Loveless
33 Capítulo 33 - ♫ I Wanna Be Your World ♪
"Algum dia vou lhe perguntar
Você se lembra daquele pequeno desejo?
Fora as minhas memórias quebradas
Parece um sonho do qual eu não consigo acordar
Eu olho para o que está diante dos seus olhos
Eu não entendo muito bem, mas...
Qual é a sua opinião sobre como o mundo se parece?
Sua consciência afundou
Eu quero ser o seu mundo
Meus sentimentos querem chegar até você
Mas eles são impedidos por uma fria barreira"
~~~~~X~~~~~X~~~~~
— O que...? — Len murmurou com a voz fraca após ouvir a revelação de Gakupo — O senhor disse... q-que acha que a Miku-sama g-gost... g-gosta do...? — antes que conseguisse pronunciar o nome de Kaito, suas pernas fraquejaram com as lembranças dolorosas que vieram à sua mente, e ele caiu sentado na cadera mais próxima
— Você está bem?? — Gakupo indagou, caminhando até ele
— E-Estou... d-desculpe Mestre, eu só... — ele fez mênção de se levantar, mas Gakupo o fez se sentar novamente
— Só estamos nós dois aqui agora. Não precisa me chamar de Mestre, pode me chamar pelo meu nome — ele falou, ajoelhando-se de frente para o mais novo para poder encará-lo melhor nos olhos — E você é meu namorado agora, e não meu mordomo, então não tem problema em se sentar
— Sim... t-tem razão, Gakupo-san — Len respondeu, um pouco mais calmo — É só que... eu não entendo. Miku-sama sempre pareceu uma pessoa tão alegre e divertida, uma moça tão cheia de vida... como ela poderia gostar de alguém como ele...?!
— É justamente por isso que eu disse que é uma hipótese absurda demais para ser verdade — Gakupo lembrou, sentando-se também na poltrona de frente para o loiro — Mas, como você já sabe, os dois quase se tornaram noivos quando eram crianças. E, ao contrário do que aconteceu comigo e com a Luka, eles não se odiavam. Parece que passaram algum tempo juntos, para se conhecerem melhor, antes dos pais deles tomarem uma decisão. E foi nessa época que aconteceu...
*** Início do Flash-back ***
Doze anos atrás, em um jardim tão grande e florido que mais parecia um campo infinito das mais variadas flores do que apenas o jardim da propriedade Shion, duas crianças conversavam, sentadas na grama, esquecendo-se por alguns momentos dos bons modos que futuros líderes de famílias importantes deveriam ter, aproveitando que seus pais estavam dentro da mansão, conversando sem eles. A menina, com duas maria-chiquinhas esverdeadas presas no topo da cabeça, tentava fazer uma coroa de flores, enquanto o garoto mais velho, com os cabelos curtos azulados, colhia as flores mais próximas e passava para ela encaixar em sua coroa.
— Já não está bom, Miku-chan? Acho que já tem flores até demais nessa coroa... — o garoto dizia, vendo a enorme quantidade de flores coloridas na coroa que ela montava
— Não, não! Uma Princesa deve ter a coroa maior e mais bonita de todas! E, se eu quiser virar uma Princesa, tenho que ter a coroa maaaais bela de todo o reino! — a garota teimava, colhendo algumas flores também para encaixar na coroa, que nem tinha mais espaço para colocar flor alguma aliás
— Demo nee... você é a filha de um Visconde, e não de um Rei — Kaito lembrou — Se você quer se tornar uma Princesa, então deveria se casar com um Príncipe, e não com o filho de um simples Conde, como eu — ele lembrou-lhe, um pouco cabisbaixo
— Ah, é mesmo... não tinha pensado nisso — só então ela pareceu notar esse fato, tirando os olhos da coroa de flores pela primeira vez e concentrando sua atenção em outra coisa. Pensou um pouco sobre isso, depois voltou à sua coroa de flores inacabada, e acrescentou — Mas, mesmo assim, quando eu crescer, serei uma Viscondessa. E, se eu me casar com um futuro Conde, então serei uma Condessa, o que é muito melhor do que uma Viscodnessa! Então estará bom de qualquer forma, e eu serei a Viscondessa maaais bonita de todo o reino!
— Bem... mesmo você não sendo uma Viscondessa, nem uma Condessa ainda, eu acho... q-que você já é a menina mais bonita do reino... — ele murmurou baixinho, baixando os olhos e corando levemente
— Sério mesmo?! — ela exclamou, desviando sua atenção da coroa de novo e encarando Kaito
— S-Sim, você é... p-pelo menos, eu acho... — ele respondeu, desviando os olhos dos dela, meio desconcertado
— Se o Kaito-kun acha isso, então deve ser verdade! Arigatou, Kaito-kun! — em um impulso, ela atirou seus pequenos braços ao redor do pescoço dele e o abraçou. Kaito corou furiosamente com aquele gesto, porém, para a sorte dele, Miku não percebeu. Quando o soltou, ele conseguiu se recompor, enquanto a menina ainda dizia sorridente — Como agradecimento, eu vou te dar essa coroa! Assim, você será o garoto mais bonito de tooodo o reino também! — ela colocou a coroa, finalmente terminada, na cabeça do mais velho, que foi pego de surpresa com aquele gesto repentino dela
— Ahn... e-eu não acho que seja uma boa idéia me dar uma coroa e flores — ele murmurou sem jeito — Quero dizer, eu sou um garoto, então...
— Ehhh?! Mas assim você ficou uma graça também! Mais bonito do que já é! — ela teimou, fazendo um biquinho adorável
— Bem, se você diz... — ele murmurou, ainda meio desconcertado com aquilo. Colheu então uma flor de uma roseira próxima, e a colocou nos cabelos de Miku, atrás da orelha dela — Então, se é assim, use isso também. Desse jeito você continua sendo a menina mais bonita do reino
— Hai! Arigatou, Kaito-kun! — ela sorriu brilhantemente com aquele gesto, e corou um pouco também, embora não parecesse ter notado, ou simplesmente não se importava com aquilo. Deitou-se então no imenso jardim, parcialmente escondida pelas flores que cresciam em volta dela, e Kaito fez o mesmo, deitando-se ao lado da menina — Nee... nossos pais estão demorando lá dentro, não acha? O que será que eles estão fazendo agora? — ela indagou, observando as nuvens que se moviam lentamente no céu azul acima deles
— Bem... acho que estão decidindo se devemos ou não nos casarmos quando a gente crescer. Pelo menos foi o que os meus pais disseram — Kaito respondeu meio sem graça, concentrando seus olhos no céu também para não ter que encará-la — Nee, Miku-chan... você não acha isso estranho? Quero dizer, tudo bem que eles são adultos, já viveram mais do que nós, e devem entender muito mais da vida do que nós dois, mas... não acha estranho que os adultos decidam por nós com quem devemos ou não nos casar? Nós somos crianças ainda, por que precisamos decidir isso agora? Acho tão cedo pra se pensar nessas coisas...
— Eu sei... também me senti assim no começo, e tive medo de me casar com alguém que nem conhecia quando meus pais me falaram sobre isso — a menina concordou, ainda encarando o céu — Eu tenho um amigo que está na mesma situação, sabe? Ele está noivo de uma menina, a filha do Marquês de Rose, e os dois realmente se detestam... e eu tive muito medo de que isso acontecesse comigo também — ela confessou, encolhendo um pouco os ombros — Mas, depois que conheci você, eu percebi que, talvez um casamento arranjado não fosse tão ruim afinal... você é simpático e gentil, e sempre me trata tão bem... acho que o meu amigo apenas teve má sorte em ficar noivo de uma menina de quem ele não gosta afinal, mas parece que não é assim com todo mundo
— Esse seu amigo... por acaso é um menino? — Kaito perguntou, ficando repentinamente mal-humorado
— Bem, sim... é o filho do Duque de Pourpre, você já deve ter ouvido falar. Ele se chama Kamui Gakupo-san — Miku respondeu
— Sei... ah sim, eu sei quem é — Kaito respondeu, ainda sem encará-la — Eu já o vi em uma ou duas festas, mas não conversei muito com ele... mas me lembro de quem é
— Ei, Kaito-kun, o que houve? Por que ficou zangado de repente? — Miku indagou, encarando-o, e percebendo a irritação do mais velho — Ah! Não me diga que está com ciúmes do Gakupo-san?!
— E-Eu não estou com ciúme! — Kaito apressou-se a dizer, levantando-se um pouco para encará-la do alto, embora não fosse muito bom em disfarçar seus sentimentos — Apenas... achei estranho você ter um amigo garoto... q-quero dizer, você é uma menina, e geralmente meninas só têm amigas garotas... m-mas é só isso, eu não estou com ciúmes, não mesmo!
— Ahahahaha! Não seja mentiroso, você está com ciúmes sim! — Miku acusou, levantando-se um pouco também, até que seus olhos ficassem na mesma altura — Escute aqui, se vamos mesmo nos tornar noivos, então não podemos ficar mentindo um para o outro! — ela exclamou, e Kaito voltou a se deitar, entre incomodado e constrangido com o que ela disse — Mas, você não precisa se preocupar. Gakupo-san é apenas um amigo, e ele já tem uma noiva afinal. Sem falar que ele vive dizendo que eu sou escandalosa e irritante... acho que ele não gosta muito de mim. Mas é que é tão divertido importunar ele que eu não consigo resistir, hahahahaha!!
— Sério? Então esse garoto deve ser um trouxa mesmo — Kaito comentou, voltando a encarar o céu — Como alguém poderia te achar irritante e escandalosa? Você não é nada disso, Miku-chan, pelo contrário. Você é alegre, divertida, e tão sincera com seus sentimentos. E é... t-tão bonita... é a garota mais bonita que eu já vi na vida — ele acrescentou, mais baixo, encolhendo os ombros e corando um pouco
— Sério?! — Miku exclamou, encarando-o, por algum motivo ficando mais alegre do que embaraçada com o elogio dele — Kyaaa arigatou, Kaitou-kun! — ela teve um pequeno ataque histérico, movendo os braços e pernas rapidamente, e agitando as flores ao redor deles — Ano nee... eu estava com muito medo de ter que me casar com alguém que meus pais escolheram ao invés de mim. Mas, depois de te conhecer, e de passar mais tempo com você, eu acho... que talvez não seja tão ruim quanto eu pensava me tornar sua noiva afinal. Pelo contrário... acho que seria muito bom se a gente se casasse quando crescermos — ela acrescentou, sorrindo e corando um pouco. Sentiu a mão de Kaito segurar a sua e encarou-o, surpresa
— Eu também acho... que seria bom se a gente se casasse quando crescermos, Miku-chan — ele enfim encarou-a, sorrindo, ainda com o rosto meio ruborizado
— Hai! Foi uma ótima decisão a que nossos pais tomaram afinal! — Miku concordou, voltando a sorrir para ele e entrelaçando seus dedos com os do garoto.
Ficaram assim por algum tempo, voltando a observar o céu e comentando sobre os formatos engraçados das nuvens acima deles, ainda de mãos dadas. Algum tempo depois, os pais de Miku enfim deixaram a mansão e começaram a chamar pelo nome da filha, até que ela saiu do meio das flores, gritando "Búúúúú!!" numa tentativa de pregar-lhes uma peça. Kaito levantou-se logo depois dela, sem saber se a repreendia por sempre aprontar essas brincadeiras ou se dava risada da cara dos pais dela.
— Francamente, Miku, eu já disse para parar de fazer essas besteiras! Você é uma menina, e uma dama, então comporte-se como tal! Olhe só o seu cabelo, está todo cheio de pétalas de flores! E o seu vestido está sujo de terra! — a mãe dela ralhou, cansada de sempre repetir a mesma coisa
— Ah, mas a cara que você fez foi tão engraçada, mamãe! Eu não pude resistir! — ela tentou explicar-se, tentando inutilmente conter uma risada
— Espero que tenha aproveitado sua pequena brincadeira, porque será a última — o pai dela respondeu, mais sério e menos irritado do que a Viscondessa — Nós conversamos com o Conde de Bleu, e decidimos que é melhor que você não se case com o filho dele afinal
— O que...? — Miku repetiu, parando repentinamente de rir, sem conseguir acreditar nas palavras do pai — M-Mas por que?!
— Suas idades são muito diferentes. Sem falar em outros motivos... nós te explicamos melhor quando chegarmos em casa — a mãe dela respondeu, embora não parecesse que estivesse com muita vontade de dar explicações à filha — Agora, Miku, despeça-se do menino, nós já vamos andando
— M-Mas mamãe... eu não quero!! — a menina exclamou, com lágrimas nos olhos — Eu não quero ir embora!! Quero ficar aqui com o Kaitou-kun... quero ficar pra sempre com ele, e me casar com ele quando crescer!!
— Você só tem seis anos, não pode saber o que é melhor pra você — o pai dela falou simplesmente — Agora vamos, se despeça logo e vamos embora
— K-Kaitou-kun... — ela virou-se para o menino, sem mais conseguir conter suas lágrimas, que agora rolavam livremente por suas bochechas — E-Eu não quero... não quero ir... q-quero ficar aqui com você! Não deixa eles fazerem isso, por favor! — ela agarrou-se à mão do garoto, com os ombros tremendo. Kaito também tremia, só que de raiva e de frustração
— Não adianta, Miku-chan... eles são adultos. Já cresceram, e não entendem, nem nunca entenderão o que nós, crianças, sentimos e pensamos — ele respondeu simplesmente, com a franja azulada cobrindo-lhe os olhos — Eu sinto muito, mas... parece que não poderei mais ser seu noivo afinal. E você não poderá se tornar uma Condessa quado crescer, mas... com certeza será a Viscondessa mais bela de todas. E sempre será a garota mais bonita de todo o reino pra mim — ele puxou de volta mão que ela segurava, tirou a coroa de flores feita pela menina de sua cabeça e depositou-a no topo da cabeça dela, forçando um sorriso numa tentativa de tranquilizar a menina, que estava aos prantos, embora estivesse chorando agora também — Mas que droga... eu não queria chorar na sua frente, isso só deve te deixar ainda mais triste. Sou patético mesmo... — ele esfregou os olhos com força, limpando as lágrimas que teimavam em sair de seus olhos. Voltou-se então para os pais dela, e continuou, o mais sério que pôde — Vocês adultos nunca entenderão... nunca vão entender o que nós crianças sentimos, não é? Foi idéia de vocês fazer com que a gente ficasse noivos! E agora, depois que nos acostumamos com a idéia, nos tornamos próximos e gostamos um do outro, vocês fazem isso, só porque mudaram de idéia?! Nós crianças não somos seus brinquedos, nem marionetes, pra vocês decidirem por nós o que fazer! Não somos seus bonecos pra vocês ficarem decidindo com quem vamos casar ou deixar de casar no futuro!! O futuro... o meu futuro, e o da Miku-chan... serão as nossa vida, e não as de vocês afinal... então é a gente quem têm que decidir!! Vocês não podem tratar a gente como se fôssemos marionetes que vocês controlam como quiserem!!
— É um garoto terrível mesmo... tem a língua mais afiada do que eu pensei — a mãe de Miku comentou com o marido, lançando um olhar de reprovação para Kaito
— Sem falar que não têm nenhum respeito pelos mais velhos, mesmo nós possuindo um título de nobreza ainda por cima. Parece que foi a melhor decisão não deixar a Miku se casar com ele afinal — o Visconde concordou com a esposa, lançando um olhar de profundo desprezo para Kaito, que ainda tremia de raiva
— Tem razão, ainda bem que percebemos isso à tempo. Anda, vamos embora, Miku — a mãe da menina arrastou a filha pelo braço, ainda que ela relutasse em ir embora e chamasse pelo nome de Kaito aos prantos, mas é óbvio que a mãe dela era bem mais forte e arrastou-a para longe do garoto, forçando a filha a entrar na carruagem que os aguardava no portão da mansão da família Shion, e partindo.
*** Fim do Flash-back ***
— ... e é por isso... que eu acho que a Miku-san continua gostando do Conde, mesmo depois de todos esses anos — Gakupo completou sua história, enquanto Len o encarava boquiaberto — Eu falei poucas vezes pessoalmente com o Conde Kaito, e nunca o achei uma pessoa muito simpática... na verdade, ele sempre foi frio e reservado com todo mundo nas poucas vezes em que comparecia à festas sociais. Exceto pela Miku-san... ela conversava com ele durante essas festas, e acho que eram as únicas vezes em que eu o via sorrindo. Mas, depois disso, ele se tornou cada vez mais frio, reservado e rude com todo mundo. Alguns anos depois disso, quando o Conde Kaito tinha cerca de quinze ou dezesseis anos, eu acho, os pais deles adoeceram e, alguns anos depois, vieram a falecer. Como ele era o único herdeiro, e um rapaz, ele sucedeu o pai e se tornou o atual Conde de Bleu. Só que aí, já era tarde... ele já tinha se tornado a pessoa horrível e cruel que é hoje, e estava cada vez pior. Segundo o que a Miku-san diz, parece que ele enlouqueceu, e foi perdendo sua sanidade mental aos poucos depois daquele dia em que eles foram separados pelos pais... e, agora que o Conde está em um sanatório, acho que ela tinha razão afinal. Mas, mesmo depois de ele ter se tornado uma pessoa tão fria e áspera, que tratava mal todo mundo, e fez todas aquelas coisas horríveis com você... eu acho difícil que a Miku-san ainda goste dele depois disso tudo. Quero dizer, pelo que ela me contou, ele era uma boa pessoa quando era criança, mas eu não sei dizer se é verdade, porque não o conheci bem naquela época, e ele também nunca pareceu gostar muito de mim. Mas ele só ficou cada vez pior depois que os pais deles decidiram cancelar o noivado... por isso eu realmente não sei dizer se a Miku-san realmente ainda gosta dele ou não
— Eu... não sabia dessa história. Não fazia a menor idéia... de que algo assim tinha acontecido — Len murmurou, ainda tentando absorver toda aquela informação
— Bem, você devia ser só uma bebê naquela época, é natural que não saiba sobre isso — Gakupo comentou — Mas, isso realmente aconteceu. Miku-san ficou arrasada no começo, e sempre chorava muito toda vez que eu a via e falávamos sobre isso, mas pareceu superar aos poucos. E, alguns meses depois, ela pareceu enfim se recuperar, e começou a focar toda sua atenção em tentar me fazer gostar da Luka, já que eu não tinha conseguido desmanchar meu noivado com ela, como aconteceu com a Miku-san. Ela dizia que, já que era pra gente se casar, então seria melhor se nós ao menos nos gostássemos, e bolou os planos mais mirabolantes para tentar nos aproximar... mas, como você bem sabe, nenhum deles deu certo. Ela focou toda sua atenção nisso, e parou de falar sobre o seu quase noivado com o Conde Kaito... e, nas poucas vezes em que falava dele, era quando ele já estava distante e áspero com todos, na época em que, bem... você foi morar com ele... ela insistia em sempre dizer que ele não te amava, e que só estava fazendo aquilo porque estava doente, e louco, ou que fosse... enfim, sempre tentava arranjar alguma justificativa para explicar os atos cruéis dele. Ela nunca o acusou de nada... por isso eu acho que ela ainda gosta dele. Eu realmente gostaria de saber se é verdade... mas, Miku-san é uma garota afinal, e eu não sei como perguntar isso à ela
— Ela é sua melhor amiga, não é? — o loiro lembrou — Então, se ela vivia se intrometendo assim na sua vida particular... e se chegou até a perguntar... s-sobre n-nós... e-então eu acho que você também tem o direito de perguntar sobre os sentimentos dela
— Talvez, mas... Miku-san é uma garota, eu não sei como perguntar essas coisas...
— Sinceramente, eu acho que os pais dela tomaram a melhor decisão quando resolveram que seria melhor se ela não se casasse com... e-ele — Len comentou, ainda sem conseguir pronunciar o nome de Kaito — E-Ele... o C-Conde tem uns gostos estranhos... f-faz coisas esquisitas que eu não entendo, que são constrangedoras, e que podem ser dolorosas... então eu realmente não acho que seria bom para a Miku-sama ficar com alguém assim. Mas, eu não o conheci nessa época, e não sei o tipo de personalidade que ele tinha quando era criança. Então, eu acho... que isso só depende da Miku-sama afinal — o menor concluiu — Mas, eu confesso... que agora fiquei curioso pra saber... sobre os sentimentos da Miku-sama
— Eu também sempre me perguntei se ela ainda gostava ou não do Conde, embora eu ache preocupante ela ficar com alguém com uma personalidade horrível como a que ele tem agora — Gakupo comentou — Mas, você tem razão afinal, Len. Ela é minha melhor amiga, e eu me preocupo com ela... acho que vou perguntar sobre isso da próxima vez que ela vier aqui — Gakupo concluiu, um pouco mais confiante sobre isso, e levantando-se da poltrona — Ah, mas não se esqueça: Esse é um assunto sério e importante que não diz respeito à nós, apenas à Miku-san, então você não pode comentar sobre isso com absolutamente ninguém!
— Não se preocupe, Gakupo-san. Eu sei como guardar segredo. Não vou contar pra ninguém, eu prometo — Len respondeu, levantando-se também — À propósito... obrigado por ter me contado isso, Gakupo-san — ele encarou o mais velho, sorrindo minimamente
— Só contei porque confio em você — Gakupo respondeu, sorrindo de volta, e acariciando o topo da cabeça dele — E nós dividimos um segredo importante com a Miku-san, então... acho que não tem problema em dividir um segredo importante dela conosco também afinal.
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