Loveless
34 Capítulo 34 - ♫ Shinjun no Zankoku ♪
"Mesmo que eu saiba que essa é uma doce armadilha
Sem resistir a curiosidade da tentação
A maldição me prende apertado
O suficiente para me sentir atraído por ela
Encantado pelo fruto do amor..."
~~~~~X~~~~~X~~~~~
Embora Gakupo pretendesse seguir o conselho de Len e perguntar para Miku sobre os sentimentos dela por Kaito, para sua surpresa, a Viscondessa não foi mais visitá-lo, e ele tampouco podia ir até a casa dela, pois, sempre que pretendia fazê-lo, ou Rin ia até a mansão dele para ver Len, ou Haku e Piko iam visitá-lo primeiro, como era o caso agora.
Gakupo havia feito como Miku o instruiu anteriormente e como ele havia pensado antes, tratando Len como sendo apenas seu mordomo na presença dos dois e oferecendo qualquer bebida alcoólica para a Princesa, fingindo ser suco ou qualquer coisa do tipo, porém tinha que fazer de tudo para disfarçar o melhor possível enquanto ela ainda não estava embriagada.
— Sabe, Vossa Excelência... não acho uma boa idéia termos esse tipo de conversa na presença do meu irmãozinho — Haku dizia enquanto bebia com vontade o que ela pensava ser suco de uva — O Piko ainda é muito inocente, coitado, não acho apropriado ele ouvir certas coisas ainda... Piko, por que não vai brincar com o Len-kun no jardim um pouco?
— Ah, boa ideia, Nee-san! — o menino ao lado dela exclamou, com um sorriso exagerado — Vai ser mais divertido do que ficar aqui parado conversan...
— Espere um momento por favor, Alteza — Gakupo o interrompeu, lembrando-se do aviso de Miku sobre o Príncipe, embora ainda não conseguisse ver maldade nenhuma naquele garoto — Ele sempre vai para o jardim com o Len, por que não conversamos os quatro juntos dessa vez? Não falaremos nada inapropriado, afinal, como eu já lhe disse das outras vezes, Len é apenas meu mordomo e nada mais do que isso, não é mesmo, Len?
— É claro, Mestre — Len respondeu prontamente, embora tivesse corado um pouco — Se me permitir conversar com os senhores, terei prazer em participar da conversa
— Bem... talvez uma vez só não faça mal nenhum afinal... — a garota murmurou, já bebendo a segunda taça de "suco". Piko revirou os olhos, percebendo que a irmã já não seria de grande utilidade, e não teve opção além de concordar
— Ótimo! E o senhor, não quer comer alguma coisa, Príncipe? Até mandei preparar todo o tipo de doces, como o senhor gosta — Gakupo ofereceu ao mais novo
— Não, obrigado... não estou com muita fome hoje — Piko respondeu, ainda sorrindo, embora não tão exageradamente como antes. Até estava mesmo com vontade de comer, porém achou melhor ser mais precavido para não acabar como sua irmã
— Nee, Vossa Excelência... eu reparei que o Len-kun mudou um pouco de uns tempos pra cá — Haku comentou, balançando o conteúdo da taça em sua mão, e notando que agora o loiro estava ligeiramente corado e parecia um pouco nervoso, ao contrário do rosto inexpressivo que ele costumava exibir antes — Ele parece mais... não sei... mais "cansativo"...
— Não quis dizer "emotivo", Haku-neesan? — Piko interrompeu, fingindo rir da confusão da irmã, embora estivesse irritado com aquilo
— Sim, sim, emotivo, é isso! — Haku exclamou, apontando escandalosamente para o menino ao lado dela — Eu me lembro que da última vez que o vi, ele não parecia ter nenhuma expressão "imoral"...
— Expressão "facial", Nee-san — Piko corrigiu novamente, com cada vez mais dificuldade de conter sua irritação
— Sim, isso mesmo! Foi isso o que eu quis dizer! — Haku apontou escandalosamente para o irmão de novo, esvaziando a taça em sua mão em um gole só, enquanto Len a enchia pela terceira vez
— Realmente, quando o Len chegou aqui, não demonstrava nenhuma emoção, isso porque ele tinha perdido seus sentimentos durante... bem, durante o tempo em que esteve com o Conde Kaito — Gakupo foi obrigado a concordar — Entretanto, após a internação do Conde, os guardas que o levaram e inspecionaram a mansão dele me informaram que ainda haviam alguns pertences do Len na casa dele e nós fomos lá buscar. O Len de fato não trouxe nenhum objeto material consigo... entretanto, parece que, de alguma forma, ele recuperou os sentimentos dele, que o Len havia perdido na mansão do Conde. Essa é a razão dele estar demonstrando mais emoções agora — o Duque explicou pacientemente o que era de fato verdade, ocultando apenas a parte que envolvia a mudança do relacionamento dele com Len
— Que curioso... nunca ouvi falar de nada parecido antes — Piko comentou, fingindo estar impressionado com isso — Então o Len-kun realmente conseguiu recuperar os sentimentos dele apenas voltando ao lugar onde ele os perdeu? Não aconteceu mais nada que possa tê-lo influenciado ou ajudado a recuperar as emoções dele?
— Bem... não que eu saiba... — Gakupo respondeu, surpreso com o fato de aquela pergunta ter vindo justamente da pessoa mais jovem presente na sala — Quero dizer, o Len conseguiu se tornar um pouco mais expressivo depois que se acostumou a trabalhar aqui, mas ele só parecia ficar curioso ou incomodado com uma coisa ou outra de vez em quando, nunca demostrou sentir tristeza ou felicidade antes disso, ele nem mesmo sorria...
— Então ele se sentia incomodado? Com o que, por exemplo? — o Príncipe insistiu
— B-Bem...
— Aposto que o Len-kun ficou incomodado porque o Duque fazia coisas pervertidas com ele! — Haku gritou de repente, e Gakupo percebeu que ela já tinha tomado uma garrafa inteira de vinho e já estava partindo pra segunda, desistindo da taça vazia na mesa e bebendo no gargalo mesmo. Gakupo piscou, meio atordoado com o quanto a garota já havia bebido, e Len corou com a acusação da Princesa. Piko mordeu os lábios, tentando pensar em uma maneira de continuar parecendo uma criança inocente enquanto Haku ainda gritava — Francamente, e meu pai ainda quer que eu me case com o senhor, agora que se separou da Marquesa de Rose, dá pra acreditar nisso, Vossa Excelência?!
— Realmente, é difícil de acreditar... — Gakupo respondeu, sem conseguir conter uma risadinha
— Etto... o que é pervertido? — Piko perguntou, com a cara mais inocente que conseguiu fazer
— Essa não é uma palavra muito bonita... acho que a sua irmã tem razão, talvez seja melhor o senhor não saber sobre isso ainda, Príncipe — o Duque sorriu para o mais novo, começando a notar que Miku tinha razão sobre aquele menino ser mais dissimulado do que parecia
— É, ele não pode saber mesmo! — Haku exclamou, elevando a voz algumas oitavas — Mas, francamente, eu não quero ter que me casar com Vossa Excelência caso o senhor tenha esses gostos estranhos... se bem que, no fundo, eu preferia que isso tudo fosse verdade, assim meu pai não me obrigaria a casar com o senhor!
— Essa história sobre seu suposto casamento com o Duque era pra ser segredo, se lembra, Haku-neesan? — Piko falou para a irmã, que arregalou os olhos e tampou a boca com as mãos, percebendo tarde demais que havia falado mais do que devia
— Ah, é mesmo.... bom, mas agora ele já sabe mesmo, então que se dane! — ela exclamou por fim, tomando mais um gole de vinho
— Bem, se esses boatos estranhos que correm pelo reino forem verdadeiros, o seu casamento com o Duque realmente seria cancelado, entretanto isso de nada adiantaria, pois o papai apenas lhe arranjaria um outro noivo, Haku-neesan — Piko lembrou, sem mais conseguir forçar um sorriso — Porém, se os boatos forem mesmo verdadeiros... seria muito ruim para o senhor, não é mesmo, Excelência?
— Sabe, Alteza, eu não tenho saído muito ultimamente, então estou um pouco desatualizado sobre esses tais boatos... o que eles dizem exatamente mesmo? — Gakupo indagou, forçando um sorriso amigável. Piko piscou, surpreso com a pergunta, e forçou um sorriso antes de responder
— B-Bem, na verdade eu também não saio muito, apenas quando venho visitá-lo com a minha irmã... mas, parece que andam dizendo que o senhor anda fazendo... ahn... coisas estranhas com o Len-kun — ele respondeu com o sorriso mais inocente que conseguiu demonstrar — Eu não entendi muito bem o que são exatamente essas "coisas estranhas", mas parece que não é nada bom
— Entendo... porém, "coisas estranhas" é uma definição muito vaga, pode ser uma imensa variedade de coisas, não acha? — Gakupo comentou, sem se deixar abalar — Não saberia me dizer o que exatamente dizem esses boatos? Mesmo que Vossa Alteza não entenda, talvez o senhor tenha ouvido alguma coisa a mais
— Não, eu... realmente não sei do que se trata exatamente... — Piko respondeu após alguns segundos pensando, e notou o que o Duque estava tentando fazer. De alguma forma, Gakupo havia sido alertado sobre o verdadeiro caráter dele, e estava tentando fazer sua máscara cair. Pensou rapidamente em quem poderia tê-lo alertado sobre isso, enquanto continuava a conversa, com mais cuidado nas palavras que dizia — Mas, segundo a Haku-neesan... que parece ter caído no sono depois beber esse suco estranho, aliás — ele continuou, notando que a garota ao lado dele estava dormindo profundamente a sabe-se lá quanto tempo — Parece que o senhor tem feito as mesmas coisas que o Conde Kaito fazia com ele — o mais novo acusou, e Len se remexeu ao lado dele, incomodado — Seja lá o que Vossa Graça fazia com o Len-kun... parece que não era nada bom. E, se o senhor por acaso estiver fazendo as mesmas coisas que o Conde de Bleu fazia, cedo ou tarde pode acabar como ele, ou talvez até de um jeito pior... creio que o senhor perderia seu título como Duque de Pourpre e seria preso, ou algo assim, eu acho
— Realmente, isso seria terrível — Gakupo concordou, bebendo um gole do que realmente era suco de uva para disfarçar o nervosismo — Mas, nem o senhor e nem sua irmã precisam se preocupar com isso, Alteza. Não estou obrigando o Len a fazer nenhuma das "coisas estranhas" que o Conde fazia com ele, posso lhe garantir
— Bem, espero que seja verdade... porque, se for provado o contrário, nem quero pensar no que poderia acontecer ao senhor — Piko respondeu, fingindo preocupação, embora aquilo soasse mais como uma ameaça — Aliás, por acaso o senhor tem visto a Viscondessa de Vert ultimamente, Vossa Excelência? — ele indagou, fingindo um sorriso curioso, mudando repentinamente de assunto
— A Miku-san? Não... faz alguns dias que não a vejo — Gakupo respondeu, confuso com a mudança repentina de assunto — Por que a pergunta?
— Ah, nada em especial... é que eu soube que os senhores são amigos de infância, e que ela é sua melhor amiga, não é?
— Sim, somos amigos de infância — Gakupo confirmou — Mas o que isso tem a ver com o Len?
— Ah, nada, realmente nada... é que, como meu pai está estudando a possibilidade de tornar a minha irmã sua noiva, eu acabei me lembrando disso, e estava pensando... se o senhor e a Viscondessa realmente são apenas amigos ou se nutrem outro tipo de sentimentos um pelo outro... eu não iria querer que a minha única irmã se casasse com alguém que já está apaixonado por outra moça, entende? — Piko respondeu, ainda sorrindo, e fingindo uma preocupação que não sentia pela irmã
— É realmente admirável a sua preocupação com sua irmã — Gakupo sorriu de volta, dessa vez notando o fingimento do garoto — Mas, não precisa se preocupar com isso, Alteza. Miku-san é realmente minha amiga infância sim, porém eu não tenho nenhum tipo de sentimento amoroso por ela. Embora seja uma boa pessoa, ela é meio... ahn... — ele fez uma pausa, tentando arranjar uma definição mais educada para "irritante e escandalosa" — B-Bem, ela é uma pessoa muito agitada e energética, sabe... é agradável vê-la de vez em quando, mas, sinceramente, precisaria ter muita paciência e bom-humor para conviver com alguém assim todos os dias, e eu não tenho tanta tolerância assim
— Entendo... realmente, a Viscondessa é um tantinho energética mesmo — Piko concordou, sorrindo, e estudando mentalmente a possibilidade sobre Miku ter avisado Gakupo sobre o verdadeiro caráter dele — Bem, mas de qualquer forma... já que a Haku-neesan não está mais participando da conversa, acho que vou me retirar por hoje, estou meio cansado... sem falar que ficar sentado conversando é muito chato, quero ir pra casa brincar! — ele exclamou, num tom falsamente mimado e infantil. Começou então a cutucar a irmã para acordá-la — Ei, acorde, Haku-neesan! A conversa acabou, vamos embora!
— Hein? O que? Que foi? Não fui eu! — Haku olhou para os lados, assustada, acordando bruscamente
— Eu disse que a conversa acabou, Nee-san, vamos voltar para o Palácio — Piko repetiu, contendo por pouco a irritação que sentia
— Ahh, mas jáááá?! — ela exclamou, em um tom muito mais mimado e infantil do que o irmão, e curiosamente mais sincero — Eu queria beber mais desse suco maravilhoso... o senhor tem que me dar a receita depois, Excelência!
— Não se preocupe, prometo lhe dar mais desse suco sempre que a senhorita voltar aqui, Princesa — Gakupo sorriu para ela, no que pretendia ser um sorriso gentil, mas na verdade estava era rindo do fato de ela ainda acreditar que aquele vinho era suco
— Ah, que maravilha! Então voltaremos logo! — ela exclamou, colocando-se de pé de repente. Cambaleou um pouco, mas, assim que conseguiu se equilibrar, acrescentou — Então, isso é tudo por hoje! Vamos embora, Piko!
— Claro, Nee-san... até breve, Duque Gakupo, Len-kun — ele sorriu o mais gentilmente que pôde para os dois, e seguiu a irmã até a saída, enquanto ela ainda exclamava à altos brandos todo o tipo de coisa sem sentido. Quase um minuto depois que os dois saíram, Len indagou baixinho
— O senhor reparou em alguma coisa diferente no Príncipe, Mestre? Ele parecia um pouco estranho, mas... parecia estar apenas irritado com alguma coisa, não era como a Miku-sama nos contou...
— Ele estava bem estranho mesmo. E é agora que nós vamos descobrir se aquilo era ou não verdade
— Agora? Mas como, se eles já foram embora? — o loiro indagou confuso
— Do mesmo jeito que a Miku-san fez, ora bolas. Vamos, me siga, e não faça barulho! — ele respondeu num sussurro, e se dirigiu até o lado de fora o mais silenciosamente que pôde.
Len seguiu o mais velho até o lado de fora e, escondendo-se atrás dos arbustos que haviam no jardim, os dois puderam ouvir os irmãos conversando:
— E então, o que eu perdi? Algum progresso? — Haku perguntava, ainda cambaleando um pouco
— Não graças à você, que se embriagou de novo — Piko respondeu, agora definitivamente irritado
— Ah, mas eu não pude resistir... aquele suco era tão delicioso, eu tinha que provar! — a garota exclamou em um tom manhoso
— Isso porque aquilo que você bebeu não era suco coisa nenhuma, era alguma bebida alcoólica, Nee-san — o mais novo rebateu — Mas, houve um progresso na investigação sim. E um muito surpreendente, por sinal...
— Sério?! Me conta, me conta! Adoro uma fofoca! — ela exclamou à altos brandos
— Na verdade não é um progresso muito bom. Parece que, de alguma forma, o Duque descobriu a verdade sobre mim — ele respondeu, entre preocupado e irritado
— Ehh?! Mas como isso?! Esse seu rostinho adorável e infantil sempre foi o disfarce perfeito, ninguém nunca percebeu que você não passa de um pirralho falso e dissimulado antes!! — Haku exclamou em choque, mais alto do que devia
— Fale baixo, Nee-san, quer que o reino inteiro descubra sobre isso, é?! — ele rebateu em um tom de repreensão, e Haku tampou a boca com as mãos, balançando a cabeça negativamente. Piko soltou um suspiro cansado, e acrescentou, um pouco mais calmo — Parece que alguém já havia descoberto sobre mim antes, e alertou ao Duque sobre isso. Provavelmente foi esse o motivo de ele ter preferido que nós quatro conversássemos juntos ao invés de me deixar interrogar o Len-kun à sós, como antes. Eu desconfio que tenha sido a Viscondessa de Vert... ela é amiga de infância do Duque, e foi a última pessoa que investigamos antes dele afinal
— Ehh, quem diria... e eu que pensava que esse seu rostinho fofo e inocente seria capaz de enganar qualquer pessoa desse reino! Parece que sua fofura está acabando agora que você está mais crescido, Piko! — ela exclamou, como se a culpa fosse dele por estar crescendo
— Não diga tolices, eu continuo com o mesmo rosto adorável de quando tinha nove anos de idade — ele rebateu, um tantinho ofendido — E o crescimento não é algo que se possa ser controlado, caso tenha se esquecido, Haku-neesan
— Ah, é verdade — ela concordou, parecendo ter realmente se esquecido desse fato — Mas, se o Duque descobriu mesmo sobre você, isso vai ser um problema... assim será mais difícil de continuar a investigação
— Não se preocupe, Haku-neesan. Vou pensar em alguma coisa, e conseguiremos continuar com os interrogatórios de alguma forma. Afinal, enquanto eu continuar fingindo ser apenas um garotinho inocente que não sabe de nada da vida, ele não poderá me acusar do contrário... não é? — ele sorriu de um jeito maldoso e dissimulado para a irmã, que riu escandalosamente, concordando.
Em seguida, os dois irmãos entraram na carruagem que os aguardava do lado de fora da mansão e partiram. Pouco mais de um minuto depois, Gakupo voltou em silêncio para dentro da mansão, e Len o seguiu, meio desnorteado.
— Mestre Gakupo? — o loiro chamou, parecendo preocupado — Está tudo bem?
— Bom... parece que a Miku-san estava certa sobre o Príncipe afinal — ele respondeu, também preocupado — Quem diria, hein, ela estava realmente tinha razão dessa vez — ele comentou, mais surpreso com o fato de Miku ter acertado alguma coisa importante do que com o verdadeiro caráter de Piko
— Realmente é uma surpresa... eu jamais imaginaria que Sua Alteza Piko fosse esse tipo de pessoa — Len respondeu, mais surpreso com a verdadeira personalidade de Piko do que se Miku tinha ou não razão em alguma coisa — E pensar que o Príncipe é mais novo do que eu.... ele parecia ser um menino tão alegre e ingênuo quando o conheci. Cheguei a me perguntar... se eu também seria assim se "aquilo" não tivesse acontecido...
— Eu não sei que tipo de pessoa você seria se seus pais ainda estivessem vivos... mas, fico feliz por você não ter se tornado o mesmo tipo de pessoa que o Príncipe. Apesar de todas as coisas horríveis que aconteceram no seu passado... acho que agora você é uma pessoa muito melhor do que ele, Len — Gakupo falou, voltando-se para o mais novo, e acariciando de leve o rosto dele
— Gakupo... san... n-não, quero dizer, Mestre... — ele se atrapalhou com as palavras, corando com o simples toque do Duque em sua pele — É melhor não fazermos essas c-coisas aqui na sala... a-alguém pode ver...
— Eu não ia fazer nada... só senti vontade de acariciar eu rosto — Gakupo respondeu meio surpreso, afastando a mão da bochecha dele, que pareceu ficar misteriosamente fria sem o toque do mais velho — A menos que... você queira fazer... é isso?
— Não! E-Eu não... não quero fazer nada agora... q-quero dizer... bem...
— Se você sentir vontade, pode me dizer, Len. Ao contrário de antes, você tem o direito de escolha agora — Gakupo lhe lembrou, sorrindo para o mais novo, que apenas corou ainda mais com as palavras dele
— E-Eu sei disso... — ele murmurou fracamente, abaixando a cabeça numa tentativa de fazer com que a franja escondesse o rubor de seu rosto — É só que... a-acho perigoso fazer essas c-coisas agora, que o Príncipe e a Princesa acabaram de sair... q-quero dizer, seria ruim se eles voltassem de repente
— Sim, você tem razão... é melhor não arriscar — Gakupo concordou, mais sério — Aliás, você conseguiu disfarçar muito bem na frente deles, foi incrível. Mas, precisamos tomar mais cuidado daqui pra frente. Miku-san já descobriu sobre nós, embora eu tenha certeza de que ela não vai contar nada pra ninguém... e parecesse até feliz com isso, não sei porque... — ele comentou, ainda confuso com toda a empolgação que a Viscondessa demonstrou quando descobriu sobre eles — Mas, será perigoso se mais alguém souber, principalmente aqueles dois
— Não se preocupe, Mestre Gakupo. Não vou deixar nada inapropriado escapar, e continuarei fingindo que o senhor é apenas o meu Mestre até que essas suspeitas acabem... eu prometo.
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