Loving Zooey

18 A carta de mamãe


Notas iniciais
GENTE, SOCORRO!!! Em primeiro lugar, eu quero pedir 4730382 MILHÕES DE DESCULPAS!!!! Eu sei que eu demorei muito pra postar, mas eu JURO que a culpa não é minha (quer dizer, não totalmente). Eu fiquei sem internet, e depois sem computador TT_TT e pra melhorar a minha vida, quando minha internet voltou, minha mãe levou meu computador pra formatar e eu perdi toda a fic, e sim, eu já tinha escrito tudo, até o final. Eu fiquei desanimada de ter que escrever tudo de novo, mas eu também não quero deixar vocês na mão. To postando esse cap hoje, e prometo escrever e postar o próximo sem muita demora Por favor, me perdoem, de verdade mesmo.

Os dias passaram devagar. Realmente devagar. Meu pai ligava todos os dias, mas eu não tinha muito o que falar com ele. E ele também não tinha muito o que dizer, então ficávamos em silêncio, um esperando que o outro iniciasse um novo tópico. As ligações duravam pouco menos de cinco minutos, que era nosso limite pra aguentar aquele silêncio chato, e ele sempre terminava as ligações me pedindo pra voltar e eu sempre respondia da mesma maneira: "Ainda não estou pronta pra isso".

Eu sabia o que aconteceria quando eu fosse embora. James iria procurar por mim. Eu teria de ver Zooey no colégio. Eu não estava preparada pra nada disso. Principalmente pra parte onde teria de ver Zooey. Meu pai me disse que ela ainda não havia ligado, e que se ligasse, ele passaria meu novo número pra ela. Eu também não tinha coragem de lhe telefonar, então passei aqueles dias angustiada demais, sem conseguir comer direito e muito menos com vontade de conversar com qualquer pessoa.

Num desses dias eu fui obrigada a descer pra jantar. Meu avô achava que eu já tinha tido dias suficientes na cama e que graças aos cuidados de vovó, os hematomas no meu rosto já nem eram mais visíveis. Eles ainda pensavam que eu estava triste por ter apanhado, é claro. Então desci pro jantar, pela primeira vez usando algo que não era meu pijama de flanela. Vovó sorriu ao me ver, feliz por me ver fora da cama e de um pijama.

–- É ótimo ver você, Susan. Sente-se e vamos comer. -- Meu avô tinha um tom de voz sério e duro, e eu me sentei mesmo não querendo estar ali.

Pelo menos ali tinhamos uma mesa de jantar, e todas as refeições eram feitas na mesa e não no sofá (ou na cama). Meu avô falou sobre negócios, sobre seus amigos do golfe, e sobre o jantar beneficiente que teria de comparecer em breve. Eu não prestei muita atenção na conversa, apenas me apegando aos detalhes mais importantes (o assunto de cada tópico, por exemplo) só pra que eu fosse capaz de respondê-lo quando ele tentava me incluir na conversa.

Fingi uma dor de cabeça e voltei pra cama depois da sobremesa (bolo quente de chocolate com sorvete, a coisa que eu mais gostava no mundo) e joguei-me na cama. Eu ainda pensava em ligar pra Zooey, mas eu ainda não tinha coragem pra isso. E se ela não tinha me ligado, era porque não queria falar comigo. Eu tinha certeza.

Naquela noite, minha avó veio até o meu quarto. Carregava consigo uma caixa branca, grande, com um laço bonito na tampa. Parecia aquele tipo de caixa onde se colocam os vestidos bonitos que as mocinhas costumam receber nos filmes. Ela colocou a caixa em cima da cama, ao meu lado, e sorriu pra mim.

–- São coisas da sua mãe. Coisas que eu consegui pegar antes que eles fossem na casa e... Enfim. -- Ela deu um tapinha na tampa da caixa e sorriu pra mim. -- Achei que já era hora de dar isso pra você. Talvez isso consiga melhorar um pouquinho o seu humor. -- E depois disso ela foi embora e me deixou sozinha com a caixa.

A caixa parecia intocada, apesar de não estar toda coberta de poeira. Algo me dizia que minha avó não tinha mexido naquela caixa. Ela estava a minha espera. Era pra mim. E apenas eu poderia abri-la. E foi o que eu fiz.

Aquela parecia uma réplica da caixa com coisas da minha mãe que eu já tinha. Fotos e cartas faziam parte do conteúdo da caixa, mas eu achava que talvez aquela ali estivesse escondida porque mamãe não queria que eu visse o seu conteúdo. E parecia errado, mesmo que ela já estivesse morta, mexer naquilo tudo. Mas eu mexi mesmo assim. Olhei todas as fotos, que eram imagens dela com amigas, com meus avós, com alguns rapazes. Até mesmo fotos dela com meu pai. Também havia fotos de mim, é claro. Mas essas eu descartei sobre a pilha de fotos já vistas. Não queria ficar vendo essas fotos antigas minhas.

As cartas eram mais pessoais. Cartas de amor, cartas escritas por ela que nunca foram enviadas. Cartas que pareciam ter sido escritas pra ninguém em especial onde minha mãe narrava seu dia ou desabafava sobre um problema. Umas fitas K7 também estavam ali, todas com etiques ilegíveis, que eu deixei de lado, pensando em escutá-las depois. Uma capa plástica de CD chamou minha atenção. Na capa estava escrito "gang bang — Madonna" com aquela caligrafia redondinha que minha mãe tinha. Eu fiquei curiosa e liguei minha TV, colocando o CD no aparelho de DVD e esperando pra ver o que aconteceria.

A música preencheu o ambiente. Minha mãe era fã da Madonna. Muito fã mesmo. Minha avó disse que tinha guardado todos os cds e discos que mamãe vinha colecionando durante os anos. Ela me disse que um dia eu poderia vender tudo aquilo e ganhar muito dinheiro. Não sei se realmente poderia ganhar qualquer dinheiro com aquilo, mas achei ótimo que minha avó tivesse guardado tudo. Era uma parte da minha mãe que ainda estaria comigo.

Enquanto a música tocava, eu notei que havia um papel dentro da capa do CD. Ajeitei-me sobre a cama enquanto desdobrava o papel e comecei a ler.

"Querida Susan,

Espero que um dia você consiga achar essa carta. Se bem conheço sua avó, e sabendo como ela é bisbilhoteira, provavelmente guardou minha caixa de recordações e todo o seu conteúdo. Só fico rezando pra que quem leia a carta seja você, e não ela.

Eu quero começar te pedindo desculpas. Peço desculpa por não poder estar aí ao teu lado. Por não poder te ajudar nos momentos difíceis, por não saber como será sua vida como adulta, por não poder te abraçar quando conseguir entrar pra faculdade, ou não poder te dar conselhos sobre rapazes. Eu queria muito poder fazer todas essas coisas, mas eu não posso. Eu não posso mais continuar com isso.

Não espero que você entenda a minha decisão. Mas saiba que decidir morrer não é algo fácil de se fazer. Mas viver estava sendo ainda mais difícil. Eu queria muito ser mais forte e corajosa. Eu queria muito continuar vivendo, continuar vivendo por você. Mas eu não posso. Também não espero que você me perdoe, mas ainda assim te peço perdão.

Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Acompanhar seu crescimento, ouvir suas primeiras palavras e segurar sua mãozinha enquanto você dava os primeiros passos... Tudo isso são memórias que eu vou levar pra sempre comigo.

Eu amo você. Sempre vou te amar. E nada disso é sua culpa, caso você esteja pensando nisso. Mas chega uma hora que simplesmente é impossível suportar certas coisas. O mundo é ruim, é cruel, e as pessoas são piores ainda. Existem exceções sim, mas tenha sempre cuidado. Tenha cuidado e não confie tão facilmente nas pessoas. Eu rezo pra que o mundo seja melhor pra ti. Que você encontre mais felicidade do que eu encontrei.

Seja uma boa menina. Eu te amo daqui até a Lua, lembra?"

Eu estava chorando tanto que foi difícil conseguir ler as últimas linhas da carta. Eu sabia o que minha mãe tinha feito. Mas ainda assim era difícil ler tudo aquilo e saber como ela estava infeliz. Na carta ela não falava tanto assim da sua tristeza, mas... Eu sabia. Eu simplesmente sabia que ela estava infeliz.

Empurrei a caixa pro chão, abrindo espaço na cama, nervosa demais pra me preocupar se quebraria alguma coisa do conteúdo da caixa. Apesar de ter limpado a cama, eu me encolhi toda, como se isso pudesse preencher a dor que eu sentia. Eu estava tremendo de tanto chorar. Minha vontade era de gritar, de poder ser capaz de voltar no tempo e tentar dizer a minha mãe que tudo melhoraria e que aquilo não era o certo a se fazer.

Eu nunca tinha realmente parado pra pensar que minha mãe estava morta. Mas ela estava. E depois de ler sua carta eu me dei conta de todas as coisas que eu perderia, de todos os momentos que nós jamais teríamos juntas.

Eu sentia sua falta. Terrivelmente. E nada nunca poderia mudar isso.

Me lembro das diversas vezes em que sonhei com sua morte (quando ela ainda era viva). Eu acordava assustada, desesperada e chorando muito. Sempre corria até sua cama só pra me certificar de que ela estava bem e viva. Passava o resto da noite ali, dormindo abraçada com ela e chorando até o amanhecer. Eu nunca contava sobre o que eram meus sonhos, não queria assustá-la.

Sem pensar muito bem no que estava fazendo, peguei meu telefonei em cima da mesinha de cabeceira e disquei o número de Zooey. Com a voz rouca e entrecortada por causa do choro, eu sussurrei assim que ela me atendeu:

– A gente pode conversar?

Notas finais
ignorem os erros, eu não tive tempo pra revisar o texto ;-;