Lovesong
34 Capítulo 34
Notas iniciais
— Vem mãe, já tá na hora. – Diz Henry entrando no quarto de Emma pela terceira vez.
— Calma garoto, a Regina não vai fugir. – Sorriu a loira, terminando de dar os últimos retoques no seu quarto.
— Mas já tá na hora, ela vai brigar com você se demorar. – Zombou ele.
— É, você tem razão. – Emma pegou a mão do filho e seguiram para o hospital, a loira estava radiante porque sua rainha iria vir para casa.
Finalmente depois de mais uma semana de recuperação Regina recebera alta, e todos estavam ansiosos e apreensivos com sua volta para casa, afinal, não sabiam como a médica iria seguir os dias depois do ocorrido. A médica estava muito abatida, o que era de se esperar depois de tudo que Regina havia passado, mesmo assim todo mundo se esforçava para animá-la.
Emma deixou o seu quarto o mais confortável possível, pôs algumas fotos da médica e da família espalhadas pelo cômodo, alguns livros que Zelena trouxe da fazenda, reservou um lugar em seu armário de roupas para pôr as de Regina. E nesse dia em especial caprichou um pouquinho mais, trocou os lençóis da cama e decorou a mesinha com algumas rosas vermelhas, pois sabia que sua rainha iria gostar.
Regina queria sair sim do hospital, porém, ela estava com medo de enfrentar o mundo fora daquele quarto de paredes brancas, tinha medo de ver seu agressor pela cidade e principalmente tinha medo de que algum mal fosse feito a Emma. Seus pesadelos estavam cada vez mais frequentes, ela já não dormia bem a dias, bastava apenas fechar os olhos e sonhava com aquele desgraçado, provavelmente insegurança por sua alta estar próxima.
Para Regina os pesadelos eram ruins, mas o pior é que quando acordava deles via que Emma tentando acalmá-la, a loira sempre tinha um olhar perdido, com olhos marejados e a morena ficava ainda mais triste, Emma sempre estava lá para acalmá-la, e ela agradecia sempre por isso, sempre por ter aqueles olhos lhe passando confiança, aqueles braços que sempre estariam ali para protegê-la, e machucava muito ver sua amada sofrer assim.
— Mamãe! – Disse Henry após entrar correndo e indo em direção a cama de Regina.
— Meu príncipe, que saudades amor. – A morena não pode conter a emoção, desde aquele dia na fazenda que não via seu garoto.
— Oi amor. – Disse Emma dando um beijo em seus lábios. – Está pronta para sair daqui? – Perguntou sorrindo.
— Sim. – falou meio insegura. – Você pode chamar a Tinker, por favor. – Pediu Regina desviando o olhar das esmeraldas que a encarava.
— Está sentindo alguma coisa linda? – Perguntou Emma preocupada.
— Não. – sorriu de lado. – só chame-a, por favor.
Mesmo achando o pedido estranho, Emma saiu atrás da médica. Após alguns minutos Emma e Tinker entram no quarto e encontram Henry todo empolgado falando sobre a escola, sobre seus desenhos e sobre Cora e Zelena que estavam “morando” com ele agora, Regina era só sorrisos para seu pequeno.
— Boa tarde Regina. – Disse Tinker ao entrar.
— Oi Tinker. – sorriu.
— Está sentindo algo? Emma disse que você pediu para me chamar, sua alta já foi assinada. — Sorriu Tinker.
— Não, eu estou bem. E que... – Ela olhou rápido para Emma desviando o olhar. – eu queria que você me ajudasse a trocar de roupa. – Falou sem graça.
— Mas amor... – Emma ia falar para Regina que poderia ajuda-la com prazer, mas Regina a interrompeu.
— Você poderia guardar minhas coisas Emm? – Não teve coragem de olhar para a loira, pois sabia que veria a mágoa que sua atitude causou a sua namorada, porém, ela não estava preparada para mostrar a Emma as marcas que ainda existiam em seu corpo.
— OK! – Respondeu Emma e Regina percebeu que ela estava chateada.
Tinker olhou para a detetive pedindo paciência e ajudou Regina a ir ao banheiro, Emma respirou fundo e começou a guardar os pertences da morena com ajuda do filho. Ela sabia que estava sendo difícil para Regina toda essa situação, mas, não entendia porque a morena recusou sua ajuda.
Com a mochila de Regina em um dos ombros e o outro braço apoiando a morena, chegaram ao carro, Emma pôs a mochila na mala, acomodou Regina no banco ao lado do motorista e prendeu seu garoto na cadeirinha no banco de trás e assim seguiram para casa da loira.
Regina já estava acomodada no quarto de Emma, estava sentada na cama com as costas apoiadas em alguns travesseiros para ajudá-la a não sentir dores. Henry que desde que chegaram não saiu do lado da mãe, estava contando o que aconteceu durante essas semanas que ficaram longe um do outro. Emma que havia ido providenciar o jantar da morena entra no quarto com uma bandeja na mão e um lindo sorriso nos lábios.
— O nosso jantar está pronto. — anunciou pondo a bandeja na mesinha que havia próximo a janela.
— Vocês vão jantar aqui comigo? – perguntou a morena feliz, a companhia dos seus amores era o que lhe acalmava e fazia esquecer um pouco tudo o que passou.
—Claro, você acha que iríamos deixar nossa rainha sozinha na primeira refeição aqui? – Perguntou Emma bagunçando o cabelo de seu filho que sorriu e em seguida dando um selinho em Regina.
O jantar em família foi divertido, Henry querendo saber quando iriam leva-lo para conhecer a nova casa de Regina, queria saber se tinha piscina, se tinha como levar seu cavalo para lá, e ficou um pouco triste com a informaram que não existia essa possibilidade. Regina se divertia muito, porém estava apreensiva sobre o que iria dizer a Emma quando fosse a hora do banho, ela não queria que sua amada visse seu corpo marcado, mas também não queria magoá-la com sua recusa e tinha certeza que a loira iria insistir para ajudá-la.
Emma foi pôr Henry para dormir e aproveitando que estava sozinha no quarto Regina levantou-se lentamente da cama, alguns movimentos ainda incomodavam a área das costelas, principalmente movimentos com os braços, seguiu para o banheiro, se ela conseguisse tomar banho antes de sua loira voltar evitaria o constrangimento de negar a ajuda de Emma mais uma vez. O problema é que ao levantar o braço para abrir a blusa sentiu uma dor forte que a fez respirar fundo para não deixar as lágrimas caírem, o que foi em vão.
Quando Emma voltou não encontrou Regina na cama, ficou um pouco preocupada, a médica não poderia fazer esforço, além se sentir fortes dores, poderia agravar seu estado. Só existia um lugar onde Regina poderia estar, o banheiro e ao constatar isso lembrou de hoje a tarde no hospital quando a morena recusou sua ajuda para se trocar e não conseguia entender o por que de tal atitude.
— Amor... sou eu. – Disse a loira quando constatou que a porta do banheiro estava trancada.
— Tá tudo bem Emm, só vou tomar banho. – Disse a morena, e sua voz saiu entrecortada por conta da dor nas costelas.
— Linda, você sabe que não pode fazer isso sem ajuda, abre por favor. – pediu a loira com a mão apoiada na porta. – Amor.... Abre. – insistiu Swan após alguns segundos de silencio.
— Eu não quero que me veja assim. – Respondeu Regina chorando.
Emma encostou a testa na porta, agora ela sabia porque Regina não pediu ajuda a ela para trocar de roupa no hospital, mas não iria desistir, sua namorada estava precisando de ajuda e ela iria ajuda-la.
— Amor, abre a porta eu só quero te ajudar, por favor me deixa te ajudar. – Disse a loira e esperou até que ouviu a tranca da porta.
Emma entrou no banheiro e Regina ainda estava vestida, tinha os olhos vermelhos pelo choro e não conseguia encarar sua amada. Lentamente Emma pôs a mão no queixo de Regina e fez os olhos se conectar. Emma então beijou a testa de Regina com um sorriso doce e compreensivo.
— Eu estou aqui para ajudá-la, protegê-la e assim farei, mas se você não se sentir bem que eu veja seu corpo agora, tenha certeza que deixarei meus olhos fechados o tempo todo, mas ficarei a seu lado, OK. – Disse a loira ainda sorrindo e limpando as lágrimas que desciam dos olhos da morena.
Regina nada respondeu, apenas assentiu com a cabeça e fechou os olhos quando sentiu os lábios de Emma deslizar por seu rosto onde as lágrimas insistiam em cair, uma carícia delicada que começou a acalmar a morena. Enquanto a loira abria os botões da camisa de Regina descia seus lábios pelo pescoço da médica, a cada botão aberto a loira sentia Regina estremecer. Como havia prometido Swan permanecia de olhos fechados, mas após tirar a camisa da morena, Emma teve que se esforçar bastante para não abrir os olhos e matar a saudade daquele corpo que tanto ama, para não cair em tentação, docemente tomou os lábios de Regina em um beijo suave, apenas um roçar delicado demonstrando todo o carinho e amor que ela sentia pela morena, ao sentir o gosto das lágrimas Emma abriu os olhos os fixando-os nos olhos chocolate de Regina.
— Saiba que eu estou aqui para você meu amor, estarei com você em todos os momentos sejam eles bons ou ruins. Eu serei seu pilar de sustentação, seu porto seguro, seu apoio em tudo, serei o que você quiser e precisar, só me deixa cuidar de você... não me afasta mais. – disse a loira com os mãos nas laterais do rosto de Regina.
— Eu te amo... te amo... – Abraçou Emma. – me desculpa por não ter pedido sua ajuda hoje no hospital, eu só... só... não queria que me visse assim. – Disse e se afastou lentamente dando a Emma total visão de seu corpo.
A loira precisou respirar fundo e segurar a vontade de chorar na frente de Regina, ela não queria chorar, não com ela ali. Apenas a parte superior do corpo da morena estava a mostra, no abdômen existiam vários hematomas já perdendo a cor roxeada, existiam também alguns pequenos cortes já cicatrizados e por fim a loira fixou os olhos na cicatriz da cirurgia a loira não aguentou ver aquelas marcas por muito tempo, assim ela esboçou um sorriso e abraçou Regina sussurrando “eu te amo”.
Emma iniciou o banho de Regina onde teve todo o cuidado do mundo nessa tarefa, passando delicadamente a esponja com sabonete líquido por todo o corpo de Regina se preocupando em não molhar a faixa que imobilizava o braço da médica, em alguns momentos Emma beijava algumas marcas do corpo de Regina, como que com esse gesto pudesse amenizar a dor da morena, ao fim do banho ela acomodou Regina na cama da maneira mais confortável possível, entregou alguns comprimidos e um copo de água para que Regina tomasse seus remédios.
— Vou tomar banho, já volto tá. – Disse Emma beijando os lábios de sua amada e seguiu para o banheiro.
Emma fechou os olhos quando a agua quente tocou sua pele, não conseguia parar de pensar nas marcas que a morena possuía pelo corpo, ela não sabe como Regina resistiu a todos aqueles ferimentos. Emma apoiou suas mãos na parede e desabou em lágrimas, como ela queria tirar toda dor de sua namorada, tirar os pesadelos que a atormentavam todas as noites, tirar o trauma da violência sofrida. Emma tentava se controlar para que Regina não ouvi seus soluços, mas provavelmente seus esforços foram em vão, se controlar era a última coisa que ela estava conseguindo fazer no momento. Após um longo tempo no banheiro Emma saiu e encontrou Regina com olhos fechados, ela observou que nas bochechas de Regina possuíam marcas de lágrimas, o que confirmava que a morena a ouviu chorar e ela se condenou por isso. A loira deu um beijo nos cabelos de Regina e lentamente deitou a seu lado lentamente para não despertá-la e aos poucos foi tomada pelo sono.
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