Loving Zooey

1 Capítulo 1 - O maior quarto da casa


A nova casa tinha cheiro de mofo e comida estragada. Não sei se deveria chamar aquela espelunca de "nova", porque eu não duvidava muito de que aquele lugar fosse até mais velho do que eu.

Eis aqui a minha história: Eu me chamo Susan, tenho 16 anos e sou órfã de mãe. Não faz muito tempo que minha mãe morreu. Pra ser mais exata, ela faleceu há exatos 6 meses e 13 dias. E desde então eu estou morando com meu pai.

Eu não entendo o que minha mãe viu no meu pai. Eles se conheceram no último ano do colégio. Minha mãe fazia parte das líderes de torcida. Ela era maravilhosa. Alta, loira, magra e de boa família. Meu avô era dono do seu próprio negócio, o que desde cedo rendeu uma boa condição financeira à sua família. Minha mãe, como a maioria das meninas de classe média alta, tinha tudo o que queria. Seu guarda-roupas era renovado a cada nova estação, seus cabelos estavam sempre bem cuidados e sedosos. Eu a chamaria "Rainha da Beleza" se fosse uma de seus colegas de escola.
Enquanto isso, morando no lado mais "pobre" da cidade, estava meu pai. Diferente de minha mãe, Marcus (também conhecido como meu pai) não desfrutava de muitos luxos. Sua mãe era dona de casa e o pai trabalhava como mecânico, e pelas histórias que ouvi, ele estava sempre com as mãos sujas de graxa e cheirava a óleo dísel.

Não sei muito sobre a infância e juventude de meu pai. Ele nunca teve paciência pra contar suas histórias, e estava sempre ocupado demais assistindo futebol. E foi por isso que minha mãe o deixou. Na verdade, ela ordenou que ele saísse de casa.
Nós morávamos num bonito bairro residencial, onde as casas tinham cercado branco, grama verde e belos jardins bem cuidados. Meu pai não combinava com aquele lugar. Todos sabiam disso, até mesmo ele. Apesar da tristeza por estar deixando sua família, meu pai parecia bastante satisfeito em ir embora daquele bairro onde ninguém, além de sua família, parecia gostar dele.

Minha mãe morreu depois de tomar uma quantidade enorme de remédios que, segundo os médicos, ela ingeriu com vodca. Era óbvio que ela tinha se suicidado. Ela não deixou carta, bilhete ou qualquer outra coisa me explicando o motivo de ter feito aquilo. Ela não se despediu de mim, e nunca mais poderia se despedir.

Meu pai teve de comprar uma nova casa pra que eu pudesse morar com ele. Antes ele vivia num quartinho pequeno onde só tinha uma cama, uma poltrona, TV e um banheiro minúsculo que estava sempre fedendo. Era inaceitável para mim, morar num lugar como aquele.
Ele não tinha condições de pagar a casa onde eu morava com mamãe, e não havia possibilidades dele voltar pr'aquele bairro.

O "novo" apartamento era pequeno. Meu pai foi gentil o bastante pra me deixar ficar com o maior quarto, que possuía um pequeno banheiro e uma janelinha com a vista para a larga rua onde nosso prédio ficava. Eu podia ver as crianças brincando na rua; suas bicicletas velhas e enferrujadas jogadas sobre a calçada enquanto eles chutavam uma bola marrom, gasta e remendada, de um lado para o outro. Todas as crianças eram negras. Eu estava no gueto.

Notas finais
Bem, é isso, rs. Eu estava com essa ideia na minha cabeça e não consegui sossegar até escrever tudo direitinho. Eu espero mesmo que apareça alguém que goste e resolva acompanhar a história. E peço que, por favor, comentem o que acharam, se gostaram ou não, e tudo isso que pedem pra ser comentado. xx