Loveless

16 Capítulo 16 - ♫ Loveless××× ♪


"Meus pequenos sonhos e desejos
Eu esconderei secretamente em meu coração
Mais, mais
Mesmo querendo dizê-los à você.
Eu protegerei você até o fim do mundo
Certamente, certamente
Você será feliz."

~~~~~X~~~~~X~~~~~


Alguns dias se passaram e, quanto mais o tempo corria, mais certeza Gakupo tinha do quanto eram fortes os sentimentos que ele possuía por Len e, ao mesmo tempo, mais incompreensível achava aquilo. Quer dizer, Len era um garoto, mais jovem do que ele, de status completamente diferente, e uma pessoa praticamente desprovida de emoções. Verdade que, nas últimas semanas, ele havia feito pequenos avanços, e muito raramente demonstrava uma ou outra vontade própria, ou expressão facial diferente da cara inexpressiva de sempre, embora fosse quase imperceptível. Gakupo ficava feliz em ver que aos poucos estivesse conseguindo devolver os sentimentos ao coração deturpado daquele pobre garoto, ainda que muito lentamente, mas isso de nada adiantava se não servia para ter seus sentimentos por ele correspondidos. Não conseguia nem entender porque raios se sentia assim, pra início de conversa. Como ele havia desenvolvido um sentimento desses por outro garoto afinal?!


No começo, ele temeu seriamente de que esse fato o tornasse uma pessoa do mesmo nível que Kaito, alguém imoral e inescrupuloso, e por isso mesmo se obrigava a manter segredo sobre seus sentimentos, por mais que desejasse contar sobre eles ao loiro. No entanto, com o tempo concluiu que aquilo não o tornava igual a Kaito, afinal, ele não tinha a menor pretensão de obrigar Len a fazer nada contra a vontade dele, ainda que soubesse que o loiro provavelmente o faria caso ele ordenasse. E, o mais importante de tudo, era como Len reagiria ao saber disso. O Duque tinha certeza de que, caso se declarasse para ele, Len pensaria que ele só estava tentando arranjar um motivo para abusar dele, como já havia acontecido antes. Sim, isso era o mais provável, e Gakupo não queria de modo algum que Len pensasse isso dele. Mas então, como poderia fazer o mais novo entender que seus sentimentos eram verdadeiros? Ou melhor, como ele poderia se declarar para um garoto tão desprovido de sentimentos?! Gakupo estava se perguntando isso há semanas, mas continuava sem uma resposta. Cansado de tanto remoer o mesmo problema várias vezes e nunca encontrar uma solução, ele resolveu se refugiar em seu quarto e descansar um pouco até a hora do jantar. Talvez um bom cochilo acalmasse um pouco sua frustração... ou talvez lhe desse um belo sonho com um Len que entendia perfeitamente como ele se sentia, e retribuía seus sentimentos, como andava acontecendo ultimamente. Não importava realmente, qualquer uma das duas opções era melhor do que como ele estava se sentindo agora.


Porém, o que o Duque não sabia era que o próprio Len andava se perguntando coisas bem semelhantes também. Não que ele tivesse alguma noção sobre sentir ou não algo por Gakupo, mas era esperto o suficiente para saber que alguma coisa nele havia mudado nos últimos tempos. Por exemplo, por que uma pessoa sem coração como ele sentia sempre o mesmo incômodo aperto no peito quando via Gakupo conversando com outras garotas, principalmente com Luka? E por que sentia-se sempre mais leve cada vez que Gakupo elogiava alguma coisa sobre seu trabalho, ou simplesmente lhe dirigia alguma palavra gentil? Ele não tinha mais sentimentos, então por que andava tendo essas sensações, cada vez mais frequentes?


O mesmo aconteceu quando ele adentrou o quarto de seu Mestre naquela tarde, para trocar a roupa de cama, e o viu ressonando sobre os lençóis de seda. Não podia trocar o lençol com Gakupo dormindo ali em cima, mas também não poderia acordar seu Mestre e pedir que ele levantasse para simplesmente trocar um lençol. Len ficou preso nesse pequeno dilema por alguns segundos, porém logo se esqueceu do que tinha ido fazer ali quando seus olhos se perderam na belíssima visão que era Gakupo adormecido. Os olhos azuis percorreram as pestanas, indo para a expressão raramente serena e tranquila, e deslizaram até os lábios entreabertos, onde se demoraram mais do que pretendia. Gakupo era tão diferente de seu Mestre anterior... ficava nervoso com por qualquer motivo, e era mais facilmente irritável, era verdade, porém era muito mais gentil e agradável com ele, até mesmo quando estava irritado. E, o mais importante... nunca o tinha forçado a fazer nada que ele não quisesse. No começo, quando foi comprado pelo Duque, Len tinha absoluta certeza de que fora adquirido no leilão com a mesma finalidade para a qual Kaito o usava: Para servir como o brinquedinho de um nobre e satisfazer seus desejos imorais. Por um longo tempo ele havia pensado assim, e se perguntava se Gakupo não estaria apenas esperando que ele se acostumasse com a presença dele ou coisa parecida para então mostrar sua verdadeira face, mas o Duque sempre se mostrava ultrajado e ofendido quando Len questionava sobre esse assunto. Se Gakupo realmente o quisesse para aquele objetivo, já teria feito isso há muito tempo, então não podia ser isso. Mas então, se não era pra isso... por que Gakupo o comprara afinal? Se não era para satisfazer seus desejos imorais e mundanos, então porque Gakupo se deu ao trabalho de gastar um milhão de yenes com um garoto pequeno, fraco e inútil como ele? O loiro realmente gostaria de saber a resposta, porém, por mais que se questionasse, não conseguia entender, e há tempos que já tinha desistido de perguntar isso para Gakupo, pois ele sempre se esquivava da pergunta e se recusava a responder.


Mesmo que já tivessem passado alguns meses desde que fora morar na mansão do Duque, o loiro nunca deixava de se surpreender com aquilo. Sempre achou que, qualquer pessoa que o comprasse, iria desejá-lo pelo mesmo objetivo que Kaito desejava. Mas Gakupo era diferente, não haviam dúvidas disso. Por quê? Por quê Gakupo não o queria? Será que Len não era atraente o bastante para ele ou coisa assim? Mas espere, pensando desse jeito, parecia até que Len queria que Gakupo o tomasse para si! Não era isso... era? Não podia ser... aquilo não fazia sentido. Por que Len desejaria uma coisa daquelas afinal? Ele não sabia a resposta para isso, porém, por mais absurdo que fosse, ainda assim parecia haver algum sentido nisso.


Lentamente, o loiro deixou a roupa de cama que deveria trocar em uma cadeira próxima, aproximou-se da cabeceira da cama, com cuidado para não acordar o mais velho, e inclinou-se para frente, encarando mais de perto o rosto adormecido de seu Mestre. Ele parecia tão tranquilo agora... e também, curiosamente atraente. Será que seria a mesma coisa se Gakupo de fato viesse a se aproveitar dele? Será que seria igual ao horror que sofreu nas mãos de seu primeiro Mestre? A lógica em sua cabeça dizia que sim, porém, alguma coisa dentro de seu peito dizia o contrário, que seria completamente diferente. Vencido por uma curiosidade que não sentia há anos, Len abaixou-se mais um pouco, aproximando ainda mais seu rosto do de Gakupo, cerrou os olhos, e encostou seus lábios nos dele.


Uma sensação macia e cálida tomou conta de sua boca. Era tão quente e aprazível... mesmo que estivesse apenas tocando apenas bem de leve, o loiro podia perceber que era completamente diferente de antes. E embora já tivesse sido beijado outras vezes antes, ele não sabia muito bem como proceder afinal, ainda que sentisse uma estranha vontade de aprofundar o toque. Tentou pressionar seus lábios contra os dele com um pouco mais de força, porém logo notou que esse não era o jeito certo de fazer aquilo, e por fim acabou desistindo e recuando, temendo também que acabasse acordando Gakupo desse jeito. No entanto, parece que já era tarde demais pra se preocupar com isso.


— O que pensa que está fazendo? — a voz grave e séria do Duque retumbou até chegar aos ouvidos de Len, que o encarou pasmo, à tempo de ver o mais velho abrir os olhos e o encarar diretamente com os orbes arroxeados
— Mestre... G-Gakupo... — o mais novo gaguejou, sendo tomado por um estranho nervosismo — O s-senhor e-estava...
— Acordado? — o Duque completou a frase para ele, sentando-se na cama — Sim, estava. Agora responda minha pergunta, o que você pensa que estava fazendo?
— Ah... e-eu... bem... — o loiro recuou alguns passos, sendo tomado por uma estranha mistura de nervosismo e constrangimento, que há muito tempo não sentia — I-Isto é... eu... sinto muito! — sem saber como justificar aquilo, ele se ajoelhou diante do mais velho, de cabeça baixa — Realmente sinto muitíssimo, sei que não há desculpas para o que eu fiz. Pode me punir do jeito que quiser, ou mesmo se livrar de mim ou me condenar à morte se desejar, sei que o senhor tem todo o direito de...
— Não quero saber de desculpas — o mais velho o interrompeu — Quero que responda à minha pergunta. Por que você fez isso? Responda logo, é uma ordem
— Eu... b-bem... — Len ergueu um pouco a cabeça, sentindo uma estranha queimação no rosto — P-Primeiramente, eu vim até aqui para trocar a roupa de cama, e vi que o senhor estava dormindo... e-estava pensando se deveria ou não acordá-lo, mas... a-antes que percebesse, fiquei pensando em como o senhor é diferente de meu antigo Mestre. O senhor... é mais rigoroso com as tarefas domésticas, e fica irritado com mais facilidade, é verdade, mas... também é muito mais gentil e bondoso do que ele. E eu... me perguntei várias vezes por que o senhor não me queria e não fazia de mim seu "brinquedo", como havia acontecido antes com o Conde Kaito... cheguei até a pensar que eu não era bom o suficiente para o senhor, ou que o senhor não gostava de mim... então comecei a pensar se seria a mesma coisa caso o senhor fizesse essas coisas comigo. Sempre pensei que minha única utilidade era apenas para servir de mascote dos outros, e me perguntava se seria a mesma coisa caso o senhor fizesse aquelas coisas comigo... então, antes que percebesse, eu a-acabei fazendo... a-aquilo
— E? — Gakupo perguntou depois de vários minutos refletindo — A que conclusão você chegou?
— O q-que...?
— Você disse que queria saber se seria a mesma coisa se você fizesse comigo as mesmas coisas que era obrigado a fazer com o Conde, não é? — o Duque explicou, e Len acenou a cabeça, confirmando — E então, a que conclusão você chegou? É igual ou não?
— Não... não é igual — o loiro respondeu depois de alguns segundos pensando nisso — Não é a mesma coisa... é completamente diferente de antes
— Você quer dizer "diferente"... em um sentido bom ou ruim?
— Não sei dizer ao certo — Len admitiu, baixando os olhos — Quando ele me obrigava a fazer aquelas coisas, era horrível e doloroso no começo, e também muito humilhante e embaraçoso. Com o passar do tempo, eu me livrei do meu coração humano e já não sentia mais nada quando ele me tocava. Não era mais doloroso, então eu podia suportar melhor essas coisas, mas também não sentia mais nada. Porém, quando eu... f-fiz isso com o s-senhor... bem... não foi doloroso nem humilhante como antes. A-Ainda foi um pouco embaraçoso, mas... não foi ruim. E eu tive uma sensação esquisita, como se houvessem borboletas no meu estômago ou coisa parecida... eu nunca havia sentido isso antes, então não sei dizer o que é. Mas não foi uma coisa... ruim
— Sei... entendo — Gakupo suspirou e levantou-se, e Len fez o mesmo, sentindo-se estranhamente temeroso quanto à reação de seu Mestre quanto àquilo — Bom saber que não foi ruim como quando o Conde fazia aquelas coisas com você. À propósito, eu preciso te dizer uma coisa: Se for beijar alguém, então beije direito. Assim:


Antes que Len percebesse o que estava acontecendo, Gakupo havia se inclinado até a altura dele e selado seus lábios nos do loiro novamente. O mais novo levou vários segundos para entender que estava sendo beijado, e quando o finalmente o fez, arregalou os olhos azuis, sentindo a mão de Gakupo envolvendo sua cintura, enquanto a outra o abraçava pelas costas, aproximando seu corpo do dele. Por um instante fugaz Len pensou em recuar ou tentar se desvencilhar dele, mas não o fez. Não porque seu corpo não se mexia, ou por falta de reação por causa do choque, ou ainda por causa da evidente diferença de força entre eles, mas simplesmente porque ele não tinha vontade de fazer isso. Claro que ele havia perdido a vontade de fazer qualquer coisa há tempos, porém, ou ele estava ficando maluco, ou poderia jurar que desejava continuar com aquilo. Cerrou lentamente os olhos, e abriu instantaneamente a boca quando sentiu a ponta da língua do mais velho tocando seus lábios. Ao sentir Gakupo aprofundar o beijo, Len sentiu uma coisa forte e rápida pulsando intensamente dentro dele, e por um instante fugaz, foi como se seu coração tivesse ganhado vida novamente depois de tantos anos sem sentir sua pulsação. Sua respiração acelerou e o rosto esquentou tanto que daria pra ferver uma panela de água na cabeça dele, suas pernas bambearam e a sensação das borboletas em seu estômago pareceu dobrar de intensidade, talvez até triplicar. No entanto essa efêmera onda de sensações terminou tão rápido quanto tinha começado no instante em que Gakupo o soltou de seus braços. As pernas de Len ainda tremiam, e sua respiração continuava um tanto ofegante, mas a pulsação de seu coração tinha voltado a ficar tão fraca que ele nem sequer podia mais sentí-la, como se ele tivesse voltado a ser uma marionete sem vida e aquele breve momento de "ressurreição" jamais tivesse acontecido.


— Considere isso sua "punição" pelo que você fez antes. Agora estamos quites — Gakupo falou alguns segundos depois, aparentemente também sem fôlego — À propósito, é melhor que não comente sobre isso com absolutamente ninguém. É uma ordem — ele saiu do quarto, deixando Len perdido em suas sensações e pensamentos.


Andou à passos rápidos, quase correndo, e se refugiou na biblioteca, trancando a porta. Assim que teve a certeza de que estava sozinho, Gakupo deixou suas pernas cederem e escorregou pela parede, até cair de joelhos, encostado à porta de madeira, sua mente dando mil voltas. O coração ainda palpitava rápido e forte, não parecendo que iria se acalmar nem tão cedo. Não pôde acreditar quando sentiu aquela leve e macia pressão em seus lábios quando Len o beijou da primeira vez, e por mais que tentasse, não conseguia entender porque o loiro tinha feito aquilo. Na verdade, parece que nem o próprio Len sabia. No entanto, aquele ato impensado acabou completamente com toda a resistência e força de vontade do Duque. Ele estava se segurando bravamente durante todo esse tempo pra não fazer nenhuma dessas coisas com Len, já que temia que o garoto pensasse que ele estava tentando se aproveitar dele, mas jamais imaginou que o próprio Len faria algo desse tipo. Aquilo acabou completamente com seu autocontrole, e ele não pôde deixar de desejar ter mais daquela deliciosa sensação que era ter os lábios da pessoa amada grudados nos seus. Havia passado muito dos limites, e sabia disso, mas estava torcendo para que Len acreditasse na justificativa que dera de isso ter sido uma "punição" pelo que ele fez antes (mesmo que no fundo Gakupo tivesse adorado aquilo). O problema mesmo era que, depois de ter provado dos lábios do loiro, Gakupo sabia que já não conseguiria mais se controlar como antes. Ainda que tentasse resistir, sabia que mais cedo ou mais tarde acabaria fazendo algo parecido de novo, e não podia deixar isso acontecer. Era tão difícil viver com a pessoa que amava, mas sem poder tocá-la... aquilo era praticamente uma tortura! Gakupo sabia que não conseguiria se controlar por muito mais tempo e, cedo ou tarde, acabaria cedendo aos desejos de seu coração... de certa forma, torcia para que Rin arranjasse logo o dinheiro de que precisava para tirar Len de perto dele, mas não podia contar muito com isso. Até porque, na verdade não queria se separar de Len. Por enquanto, teria que dar um jeito de tentar se controlar mais um pouco para não acabar fazendo nenhuma besteira. O verdadeiro problema no momento era... como se portar diante de Len depois do que havia acontecido?

Notas finais
Konnichiwa minna-san! Então, pessoal... como a maioria das leitoras têm pedido em todo santo review que deixam, dessa vez sim tivemos um capítulo inteiramente GakuxLen! E aqui entre nós, que avanço em um único capítulo, hein... como será que o nosso querido Duque vai se virar agora pra controlar seus sentimentos? (apesar de que tenho certeza de que nenhuma de vocês quer que ele se controle XP ) E como será que vai ficar a cabecinha confusa do nosso fofíssimo Len depois disso tudo? Deixem seu palpites, sugestões e opiniões, por favor, quero muito saber o que vocês acharam! O título do capítulo é a música que mais me deu inspiração pra essa fic, como vocês devem ter notado, não podia ser outra né XD Quem ainda não conhece essa música, peço que assistam o clipe se puderem e digam o que acharam também onegai *-* Deixem reviews e façam de mim uma autora feliz!!! *o*