki— ela puxou-o pela mão para dentro de casa.
Não devia ter mais de oito anos, e seus olhos reluziam verdes num rosto delicado e infantil. Disse para que Meito sentasse numa das confortáveis poltronas da sala de estar e falou numa vozinha baixa que iria chamar o irmão.
— Megumi-chan!— Uma voz feminina e grave a fez parar, quando ela saía na ponta dos pés da sala. Ela virou-se para Meito, pondo o dedo na boca em sinal de silêncio e fazendo uma careta de desespero.
Uma mulher jovem surgiu numa das entradas da sala. Usava terno escuro e tinha um certo ar de autoridade imperiosa. Lançou um olhar ameaçador para a menina por trás de seus óculos e ela voltou-se de mãos nas costas, fazendo uma carinha desolada.
— O que eu disse sobre arrumar seu quarto?
— Já arrumei— ela respondeu num muxoxo.
— Megumi-chan, aquele aposento está tudo, menos arrumado. Quer mesmo que o velho do saco venha lhe pegar?
— Mas ele só veio ver o aniki— ela exclamou e olhou para Meito, como se esperasse que ele confirmasse seus interesses.
A mulher voltou-se para Meito, finalmente notando sua presença, e lhe dirigiu um sorriso amável.
— O porteiro me avisou que estava aqui— disse, fazendo um sinal para que Meito o seguisse.— Megumi-chan, vá arrumar seu quarto agora!
A menininha seguiu pela entrada anterior, não sem antes suspirar de alívio ao ver que Meito realmente não era o velho do saco.
— Ufa,— exclamou, subindo as escadas— tô salva!
— Só por hoje, ojou-sama— a mulher exclamou para ela, e voltou-se para Meito.— Sakine Meito-san, certo? Meu mestre esperava por você.
A mulher o levou a um escritório no interior da bela casa. O tal receptador pelo jeito não era um reles traficante de drogas como ele imaginou. Ela entrou para anunciar sua chegada, e puxou a porta corrediça para que Meito entrasse.
O escritório levava aquele nome por ser o local onde Gakupo recebia seus companheiros de negócio, pois estava longe de ser considerado um ambiente de trabalho. Era uma sala ampla em estilo oriental, vazio e mobiliado apenas com carpetes de vime trançado, uma longa e baixa mesa de chá e suportes de madeira, onde longos arranjos ikebana lançavam seus ramos em direção ao teto baixo. A parede oposta à porta de entrada era também uma porta corrediça, que estava totalmente aberta e banhando o ambiente em luz. Dali podia ver o pátio que se estendia além da porta, e na soleira, um jovem esguio de cabelos escorridos e arroxeados estava sentado tranquilamente, fumando de uma longa piteira e soprando a fumaça para longe. Usava uma yukata branca, e ergueu a cabeça levemente ao ver Meito na porta.
— Meito-san— saudou-o com um breve aceno de cabeça, numa voz grave e ressonante.— Fez uma boa viagem?
— Sim, senhor— Meito disse, assumindo imediatamente sua posição de subordinado do homem.
— Ótimo. Por favor, tire suas botas e sinta-se à vontade. Miss Prima logo irá trazer o chá.
Ele ergueu-se da soleira, e só quando entrou na sala Meito percebeu o quanto era jovem. Devia ter mais ou menos a sua mesma idade. “Nunca vi um receptador assim”, ele pensou intrigado enquanto se descalçava e juntava-se a Gakupo na mesa de chá.
Em poucas palavras, o rapaz de cabelos roxos indagou a Meito há quanto tempo estava na organização, o tipo de tarefa que costumava cumprir lá. O assassino foi absolutamente sincero e preciso em todas as suas respostas, algo que ele sabia causar boa impressão em empregadores de qualquer área, mesmo no mundo do crime. Gakupo pareceu satisfeito; sacudiu levemente as cinzas da piteira num cinzeiro próximo a porta, e enquanto Miss Prima, a governanta que atendeu Meito, entrava com uma bandeja de chá, ele sentou-se mais comodamente sobre o carpete e pôs-se a estudar o subordinado com atenção.
— Diga, Meito-san, o que seus antigos chefes lhe falaram de mim?— indagou.
Seus olhos pequenos, escuros e oblíquos, brilhavam num seu rosto de feições nobres e alongadas. A governanta fez um cumprimento e os deixou a sós novamente.
— Disseram que era um receptador importante da organização. Foi tudo o que me informaram.
— Oh, entendo— os lábios finos se torceram num sorriso irônico e contido. —Vejo que eles lhe passaram a informação errada. Sou um receptador importante sim, mas não da sua organização. Para a sua organização, seria o termo correto. Minha importância se deve ao fato de que o Nishigaikan tem a mim como seu contato de confiança aqui nesse país. Já ouviu falar do Nishigaikan alguma vez?
— Não, senhor.
— É o aglomerado das maiores organizações do tráfico na costa leste do Continente. Com certeza, seus antigos chefes ansiavam por uma referência tão poderosa quanto a minha, e estavam dispostos a me entregar o que tivessem de maior valor. Em resumo, uma boa carga de cocaína e o melhor assassino que eles possuíam.
— Devo trabalhar para o senhor, para que se una à minha antiga organização?— Meito indagou, vendo-o servir calmamente o chá na pequena louça que servia de xícara.
— Exato— Gakupo pegou sua xícara e provou um gole, e então sorriu.— Bem, a princípio, pelo menos. Seus antigos chefes encararam a negociação dessa maneira; não significa que eu tenha que cumpri-la a risca. Alguns negócios meus na cidade onde você vivia foram prejudicados pela recente aliança entre sua antiga gangue e a polícia de lá. Resolvi usar minha influência para fazer seus antigos chefes se rastejarem e entregarem tudo que me interessasse e pudesse fragilizá-los. Eliminei boa parte da mercadoria deles a fim de lhes causar prejuízo – o que não é difícil de acontecer numa organização iniciante, convenhamos – e lhes tomei seu melhor soldado, que poderia ser um empecilho caso viessem me enfrentar diretamente. Já os fiz se rastejarem, só preciso pisar em suas cabeças.
Meito o ouvia tão serenamente quanto Gakupo expunha suas intenções. Tomou um pouco do chá, uma mistura de ervas estranha, mas não desagradável.
— E quando eles saberão disso?— indagou.
— Mais cedo do que imaginam.
— Terei de tomar parte diretamente nesse plano?
— Absolutamente. Minhas intenções quanto a você são outras. Antes de tudo,quero ver que tipo de assassino você é, e se é tão bom quanto dizem. Depois disso, lhe utilizarei melhor em meus planos. Pelo que notei, você não tem qualquer ligação com seus chefes antigos agora. Trabalhou para eles enquanto era pago para isso; agora eu sou seu chefe, e sua lealdade é minha. Estes termos estão corretos?
— Creio que não, senhor.
— Mesmo? E qual é a incorreção?
— Trabalhava para meus antigos chefes, agora trabalho para o senhor. Isso significa que sigo apenas suas ordens, enquanto eu for pago por isso. Mas minha lealdade não está incluída nos serviços que presto.
— Oh.— Gakupo tomou mais um gole do chá, interessado. — Está me dizendo que você poderia vir a me trair?
— Não. Para simplificar, eu só o trairia caso seus interesses entrassem em conflito com os da pessoa que possui minha lealdade.
— Certo... E em que hipótese isso aconteceria?
— Numa bem remota, senhor. Ela não vive no mesmo tipo de mundo que nós.
— Entendo. E suponho que esta pessoa que possui a sua lealdade incondicional seja uma mulher, não?
— Esta é uma boa suposição, senhor.
Ele riu contrafeito, jogando os longos cabelos para trás. Disse então que Miss Prima havia providenciado a moradia dele na metrópole, e que ele deveria voltar à casa no dia seguinte, no mesmo horário. O rapaz gostou do arranjo; ainda estava reconhecendo o território em que pisaria a partir de então, e precisava saber logo que tipo de pessoa Kamui Gakupo era.
— Você me pareceu bem mais interessante que a média dos meus subordinados— ele o cumprimentou num aceno à guisa de despedida.— Espero que possamos nos dar bem.
Miss Prima lhe entregou chaves de um apartamento no subúrbio, a poucos minutos dali. No meio do molho estava a chave de um veículo, ela avisou, mas Meito estava mais habituado à moto no momento.
A caminho da nova casa ele jogou o antigo celular fora. Parou na loja de conveniência de um posto de gasolina, onde comprou um novo aparelho. Enquanto enchia o tanque do veículo, digitou um número que sabia de cor, e que apenas ele e a pessoa para quem ligava conheciam.
— Meito falando— murmurou.
— Meito-aniki?
— Não tenho muito tempo.
— Hah, é você mesmo!
Seu colega estabanado na antiga organização era o único em quem confiava para lhe manter informado sobre o que acontecia na cidade. Sabia que ao menos de boca fechada ele ficaria. Ele também era bom espião, e naqueles dias em que Meito ficara longe de Luka e sua avó ele estivera por perto, verificando como a situação delas seguia. Informou a Meito que elas estavam de mudança para o litoral, na cidade onde ficava a universidade onde Luka estudaria. Até o final da semana elas já teriam saído da cidade.
— Você podia fazer a mesma coisa, não?
— Você acha, Meito-aniki?
— Sim— ele respondeu com firmeza. —Você e sua família fariam muito bem passando um tempo longe daí.
— Tem certeza?
— Absoluta. Aja com discrição, para o bem deles.
Ele desligou o aparelho, pegou a moto e saiu. Mais adiante, ao passar por uma ribanceira, atirou o celular no meio do mato.
A brisa marinha soprou no rosto e nos cabelos de Luka. Ela respirou fundo o ar salgado e quente, sentindo-o inundar seus pulmões enquanto o sol aquecia seu corpo inteiro. Estirou-se melhor na toalha de praia, ainda um tanto desacostumada com o biquíni que vestia, mesmo vendo outras garotas passearem tranquilamente naqueles trajes mínimos.
Faziam dois meses que estava morando naquela cidade ensolarada e banhada pelo mar. Os primeiros dias foram sufocantes, especialmente para sua avó; mas passado o choque climático, as duas se adaptaram muito bem e passaram a adorar a temperatura quente daquele lugar.
Quando lembravam do lugar que tinham deixado para trás, o amor pelo novo lar crescia ainda mais.
As duas tiveram que se mudar por conta da faculdade de Luka, mas teriam de fazê-lo de qualquer maneira. Estava impossível de se viver naquela cidade. Depois da partida de Meito o crime voltou a imperar desordenadamente. A notícia de que o assassino não mais a protegia se espalhou e Luka chegou a ser atacada por um assaltante, tendo conseguido se defender e desarmar o homem antes que ele lhe fizesse algum mal. Mas depois disso, ficou claro que precisavam sair dali o mais rápido possível.
No litoral encontraram uma pensão barata e confortável à beira-mar. A filha do dono da pensão chamava-se Lilly, uma garota da idade de Luka e que iria para a mesma universidade que ela, no mesmo curso de Música. Lilly era uma jovem loira, de longos cabelos e olhos azuis, sempre bronzeada e sempre enérgica e alegre. Recebeu Luka e sua avó com bastante empolgação e as ajudou a se adaptarem ao novo estilo de vida. Ela e Luka se tornaram amigas quase instantaneamente, e a avó da garota ficou tranqüila por ver as duas juntas – ao menos a energia incessante da garota podia distrair Luka de sua tristeza pela separação de Meito.
A jovem de cabelos rosados sorriu ao ver Lilly correr pela areia, jogando futebol com um bando de crianças. Vestia um short por cima do maiô e parecia uma moleca em meio aos garotos, brincando com eles despreocupadamente. Havia chamado Luka para se juntar a eles, ao que a garota recusou. Queria ficar deitada mais um pouco, para ver se perdia um pouco da palidez que trouxera da cidade natal, enquanto respirava a brisa perfumada e contemplava o céu azul e limpo.
Gostaria que Meito estivesse ali, com ela.
Mas havia feito uma promessa ao rapaz. Ia viver sua vida, sem esperar por ele.
Logo que iniciou sua vida na faculdade, Luka procurou se concentrar apenas no presente. Adorava o curso que estava fazendo e tinha sempre ótimas notas. Lilly lhe apresentou amigos, ela mesma conheceu novos. Logo estava namorando, tendo relacionamentos rápidos e terminando sem complicações, voltando às amizades naturalmente.
Ao final de dois anos, ela se sentia madura emocionalmente, e tinha orgulho de si mesma por isso.
Meito ainda estava em seu coração e dali ele jamais sairia; mas ela aprendeu a viver sem ele, e estava satisfeita com isso.
Mas não negava a si mesma que gostaria muito de saber como ele estaria naquele momento...
— Você tá machucado?
Gumi olhava para as mãos ensanguentadas que Meito lavava na pia do banheiro.
— Estou bem, Gumi-chan— ele respondeu tranquilamente.— Só me sujei um pouco. Por que não volta a dormir?
— Fiquei sem sono— a garotinha esfregou os olhos. — Acho que vou esperar meu aniki.
— Certo— Meito enxugou as mãos numa toalha e tirou a camisa, que estava salpicada de sangue. Enrolou-a e jogou no lixo.
— Era do aniki— ela reclamou, olhando para ele com um ar reprovador.
— Acho que ele não vai querer uma camisa com uma mancha que não vai sair, não é mesmo?— ele sorriu. — Além do mais, ele não precisa ficar sabendo.
A menina torceu os lábios num biquinho inconformado.
— Tudo bem, mas não faça de novo— ordenou.
— Sim, hime-sama— ele fez uma leve reverência para Gumi, que assentiu satisfeita e voltou para o quarto.
Meito suspirou cansado. Esperava que Gakupo chegasse logo de viagem, ou ele teria que vigiar Gumi por mais tempo. E aos dez anos, a garota tinha uma energia que parecia nunca acabar.
Por algum motivo, seu patrão vinha deixando Gumi ali por várias vezes. Dizia-lhe sempre para manter a garota escondida, e ele se perguntava o que os pais deles pensariam daquela história.
Claro, jamais perguntara a Gakupo. Apenas fazia o que ele lhe mandava.
Nos últimos dois anos havia provado ao jovem mafioso que, mesmo sem ofertar sua lealdade, era capaz de obedecer qualquer ordem que lhe fosse dada. Já havia eliminado inimigos em potencial, participado de chacinas, supervisionado transações perigosas com outros grupos, espionado, roubado, matado. Era agora o guarda-costas particular de Gakupo, muito embora ultimamente ele passasse mais tempo protegendo sua irmã mais nova, mantendo-a em casa enquanto ele saía para completar suas missões.
Ao chegar no seu quarto a menina estava sentada em sua cama, abraçada aos joelhos.
— Stokā-san— ela murmurou. Gakupo dissera a Meito que não lhe revelasse o nome verdadeiro, por motivos de segurança, e o rapaz resolveu arranjar um para que ela o chamasse.— Posso esperar aqui?
— Pode, Hime— ele acendeu a lâmpada do quarto.
Foi até o guarda-roupa e apanhou uma camisa limpa. Havia usado de propósito uma camisa de dentro da mala que Gakupo deixara na casa dele – sabia que o trabalho daquela noite ia ser meio sujo, e mesmo sendo um assassino obediente, não perdia uma só chance de dar algum prejuízo em seu patrão. A camisa era de seda fina, e mesmo Gakupo tendo milhares daquela, Meito estava satisfeito em estragar pelo menos uma delas.
— O aniki não gosta que mexam nas coisas dele— a menina disse numa vozinha rancorosa.
— Eu sei— Meito sorriu, e sentou-se ao lado dela na cama.
Sentia as costas doerem de cansaço. Ele deitou-se ao longo do colchão, seu olhar perdendo-se no verde-vivo dos cabelos da garota, de costas para ele.
— Não se preocupe— falou num tom conciliador. —Ele não vai demorar.
— Ele sempre demora— Gumi murmurou, enterrando a cabeça entre os joelhos. — Antes ele sempre tinha tempo pra ficar comigo, mas agora...
Meito não sabia muito sobre aquela família. Gumi era a irmã menor de Gakupo, provavelmente o que ele tinha de mais valioso, já que preferia deixar Meito cuidando dela a levá-lo consigo como guarda-costas. Mas até onde sabia, ela não tinha uma vida normal. Não estudava ou tinha amiginhos, por exemplo. Parecia até que o irmão a criava como um animalzinho de estimação, se fosse comparar com outras crianças. Até Meito teve amigos quando criança, mesmo levando o tipo de vida que levava.
Vendo aquela garotinha abraçada aos joelhos, olhando para o chão enquanto se balançava devagar para a frente, Meito pensou no quanto ela devia se sentir sozinha.
— Hime-chan— indagou —onde estão os seus pais?
Gumi virou o rosto para ele devagar. Ia respondendo quando sua expressão se iluminou, ao ouvir o barulho da chave girando na fechadura.
— Nii-san— murmurou, levantando num pulo e correndo até a sala.
Gakupo fechou a porta atrás de si, pousando uma sacola no chão para apanhar a irmã menor nos braços.
— Stokā-san já chegou?— indagou-lhe enquanto afagava a cabecinha esverdeada.
— Estou aqui, aniki— respondeu Meito, aparecendo na sala.
Chamava-o assim quando Gumi estava por perto. Era para ela continuar pensando que Stokā era um amigo de seu irmão, e não seu empregado e assassino particular.
— Fez um bom trabalho hoje?— indagou a ele. Meito assentiu inexpressivo. —Muito bem. Mii-chan, trouxe aqueles doces que você gosta. Vamos passar a noite na casa de Stokā-san, certo?
Ela balançou a cabeça, enterrando o rosto no pescoço do irmão. Meito inquiriu-o com o olhar, e Gakupo fez um sinal para ele de que falaria mais tarde.
— Achei que iam voltar hoje mesmo— murmurou, à porta do quarto de hóspedes.
Gakupo havia acabado de cobrir Gumi, que não demorou muito a recuperar seu sono e ressonava tranqüila sobre o travesseiro.
— A mansão está sendo varrida pela polícia agora— ele respondeu num sussurro, contemplando o rostinho adormecido entre os lençóis.— Disse à Miss Prima que levasse todos os documentos importantes e saísse da cidade, mas é perigoso demais deixar pontas soltas, não acha?
Seu olhar para Meito foi significativo.
— Devo partir amanhã mesmo?
— Pode ser— ele voltou o rosto para a irmã. Apenas certifique-se de queimar o arquivo. Todo ele.
O homem acenou com a cabeça e fechou a porta com cuidado. Eles sempre dormiam juntos, não era de se estranhar que Gumi fosse tão apegada ao irmão.
Fechou-se em seu quarto e se jogou na cama novamente. Tinha pelo menos umas três horas para dormir, aquilo devia bastar. Isso se conseguisse pegar no sono, o que vinha sendo difícil ultimamente.
Seus pensamentos sempre se voltavam para Luka naqueles momentos. Não esqueceu dela nem por um dia naqueles dois anos. Seu coração ainda acelerava quando lembrava da noite em que se despediram, e saber que o lugar onde ela vivia era do conhecimento dele, era algo que o torturava. Sabia onde ela estava. Mas não se atrevia a ir atrás dela.
O preço a se pagar, refletiu por um momento. Em se tratando de Luka, era sempre alto demais, um sacrifício muito grande. Mas nenhum sacrifício era grande o bastante, se fosse para ter certeza de que ela estava viva, estava bem, estava feliz.
Espero que esteja.
Levantou-se de súbito e apanhou a maleta de armas, disposto a passar a madrugada limpando-as. Não ia conseguir dormir mesmo.
E mesmo que conseguisse, se fosse pra sonhar com alguém a quem ele dificilmente veria, era melhor continuar acordado.
Notas finais
[ Stokā - de Bram Stoker, autor de Drácula, o livro que Meito deu a Luka quando se despediu dela. Gakupo manda Meito inventar um apelido qualquer pra usar na frente de Gumi, então o sobrenome do autor foi o primeiro que surgiu na cabeça do rapaz. Uma forma indireta de continuar pensando em Luka? Não duvido =D]
[Agradecimentos muito especiais a Ao Kiri Day e Tsuki-chan, que vêm acompanhando a fic, e minhas desculpas por ainda não ter respondido as reviews de vocês >.< Fico sempre muito feliz de ver vocês acompanhando e vibrando com a fic, valeu meninas! ♥
Obrigada também à comentadora nova Netuno, e desculpa por ainda não ter respondido também... Como tinha algumas questões na sua review eu vou falar rapidinho delas: primeiro, muito obrigada pelo toque em relação à sinopse! Você tem toda razão, é difícil se interessar por uma fic que não tenha uma sinopse que desperte a atenção de quem vai ler, e mesmo não dependendo exclusivamente das reviews pra continuar escrevendo, é claro que todo ficwritter quer escrever pra que alguém leia. Sinopses realmente não são meu forte, e a de Loyalty tava bem sem sal mesmo. Já modifiquei ela, acho que tá um pouco melhor que antes... Fique à vontade pra deixar sua opinião ou sugestões! =D
Quanto à história do copo de leite, eu realmente nunca tinha ouvido falar. Mas foi legal você ter feito a referência, eu dei uma pesquisada e achei algumas coisas interessantes sobre ela. E o pior é que, pelo menos no início, Loyalty se parece muito com essa história XD
Por fim, muito obrigada pela atenção, e principalmente o apoio ao casal Meito X Luka! Espero que continue acompanhando a fic. E não tenha dúvidas, posso não escrever só a troco de reviews, mas recebê-los faz todo o trabalho de imaginar e escrever ter valido a pena ♥
E você que apenas acompanha e nunca comenta, perca a vergonha! Deixe sua opinião, dúvida, sugestão... desde já agradeço muito!
Té maisinho :*]
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