Loveless
26 Capítulo 26 - ♫ Starduster ♪
"Temendo que a pessoa mais preciosa para mim não me ame
Peguei um vôo sozinho para as estrelas a 10 mil anos de distância
Respirando a frieza do espaço vazio
Antes de meus sentidos começarem a ficar dormentes
A este corpo, dê-lhe um pouco de seu amor (seu amor...)
O seu amor, agora. O seu amor, dê a mim
O seu amor, por favor. O seu amor..."
~~~~~X~~~~~X~~~~~
No final da festa, Rin e Len conseguiram se entender de alguma forma, e no fim a garota acabou agradecendo ao Duque por tê-la feito conversar com o irmão. Gakupo lhe disse que ela poderia vir visitar Len sempre que quisesse, mas que ainda não poderia levar o garoto para viver com ela, pois Rin ainda não tinha arranjado todo o dinheiro que precisaria para comprá-lo de volta (esta última parte, em particular, é claro, para que Len não percebesse). A festa durou até tarde e, na manhã seguinte, Gakupo tomou uma decisão, da qual provavelmente se arrependeria mais tarde, porém ainda sentia que aquilo precisava ser feito o quanto antes. Chamou Len até seu escritório e, depois que o loiro entrou e trancou a porta atrás de si, ele falou:
— E então? Conseguiu se entender com a Rin-chan ontem?
— Ah... acho que sim — Len respondeu, um pouco surpreso, pois não esperava que a conversa fosse sobre Rin — Foi uma conversa estranha... e por algum motivo, Rin-oneechan se sentia culpada pelo que aconteceu comigo... mas, acho que conseguimos resolver isso no final
— Que bom... fico feliz que tenha conseguido conversar com sua irmã de novo, Len. Ela é a única parente que lhe resta afinal, você devia estar se sentindo solitário ficando longe dela por tanto tempo
— Não me lembro de como é se sentir solitário... mas, eu realmente desejava vê-la novamente — o menor respondeu
— Agora que se entenderam, você pode vê-la sempre que quiser, eu não me importo. Embora eu ache que seja melhor esperar que ela venha te visitar, já que você não sabe andar pela cidade sozinho — Gakupo acrescentou, lembrando da vez em que o mandou ir fazer compras e que o garoto acabou se perdendo. Respirou fundo em seguida, e continuou — Mas, não era exatamente isso que eu queria falar. Você se lembra... de que, quando chegou aqui, você me perguntou várias vezes o motivo de eu tê-lo comprado no leilão se não era para... bem... para a mesma finalidade que o Conde te queria?
— Claro que me lembro. Ainda me pergunto isso até hoje, na verdade
— Bem, agora que você e a Rin-chan se entenderam, acho que posso te contar... embora ela provavelmente vá ficar irritada comigo depois... — ele fez uma pequena pausa, tentando imaginar a reação de Rin se ele contasse isso para Len sem falar com ela antes — Bem, a verdade é que, um dia antes do leilão, a Rin-chan veio me visitar. Foi ela quem me contou que você seria leiloado, senão eu nem sequer saberia disso... e me pediu para que eu comprasse você por ela. Rin-chan havia feito o mesmo pedido para vários outros nobres antes de vir falar comigo, na verdade... ela pediu isso para o pai adotivo dela, para a Miku-san, e até para a Luka... mas, nenhum deles quiseram comprar você, ou não possuíam dinheiro suficiente para isso. Eu não gostei da ideia à princípio... mas, a Rin-chan insistiu tanto para que eu te comprasse... sem falar que a Miku-san, que estava presente nessa ocasião, fazia tanto escândalo que eu faria qualquer coisa para fazê-la calar a boca... então eu acabei aceitando o pedido dela. Comprei você, e fiz um trato com a Rin-chan: De que, quando ela juntasse dinheiro suficiente para me pagar por essa compra, neste caso, o valor de um milhão de yenes... ela me pagaria a quantia em questão e compraria você de volta, pra que vocês pudessem viver juntos novamente. Assim, ela poderia juntar o dinheiro com calma e, enquanto isso, você viveria aqui em casa, trabalhando pra mim. Esse foi o motivo de eu ter te comprado, porque sua irmã estava preocupada que você fosse parar nas mãos de uma pessoa de mau-caráter como o Conde Kaito, e me pediu pra tomar conta de você enquanto isso
— Então, isso significa... que, quando Rin-oneechan conseguir juntar um milhão de yenes... eu não poderei mais viver junto com o senhor e terei que ir embora? — por algum motivo, aquela foi a única coisa que Len conseguiu concluir depois de ouvir aquela explicação. E, embora ele não soubesse o porquê, aquela ideia não lhe agradava nem um pouco
— Ahn... b-bem, sim... — Gakupo desviou os olhos dele, surpreso que o garoto tivesse chegado àquela conclusão — Confesso que não gosto nada dessa ideia... se dependesse de mim, Rin-chan não precisaria me pagar nada e eu continuaria vivendo com você pra sempre, já que a quantia que gastei no leilão não me faz muita falta realmente... mas, infelizmente, eu já tinha feito um acordo diferente com ela primeiro. E jamais poderia imaginar... que eu acabaria me apaixonando por você
— Eu sinto muito, Mestre — Len falou de repente, e Gakupo voltou a encará-lo, surpreso, sem entender o motivo do pedido de desculpas dele, até que o loiro continuou — Não fazia idéia de que minha irmã estava envolvida nessa história... eu não deveria ter duvidado do caráter do senhor afinal — ele falou, arrependido, baixando os olhos, e sentindo um estranho peso em seu peito — O senhor realmente nunca tentou me obrigar a fazer nada constrangedor... e até hesitava em fazer certas coisas, mesmo depois de ter me contado sobre como se sentia à meu respeito... eu realmente sinto muito por ter lhe julgado tão mal
— Ei, não precisa se desculpar por causa disso! — o Duque apressou-se à dizer, embora no fundo estivesse feliz em ouvir isso, já que sempre lhe incomodava terrivelmente a possibilidade de Len estar pensando que ele estava apenas querendo se aproveitar de seu corpo — Você não tem culpa de pensar assim afinal... depois de tudo o que você passou, é até natural que pense dessa forma.
Len ergueu um pouco a cabeça e, vendo que Gakupo sorria para ele e não parecia nem um pouco zangado, sentiu o peso em seu peito esvair-se feito fumaça. De repente, teve uma súbita ideia e, respirando fundo, caminhou até o outro lado da mesa, onde Gakupo estava, curvou-se um pouco (já que Gakupo estava sentado), segurou o rosto do Duque com as duas mãos, e o beijou.
Gakupo arregalou os olhos arroxeados, em completo estado de choque. A única vez que se lembrava do garoto ter tomado uma iniciativa dessas por conta própria foi quando ele entrou em seu quarto, pensando que Gakupo estava dormindo. Sentiu os lábios macios do loiro pressionando os seus com um pouco mais de força, aparentemente numa tentativa de aprofundar o beijo, mas ele não parecia saber como fazer isso, já que não estava acostumado a tomar iniciativas assim afinal. Pelo contrário, era sempre a outra pessoa quem fazia isso com ele, e o loiro apenas se deixava levar, então Gakupo não podia culpá-lo por isso. Com um ínfimo sorriso em seu lábios, Gakupo fechou os olhos e tocou suavemente os lábios dele com a ponta da língua, ao que Len correspondeu imediatamente, abrindo-a um pouco mais para que o Duque intensificasse o contato entre eles. Sentiu as mãos do mais velho envolverem fortemente sua cintura, uma percorrendo seu corpo e lhe acariciando por cima da roupa, enquanto a outra o trazia para mais perto, tanto que, quando Len percebeu, já estava sentado no colo dele, com suas pernas se entrelaçando com as do Duque.
Enquanto aprofundava cada vez mais o beijo, a mão que Gakupo antes deslizava pelo corpo dele tinha voltado até sua cintura, apenas para levantar sua camisa e poder tocá-lo diretamente na pele. Len podia sentir a mão dele deslizando por sua pele agora, parecendo querer poder tocar cada pedacinho de seu ser, e sentiu um forte arrepio percorrer sua espinha, enquanto seu coração acelerava tanto que parecia querer saltar pela boca. Não se lembrava de jamais ter se sentido assim antes, isso acontecia apenas quando estava com Gakupo... ele ainda se perguntava o porquê disso e, embora estivesse demorando mais do que gostaria para obter a resposta, tinha a sensação de que, se continuasse fazendo aquelas coisas com o Duque, cedo ou tarde acabaria descobrindo a causa desse curioso efeito que o homem provocava nele. Enquanto pensava nisso, não percebeu que a mão de Gakupo, que, antes acariciava suas costas, tinha agora deslizado até seu pescoço e, sem que ele percebesse, o Duque já havia desamarrado sua gravata e desabotoado sua camisa, deixando seu peito e abdômen expostos, e agora deslizava as duas mãos por eles. Len surpreendeu-se por não ter percebido isso antes, e sentiu-se um tanto embaraçado também. Não era a primeira vez que aquilo acontecia com ele... era apenas a primeira vez que "Gakupo" fazia isso. Já estava acostumado em se encontrar nesse tipo de situação, então não entendia o motivo do embaraço... será que isso mudava apenas por que era com uma pessoa diferente? É, isso explicaria bem a causa de seu constrangimento... mas Len ainda tinha a sensação de que estava deixando alguma coisa importante escapar.
Enquanto ainda tentava descobrir a causa de todas essas curiosas e novas sensações (e boas também, pois Len tinha que admitir que não tinha achado aquilo nada ruim dessa vez, por mais embaraçoso que fosse admitir isso), o loiro surpreendeu-se ao sentir Gakupo separando seus lábios dos dele, e se preocupou, pensando se teria de alguma forma deixado transparecer todo esse seu conflito interior. Aproveitou o encerramento do beijo para repor o ar em seus pulmões, e quando tinha conseguido recuperar fôlego o suficiente para perguntar sobre isso, não pôde fazê-lo, pois sentiu Gakupo cravar a boca em seu pescoço e alternar entre lambidas e pequenos beijos, de modo que Len deixou escapar um baixo e longo gemido, esquecendo-se completamente do que ia perguntar. O loiro sentiu seu rosto afoguear-se, tanto que podia jurar que poderia fritar um ovo em sua testa agora. Ainda conseguia reconhecer isso como uma sensação de vergonha imensa e, no entanto, não desejou nem um pouquinho que Gakupo parasse com aquilo. Pelo contrário, ou ele estava ficando louco, ou tinha sentido um desejo enorme de implorar que o Duque continuasse e intensificasse ainda mais os toques, uma parte dele levemente curiosa para saber até aonde Gakupo iria avançar. Claro que o Duque não sabia do rumo dos pensamentos dele, mas ainda assim o fez, alternando agora entre lambidas, beijos, e pequenas mordidas, seus lábios deslizando até o lóbulo da orelha do menor e mordiscando-a, enquanto suas mãos percorriam velozmente o peito esguio dele.
Len já estava prestes a deixar escapar outro gemido, mas foi interrompido quando Gakupo deslizou os lábios de volta para o rosto dele, voltando a selá-los nos do loiro. Sem perceber, o mais novo havia deslizado suas mãos até as costas do Duque, uma abraçando-lhe com toda força que tinha, como em uma tentativa de aproximar ainda mais seus corpos (embora isso dificilmente fosse possível, pois já estavam colados um no outro), enquanto que enroscava distraidamente os dedos da outra mão nos longos cabelos do mais velho. Gakupo aprofundou ainda mais o beijo, sua língua percorrendo cada canto do interior da cavidade bucal do loiro, enquanto deslizava uma das mãos pelo abdômen dele, descendo cada vez mais, até seus dedos se encontrarem com a barra da calça ainda fechada do mais novo, seriamente tentado em abrí-la. No entanto, não importava o quanto ele desejasse fazer aquilo, sabia que não poderia fazê-lo com alguém que não correspondia completamente aos seus sentimentos. Len ainda estava recuperando lentamente seu coração humano e, até que fosse capaz de recuperar e compreender seus próprios sentimentos, e se eles correspondessem aos do Duque, Gakupo não poderia fazer aquilo com ele, não importa o quanto desejasse. Conformou-se então em intensificar ainda mais o beijo entre eles, tanto até que Len sentiu o mais velho enfiando a língua em sua garganta. Gakupo ficou levemente surpreso por ele não ter se engasgado com isso ou coisa parecida, pois ainda pensava se não estaria indo longe demais, porém é claro que Len já estava acostumado com esse tipo de coisas, por isso aquilo não lhe incomodou nem um pouco. Na verdade, pela primeira vez, Len conseguia aproveitar inteiramente aquela deliciosa sensação.
Vários minutos depois, Gakupo enfim separou seus lábios dos dele, e Len esperou alguns instantes, para ver se ele não iria beijar seu pescoço outra vez ou coisa parecida, mas como o Duque parecia estar apenas repondo o fôlego perdido após o beijo tão demorado, o loiro levantou-se lentamente do colo dele e, enquanto também tentava puxar um pouco de ar para dentro de seus pulmões, ouviu o mais velho perguntar:
— Por que você fez isso? — ele indagou, ainda arfando, e erguendo o rosto para encarar o menor nos olhos — Quero dizer, sei que fui eu quem fiz a coisa toda depois, mas, ainda assim, foi você quem tomou a iniciativa... por que você me beijou?
— É que... bem, ontem foi seu aniversário, e eu percebi que não lhe dei nenhum presente. Na verdade, não teria como eu lhe arranjar um presente, nem saberia o que dar ao senhor, mas... o senhor disse que gosta de mim, então... achei que o senhor gostaria disso. Por favor considere isso como um presente de aniversário atrasado — Len respondeu, torcendo as mãos, um tanto encabulado — Na verdade, eu queria ter feito isso ontem, no dia do seu aniversário, mas... como fiquei ocupado o dia todo com os preparativos para a festa, e durante a noite, reencontrei minha irmã sem nem esperar por aquilo, acabei não podendo fazê-lo no dia certo... então, estou fazendo isso hoje.
Gakupo piscou os olhos, bastante surpreso ao ouvir aquilo, porém, quando se recuperou do choque, sorriu e disse:
— Obrigado, Len... você estava certo, esse é realmente o melhor presente que você poderia me dar. E, de todos os presentes que ganhei de aniversário, esse com certeza foi o melhor de todos — o Duque respondeu, ainda sorrindo, e Len arregalou levemente os olhos, meio surpreso e sem entender como aquilo poderia ser melhor do que todos os outros maravilhosos e caros presentes que Gakupo tinha ganhado — Mas... eu acho que gostaria ainda mais desse presente se você sentisse o mesmo por mim — Gakupo acrescentou, baixando olhos, seu sorriso se tornando um pouco triste
— Eu... gostaria de poder dizer que sinto o mesmo pelo senhor. Gostaria muito mesmo — ele respondeu, sinceramente, baixando os olhos — Mas... embora não haja como negar que meus sentimentos estão lentamente retornando ao meu coração, que antes permanecia vazio, eu... ainda não sei como interpretá-los muito bem... não sei como definir as coisas que eu sinto, sei apenas dizer se é bom ou ruim. Posso dizer com certeza que... as c-coisas que acabamos de f-fazer... não foram nada ruins, ao contrário de como era antes de eu vir morar em sua casa. Pelo contrário, foram muito... boas, eu acho... mas eu não tenho uma definição melhor do que essa agora. Me desculpe, Mestre... mas, até conseguir entender o que eu sinto, não poderei lhe dar essa afirmação
— Então, pode me fazer um favor? — Gakupo perguntou, e Len voltou a erguer os olhos para ele — Faça o que eu te pedi no outro dia, e pare de me chamar de "Mestre". Mesmo que você não me ame ainda, me incomoda ouvir a pessoa que eu amo me chamando de "Mestre", como se fosse apenas meu criado... você não é só meu empregado, Len, também é a pessoa de quem eu gosto. Então, me chame pelo meu nome
— Mas... se eu começar a chamá-lo assim de repente, mas pessoas vão estranhar... — Len começou a dizer, mas foi interrompido
— Então me chame assim apenas enquanto estivermos à sós. Continue me chamando de "Mestre" na presença de outras pessoas, mas... pelo menos quando estivermos sozinhos, me chame pelo meu nome
— Isso é uma ordem?
— Não — Gakupo negou, começando a se cansar daquilo — É um pedido. Já disse que não quero obrigá-lo a fazer nada que você não queira... bem, o caso de ontem foi uma exceção, porque já estava mais do que na hora de você voltar a falar com a Rin-chan... porém, se isso te incomoda de alguma forma, não precisa fazê-lo. Mas, se você não se importar... pode fazer isso por mim?
— É claro que posso... G-Gakupo... san — Len respondeu após alguns segundos, estranhando as palavras que saíram de sua boca. Era mais fácil chamá-lo apenas de "Mestre", e apenas fazer o que lhe era ordenado... porém, a pronúncia do nome de Gakupo sem a palavra "Mestre" lhe causava uma estranha e desconhecida sensação. Algo que lembrava intimidade, ou proximidade com uma pessoa importante, porém diferente dos sentimentos que ele se lembrava de ter por seus falecidos pais, ou pela sua irmã. Uma sensação nova e agradável que ele não sabia como definir, mas que sabia que tinha gostado. Quando viu o enorme sorriso no rosto de Gakupo ao ouvir aquilo, porém, a definição exata para isso não parecia importar mais. Gakupo estava feliz, e ele também, então isso era suficiente, pelo menos por enquanto
— Obrigado, Len. Significa muito pra mim... de verdade — o mais velho levantou-se e o abraçou com força, porém, ao mesmo tempo, muito carinhosamente. Len o abraçou de volta e começou a se perguntar se Gakupo recomeçaria a beijá-lo outra vez, intimamente desejando isso sem nem perceber, quando ouviram alguém batendo na porta ao longe, e Gakupo separou-se bruscamente dele, com medo de alguém adentrar a sala e vê-los assim, esquecendo-se completamente de que a porta estava trancada
— Parece que o senh... q-quero dizer... que v-você tem visitas, Gakupo-san — Len falou, e o Duque suspirou aliviado por quem quer que fosse que os tivesse interrompido ainda estava na entrada da mansão, e não do outro lado da porta do escritório — É melhor eu ir atender
— Sim... ah, espere! — Gakupo chamou quando o loiro se virou para sair da sala — É melhor você... ahn... f-fechar a camisa primeiro — ele lembrou, e Len olhou para baixo, um tanto surpreso em ver que seu peito e abdômen continuavam completamente expostos. Estava tão acostumado a estar quase o tempo todo semi-despido, ou completamente despido, que já nem reparava mais nisso. Fechou apressadamente os botões da camisa e, quando ia recolocar a gravata, Gakupo acrescentou — Ah, e... bem... me desculpe por isso — ele apontou meio sem jeito para o pescoço do garoto, onde ele notou que agora havia uma marca avermelhada onde antes Gakupo o beijara — Acho que acabei me empolgando demais... desculpe
— Não tem problema. As roupas cobrem perfeitamente a marca, vê? — o mais novo respondeu calmamente quando terminou de colocar a gravata e de fechar a camisa, até o último botão, que se encontrava na gola, de modo que realmente escondia muito bem qualquer evidência do que eles tinham feito. Ele também havia notado que Gakupo tinha ido bem mais longe do que de costume, e que, aparentemente, desejara ir ainda mais além, mas se conteve no último instante, e se perguntava o porquê de ele ter refreado seus desejos tão de repente
— Não, não é bem esse o problema.. bem, é claro que seria um problema se alguém visse, mas... o que eu quero dizer é... — Gakupo coçou o rosto sem jeito enquanto murmurava, sem saber como completar a frase. Tinha pensado se Len não teria se incomodado ou se zangado por ele ter ido tão longe à ponto de marcar seu corpo (tinha se esquecido completamente de que o loiro ainda não era capaz de definir seus próprios sentimentos, que dirá sentir-se zangado com alguém), mas, alguns instantes depois, acabou se lembrando de que o mais novo estava em um estado muito pior quando chegou à casa dele, e acabou concluindo que Len já devia estar acostumado com coisas como aquilo. Suspirou pesadamente, frustrado, tanto pelo loiro ter passado por tantas coisas horríveis à ponto de não se importar mais com esse tipo de coisa, quanto por ele não ter entendido o que Gakupo queria dizer — Deixa pra lá. É melhor atender logo a porta — ele concluiu, por fim, ao ouvir baterem novamente na porta ao longe
— Como quiser — Len respondeu prontamente, embora tivesse ficado um pouco curioso para saber o que raios Gakupo queria dizer afinal. Fez uma breve reverência e se retirou, fechando a porta atrás de si e se dirigindo até a entrada da mansão.
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