Lovely, dark and deep
7 Interlúdio
Notas iniciais
Mesmo tendo ficado mais uma semana em casa pensando se voltava para 221 ou não, eu finalmente me decidi, mesmo que lá no fundo a resposta tenha sempre sido obvia. Era quatro da manhã quando sai de casa. Mesmo eu não tendo conseguido dormir, arrumei tudo o que eu precisava para sair em menos de duas horas. Era incrível como a excitação havia tomado conta de mim, eu estava tão feliz por finalmente voltar a Baker Street que nada mais importava. Era como sentir o sangue correndo novamente por minhas veias depois de tanto tempo o sentindo estático.
Coloquei todas as minhas coisas no porta-malas do carro e dirigi. Aquilo parecia realmente promissor; ter tudo de volta ao “normal” era algo que eu desejava a muito tempo. Correr por toda Londres resolvendo mistérios fazia meu coração bater de maneira que eu nunca imaginei que iria sentir novamente e estar ao lado de Sherlock mais uma vez fazia todos os músculos do meu corpo esquentarem, era até estranho, mas eu não me importava. Por mais que meu sonho fosse ter uma família e uma vida simples eu não era e nunca fui uma pessoa desse tipo, eu precisava da emoção e do perigo, e eu sinceramente esperava que Sherlock pudesse me dar isso.
Eu mal senti o tempo passar e em um instante eu já estacionava em frente ao 221. Não me dei ao trabalho de descarregar o carro e simplesmente sai do mesmo sacando a chave do meu bolso enquanto respirava fundo. No instante em que abri aporta um sensação de nostalgia encheu meu peito, era como estar de volta ao meu lar, e eu sabia que estava. Ninguém estava acordado então procurei me manter em silencio, no momento eu só precisava sentir aquele lugar novamente, respirar e tocá-lo mais uma vez. Subi as escadas devagar tocando a parede ao meu lado, sentindo a textura do papel de parede apreciando cada passo. Parei em frente a porta e a abri devagar...
Ah, como eu havia sentido falta daquele lugar.
O flat jazia calmo e bagunçado como sempre, as coisas de Sherlock se espalhavam pelo chão e por toda e qualquer superfície; a palavra ‘organização’ realmente nunca esteve presente no dicionário do detetive. Eu inspirei fundo e aspirei todos os odores ali presentes. Tabaco, diversos compostos químicos e o perfume de Sherlock. Tudo aquilo me causou uma sensação estranha que eu não sentia fazia eras, como um arrepio subindo pela espinha. Tudo estava ali, a única coisa que estava ausente era minha poltrona... como sempre.
Eu não havia visto Sherlock, então haviam duas possibilidades: Ele estava dormindo ou ele não estava em casa. De um jeito ou de outro eu aproveitei a ausência do detetive para trazer minhas malas, algo que não demorou muito a ser feito, pois, como dito antes, eu havia trago somente o necessário. Com isso feito eu não tinha mais nada para fazer, então sentei-me na poltrona de Sherlock resolvi esperar até que alguém desse algum sinal de vida.
Sentado ali eu reparei em tudo, me certifiquei que cada detalhe estava ali e revisei. A poltrona de Sherlock era confortável, o cheiro dele estava impregnado no couro, mas não me importei, eu me sentia relaxado de mais e assim meus olhos se fecharam e só deus sabe quanto tempo eu fiquei ali, podem ter sido minutos ou até horas, mas quando acordei o sol já havia nascido completamente e a primeira coisa que eu vi foi Sherlock vestindo um pijama amarrotado e um roupão mal colocado e torto. Os olhos do detetive estavam abertos o mínimo possível, os cachos ora perfeitos estavam completamente bagunçados e uma expressão mista de confusão, raiva e sono tomavam conta do rosto dele. Foi a coisa mais estranha e divertida que eu havia visto em todos esses anos de convivência.
Eu finalmente me sentia em casa...
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