Lovers on the sun

7 Cabin in the woods


Azazel, Abalam e Agares voltaram para o mundo mortal, na forma humana.

Agares olhou para cima, como sentisse algum cheiro conhecido.

– Por aqui – disse ele, atravessando a rua.

Azazel e Abalam seguiram ele, desconfiados.

Algum tempo depois, chegaram a uma rua sem saída, com apenas uma casa no final.

Era uma casa enorme, praticamente uma mansão. Seu aspecto era horrível, macabro. Seu exterior era feito de placas de madeira. As janelas estavam todas quebradas. As paredes, rachadas. Agares se aproximou da porta de entrada, uma porta enorme feita de carvalho, a única coisa que estava inteira.

– Samael está aqui – afirmou, com um suspiro pesado.

Colocou a mão na maçaneta da porta e a abriu. O interior da casa não era nada além de um breu total. Agares e Abalam entraram. Azazel estava sentindo uma espécie de presença estranha no lugar.

Azazel resolveu entrar. Ao passar pela porta, sentiu uma onda de pânico invadi-lo, algo que jamais havia sentido antes. Chamou por Abalam e Agares, mas não ouve resposta. A porta bateu com violência atrás de si. Desesperado, tateou no escuro a procura de algo, qualquer coisa. Uma luz fraca e trêmula se acendeu ao longe. Uma vela, pensou. Mais luzes idênticas a ela se acenderam em todo o cômodo, revelando uma sala vazia, vazia exceto as velas nas paredes e as portas negras. A primeira vela que havia se acendido estava no chão, atrás dela estava tudo escuro, não dava para ver nada. Azazel tomou sua forma real, por precaução, e seguiu até ela.

Antes de sequer chegar perto dela, dezenas de velas surgiram ao redor dela, formando linhas.

Atrás delas, uma forma se tornou visível. Samael, em sua forma real, ajoelhado e se braços abertos, com as asas caídas ao seu redor. A visão por si só já havia aterrorizado Azazel, quando a voz de Samael fez o chão e as paredes tremer, derrubando as velas nas paredes.

– Seja bem-vindo meu irmão! – exclamou. Sua voz não parecia apenas sua, era como se centenas de demônios falassem ao mesmo tempo.

– Samael... – conseguiu dizer, em meio a sua respiração pesada.

Seu corpo tremia violentamente. Sentia seu coração batendo por toda a sua pele. Seus olhos estavam arregalados, embora não tenha percebido. Sua cabeça e seus ossos latejavam. Suas asas se mexiam aleatoriamente. Sua cauda desenhava círculos no ar.

– Eu estava me perguntando quando Abaddon iria te enviar em uma incursão suicida – disse Samael, sorrindo.

Azazel pode ver silhuetas humanoides aladas em forma de fumaça circulando atrás de Samael.

Essas criaturas pareciam ansiosas, confusas.

– O que, o que... – gaguejou.

– Ah! – exclamou – Está se perguntando quem são eles? – Samael se levantou, lentamente – São almas demoníacas Azazel! Estou absorvendo todas elas enquanto conversamos.

Sua forma tremeluziu, como a de Abaddon. Seus ossos se tornaram aparentes, junto com suas veias e músculos. Seu rosto sorria e se contorcia de dor ao mesmo tempo. Sua expressão mudava constantemente, como se todas as almas dentro dele estivem lutando para tomar o controle ou escapar.

– Porque? – conseguiu dizer.

– Sabe, Abaddon estava certa, tudo o que eu quero é ser o líder daquele lugar que todos vocês chamam de casa. Eu preciso de um exército, então, acho que o inferno é o melhor lugar para se conseguir um, não é mesmo? – fez uma pausa – Todos essas almas que estou absorvendo estão me deixando cada vez mais poderoso! Posso até mudar de forma, como Abaddon. É difícil controla-las, mas vale a pena o esforço.

– Não posso deixar você fazer isso!

– Você não tem como impedir irmão! Você é só um, e eu sou milhares!

– Acontece que ele não está sozinho! – disseram as vozes de Agares e Abalam, em uníssono.

– Típico – disse ele. Azazel chegou à conclusão de que se ele continuasse falando, todo o lugar iria ruir e cair em cima de suas cabeças – Abaddon tem medo de resolver seus próprios problemas e manda vocês dois.

Uma espécie de vórtice se formou na frente deles, emanando uma luz roxa macabra e assustadora. Os três foram puxados para aquele vórtice, porém seus corpos ficaram, apenas as suas almas seguiram. O vórtice se fechou.

Azazel despertou sozinho dentro de uma sala espelhada.

Estava em sua forma humana, porém parecia que ele estava morto e envolto em uma fumaça negra, que estava exalando de seu corpo. Seus dentes haviam se transformado em presas, sua língua parecia a de uma cobra e seus pés haviam se transformado em cascos. Seus olhos estavam totalmente negros e seus cabelos arrepiados, como se tivesse levado uma descarga elétrica fatal, e ele sentia que isso realmente havia acontecido.

A sala onde estava era totalmente espelhada, não apenas as paredes, mas como o teto e o piso também, o que dava a impressão que a sala era infinita. Ele andou em círculos, na medida do possível, pois as suas penas não ajudava. Elas não lhe obedeciam como deveriam, pareciam que outra pessoa as estava comandando.

Chamou por Abalam e Agares, mas não ouve resposta. Inicialmente ele reagiu mal ao fato de que deveria trabalhar junto com eles, porém isso mudou. Ele se sentiu mais seguro perto deles, sem saber exatamente o porquê.

Os espelhos começaram a se movimentar, o que o assustou. Eles tremiam vigorosamente, mas não quebravam e nem rachavam, o que ele achou estranho.

A imagem de Samael apareceu a sua frente e se refletiu em todos os demais espelhos.

– O que você fez comigo? – questionou, revoltado e aterrorizado. A presença de Samael o amedrontava mais que tudo – Onde estou?

– Essas meu irmão, são ótimas perguntas – A voz dele soava como apenas uma, novamente – Eu te transportei para um lugar longe de mim o suficiente para você não me atrapalhar. Quanto à onde você está, isso você deverá descobrir sozinho. Não quero estragar a surpresa.

– O que fez com Abalam e Agares?

– Estão no mesmo lugar que você, mas não garanto que eles tenham sobrevivido a separação de seus corpos.

– Eu juro, eu vou te... – Samael desapareceu, deixando ele sozinho, no meio do nada.

Ele deu alguns passos lentos e vagarosos para a frente. Quando Samael apareceu, lhe deu uma ideia de onde ficava a parede. Tateou o espaço à sua frente e encontrou a superfície do espelho. Procurou uma maçaneta ou algo do gênero, mas teve uma ideia melhor. Deu um soco contra a parede, mas nada aconteceu. Olhou para suas mãos, decepcionado.

Samael havia mandado apenas a sua alma para aquele lugar, o que significava que ele não passava de um fantasma.

Olhou a sua volta. Sentia seu coração batendo rapidamente. Sua mente trabalha a mil. Os pensamentos e as ideias atropelando uns aos outros, não permitindo que ele focasse em nada. Nada além do pânico. Sou claustrofóbico, que irônico.

Tentou organizar seus pensamentos a procura de uma saída. Mas aparentemente não havia nenhuma. Seu eu me concentrar o bastante, talvez eu aprenda a controlar essa forma e consiga usar meus poderes, pensou, esperançoso. Sentou-se e colocou as mãos na cabeça. Tentou focar em sair dali, em como controlar essa forma. Nenhuma das duas coisas funcionou. Alterou seus pensamentos e focou em Angie, que poderia estar correndo perigo.

Lembrou de quando a beijou. Havia sido seu primeiro beijo. Seu rosto começou a vagar em sua mente, procurando um ugar para se fixar. Ela era linda. Não conseguia se perdoar por ter deixado ela ser machucada, torturada. Tudo por culpa dele. O terror sumiu de seu corpo. O amor e a sede de vingança o tomaram por completo.

Sua forma tremeluziu. Ele se levantou lentamente e apoiou-se firmemente no chão.

Os espelhos começaram a tremer novamente. Dessa vez de forma mais rápida e violenta. Rachaduras começaram a surgir. Azazel se concentrou no rosto de Angie ainda mais.

Bateu com um dos cascos no chão violentamente. O vidro se estilhaçou e explodiu em uma nuvem de poeira de vidro, que teria fatiado ele, mas era apenas um fantasma. Agradeceu por isso. Toda a sala desapareceu.

Ele estava agora em uma floresta morta. Não havia nada com vida em seu campo de visão. Tudo o que via era arvores mortas e folhas secas no chão. Olhou para trás e viu a mesma casa onde havia entrado com Abalam e Agares. Estava centralizada na floresta.

Tentou contatar Abaddon. Não conseguiu. Tentou Abalam e Agares, também não. Aparentemente alguns de seus poderes haviam parado de funcionar.

Andou até a casa, desconfiado.