Loveless
15 Capítulo 15 - ♫ Just be Friends ♪
"Só ser amigos. Tudo o que devemos fazer. Só ser amigos
É hora de dizer adeus. Só ser amigos
Tudo o que devemos fazer. Ser só amigos
Ser só amigos, ser só amigos
Isso veio a minha mente na manhã passada
Assim como um quebra cabeça onde eu encaixei todas as peças
Eu não sabia o que fazer, mas agora vejo o que estamos nos tornando"
~~~~~X~~~~~X~~~~~
Assim como prometeu, Gakupo tinha levado a documentação enviada por Luka para um tabelião examinar, e foi chegada à conclusão de que alguns itens do testamento dos pais da Marquesa talvez pudessem realmente ajudar a acelerar o processo de separação entre eles, embora bem pouco. E, alguns dias depois, a Marquesa foi até a mansão de Gakupo buscar os documentos que tinha deixado com ele, acompanhada de Neru. Coincidentemente ou não, a garota escolhera ir justamente no mesmo dia em que Miku também estava visitando o Duque.
— Ora, vejam só quem temos aqui... que desprazer em vê-la hoje, Luka — Gakupo cumprimentou, forçando um sorriso, que acabou saindo bem sarcástico
— O mesmo digo eu, meu caro noivo — a garota respondeu, sem nem sequer se dar ao trabalho de fingir sorrisos — Não se preocupe, não pretendo demorar, só vim buscar os documentos que deixei... espera aí, o que ela está fazendo aqui? — Luka interrompeu sua frase pela metade ao avistar Miku
— Veio me encher a paciência, assim como você — Gakupo respondeu sinceramente
— Boa tarde Luka-san! Há quanto tempo não nos vemos! — Miku acenou lá de sua cadeira, com um sorriso exagerado no rosto
— Realmente, muito tempo, cara Viscondesa de Vert... por que será que sempre que nos vemos é na casa do Gakupo, hein? — Luka observou, erguendo uma sobrancelha
— Não sei... mas a senhorita pode me visitar sempre que quiser, Marquesa! — a garota de cabelos esverdeados exclamou
— Não obrigada, não quero estragar meu bom-humor tendo que ouvir suas baboseiras — Luka respondeu secamente
— Que bom-humor? Te conheço há mais de dez, e nunca vi nenhum — Gakupo observou
— É porque você consegue arruinar completamente ele — sua noiva respondeu como se falasse do tempo
— Acho que isso vai demorar... melhor eu ir buscar mais chá — Len murmurou para si mesmo, se dirigindo à cozinha
— Ah, espere! Eu ajudo você, Len-kun! — Neru prontificou-se, mas Luka à deteve
— Você fica aqui! Estamos na casa do Gakupo agora, deixe que os criados dele façam o serviço, você não tem porque ajudar, entendeu??
— S-Sim senhorita.... como quiser, Mestra — Neru murmurou em resposta, se encolhendo num canto
— Ah, ahh... a senhorita conseguiu assustar ela, Marquesa! — Miku exclamou
— Vê agora por que nenhuma das damas de companhia dela conseguem durar mais que um mês? — Gakupo comentou, e Miku balançou a cabeça, concordando
— Calem a boca vocês dois! — Luka exclamou de mau-humor — Francamente... você vive reclamando da Viscondessa, mas sempre se deu tão bem com ela, Gakupo... não sei porque nossos pais inventaram esse noivado ridículo, você devia se casar é com ela, e não comigo!
Len, que retornava da cozinha nesse momento carregando uma bandeja com um enorme bule de chá e várias xícaras, quase deixou a bandeja cair ao ouvir aquilo. Sentiu alguma coisa incômoda e dolorosa preenchendo seu peito, mas ele não sabia dizer o que é. Por sorte, Neru estava perto dele e o ajudou para que a bandeja não caísse, mas não pareceu perceber o estranho desconforto que o garoto sentia agora.
— Nós dois, nos casarmos?! Mas nem que me paguem! — Gakupo e Miku gritaram ao mesmo tempo, ambos parecendo horrorizados com a idéia
— Vocês até falam juntos. Tem certeza de que não deviam casar de uma vez? — a Marquesa observou, arqueando a sobrancelha
— Pare de inventar essas besteiras, Luka. Você só diz isso pra se livrar de se casar comigo! — Gakupo acusou
— Em parte — ela admitiu — Mas, convenhamos que a Viscondessa te visita com frequência demais pra quem diz ser apenas uma "amiga"... tem certeza de que ela não tem outras intenções?
— Eu visito ele com frequência porque o Gakupo-san é meu melhor amigo... e também porque é muito, mas muito divertido mesmo provocar ele! — Miku admitiu na maior cara de pau, com um sorriso estampado no rosto — Mas nem mesmo uma pessoa alegre e bem-humorada como eu aguentaria conviver diariamente com ele, não mesmo! Meu bom-humor iria pro brejo em questão de minutos, e eu acabaria ficando emburrada e rabugenta como a senhorita! Sem ofensas
— Demo nee... eu me pergunto como foi que a Miku-sama se tornou melhor amiga do meu Mestre — Len se intrometeu na conversa sem nem mesmo perceber — Quero dizer, desde que cheguei nessa casa que tudo o que ela faz é irritar o Mestre Gakupo, e mais nada
— Ela já fazia isso antes de você vir morar aqui, Len — Gakupo contou de mau-humor
— Mas então... se a Miku-sama apenas te irrita, como ela pode ser sua melhor amiga?
— Ah, eu também gostaria de saber! — Neru exclamou, deixando-se levar pela curiosidade
— Isso já faz muito tempo, não tem porque se preocupar com is... — Gakupo começou a dizer, mas foi interrompido
— Ora, não fale assim, Gakupo-san! Se eles querem tanto saber, então não custa nada contar! — a Viscondessa exclamou, parecendo mais empolgada do que o normal
— Não! — o Duque gritou de volta — Não se atreva a contar!!
— Tarde demais! — Miku gritou de volta — Vamos para o flashback!!
*** Início do Flashback ***
Doze anos atrás, quando os pais de Gakupo e Luka ainda eram vivos, no alto de uma colina repleta de girassóis, próxima à propriedade do Marquês e da Marquesa de Rose, um garoto de oito anos, com cabelos arroxeados presos em um curto e frouxo rabo-de-cavalo estava ajoelhado no campo, suas roupas finas e caras sujas de terra, colhendo algumas ervas que cresciam em meio às flores, e resmungando alguma coisa consigo mesmo:
— Não, não é essa... droga, como é um alecrim afinal?! Aquele homem nem sequer pra me mostrar uma muda ou uma ilustração! Mas aqui só tem girassóis, duvido que tenha isso aqui... e agora, onde vou encontrar uma planta que nem sei como é?
— Você está procurando alecrim pra quê? — uma voz feminina perguntou, próxima à ele, sobressaltando o garoto, que gritou e saltou pra trás com o susto.
Quem falara fora uma menina mais nova que ele, com cabelos curtos esverdeados presos em duas maria-chiquinhas altas, com um laçarote chamativo amarrando as duas. Ela trajava um vestido branco e rosa, longo e com rendas, as mangas fofas indo até os cotovelos. Aparentemente estava observando ele há bastante tempo.
— Q-Quem é você?? — o garoto indagou, no que pretendia ser um tom intimidador, colocando-se de pé
— Sou a herdeira do Visconde e da Viscondessa de Vert, Hatsune Miku! — a menina exclamou alegremente — E você?
— Sou Gakupo — ele respondeu simplesmente
— Ah! Então você é o tal noivo que os pais da Marquesa de Rose arranjaram pra ela, Kamui Gakupo-san! — Miku exclamou, entre espantada e animada com a informação, o que só irritou ainda mais o menino. Essa história sobre o noivado forçado deles havia se tornado tão famosa que até mesmo as crianças do reino já sabiam sobre isso?! A situação era pior do que ele pensava
— É, infelizmente sou eu mesmo
— Por que "infelizmente"? — Miku indagou curiosa
— Porque eu não quero me casar com aquela chata! — o garoto gritou de volta — Aquela Megurine Luka... ela é uma chata insuportável, e a pessoa mais irritante que já conheci! Ela vai me enlouquecer se eu tiver que passar o resto da vida com ela, ah, se vai!
— Humm... que coisa. Então esse tipo de reação não é tão incomum assim — Miku murmurou mais para si mesma do que para ele, o que deixou o garoto confuso — Então, noivo da Luka-san, o que estava fazendo aqui colhendo flores tão perto da casa dos Marqueses de Rose se não quer se casar com ela?
— Eu não estava colhendo flores! Estava colhendo ervas! — Gakupo corrigiu — E estava fazendo isso justamente pra me livrar de me casar com ela...
— Como assim?
— Bem... — Gakupo hesitou — Sabe guardar segredo? — ele indagou, e Miku balançou a cabeça fervorosamente em afirmação, se aproximando mais dele para ouvir — Estou tentando me livrar dela. Se não consigo fazer os meus pais desistirem da idéia, e nem os pais dela, então eu só preciso me livrar da Luka. Afinal, se não tiver noiva, não tem casamento
— Você está dizendo... que está tentando matá-la?!
— Não, claro que não! — Gakupo negou na hora — Só quero colocar ela pra dormir um pouco. Você sabe... conhece a história de Romeu e Julieta, quando ela tomava um remédio pra dormir e todos pensavam que ela estava morta? — ele indagou, e Miku balançou a cabeça, confirmando — Então, é a mesma coisa. Estou tentando preparar o mesmo remédio que fez a Julieta dormir e dar pra Luka, pra que todos pensem que ela morreu, e assim fazer meus pais cancelarem o casamento. Mas não consigo encontrar os ingredientes necessários!
— Nossa, você pensou muito mesmo sobre isso, hein... — Miku admirou-se — Então, de quais ingredientes você precisa?
— Ainda faltam... — o garoto fez uma pausa, retirando uma pequena lista com ingredientes do bolso — Alecrim, manjericão e boldo. Ah, e sementes de romã! Sei onde têm plantações de manjericão e boldo, e tem uma árvore de romã perto da minha casa, mas não consigo encontrar o alecrim de jeito nenhum!
— Bem, eu sei de um lugar onde tem alecrim, posso te levar até lá — Miku falou tranquilamente
— Sério mesmo?! Você pode?? — Gakupo sorriu esperançoso, e foi a primeira vez que a garota o viu sorrindo
— Posso sim — ela confirmou — Demo nee, Gakupo-san... aonde foi que você conseguiu essa receita para fazer o remédio que fez a Julieta da história dormir??
— I-Isso... é informação confidencial — ele respondeu depois de vários segundos pensando
— "Informação confidencial", sei... — Miku repetiu, rindo — Tudo bem se não quiser me contar, mas eu acho que essa não é a receita pra fazer o remédio pra dormir
— Como assim?!
— Bem, é que... só pelos ingredientes que você falou... manjericão e romã, por exemplo. Isso se parece mais com ingredientes pra fazer remédio pra gripe! — Miku esclareceu — Ou talvez, remédio pra indigestão, considerando o boldo... e o manjericão é usado como tempero pra cozinhar certas coisas também... — ela acrescentou, incerta
— O que?! Você tem certeza disso?? — ele exclamou incrédulo
— Claro que tenho! Sou uma garota afinal, e já vi as empregadas da minha casa preparando chás com essas coisas várias vezes... e nenhum desses ingredientes nunca fez pessoa nenhuma dormir! Isso se parece mais com uma mistura louca de ervas medicinais e temperos de cozinha!
— Não acredito, aquele velho trapaceiro me enganou!!! — Gakupo exclamou indignado, referindo-se à um idoso astuto que tinha uma barraca na cidade que vendia de tudo, desde receitas de remédios milagrosos, até mapas do tesouro. Fez uma nota mental de que precisaria mandar os guardas de sua mansão irem até a cidade fechar a barraca imunda daquele velho trapaceiro e enganador mais tarde, quando reparou de repente que Miku não estava rindo dele, como ele pensou que ela faria — Ué... você não está rindo de mim
— Por que eu riria?
— Porque eu fui enganado... fui feito de trouxa por um velho trambiqueiro que só queria levar o meu dinheiro — ele resmungou, envergonhado
— Isso não é motivo pra rir... você estava desesperado pra se livrar de um casamento arranjado, certo? É compreensível — Miku respondeu, ficando repentinamente séria
— O que está querendo dizer??
— Estou dizendo que entendo um pouco como você se sente — ela respondeu, encarando os muitos girassóis em volta deles — Sabe, ainda é segredo, mas os meus pais... eles estão tentando fazer o mesmo comigo. Querem que eu me case com o herdeiro do Conde de Bleu, e estão tentando entrar em um acordo com os pais dele
— Sério mesmo?! — Gakupo exclamou pasmo, sentindo-se solidário à garota, e também um estranho tipo de consolo em saber que não era o único naquele tipo de situação
— Pois é — a menina confirmou — É tão estranho... eu só tenho seis anos, por que eles estão com tanta pressa de decidir com quem eu vou ou não me casar?! Sem falar que eu nem sequer conheço o filho deles, o tal de Kaito... nem sei como é aquele garoto. Nee, você conhece ele, Gakupo-san? Que tipo de pessoa ele é?
— Eu já o vi umas duas ou três vezes em algumas festas, mas também não o conheço direito... eu mal falei com ele, mas não me pareceu ser uma pessoa muito boa. Era meio fechado e esquisito, sabe... o tipo de pessoa que combinaria com a Luka, eu suponho — ele resmungou
— Droga, era como eu temia! — Miku exclamou, e só então ele percebeu que estava deixando a garota nervosa — O que eu vou fazer.... não quero me casar com alguém chato e mal-humorado, não mesmo! Quero casar com alguém interessante e divertido!
— Bem... nós podíamos tentar encontrar a verdadeira receita do remédio que fez a Julieta dormir, preparar, e dar pra eles — Gakupo sugeriu, sem saber o que dizer
— Não acho que a gente consiga encontrar a receita — Miku comentou desolada, também sem se dar conta de que esse tal remédio pra dormir não devia nem existir de verdade — Eu estava pensando em outra coisa, mas... eu precisaria de ajuda...
— Qual é o seu plano?
— Bem... — Miku voltou a encará-lo, parecendo repentinamente embaraçada — Eu estava pensando que, se eu dissesse aos meus pais que já gosto de outra pessoa, e essa pessoa também fosse um nobre, talvez eles desistissem da idéia de me fazer casar com o herdeiro do Conde de Bleu e me deixassem casar com a pessoa que eu escolher!
— É, parece uma boa idéia — Gakupo admitiu — Mas você gosta mesmo de alguém? Você só tem seis anos!
— Claro que não gosto! Seria só uma mentira pra me livrar do casamento! — ela explicou
— Ah, entendi. Mas nesse caso, quem seria a pessoa por quem você estaria supostamente apaixonada?
— Bem, eu realmente não sabia como resolver esse detalhe, mas... bom... você é um garoto... e está tentando se livrar de um casamento arranjado também...
— V-Você está sugerindo que... n-nós dois?! — ele exclamou incrédulo, e Miku balançou a cabeça confirmando, sem jeito — Mas no que você está pensando?! Mesmo que nossos pais acreditassem nisso, nós teríamos que casar quando crescermos! Isso só daria em outro casamento arranjado, e eu não quero isso!!
— Ah, é verdade... n-não tinha pensado nisso — Miku murmurou, surpresa com a observação dele — M-Mas mesmo assim, ainda falta muito até a gente virar adulto, e até lá nós teremos tempo pra pensar em um motivo pra não nos casarmos...
— Não mesmo, pode esquecer! Eu não quero sair de um casamento arranjado pra entrar em outro, não mesmo! — ele negou prontamente — De que adiantaria me livrar de uma noiva chata e mal-humorada como a Luka pra ter que casar com uma menina boba-alegre e irritante como você?! Eu enlouqueceria do mesmo jeito!
— Ah, eu geralmente não sou irritante... mas é que é tão divertido te provocar que eu não resisto! — ela exclamou com voz aguda, apertando as bochechas dele
— Pare com isso! Eu sou mais velho do que você! — ele gritou, se desvencilhando dela — Você vai ter que pensar em outra coisa pra se livrar do filho do Conde de Bleu, porque essa idéia não vai dar certo. Agora, se me der licença, eu preciso ir, já está muito tarde e meus pais vão brigar comigo se eu demorar pra voltar...
— Ah, espera, Gakupo-san, não vai embora! Não vou conseguir me livrar desse casamento sozinha, você precisa me ajudar! — ela exclamou com a voz manhosa, segurando a manga da camisa dele — Além do mais... se eu não vou ser sua noiva de mentira, então nós vamos ser o que?
— Vamos ser só amigos... eu acho — ele respondeu meio incerto
— Isso! Somos amigos! — Miku iluminou-se em um sorriso, parecendo muito mais contente com aquilo do que com a idéia absurda de fingir estar apaixonada por ele — Vamos ser melhores amigos! E vamos pensar juntos em um jeito pra que eu não tenha que me casar com o Kaito-san, e nem você com a Luka-san!
— Bem, acho que ter alguma ajuda não vai fazer mal... — ele concordou à contragosto — Tudo bem então, Miku-san. Vamos pensar juntos, e arranjar um jeito de nos livrarmos desses casamentos sem sentido! — ele exclamou, mais esperançoso, enquanto ela acenava a cabeça, concordando feliz.
*** Fim do Flashback ***
— ... e foi assim que viramos melhores amigos! — Miku concluiu, sorrindo de orelha a orelha
— Nãããããoooooo!!! Por que você ativou o flashback?! — Gakupo gritou desolado, com as mãos na cabeça
— Ah, mas é que eles estavam tão curiosos pra saber... eu não pude resistir! — Miku respondeu, sorrindo como quem se desculpa
— Você só fez isso pra me irritar ainda mais, admita! — o Duque acusou
— É, isso também! — ela confessou sorrindo
— Ehh... então quer dizer que o Gakupo queria me envenenar quando éramos crianças, é? Quem diria, não pensei que ele tinha descido à esse ponto — Luka comentou, lançando um olhar de reprovação para o noivo
— Eu não queria te envenenar! Só queria fazer você dormir — ele corrigiu
— E pensar que por causa disso a Miku-sama e o Mestre Gakupo poderiam estar noivos agora... — Len murmurou, mais para si mesmo, sentindo o aperto em seu peito se intensificando
— Pois é. Pena que não estão — Luka lamentou — Ah, e pensar que, se o Gakupo tivesse topado essa idéia maluca eu poderia estar livre dele agora...
— É realmente uma história surpreendente — Neru comentou, pasma — Mas eu não sabia que Miku-sama já tinha sido noiva do Conde Kaito!
— Na verdade eu nem cheguei a ficar noiva dele... depois de conversar melhor com o Conde e a Condessa de Bleu da época, ou seja, os pais dele, meus pais concluíram que era melhor eu não casar com ele, então o meu casamento arranjado com ele foi cancelado — Miku contou, seu sorriso radiante de antes murchando um pouco
— Ainda bem que seus pais tomaram a decisão correta, Miku-sama... senão, coitada da senhorita... — Len murmurou num tom quase inaudível
— É... sorte a minha, eu acho... — ela murmurou, por algum motivo não estar tão feliz assim com isso
— Já chega de falar desse assunto! — Gakupo gritou, visivelmente incomodado com o rumo daquela conversa, sem nem reparar no estranho desânimo da amiga. Ele andou rapidamente até uma escrivaninha, abriu a gaveta, tirou alguns documentos de lá e se dirigiu à Luka — Tome, Luka. Você disse que veio buscar a documentação que deixou comigo, não foi? Pois aqui está, então pode ir. Miku-san, aproveite a deixa e vá embora também!
— Ah, mas eu ainda quero te perturbar mais! — Miku exclamou como uma criança manhosa, sua empolgação de antes voltando do nada
— Pois você já me irritou demais pra um dia só, então pode ir andando! Você também, Luka!
— Tá, tá, não precisa fazer escândalo, já estou indo... vamos, Neru — Luka respondeu, levantando-se e sendo seguida pela loira
— Você também, pode ir, Miku-san! — o Duque mandou, fervilhando de raiva
— Awwnnnn que injusto, você está me expulsando de novo! É assim que trata sua melhor amiga?! — Miku exclamou, fazendo cara de vítima
— Se você não sair agora eu juro que chamo os guardas pra que te expulsem à força
— Fui!! — a Viscondessa mudou de idéia rapidamente e seguiu Luka e Neru para fora da mansão, deixando um Duque excepcionalmente irritado para trás.
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