Assim que resgatou Angie, Jake levou ela até seu apartamento. Ao chegarem, Jake apagou sua memória e concertou o apartamento. Colocou ela em sua cama e desapareceu novamente.

Quando voltou ao inferno, olhou para as terras desoladas e destruídas ao seu redor. Ao longe, a única coisa que se via eram as chamas infernais tremeluzindo na escuridão. Deu alguns passos para a frente e tomou sua forma real. Seu campo de visão expandiu, permitindo que ele visse Abaddon e Samael frente a frente, no horizonte. Os filhos de Samael não estavam lá, o que podia ser um bom sinal ou um mal presságio.

Levantou voo e pousou entre eles, fazendo ambos recuarem. Abaddon lhe lançou um olhar furioso e reassumiu sua forma real, o mesmo fez Samael. Ambos o encaravam ferozmente. Jake sabia que se não tomasse uma atitude, os dois destruiriam o que restara do inferno.

– Azazel – disse Samael, substituindo seu olhar ameaçador por um sorriso sínico – Meu irmão! A quanto tempo não nos vemos?

– Temo que não o suficiente – respondeu Jake.

– Soube que adotou uma nova identidade. Jake, não é? – ao terminar a frase, Samael estalou os dedos, fazendo com que ambos fossem redirecionados a outro lugar no inferno, longe de Abaddon – Pare com essa frescura toda de humanidade! – ordenou – Seja um demônio, pelo menos uma vez!

– Como ousa me chamar de irmão Samael, depois de tudo o que fez? Nós caímos juntos!

– Azazel...

– Jake! – exclamou ele, interrompendo-o.

– Azazel – repetiu Samael, olhando o fixamente nos olhos. Uma dor castigante tomou conta do corpo de Jake – Como pode insistir em me desafiar, mesmo sabendo de todo o meu poder de persuasão? Seu nome é Azazel, e apenas por ele será chamado. Fim de história – O sangue pulsava violentamente em suas veias, fazendo ele se contorcer de dor e angústia.

Samael desapareceu em uma nuvem de fumaça.

Jake estava hipnotizado. Sua mente estava a mil. Alguns segundos depois, ele desmaiou.

Quando acordou, Abaddon estava a sua frente. Colocou a mão na cabeça. A dor em seu corpo era insuportável, como se seu sangue fervesse dentro de seu corpo. Abaddon estalou os dedos e a dor sumiu.

Ele se levantou lentamente e olhou em volta. O rio Flegetonte fluía novamente pelo chão e pelas paredes de rocha. As rochas gigantes espalhadas pelo chão estavam de pé novamente. No horizonte, a mansão de Abaddon parecia intacta novamente.

– Está tudo em seu lugar novamente – anunciou ela, visivelmente satisfeita.

– O que Samael e seus filhos estavam fazendo? – perguntou, ainda tonto.

– Sua família, você quer dizer? Uma rebelião, obviamente.

– Obviamente – repetiu ele – Mas com que objetivo?

– Tornar-se rei Azazel – disse Abaddon, com tom sarcástico – Agora que o Flegetonte está fluindo novamente, meu poder está de volta.

– Ele não estava com você antes? – perguntou.

– Estava, mas não totalmente. Entenda, esse rio é a fonte de meu poder, por isso ele foi o primeiro alvo de Samael em sua jornada de destruição.

– Por que Flegetonte?

– Dentre todas as perguntas que você podia estar fazendo escolheu justo essa? Flegetonte é um dos cinco rios do Tártaro, na mitologia greco-romana. Significa rio infernal, rio sombrio.

– Nada mais justo – disse – Mas o que você fez com Samael e seus filhos?

– Seus sobrinhos estão aprisionados em minha mansão. Porém Samael fugiu para o mundo mortal. E esse é o motivo de eu ter vindo te acordar. Quero que você traga sua cabeça para mim, em uma bandeja de prata.

– Você quer que eu mate meu irmão? – perguntou, aterrorizado.

– Sim. Quero que você faça o que devia ter feito a milênios atrás, mas foi fraco demais para prosseguir. Além do mais, ele confia em você, de certo modo, então você é o único que pode mata-lo.

– Mas mesmo que eu quisesse mata-lo, eu nunca conseguiria sozinho.

– Eu nunca disse que mandaria você sozinho até ele. Mandarei Abalam e Agares, meus melhores soldados com você.

– Trarei ele para você – disse, após alguns minutos – Mas será com vida, ou nada feito.

– Como queira – disse Abaddon.

Dois demônios gigantes caíram no chão atrás de Abaddon. Suas asas eram igualmente enormes. Cada um tinha em mãos uma lança pontiaguda negra. Sua pele era escura e de aparência rochosa, os olhos vermelhos e aterrorizantes. De modo geral, sua aparência se assemelhava muito a gárgulas.

Eles se transformaram em um cajado negro, que flutuou em direção a Azazel.

– Quando quiser – disse Abaddon, com um sorriso.