Loveless

25 Capítulo 25 - ♫ Adolescence ♪


"Com os cabelos loiros refletindo no espelho,
Nós nos revezávamos para pentear um ao outro
Nós costumávamos ser embalados na mesma cama
Estávamos conectados com as nossas mãos unidas
Agora, um rosto desconhecido se reflete
Com um suave sussurro"


~~~~~X~~~~~X~~~~~

Em uma manhã ensolarada, Gakupo deu uma surpreendente notícia para seu jovem mordomo:


— Aniversário?
— Sim — Gakupo confirmou, sorrindo — Como é meu aniversário, haverá uma festa na mansão hoje à noite, por isso quero que ajude as outras criadas com os preparativos
— Ah... é claro — Len assentiu, ainda um pouco atordoado com a notícia
— Algum problema?
— Não... é só que... bem, me desculpe — o loiro murmurou, de cabeça baixa — Eu não fazia idéia de que era seu aniversário, nem lhe dei os parabéns... sinto muito
— Ah, isso? Não precisa se desculpar, eu devia ter te contado antes afinal — Gakupo respondeu, abanando a mão, em sinal de que não se importava — E tem mais uma coisa: Realmente preciso que você ajude nos preparativos da festa porque ainda faltam muitas coisas pra fazer... mas, essa noite, durante a festa, eu não quero que você ajude as demais criadas a servir a comida, nem nada do tipo. Quero que você participe da festa, como meu convidado
— O que...? — Len ergueu os olhos azuis para ele, ainda mais atordoado — Mas... Mestre Gakupo, isso não é certo. Eu sou seu servo, então não deveria...
— Você não deveria nem ser um servo, pra início de conversa — o Duque o interrompeu — Você é filho de um Baronete afinal, ainda é um nobre, e deveria ser tratado como tal. Mas, seus pais acabaram falecendo durante aquele incêndio, e aconteceram todas aquelas coisas horríveis depois, então esse fato acabou ficando de lado... por causa dessas injustas consequências, você pode até ter acabado se tornando um simples criado, mas eu quero que, pelo menos esta noite, você haja como o herdeiro do falecido Baronete de Jaune que é, e participe da festa
— Mas, Mestre... mesmo o senhor dizendo isso, as pessoas vão estranhar o senhor estar permitindo que um criado haja como convidado — o loiro insistiu, ainda hesitante — As criadas da mansão principalmente, o que elas pensariam se...
— Não me improta o que as criadas vão pensar, basta que eu mande que elas fiquem de boca fechada sobre isso e pronto — Gakupo o interrompeu novamente — Além do mais, você não é apenas meu mordomo, Len. Você é... — ele fez uma pausa, olhando para os lados, para se certificar de que não tinha ninguém por perto antes de continuar — Você é a pessoa que eu amo. E eu faço questão de que a pessoa que eu amo participe da festa e comemore comigo
— Mas, Mestre Gakupo...
— Len, isto é uma ordem — ele o cortou de novo. Não queria ter que recorrer à isso, mas se não conseguia convencer o loiro por bem, então seria por mal — Estou mandando você agir como um convidado esta noite, entendeu? Ou por acaso está querendo contrariar as ordens de seu Mestre??
— N-Não, claro que não — o menor apressou-se a dizer — Eu entendi, Mestre... farei como o senhor deseja e agirei como um convidado esta noite
— Ótimo — Gakupo suspirou, entre aliviado por ele ter finalmente concordado, e irritado por ter precisado recorrer à esse método — Mas isso é só de noite, durante a festa. Por enquanto, ajude as criadas com os preparativos, por favor
— Como quiser, Mestre — Len fez uma breve reverência, e já ia se retirar para a cozinha, quando lembrou-se de uma coisa e parou no meio do caminho, virando-se, e acrescentou — Ah, Mestre Gakupo
— Sim?
— Feliz aniversário — ele desejou sinceramente, esforçando-se para dar um pequeno sorriso, que seu rosto demorou um pouco para conseguir expressar
— Obrigado, Len — o Duque agradeceu, feliz em finalmente ter conseguido ver um sorriso no rosto inexpressivo daquele garoto.

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Com tantos preparativos para fazer, o dia passou depressa, e assim que anoiteceu, Gakupo mandou que Len voltasse ao seu quarto, onde havia um traje à rigor preparado para ele, e que o loiro deveria usar na festa. Depois de alguns minutos tentando se lembrar de como se vestia aquilo, o loiro finalmente conseguiu terminar de se arrumar, e dirigiu-se novamente para o salão principal, onde a festa já havia começado.


O lugar estava mais cheio de gente do que Len imaginara: Haviam todo o tipo de pessoas, homens mulheres, adultos, idosos, e também algumas crianças. Haviam pessoas que Len conhecia, como Miku, Luka (que provavelmente tinha vindo só por obrigação, já que era noiva do aniversariante afinal), Neru, Haku, Piko, e várias outras que ele não conhecia. Depois de alguns minutos procurando, ele avistou Gakupo conversando com Haku e Piko, e pensou em se juntar à eles, mas antes que o fizesse, Miku colocou-se no caminho dele, parecendo surgir do nada, e começou a falar muito depressa sobre várias coisas ao mesmo tempo, e Len não via como se desvencilhar dela sem ser grosseiro, de modo que parou e ficou ouvindo o que a Viscondessa falava, sem entender nem metade de suas frases apressadas e confusas.
Enquanto isso, Haku ainda conversava com o Duque. Conversa que na verdade mais parecia um interrogatório:


— Ehh... então o senhor permitiu que seu mordomo participasse da festa, como um convidado, ao invés de servir os convidados, Vossa Excelência?
— Isso mesmo — ele confirmou, já que não tinha como negar aquilo, enquanto pensava rápido em um bom motivo para ter feito isso sem ter que dizer a verdade
— Que interessante... por que o senhor fez isso? — Haku indagou com ar de curiosidade, observando Len de longe, enquanto ele ainda era abordado pelas exclamações estridentes de Miku. Como o garoto estava há alguns metros atrás de Gakupo, o Duque não podia vê-lo
— Apenas senti compaixão dele — Gakupo respondeu, dando de ombros, fazendo o melhor que podia para parecer despreocupado — Quero dizer, Vossa Alteza sabe o que o garoto passou nos últimos cinco anos. Ele ficou aprisionado, sofreu barbaridades e, naturalmente, não pôde comemorar seu próprio aniversário ou o de qualquer outra pessoa. E, apesar de tudo o que aconteceu, ele ainda é o filho do falecido Baronete de Jaune afinal. Então achei que seria bom pra ele deixá-lo participar de uma festa, pelo menos uma vez
— Nossa, como o senhor é bondoso, Vossa Excelência! Poucos nobres se atreveriam a fazer algo assim! — Piko exclamou ao lado da irmã, com um sorriso radiante e exagerado
— Fico lisonjeado, Príncipe — Gakupo fez uma breve reverência para o mais novo, sem perceber a farsa dele
— Bondoso até demais, eu diria... o senhor sabe que nosso pai, o Rei, ainda possui suspeitas sobre sua pessoa, não sabe, Vossa Excelência? — Haku lhe lembrou, erguendo uma sobrancelha para ele
— Sei perfeitamente disso — Gakupo confirmou, forçando um sorriso para tentar parecer despreocupado — Mas não há motivo para Sua Majestade suspeitar de tal coisa. Eu nunca obriguei o Len a fazer nenhuma das coisas imorais que estão pensando, não foi para isso que eu o comprei
— Nee, Haku-neesan — Piko interrompeu o que quer que a irmã fosse dizer, puxando a barra do vestido dela — Eu estou com fome! Quando vão servir o bolo?
— Lamento, Alteza, isso vai demorar um pouco — Gakupo respondeu pela garota — Porém, há outras coisas que o senhor pode comer antes disso, se desejar
— Então eu vou comer pudim! Te vejo depois, Nee-san! — Piko exclamou, correndo para longe e desaparecendo de vista. A Princesa continuou com sua conversa/interrogatório e, enquanto isso, ao invés de correr até a mesa onde estava o pudim de chocolate, Piko correu até onde estava Len, que finalmente havia conseguido se desvencilhar da Viscondessa.


— Boa noite, Len-kun! — ele exclamou com um sorriso exagerado, dando um tapinha no ombro do loiro e o sobressaltando — Então era verdade que o Duque deixou você ser um convidado hoje? Não acreditei quando me contaram!
— Boa noite, Alteza... — Len cumprimentou, um tanto atordoado, pois o garoto falava quase tão rápido quanto Miku — Sim, é verdade
— Que curioso da parte dele! — Piko exclamou, fingindo surpresa — Por que ele deixou que seu mordomo agisse como um convidado em uma noite tão importante, afinal?
— E-Eu não sei... ele apenas me mandou fazer isso — Len mentiu o melhor que pôde, temendo o rumo daquela conversa
— Foi realmente muita generosidade da parte dele — Piko continuou, como quem fala do tempo — Mas, eu fico me perguntando... por que ele deixaria "você" agir como um convidado e aproveitar a festa, ao invés de alguma outra criada? Se ele queria apenas ser generoso, poderia ter escolhido qualquer outro servo, mas não! Ele escolheu justo você, mesmo sabendo que meu pai têm suspeitas estranhas sobre vocês dois... por que será?
— E-Eu realmente não sei dizer...
— Ora, vamos, o Duque deve ter te dado alguma satisfação... afinal, era você! — Piko insistiu, abrindo um largo sorriso — Pode me contar, prometo não dizer nada à Haku-neesan. Isso fica só entre nós dois — ele acrescentou, mais baixo, dando uma piscadela
— Eu realmente sinto muito, Vossa Alteza, mas já disse que não sei mesmo o motivo.... se o senhor está assim tão curioso, então seria melhor perguntar diretamente ao meu Mestre — o loiro respondeu, sentindo algo desagradável que ele não sabia como definir, mas que era culpa, por ter empurrado isso para Gakupo resolver. Piko fez uma cara séria de repente, disfarçando o melhor que podia a irritação que sentiu por ter falhado em seu interrogatório, mas logo forçou outro falso e exagerado sorriso
— Está bem, farei isso então! Te vejo mais tarde, Len-kun! — ele deu meia-volta e saiu correndo, desaparecendo no meio da multidão.


Depois que o jovem Príncipe sumiu de vista, Len se lembrou de que estava indo até onde Gakupo e Haku estavam, mas havia perdido os dois de vista. Andou meio sem rumo pelo salão, fingindo não perceber os olhares curiosos que os demais convidados lançavam sobre ele, até que uma voz, que ele não ouvia há muito tempo, porém muito familiar, chamou seu nome:


— Len?!


Ele virou-se lentamente para trás, confirmando suas suspeitas. Um rosto completamente idêntico ao seu, porém pertencendo à uma menina, o encarava com espanto e perplexidade evidentes refletidos em seus olhos azuis arregalados. Era sua irmã gêmea, Kagamine Rin, que ele não via já tinha cinco anos.


— L-Len... é você mesmo, não é?? — Ri indagou, ainda perplexa — É claro que é! Seu rosto continua igual ao meu, mesmo depois de todos esses anos... m-mesmo depois de... d-de aquilo ter... — a voz dela começou a falhar, e a garota recuou um passo, temendo a reação do irmão em vê-la
— Rin-oneechan — Len pronunciou o nome dela, com uma sensação estranha crescendo em seu peito — O que faz aqui?
— Eu é que pergunto! — a loira exclamou — Não era... pra você estar aqui hoje... — ela recuou outro passo, e estava prestes a sair correndo e fugir pra longe, quando sentiu uma mão pousar em seu ombro, detendo-a. Virou a cabeça para trás, e viu que ela pertencia à Gakupo
— Aonde pensa que vai? — ele indagou para a garota
— V-Vossa Excelência... — Rin murmurou e, desvencilhou-se com dificuldade da mão do mais velho, virando-se de frente para ele — O senhor me disse que o Len não estaria trabalhando na festa hoje! Eu disse que não queria vir, mas o senhor me garantiu que ele não estaria trabalhando aqui hoje, então por que....?!
— Eu não menti pra você, Rin-chan — Gakupo à interrompeu — O Len de fato não está trabalhando esta noite. Ele é meu convidado, assim como a senhorita
— M-Mas isso não é justo... eu disse que não queria vir porque não queria encontrá-lo, mas mesmo assim... o senhor me enganou!! — ela exclamou, apontando acusadoramente para o Duque
— Eu não te enganei. Foi você quem interpretou mal os fatos e não considerou todas as possibilidades. Eu disse que "o Len não estaria trabalhando aqui hoje", mas nunca falei que "ele não estaria presente na festa" — Gakupo respondeu calmamente, e Rin não pôde encontrar argumentos para discordar daquilo — Agora, escutem bem: Vocês dois são irmãos, que não se vêem há cinco anos. Eu sei que cada um possui suas razões para não querer encontrar um com o outro, mas isso não está certo, principalmente depois de tudo o que aconteceu. Vocês precisam conversar e resolver de vez essa história
— Isso é uma ordem? — Len indagou, também tentando adiar o máximo aquela conversa
— Se isso te fará conversar decentemente com a sua irmã, então, sim, Len, é uma ordem — o Duque respondeu com a voz firme — Mas creio que será melhor fazerem isso em outro lugar, onde ninguém os ouça
— Certo... como quiser, Mestre — Len disse por fim, em um murmúrio inexpressivo — Por favor, venha por aqui, Rin-oneechan — ele falou para a garota e saiu caminhando lentamente para fora do salão. Rin ainda hesitou mais um pouco, porém, como logo que percebeu que Gakupo estava disposto a obrigá-la a ter aquela conversa de qualquer jeito, acabou se rendendo e seguiu o irmão em silêncio.


Len à conduziu até o jardim dos fundos, onde mal podia-se ouvir os murmúrios das conversas das pessoas dentro do salão principal, e também onde mais ninguém poderia ouví-los. Len parou de andar, e se virou de frente para ela, sem saber o que dizer. Ficou pensando em como iniciar aquela conversa, quando de repente Rin atirou seus braços ao redor do pescoço dele e o abraçou, começando a falar antes dele:


— Ah, Len, eu senti tanto a sua falta, tanto! Mesmo depois que você veio viver na mansão de Sua Excelência, eu ainda hesitava em vir te visitar, mas... ainda assim, eu senti tantas saudades suas!! — ela exclamava com a voz esganiçada e tremida, e Len percebeu que ela estava chorando — E-Eu sinto muito, Len... sinto muito pelo que aconteceu, de verdade!!
— Você não tem porque se desculpar, Onee-chan... não foi culpa sua afinal — Len respondeu, com uma estranha e calorosa sensação preenchendo seu peito pouco à pouco. Também tinha sentido falta de Rin, e também desejava poder revê-la, e abraçar a irmã, como ela fazia agora, mas algo dentro dele ainda lhe dizia que aquilo estava errado. Depois de tudo o que aconteceu, ele já não era mais o mesmo afinal... e Rin era uma garota tão gentil e bondosa, ele não queria ser o responsável por corrompê-la. Respirou fundo e, lutando contra os braços da garota ao redor dele, e também contra aquela estranha sensação que parecia desejar que aquele abraço nunca terminasse, ele conseguiu afastá-la dele — Mas, infelizmente, eu não acho que seja uma boa ideia você me abraçar, ou tocar em mim. Como você mesma disse, aconteceu muita coisa... muita mesmo... eu já não sou mais o mesmo "Len" que se separou de você cinco anos atrás. Eu me tornei sujo e impuro... e não quero que você acabe ficando corrompida também... por isso, é melhor você não fazer mais isso
— Len... o que está dizendo?! — ela exclamou atônita, sem conseguir acreditar no que ouvia — Como assim, você se tornou "impuro"... como assim, você não quer me corromper??
— Bem, é que... — ele murmurou lentamente, desviando os olhos dela, sem saber como falar sobre aquilo — D-Depois que trocamos de lugar e nos separamos... as c-coisas que fui obrigado a fazer... estavam muito longe de serem puras. Na verdade, acabou com qualquer resquício de pureza ou inocência que pudesse existir em mim. Então, eu não quero... que aconteça o mesmo com você. Tenho medo de que, se você me tocar, ou me abraçar... acabe sendo corrompida também.


Rin não conseguia acreditar nas palavras que saíam da boca de seu irmão. O Len que ela conhecia jamais diria uma coisa dessas. Pelo contrário, era sempre muito carinhoso, e adorava quando ela o abraçava. Mas o garoto que estava diante dela agora, ainda podia ter o rosto idêntico ao seu, mas já não era mais o irmão do qual ela se separou. Aquele rosto, igual ao seu próprio, já não sorria mais como antes, nem corava com facilidade... estava completamente desprovido de qualquer expressão. Era um rosto do qual ela se lembrava, porém, agora completamente desconhecido.


— Você não é o Kagamine Len que eu conheci — ela disse por fim, muito séria, embora ainda houvessem lágrimas rolando por sua face — Você não é o irmão que eu deixei pra trás... o que aconteceu com o meu irmão?! O que... o que aconteceu com você, Len??? — ela o abraçou mais uma vez, com mais força do que antes, e chorando ainda com mais vontade. Len tentou se desvencilhar dela de novo, mas a garota agarrava suas roupas com tanta força que ele não conseguiu fazer isso — Será que, além de tudo, você também se tornou um idiota?! Será que essa sua cabeça ficou tão estragada à ponto de você não perceber que a culpa disso tudo é minha, seu burro?! Era eu quem deveria estar lá! Era eu... q-que deveria ter ido para a casa daquele Conde horrível, e não você... eu é quem deveria ter sofrido todas aquelas coisas, e ter sido "corrompida", como você diz... então, por que você está se culpando?!
— Não foi culpa sua, Onee-chan — Len repetiu, resistindo o melhor que podia ao impulso de corresponder ao abraço dela — Você não é a culpada pelas intenções ruins que o Conde tinha ao querer se apossar de você. E eu fiz apenas o meu dever como seu irmão, e te protegi de uma coisa ruim... foi só isso
— Mas eu sou a mais velha! — Rin insistiu, esganiçando-se — Mesmo sendo gêmeos, eu nasci primeiro... era eu quem deveria proteger o meu irmão caçula!
— Mas eu sou um garoto — Len rebateu — Sou o único homem restante da família Kagamine. Não importa a minha idade, era meu dever te proteger
— Mas isso ainda é injusto... eu sinto muito, Len — ela desculpou-se outra vez — Sofri todos os dias depois daquilo, pensando em como você estaria, e no que estava passando nas mãos daquele homem... claro que o seu sofrimento nem se compara ao meu, mas, ainda assim... eu realmente sinto muito, você deve estar me odiando agora... e com razão, é claro, depois de ter sofrido todas aquelas coisas no meu lugar...
— Eu não te odeio, Onee-chan — o garoto a interrompeu, e finalmente desistiu de tentar resistir ao ouvir as palavras da irmã, e a abraçou de volta — Também não sofri tanto quanto você pensa. Quero dizer, meus dois primeiros anos naquela casa foram realmente um inferno, mas... depois daquilo, eu já não sentia mais nada. Joguei fora meu coração humano, e me tornei desprovido de qualquer tipo de sentimento, bom ou ruim. Por isso, não sofri mais, porque não era mais capaz de sentir dor ou sofrimento... e também não sou capaz de odiar você, porque meu coração está completamente vazio agora. Então, não precisa se culpar
— Você disse... que se livrou dos seus sentimentos? — ela repetiu, soltando-o apenas o suficiente para escará-lo, seu rosto ainda repleto de lágrimas, e agora também uma certa confusão — Como isso é possível?!
— Depois que uma pessoa passa por certas coisas... que se tornam tão insuportáveis, mas que a pessoa sabe que precisa fazer, não importa como... ela consegue se tornar capaz de fazer isso — Len explicou, ainda que Rin continuasse sem entender
— Ahn... certo... — ela murmurou, resolvendo não insistir naquela pergunta, pois não queria parecer uma tola — Mas, então... você realmente não me odeia?
— Não mesmo — ele respondeu — Eu não teria feito o que eu fiz por uma pessoa que eu odiasse afinal, não é?
— É... a-acho que tem razão — ela enfim o soltou, e enxugou as lágrimas com as costas da mão, esboçando um pequeno sorriso envergonhado
— E você... também não se importa? — Len indagou de repente
— Hein? — ela falou, voltando a ficar confusa — Me importar com o que??
— Com o fato... de que eu me tornei uma pessoa corrompida — ele murmurou, baixando os olhos — Você me abraçou por um longo tempo agora... desse jeito, pode acabar se sujando, e se tornando impura também
— Não diga tolices, é claro que não me importo! Isso aconteceu com você por minha causa afinal... seria horrível de minha parte se eu me incomodasse com uma coisa dessas — ela respondeu, e quando viu que Len estava prestes a retrucar, acrescentou — Além do mais... "corrupção" e "impureza" não são uma coisa que se "peque" apenas tocando ou abraçando uma pessoa, não fale como se isso fosse uma doença! Eu até concordo que você está muito diferente da última vez em que nos vimos, mas... não acho que você tenha se tornado impuro, de forma alguma. Mesmo você dizendo que seu coração está oco agora, você continuou me protegendo esses anos todos, e poderia ter desistido e se livrado do Conde há qualquer momento... mas você não fez isso. Por isso, eu acho que, ao invés de impureza, você possui é muita bodnade e generosidade dentro de si
— Rin-oneechan... — ele murmurou, sem saber o que dizer. Ainda se considerava uma pessoa muito corrompida, mas não tinha argumentos para rebater o que ela disse sobre "corrupção" e "impureza" não serem uma coisa que se peque apenas tocando ou abraçando uma pessoa, como se fossem fosse uma "doença" — Obrigado
— Não. Eu é quem deveria ter dito isso, há muito tempo, Len — ela respondeu, encarando-o emocionada, com novas lágriams brotando nos cantos dos olhos — Obrigada por ter me protegido nesses cinco anos... muito obrigada, de verdade
— De nada... eu acho — ele respondeu, sem saber o que dizer. Sem que ele percebesse, um pequeno sorriso brotou em seus lábios e, por mais que ainda considerasse seu coração como estando oco, não podia negar que a sensação calorosa e agradável que preenchia todo seu ser agora era uma imensa felicidade em poder conversar com sua irmã outra vez.

Notas finais
Olá, pessoas~ Pois é, depois de benditos longos 25 capítulos, FINALMENTE esses dois se reencontraram! Podem comemorar! õ/ //ounão Agora, jáa té iamgino o que a maioria vai dizer... foi uma tremenda burrice da parte do Gakupo deixar o Len participar como convidadod a festa, sim, concordo que foi idiotice, mas, como ele mesmo disse, ele queria que sua pessoa amada participasse da festa, sem falar que o Len ainda é filho de um nobre afinal... e isso tbm era pra ele poder reencontrar a Rin, nee...agora só resta saber se esse sacrifício valeu à pena... **Momento propaganda on** Cada a ver com Loveless o ucom Vocaloid, mas, caso alguém aí conheça e goste de Shugo Chara, eu comecei uma nova fic sobre esse anime, então ficaria imensamente feliz se pudesse ver seus comentários lá também! *olhinhos brilhando* Aqui o link: http://fanfiction.com.br/historia/493854/Watashi_wo_Mite/ **Momento propaganda off* Deixem reviews por favor! A cada review que você não deixa, um autor morre. Ajude a salvar os autores de fanfics comentando nas histórias! Não deixe os autores morrerem!! Kissus^^