Loveless

4 Capítulo 4 - ♫ Virgin Suicides ♪


"Ei, se o fio vermelho que nos une se rompesse...
Ei, você acabaria se apaixonando por outra pessoa, não é?
Todo aquele seu lado que eu não conheço, eu irei apagar, apagar, apagar
Seus olhos precisam refletir uma só pessoa
Dentro do nosso mundo refletido nos pedaços de espelho,
Quero prender você, que me deu amor"

~~~~~X~~~~~X~~~~~

Naquela tarde, Gakupo havia feito como tinha dito: Ordenou que uma das criadas levasse algumas roupas masculinas até o quarto de Len para ele se trocar e finalmente tirar aquele vestido. De alguma forma, havia conseguido acertar perfeitamente o tamanho do garoto. Agora ele trajava um paletó preto, com um colete por cima da camisa branca de mangas, e uma gravata-borboleta vermelha amarrada ao pescoço. O garoto não se lembrava nem quando tinha sido a última vez que tinha vestido uma calça, depois de tantos anos trajando vestidos e saias no confinamento sofrido nas terras do Conde, mas achou melhor não comentar esse detalhe.

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Já que não havia como discutir o fato de que ele possuía um corpo frágil e pequeno demais para tarefas braçais, mas ainda incomodava Gakupo que ele usasse vestidos, já que não era uma garota afinal, Len foi então encarregado das tarefas de mordomo da casa: Anunciava os visitantes, verificava as tarefas dos demais, e se os outros empregados estavam cumprindo seus deveres corretamente, e transmitia recados ao seu Mestre. Os outros empregados, mais velhos e mais antigos naquela casa, não gostaram muito de ter um menino mais novo recém-chegado mandando neles, mas como Len era gentil e educado com todos, e nunca faltava com o respeito com ninguém, eles acabaram se acostumando.
Até que, uma semana após a chegada de Len, ele anunciou uma visitante ao seu Mestre:


— Mestre — ele chamou, adentrando a sala, e o homem interrompeu o chá que estava a meio caminho de tomar — O senhor tem uma visitante
— A essa hora? Mas ainda é cedo... — Gakupo comentou, observando o relógio que marcava nove e meia da manhã — Quem é?
— Uma moça... ela diz ser a Viscondessa de Vert — Len repetiu as palavras da visitante
— Ah, droga! — Gakupo resmungou, pousando sua xícara no pires, ao mesmo tempo que desistia de tomar um café da manhã tranquilamente — Deixe-a entrar
— Certo... — Len estranhou a reação do mais velho, mas não disse nada, e apenas obedeceu a ordem. Ele voltou ao hall de entrada, disse algumas poucas palavras abafadas que Gakupo não pôde ouvir, seguidas de um som estridente, e retornou em seu ritmo calmo de sempre, seguido por uma garota alguns centímetros mais alta que ele, que vinha andando eufórica, aparentemente se controlando pra não pular de euforia — A Viscondessa de Vert, Mestre — ele anunciou, fazendo uma breve reverência, e indicando a garota saltitante de cabelos verdes ao lado dele
— Ohayou Gakupo-san! — Miku cumprimentou sorridente, parecendo incapaz de conter sua euforia
— Ohayou, Miku-san — ele respondeu de mau-humor — Posso saber o que faz aqui tão cedo?
— Vim conhecer o pequeno passarinho que você capturou, é claro! — ela exclamou, chegando a dar pulinhos — Já que você é um insensível que não me conta nada, então eu mesma tive que vir... — ele acrescentou, no que pretendia ser um tom de repreensão, mas essa obviamente não era sua especialidade, pois logo voltou a sorrir — Então esse é o pequeno Len? — ela perguntou o óbvio, segurando o rosto delicado do mais novo entre as duas mãos e observando mais de perto, enquanto ele continuava inexpressivo, sem mover um dedo para se desvencilhar dela
— Sim, sim, esse é Len, o garoto do leilão — Gakupo confirmou, começando a se incomodar com a atitude desleixada de Miku — Len, essa é a Viscondessa de Vert, Hatsune Miku-san. Ela é minha amiga de infância, então você deve vê-la bastante por aqui

— Ah... amiga de infância... — o loiro murmurou para si mesmo, num tom quase inaudível. Em seguida se desvencilhou das mãos da garota para então se curvar diante dela — Prazer em conhecê-la, amiga de meu Mestre, Miku-sama
— Awwnnn você é tão fofo e educado... dá vontade de apertar! — ela realmente apertou as bochechas do loiro ao dizer isso, que não demonstrou se incomodar ou sentir dor, mas ficou com as bochechas vermelhas
— Pare com isso, Miku-san, está machucando ele! — Gakupo repreendeu, e a garota enfim o soltou — Len, vá buscar alguma coisa pra ela comer — ele ordenou, mais pra tirar o garoto de perto dela do que parar apresentar cortesia para com a garota
— Sim, Mestre — Len rumou em direção à cozinha com a cara inexpressiva de sempre, mas ao chegar lá, esfregou as bochechas no lugar onde Miku as tinha apertado. Um estranho aperto havia se formado em seu peito no momento em que vira aquela garota entrar na casa, e ele tinha sido tomado por uma sensação ruim, mas tudo isso foi embora no momento em que Gakupo disse que Miku era apenas sua amiga de infância. E Miku também não parecia interessada em Gakupo, então não havia porque ele se preocupar... mas espere, por que ele deveria estar se preocupando? Gakupo era seu novo Mestre, era um homem e mais velho do que ele, então por que esse assunto deveria fazer diferença para Len? Não era da conta dele por quem Gakupo se interessava ou deixava de se interessar afinal, não é? Ele devia estar ficando louco... foram muitas mudanças em muito pouco tempo, ele ainda não estava habituado com sua nova casa, era só isso. Sim, só podia ser isso.


Depois de afastar esses pensamentos estranhos de sua mente, ele levou uma bandeja com um bule de chá de um sabor diferente, pães frescos, geléia, biscoitos, e outras variedades para a sala, e depositou-a com cuidado na mesa diante dos dois, enquanto Miku ainda gritava com a voz esganiçada à altos brados, e Gakupo resmungava alguma coisa em resposta. Ele se afastou alguns passos e ficou observando de pé a cena, em silêncio, enquanto seu Mestre e sua amiga "conversavam", perdido em pensamentos. Não parecia haver absolutamente nada entre Miku e Gakupo afinal, e isso realmente lhe causava um certo alívio, mas... por que isso o deixava aliviado? Por que isso o tranquilizava? Len não conseguia entender. Ele nunca foi bom em interpretar sentimentos, e perdera completamente o foco deles desde que fora morar com Kaito. Desde a primeira noite naquela mansão que ele perdeu todos os seus sentimentos positivos, sobrando apenas a dor, agonia, raiva e o desespero. Poucas semanas depois, ele os havia perdido também, após passar por repetidas e traumatizantes situações torturantes, até que não sobrasse completamente nada. Seu coração havia se tornado uma casca vazia, que batia apenas para mantê-lo de pé, e nada mais do que isso. Então, se ele havia perdido seus sentimentos... o que significava essa sensação incômoda quando viu Gakupo e Miku juntos afinal?


Antes que chegasse a uma conclusão, Len ouviu o barulho de uma carruagem, e foi até o lado de fora ver o que era, porém, de alguma forma, Miku descobriu antes dele, sem nem mesmo sair da sala. Ela olhou pela janela, eufórica e, assim que confirmou suas suspeitas, disse:


— Nee Gakupo-san, tudo bem se eu for dar uma olhada no seu jardim?
— Hein?! Por que isso agora??
— É que as roseiras estavam tão lindas quando cheguei que eu preciso olhar mais de perto! Deixa, vai, pooor faaavoooor?? — ela pediu como uma criança mimada
— Aff... tá bem, mas...
— Mestre — Len interrompeu — O senhor tem outra visita. Uma moça chamada Megurine Luka-sama está aqui
— Ah, não — ele murmurou depois de vários segundos após ouvir aquela informação, os olhos arregalados e o queixo caído — Droga, ela sempre vem sem avisar... por que justo hoje?!
— Mestre... — Len continuou receoso — Ela diz ser sua noiv...
— Deixe-a entrar — Gakupo interrompeu nervoso — Você, vá mostrar o jardim para a Miku-san, ela parece muito ansiosa em ver nossas novas roseiras. E, Len... não volte aqui até eu chamar, ouviu??
— Sim... como o senhor desejar — ele assentiu depois de alguns segundos, embora não parecesse contente com isso — Então, venha por aqui, Miku-sama — ele fez um gesto com a mão, indicando que Miku o seguisse, que saiu às pressas atrás dele por uma porta lateral. Segundos depois, Megurine Luka adentrou a porta da frente, os cabelos róseos esvoaçando atrás, aumentando sua pose imponente. Parecia se sentir completamente em casa, e não fez cerimônia nenhuma ao avistar o dono da mansão, sentando-se no lugar onde instantes atrás estava Miku, sem pedir permissão
— Bom dia Luka — Gakupo cumprimentou — Que prazer vê-la tão cedo... minha cara noiva
— Hunf... bom dia não sei aonde — ela resmungou de mau-humor — E não seja sarcástico, Gakupo. Você quer dizer que é um "desprazer" me ver tão cedo, isso sim
— Ora, nós temos que manter as aparências afinal — ele lembrou, tomando um gole de chá — E não importa o quanto eu não goste de você, ainda sou um nobre, devo ao menos manter a boa educação que meus pais me deram
— Pois eles te deram outra coisa além de educação... como esse casamento arranjado, por exemplo — ela lembrou — Falei com um tabelião ontem à tarde. Ele disse que não é impossível cancelar o nosso noivado indesejado, mas dará mais trabalho do que imaginávamos. E vai custar mais caro do que pensamos também
— Isso não importa, estou disposto a gastar o que for necessário pra não ter que me casar com você — Gakupo afirmou
— Mesmo depois daquela sua pequena aquisição durante o leilão? — ela ergueu uma sobrancelha — As pessoas da cidade estão comentando que você comprou a criança que era mantida em cativeiro pelo Conde... não me diga que está pretendendo impor seus hobbies estranhos àquele menino?
— Não diga tolices, Luka — ele amarrou a cara para ela — Eu apenas precisava de um mordomo, e consegui um. Você o viu, não foi? Era o garoto quem atendeu você
— Ah, aquele?! Bem que o achei familiar... ele é mesmo a cara da filha adotiva do Barão
— Eles são gêmeos afinal — Gakupo lembrou
— Bem, que seja. Não me interessa o motivo pelo qual você acolheu aquele menino, mas acho bom não fazer nada estranho com ele... pelo menos não enquanto ainda estivermos presos um ao outro. Eu não quero sujar minha reputação por sua causa — ela avisou
— Que tipo de pessoa você pensa que eu sou?! — ele exclamou indignado
— Não sei, e nem quero saber — Luka deu de ombros — Agora, será que podemos nos concentrar no que interessa?
— É claro... quanto mais rápido resolvermos isso, melhor — ele concordou, ainda meio emburrado
— Ótimo — ela empurrou a bandeja de comida para um canto e depositou no centro alguns documentos que havia trazido — Agora, nesse parágrafo aqui...


Enquanto isso, do lado de fora da mansão, Miku não estava observando as flores coisa nenhuma, estava era escondida atrás da roseira debaixo da janela da sala, espiando os noivos, ao lado de Len.


— Ano, Miku-sama... nós não deveríamos estar espiando...
— Ora, relaxa, garoto! Se ninguém ver não tem problema nenhum dar uma olhadinha! — ela sacudiu a mão, fazendo pouco caso, os olhos pregados na cena lá dentro
— Mas... eu tenho trabalho a fazer — Len insistiu, com a certeza de que aquilo estava errado
— Seu Mestre mandou você me acompanhar até o jardim e, tecnicamente, é isso que você está fazendo, portanto não está desobedecendo nenhuma ordem! — ela lembrou, e Len não via como rebater aquele argumento. Em seguida, notou que o olhar vazio de Len havia se tornado levemente angustiado, e acrescentou — Ei, algum problema? Você está com uma cara estranha
— Aquela moça... ela disse que era noiva do meu Mestre — o loiro lembrou
— Exatamente — Miku confirmou — A Marquesa Megurine Luka-san. É órfã, perdeu os pais aos quinze anos de idade, e já que não havia outros herdeiros, ela se tornou a líder da família Megurine. No entanto, tanto os pais dela quanto os pais do Gakupo-san eram muito amigos, e haviam decidido há tempos que os dois se casariam quando crescessem. Eles são noivos desde os cinco anos de idade, mas nenhum dos dois nunca concordou com isso. Como os pais de ambos morreram, e não há mais ninguém forçando os dois a se casar, eles estão desesperadamente procurando por um modo de cancelar esse noivado antes que chegue a data do casamento
— Quando deveria ser o casamento? — Len perguntou
— Daqui há seis meses, pouco depois da festa de aniversário da Luka-san, após ela completar a maior idade e poder se casar — ela contou — Os dois se odeiam de verdade, sabe, e nunca concordaram com esse casamento arranjado... quando eram pequenos, já tentaram até acabar um com o outro, só para se livrarem do casamento! Agora, finalmente pareceram conseguir arranjar um jeito de trabalharem juntos na única coisa na qual eles concordam: Arranjar um jeito de anular o noivado e ficarem livres um do outro
— Procurar tão desesperadamente por um jeito de anular um noivado de tantos anos... por acaso eles... já têm outra pessoa de quem gostam? — Len perguntou, sentindo aquele aperto incômodo no peito voltar
— Uma pergunta interessante essa... o Gakupo-san eu sei que não tem. Já a Luka-san... eu realmente não sei — Miku admitiu — Mas é realmente uma pena... os pais de ambos trabalharam tanto por esse casamento antes de morrer, fizeram tantos planos... e agora os dois querem jogar esses esforços deles pro espaço! Que desperdício, francamente... eu ainda acho que os dois formariam um casal bonito. Você também não acha? — Miku perguntou, mas Len não estava mais ouvindo. Tinha parado de ouvir já tinha algum tempo, e a única coisa que sua mente tinha conseguido registrar realmente era o fato de que Gakupo tinha uma noiva.


Ele tem uma noiva... Gakupo já era comprometido, há sabe Deus quantos anos. E nem sequer lhe dera o trabalho de lhe contar isso. É claro... por que ele contaria afinal? Len era apenas mais um dos muitos criados que ele tinha, por que deveria ser especial? Gakupo não tinha que lhe dar satisfações. Os pais dele, o Duque e a Duquesa anteriores, deviam ter dado duro para deixar seu filho encaminhado e com um bom partido, como a Marquesa Megurine Luka, que era uma moça distinta e de boa família, ele devia ficar feliz por seu Mestre ter uma noiva de bom porte. Ele deveria estar feliz pelo seu Mestre, assim como Miku estava, e sabia disso, mas ainda assim... por que não conseguia se sentir feliz por Gakupo? Ele já não conseguia sentir nada havia muito tempo... a única coisa que podia registrar agora era um aperto em seu peito, que Len só podia supor que era algum tipo de problema cardíaco prematuro, já que não havia mais sentimentos em seu coração. Seja lá o que fosse aquilo... não parecia que aquela dor incômoda iria embora nem tão cedo.

Notas finais
Konnichiwa minna! Então, a noiva do Gakupo que eu mencionei no primeiro capítulo era realmente a Luka... alguém ficou surpreso? (*voz do pensamento* duvido muito ¬¬ ) Desculpem se a personalidade dela ficou ruim ou diferente do que vocês imaginavam, mas, sinceramente... eu não gosto da Luka -.- /apanhadasfãsdaluka Só coloquei ela na história por ser uma Vocaloid muito famosa, e eu já tinha planejado fazer o Gakupo ter um casamento arranjado, então... não tive muitas opções de escolha afinal Ah, e caso alguém tenha tido dificuldades pra abrir a foto no início do capítulo, é só copiar o link e colar em uma nova janela do navegador^^ E agora, pra encerrar, uma pergunta idiota: Por acaso alguém se dá ao trabalho de ler e/ou ouvir as músicas usadas como título que eu sempre coloco na introdução do capítulo como notas iniciais? Eu realmente queria saber XP Deixem reviews onegai e façam de mim uma autora feliz!!! *o*