Notas iniciais
Eu sei que demorei bastante, mas, sabe como é, eu mudei esse capítulo um bilhão de vezes, mas gostei do resultado, espero que gostem também ♥ Eu tentei caprichar bastante na descrição, então fiquem de olho e me desculpem se eu apressei de mais as coisas :P

Meus pés doíam.

A cada passo dado meu peso parecia aumentar, aumentando assim a pressão sobre minhas pernas que tentavam dar seu máximo naquela corrida que parecia não ter fim. O ar parecia ralo e escasso e a tão natural e simples tarefa de extrair oxigênio do ar agora exigia uma quantidade absurda de energia. Eu realmente não estava em forma. Sherlock estava a alguns metros de distância, mas naquela situação os poucos metros pareciam quilômetros. Correndo, eu sentia o peso do revolver no bolso do meu casaco, pronto para ser pego. A qualquer momento ele poderia se fazer útil, mas seria difícil acertar aquele maldito estando em movimento, e o mero pensamento do risco de acertar Sherlock me fez descartar a ideia imediatamente.

Era uma madrugada de terça-feira, o vento rugia pelas ruas já vazias da grande Londres. Massivas nuvens negras rolavam lentas e pesadas pelo céu da noite, e o silêncio do sono daquela metrópoles só era quebrado pelos passos incessantes e os ofegos daquela corrida maluca. Depois de três meses em Baker Street aquele havia sido o único caso minimamente desafiador que havíamos conseguido. Parecia grande à primeira vista; cinco assassinatos e uma pessoa desaparecida, mas toda a ação havia se resumido a aquela maratona que parecia não ter fim, correndo atrás de um homem que pelo jeito era um corredor profissional. Era no mínimo frustrante, mas eu finalmente me sentia John Watson novamente.

Ainda correndo eu pude ver como um flash o fim de nossa jornada. O homem pareceu simplesmente tropeçar nas próprias pernas indo ao chão, abraçando o asfalto com brutalidade. Sherlock aumentou a velocidade e se agachou no chão, sacando algemas de dentro do bolso do casaco e alguma maneira imobilizando o homem. Meu peito se encheu de alivio, finalmente havia acabado.

“John... Segure-o” Ele se levantou assim que cheguei. “Irei avisar Lestrade...”

“Certo.” Me ajoelhei no chão Segurando o homem, me certificando de que ele ainda estava com o rosto enterrado no asfalto. “Hum, onde estamos?”

O detetive olhou em volta e suspirou “Shoreditch, eu acho.” Ele pegou o celular e começou a digitar, provavelmente Lestrade.

Aquilo me atingiu como um balde de água fria. “Wow...” foi a única coisa que pude dizer, aquilo era muito longe.

“Ok, Lestrade está vindo, Agora vamos lá...” Ele se agachou novamente olhando para o homem no chão. “Me conte.”

“Contar o que?” O outro falou com a voz fraca, ele estava claramente constrangido, mas ele era corajoso. “Você não é o Sherlock Holmes? Já devia saber de tudo.”

“Oh, eu sei, mas meu amigo aqui gosta de ouvir as confirmações de o quão certo eu estou.”

“Ei!” Eu protestei recebendo um sorriso de Sherlock em troca.

“Certo, certo.” O homem suspirou derrotado. “Eles mataram minha mulher e meu filho... Eu tive que vinga-los! Aqueles homens não eram boa coisa! Eles que deviam estar sendo presos, não eu!

“Mas você matou eles.” Sherlock falou se levantando novamente.

Ele pareceu ofendido “Então deviam me agradecer!”

“Eu sei que você perdeu a família, eu sei como é isso, acredite, mas não era mais fácil chamar a polícia?”

“Então você deveria entender o que eu fiz! Eu os amava!”

“Mas existe uma pequena diferença entre vocês,” Sherlock falou no momento que que eu ouvi as sirenes se aproximando. “Você perdeu a família porque foi um idiota e ele por sorte.”

Eu congelei.

Ouvi as sirenes se aproximarem e os carros de polícia invadindo a rua que antes estava deserta, vi também Lestrade vindo em nossa direção e eu simplesmente deixei tudo com eles sem falar uma palavra, sem cumprimentar ou nada, simplesmente esperei que Sherlock terminasse de falar com o detetive inspetor e saímos em meio à multidão de oficiais, voltando para casa.

Como da última vez em que eu havia batido em Sherlock, minha respiração estava descompassada, meu corpo pesado e eu até podia sentir o sangue fervendo e correndo rápido em minhas veias; tudo isso misturado ao cansaço da corrida de algum tempo atrás só colaborava para que minha raiva aumentasse. Eu mal podia acreditar nas palavras de Sherlock, eu tentava ao máximo pensar que aquilo tinha um outro significado, mas não, não havia mais nada lá.

No momento em que eu fechei a porta do flat eu estourei.

“Mas que porra foi aquela, Sherlock?!” Gritei.

“O que?” O detetive me encarou um pouco confuso.

“Sorte? Eu perdi minha família por sorte?” Ele finalmente pareceu lembrar. “Minha mulher e minha filha morreram e você chama isso de sorte?”

“John... O que eu quis dizer...” Sherlock tentou falar, mas eu o interrompi.

“Eu sempre me perguntei o que se passava nessa sua mente terrivelmente brilhante,” Eu avancei para cima dele. “E agora eu sei... Você não passa de uma máquina, uma aberração” Gritei a última frase com força fechando o punho socando Sherlock com todas as minhas forças.

Ele não me parou, não se moveu, simplesmente fechou os olhos e se deixou atingir, exatamente como da primeira vez. Eu pude registar a face pálida, a expressão serena de Sherlock e os olhos fechados com calma, registrei aquele milésimo de segundo em minha memória e aquilo me provocou uma sensação estranha. Quando eu me arrumei novamente para dar o segundo soco, Sherlock me impediu, sem esforço algum ele simplesmente pegou meu pulso em pleno ar, me parando.

Com um lado do rosto ferido ele me encarou. “Me desculpe.” Ele falou mais baixo do que o normal. “Não foi uma boa coisa a se falar, mas isso não tira a minha razão.”

Tentei continuar o soco, mas Sherlock apertou meu pulso ainda mais.

“Você não passa de uma aberração!” Gritei.

“Pelo menos você está a salvo sem ela.” Ele continuou calmo, sereno e racional. “Você não a conhecia, John, mas eu sim. Eu vi aquele flash drive e eu vi quem Mary realmente era.”

“Você não sabe de nada!”

“Tudo bem, você pode pensar assim se você quiser.” Ele abaixou meu braço sem o soltar, continuando sério. “Sim, foi sorte e sim, eu estou feliz que ela não esteja mais entre nós... Eu só quero que você esteja a salvo, John, e agora você está.”

Por um momento eu considerei as palavras de Sherlock, eu entendi. Mary... Nem Mary ela era, eu nunca a conheci, eu nunca a compreendi, eu simplesmente me satisfazia com um relacionamento raso, frágil, baseado em mentiras e tudo isso por que? Ela poderia ser uma terrorista e eu nunca saberia, eu sempre estive em constante perigo quando estava com ela, mas mesmo assim, mesmo assim eu me importava, eu estava triste porque eu a havia perdido... Mas por que? E foi naquele momento, ali, olhando nos olhos de Sherlock, com a raiva transbordando e enquanto eu tentava compreender o que estava acontecendo ali que eu compreendi algo sobre mim mesmo, como uma luz inundando minha mente... Como eu só havia percebido agora? Ou melhor, como eu só havia aceitado isso agora?

Quando eu senti a respiração do detetive acariciar meu rosto foi quando eu percebi o quão perto estávamos. Sherlock já não segurava meu pulso, segurava minha mão, entrelaçando os dedos nos meus e daí em diante eu mal pude registar o que aconteceu a única coisa que percebi depois daquilo foram os lábios de Sherlock.

Nossos lábios e línguas dançavam lascivas sem pressa ou desespero, as duas salivas se tornavam uma revelando um sabor antigo, maduro, doce e instintivo, como se estivéssemos destinados aquilo desde eras passadas. Nos beijamos como um ato quase cerimonial, silencioso, cheio de sentimentos ocultos e sentimentos que se despiam a luz daquele beijo, revelando, conhecendo e explorando uns aos outros. A necessidade tão reprimida e distante de ter os lábios de Sherlock contra os meus era agora atendida e mesmo que a situação não fosse das melhores, aquele era o melhor beijo que eu já havia experimentado. O braço livre de Sherlock envolveu minha cintura e a minha mão livre simplesmente sentiu a necessidade de se afogar naqueles cachos infinitamente perfeitos e macios do detetive.

Aquilo era simplesmente um sonho.

Mas sonhos acabam.

O ar nos faltou e nossos lábios tiveram que ser separados. Estávamos ofegantes e o silencio da casa era apenas quebrado pelo som incessante de nossas respirações. Olhei para Sherlock em busca de respostas e vi que o mesmo também me encarava; e naquele momento eu soube o que era desespero. O que eu deveria falar? Como deveria agir? Mas antes que eu pudesse tomar qualquer decisão eu vi algo diferente nos olhos do detetive, algo que era compartilhado, um sentimento pesado e massacrante, e que provavelmente devia estar estampado em meu rosto... Medo.

“Sherlock...” Tentei dizer, mas ele não me deixou continuar, apenas saiu de perto de mim, andando em linha reta em direção ao quarto. “Sherlock!” Aumentei o tom, apenas para ser ignorado novamente.

Eu fui atrás dele apertando o passo dando o máximo da minha velocidade, mas sem chegar a correr. Ele continuava a me ignorar. Sherlock entrou e fechou a porta do quarto quando eu ainda estava no meio do caminho, mas eu continuei, cheguei e bati na porta desesperado.

“Sherlock, por favor!” Chamei em vão. “Vamos lá, Vamos lá! Abra a porta droga!”

Mas Sherlock não respondeu, não abriu a porta, não fez nada, apenas me ignorou novamente. Encostei a testa na porta e suspirei cansado, frustrado e repleto de dúvidas encarando a madeira num ato de simplesmente não saber o que fazer, e ali fiquei durante alguns minutos pensando, refletindo. A mente de Sherlock Holmes sempre foi um mistério, e agora ela ficara ainda mais nebulosa para mim.

Notas finais
Hummmm E ai, gostaram? Eu espero que sim ♥ Hoje eu realmente peço por reviews, eu me esforcei tanto nesse capítulo, devo ter reescrito cada parágrafo pelo menos umas quatro vezes! Então por favor, eu sei que vocês conseguem deixar um reviewzinho certo? Bjs do tamanho do mundo, ok? Seus lindos, maravilhosos, wow, amores!!! ♥