Loveless

14 Capítulo 14 -♫ Shujin Prisioner ♪


"Sua existência me fez sentir
Como toda mentira pode ser verdade
'Venha aqui e converse comigo'
Você nunca saberá da minha agonia
Observando você de onde estou,
Sei que essa felicidade foi muito pequena
Para o amanhã"

~~~~~X~~~~~X~~~~~

Alguns dias se passaram e, quanto mais o tempo avançava, mais Gakupo tinha certeza do quão fortes eram os sentimentos que nutria por Len, bem como a certeza de que não poderia escondê-los por muito tempo. Cogitou mais de uma vez se deveria contar sobre como ele se sentia para Len, mas sempre acabava chegando na mesma conclusão: De que o loiro não acreditaria, e que simplesmente pensaria que Gakupo estava tentando encontrar uma desculpa para tirar proveito do corpo dele, assim como já haviam feito antes. Outras vezes, porém, chegou a temer que o mais novo descobrisse sobre os sentimentos dele, e do tipo de reação que teria se soubesse, mas logo descartou a hipótese de ele perceber sozinho. Afinal, Len havia descartado suas próprias emoções, há tempos que não sentia nada e era absolutamente incapaz de perceber os sentimentos alheios, não havia como ele notar aquilo sozinho.

Mas, agora que parava pra pensar nisso... como foi que Len se desfez de suas emoções humanas mesmo? Gakupo conhecia o propósito, e sabia que ele havia feito aquilo para que não sofresse mais com os maus-tratos de Kaito, no entanto nunca perguntara como Len tinha conseguido fazer essa proeza. Quero dizer, não se pode simplesmente "pegar" os sentimentos como se eles fossem uma embalagem vazia e inútil de alguma coisa e simplesmente "arrancar" eles para fora de seu peito.

Gakupo descobriu a resposta para aquela curiosa pergunta em um dia em que Neru foi até a casa dele.

— B-Bom dia Vossa Excelência — a garota cumprimentou nervosa, parada à porta dele

— Você é... a nova dama de companhia da Luka, não é? — ele indagou incerto. Lembrava-se do rosto daquela garota, bem como das difamações que ela havia feito contra ele, ainda que não tivesse falado nada diretamente. Mas não tinha certeza se ela era uma serva de Luka ou se a conhecia de algum outro lugar

— S-Sim senhor, sou Neru — a garota confirmou, evidentemente nervosa em estar sozinha com ele — D-Desculpe incomodá-lo, mas trago uma mensagem de minha Mestra Luka. E-Ela me pediu que entregasse esses documentos ao senhor... acha que poderão ajudar a acelerar o processo de... ahn... divórcio, entre os senhores — ela explicou, estendendo uma pequena pilha de papéis para ele com as mãos trêmulas

— Tecnicamente, não é divórcio, já que não nos casamos e nem pretendemos fazer isso — o Duque corrigiu, pegando os papéis que a loira lhe entregava — Mas, obrigado por trazê-los. Vou dar uma olhada neles depois com calma. Ou... por acaso a Luka estava querendo a resposta pra isso hoje?

— E-Ela disse que, de preferência, sim...

— Droga, aquela garota abusada — o homem resmungou, alheio ao fato de estar falando mal da Mestra de Neru na frente dela, e que ela poderia contar para Luka que ele falava mal dela depois. Na verdade, não se importaria muito mesmo se a loira contasse — Está bem, vou ver do que se trata, espere um pouco... aliás, por que a própria Luka não veio, hein??

— M-Minha Mestra disse que estava ocupada demais com outros assuntos para... err.... d-desculpe o palavreado, mas, nas palavras dela, para.... "a-aturar aquele chato rabugento"... d-desculpe!

— Típico dela — Gakupo resmungou, já acostumado com as ofensas da Marquesa, afinal, ele vivia ofendendo ela também — Bem, vou ver do que se tratam esses documentos de qualquer forma

— Certo... err... — ela balançou-se para frente e para trás nas plantas dos pés, parecendo mais receosa agora, do que o simples nervosismo que sentia antes — E-Enquanto eu espero, será que... q-que o senhor me permitiria... c-conversar um pouco com o Len-kun?

— O que você quer falar com o Len? — ele arqueou uma sobrancelha, seu mau-humor dobrando instantaneamente

— Ah, não é nada de mais! — Neru apressou-se a dizer, ligeiramente corada -É só que... b-bem, eu meio que trabalhei junto com ele por vários anos, então... sabe... q-quero dizer...

— Pode ir, ele está na cozinha. Só não atrapalhe o serviço dele — Gakupo acabou cedendo, e a garota conteu por pouco um enorme sorriso, fazendo uma apressada reverência e se retirando logo depois.

Gakupo não gastou nem dez minutos analisando aqueles documentos. Eram uma cópia do testamento dos pais de Luka, que deixavam tudo para ela caso eles viessem a falecer, e que mencionava o casamento arranjado dos dois. Não dizia em lugar nenhum que eles ainda seriam obrigados a casar caso os pais dela morressem, nem nada sobre ela não ter direito à herança caso se recusasse a casar com ele, apenas constava que ela só poderia usufluir dos bens que lhe foram deixados como bem desejasse após se tornar maior de idade, que seria também quando ela teoricamente deveria se casar com Gakupo. Aquilo tanto poderia ajudar na separação quanto poderia ser completamente inútil, depende de como a informação fosse usada. Ele provavelmente teria que levar os documentos a um tabelião para que ele analisasse melhor as informações, mas Gakupo acreditava que eles poderiam vir a ser úteis, já que não constava nada lá que obrigasse eles a se casar mesmo após a morte dos pais da Marquesa.

Gakupo já ia chamar a tal Nemu, ou seja lá que nome tinha aquela garota (que aliás, era tão inconveniente quanto sua Mestra, na opinião dele) quando parou a meio caminho da porta da cozinha. Lembrou-se subitamente do pedido dela para falar com Len, e foi arrebatado por uma enorme curiosidade de saber o que ela tanto queria falar com o garoto afinal. Gakupo não era do tipo fofoqueiro, seria mais a cara de Miku fazer isso, mas aquele assunto realmente o tinha deixado intrigado, então ele parou ao lado da porta da cozinha, apurando os ouvidos.

— Acha que está bom assim, Neru-neechan? — Len dizia com sua voz monótona e inexpressiva de sempre, do outro lado da porta

— Humm... eu colocaria um pouco mais de açúcar se fosse você — a garota respondeu

— Mas o Mestre Gakupo gosta de coisas amargas... ele sempre reclama quando faço muito doce, mas eu nunca sei quanto de açúcar devo colocar — o mais novo respondeu incerto

— Humm... de coisas amargas né? — ela repetiu — Acho que só uma colher está bom então

— Certo — ele despejou uma colher de açúcar dentro da xícara com chá que pretendia levar para Gakupo mais tarde

— Você não mudou nada mesmo, hein Len-kun... — Neru comentou, enquanto observava o garoto misturando o açúcar com o líquido fumegante — Sempre pensando nos outros, no que é melhor para a sua irmã ou no que o seu Mestre gosta ou deixa de gostar... até esse seu jeito distante continua igual. Pensei que você conseguiria adquirir ao menos um pouco de vontade própria depois de se livrar do Conde Kaito

— Vontade própria de nada serve para um simples criado, Neru-neechan — Len respondeu, mexendo o chá — E por que eu haveria de mudar... eu me livrei do meu coração humano e joguei meus sentimentos fora, lembra?

— Claro que me lembro... eu estava lá afinal.

*** Início do Flash-back ***

Quatro anos atrás

No quarto/masmorra em que Len costumava ficar aprisionado quando vivia na mansão de Kaito, ele estava acorrentado à uma parede, dessa vez apenas pelo pescoço, como se fosse um cachorro usando uma coleira, com a cabeça abaixada e a franja cobrindo parcialmente o rosto manchado de lágrimas. Ele trajava um vestido cor de rosa com muitos babados que devia ter sido muito bonito quando estava inteiro, mas que agora estava rasgado em vários pontos, deixando boa parte do peito dele à mostra, e também as pernas. Neru estava ajoelhada de frente para ele, com o coração partido por vê-lo naquele estado e não poder falar nada para tentar consolá-lo. Enxugava as lágrimas dele com a ponta do avental manchado, interiormente temendo que Kaito chegasse e visse o que ela estava fazendo, já que sua função era apenas alimentá-lo. Aos poucos, Len foi parando de chorar. Os soluços cessaram, e o rosto antes desesperado dele foi se tornando aos poucos desolado, para então não expressar nada mais que um imenso vazio em seus olhos azuis.

— Está tudo bem, moça... não precisa mais enxugar minhas lágrimas, se o Mestre ver ele vai brigar com você — ele forçou-se a dizer, embora ainda houvesse um nó em sua garganta. Ela recuou um pouco a mão que segurava a ponta do avental que usava para limpar o rosto dele, hesitando, e então balançou negativamente a cabeça, como quem diz "não me importo com isso". Naquela época, Neru tinha sido proibida de falar com Len, por isso não podia lhe dizer qualquer palavra de conforto, nem mesmo seu nome — É sério, não precisa fazer isso, você terá problemas assim... eu vou ficar bem agora, não se preocupe — ele insistiu, e Neru olhou para ele interrogativamente — Não sei se você sabe sobre isso, mas eu só estou preso aqui por causa de minha irmã. Eu tenho uma irmã gêmea, sabe, o nome dela é Rin, e era ela quem o Mestre Kaito queria, e não eu... mas eu estranhei ele querer tanto assim uma garota, que temi que fosse para fazer alguma maldade com ela, e por isso troquei de lugar com minha irmã e vim pra cá no lugar dela. E eu estava mesmo certo afinal... era pra isso que o Mestre Kaito queria ela no fim das contas. Nós somos órfãos, sabe, e a Rin-oneechan é a única família que me resta... eu não podia deixar que nada de mau acontecesse com ela, por isso vim pra cá mesmo sabendo o que aconteceria. Apesar de que no início eu pensava que isso não seria possível pelo fato de eu ser um menino... que tolo eu fui. Não fazia a menor idéia na época. Mas, se eu puder servir como substituto para proteger minha irmã, então está tudo bem. Eu preciso aguentar isso por ela. Mas o problema mesmo é que isso me faz sofrer demais... e não é só uma dor física. Bem, claro que... d-dói fisicamente, quero dizer... — ele fez uma pausa, corando. De repente percebeu que não deveria estar falando sobre esse tipo de coisa com uma garota que ele nem sequer sabia o nome — B-Bem, o problema é que não é apenas uma dor física, é também emocional... meu peito dói, e meu coração se contorce de um jeito horrível cada vez que ele... f-faz aquelas coisas... minha inocência como uma criança, meu orgulho como um homem, minha honra como pessoa, tudo, tudo... foram tomados de mim por ele. Sinto uma dor pungente e terrível, uma após a outra, e só tem piorado... mas eu não posso sair daqui ou então ele irá atrás da minha irmã, e eu não quero que a Rin-oneechan passe por essas coisas tão cruéis e humilhantes. Eu tenho que permanecer aqui e aguentar... e, para aguentar, eu preciso dar um jeito de parar de sofrer tanto assim com isso, ou vou acabar morrendo de tristeza. Se eu morrer, ele irá atrás da Rin-oneechan, e isso eu não posso permitir. Então o que eu preciso fazer... é eliminar a causa da minha dor, para que eu não sofra mais e não acabe morrendo de tristeza. O que causa essa dor tão grande é o meu coração, que sempre se contorce e bate pungentemente cada vez que ele me toca... então eu só preciso me livrar dele.

Len levou as duas mãos ao peito, e por um momento Neru alarmou-se, pensando que ele iria perfurar o próprio coração, mas tudo o que o garoto fez foi encostar a palma das duas mãos no peito nu, pressioná-lo com força, fechar as mãos com elas ainda encostadas em seu tórax, como se estivesse arrancando alguma coisa fora, e em seguida movendo as mãos para a frente e abrindo-as de novo, como se estivesse atirando alguma coisa longe. Neru encarou o rosto dele de novo, e pela primeira vez não conseguiu definir sua expressão facial. Isso porque ele não tinha nenhuma.

— Pronto. Não preciso deles. Se ter sentimentos me faz apenas sofrer, então... eu não preciso mais deles. Agora você nunca mais precisará enxugar minhas lágrimas... porque eu não vou poder mais chorar — o loiro disse simplesmente. Para ela, aquilo parecia ser apenas um gesto simbólico, porém, de alguma forma, parecia mesmo ter surtido algum efeito, já que ele não demonstrava mais nenhuma emoção. Neru sentiu o lábio inferior estremecer, e uma lágrima solitária escorreu pelo rosto dela. Era tão triste que um garoto tão jovem tivesse que passar por tudo aquilo.... e ela não pudesse fazer nada para ajudá-lo! Não tinha entendido muito bem como Len tinha feito aquilo, mas ele parecia ter realmente arrancado seus sentimentos para fora do peito, já que o rosto dele não demonstrava emoção alguma — O que foi? Pensou mesmo que eu ia arrancar meu coração fora, moça? Foi só modo de falar... eu não poderia fazer isso, senão morreria, e minha irmã acabaria caindo nas mãos do Mestre Kaito afinal — ele explicou calmamente, sem emoção alguma — Desculpe, eu deveria ter dito "sentimentos", e não “coração". Desculpe, moça, não queria te deixar triste... por favor, não chore... — ele estendeu uma mão e enxugou a lágrima dela, embora mal alcançasse o rosto da garota, já que estava acorrentado à parede.

Em um ato impulsivo e potencialmente perigoso, Neru o abraçou. Por dentro estava morrendo de medo de que Kaito entrasse lá agora e visse aquilo, certamente mandaria decapitá-la ou coisa parecida se descobrisse, mas ela queria poder fazer alguma coisa por aquele menino. Estava proibida de falar com ele, mas... tecnicamente, Kaito nunca disse "você está proibida de abraçá-lo" afinal.

— Isso é... bom... — Len murmurou depois de vários segundos, fechando os olhos. Os braços dela eram calorosos e aconchegantes, e ela tinha um cheiro bom de flores, apesar de ser uma mera empregada que estava sempre suja... devia ser o cheiro dos produtos de limpeza ou coisa assim. Há muito tempo ele não era abraçado dessa forma... era tão diferente de quando Kaito o agarrava à força, sem se importar se estava machucando ele ou não. Parecia mais... com a lembrança que tinha de quando Rin o abraçava. Sentiu que ela começara a afrouxar o abraço e já ia soltá-lo, então acrescentou antes que ela o fizesse — Me faz um favor, moça? Fique assim... só mais um pouquinho. Por favor.

Neru hesitou, mas voltou a abraçá-lo com força, afagando os cabelos dele com uma das mãos. Porém precisou soltá-lo alguns segundos depois, ela já estava abusando da sorte agindo assim. Ela baixou os olhos, ficando repentinamente embaraçada e sem saber como encará-lo depois daquilo, e seus olhos se voltaram então para a bandeja de comida que ela tinha trazido para ele, e que o garoto se recusara várias vezes a aceitar por causa do desespero em que se encontrava, caindo no choro depois da quinta insistência dela em fazê-lo comer. Cutucou Len para chamar sua atenção e apontou para a bandeja logo depois.

— Ah, sim... acho que eu deveria comer agora. Meu corpo precisa de alimento pra ficar forte, pra que eu possa resistir ao que está por vir afinal — ele concluiu, pegando um sanduíche da bandeja e mordendo. Mastigou um pouco, e perguntou depois de engolir — Foi você quem fez, não foi, moça? — ele encarou Neru, e ela se sobressaltou com a pergunta, mas balançou a cabeça confirmando — Está bom... — ele comentou, mordendo outro pedaço, sem perceber que tinha feito ela corar com o comentário. Ele terminou de comer em silêncio, e quando acabou ela recolheu a bandeja vazia e se retirou, deixando ele sozinho de novo.

*** Fim do Flash-Back ***

Gakupo afastou-se vagarosamente da porta da cozinha, sentindo seu corpo inteiro tremer com aquela conversa. Jogou-se no sofá mais próximo, sentindo as pernas bambas, sua mente trabalhando rápido, e o coração batendo dolorosamente. O tempo todo ele soubera o que Len tinha passado naquela casa, mas ele só conhecia os fatos porque as pessoas contaram pra ele, o Duque não presenciara realmente toda dor e sofrimento pelos quais Len tinha passado. Ouvindo aquela história, tão detalhada, parecia fazer ele pela primeira vez tomar consciência de fato do que Len tinha sofrido. Como o loiro tinha conseguido suportar tudo aquilo durante todos esses anos?! Gakupo não fazia a menor idéia. Sabia que Len tinha feito aquilo para salvar a irmã, mas não compreendia bem como ele conseguiu aguentar aquilo, talvez pelo fato de ele ser filho único. Gakupo queria tanto ter estado lá para ajudá-lo a suportar todo aquele sofrimento... para livrá-lo de uma fez das garras daquele homem! Ele soubera durante todos esses anos o que Len estava passando, assim como o reino inteiro sabia, e sentia muita pena dele, assim com o os demais, no entanto nunca fizera nada para ajudá-lo. Estava sempre ocupado tentando inventar desculpas pra se livrar do casamento com Luka, ou sendo importunado por Miku... depois teve a morte dos pais dele e, meses depois, a morte dos pais da Marquesa também. Depois sua vida resumiu-se aos seus deveres como Duque e buscar por uma forma de se separar de vez de Luka. Nunca tinha parado pra pensar em ajudar alguém que estava realmente precisando ser salvo, em ajudar uma criança inocente que estava sofrendo injustamente... e arrependia-se terrivelmente por isso. Mais do que nunca o sentimento de culpa tomou conta dele. Como ele podia dizer que amava Len? Como poderia se dizer estar apaixonado se nunca moveu um dedo para salvá-lo quando ele realmente precisava?! Ele não tinha o direito de amá-lo... não tinha o direito nem de ousar querer devolver o coração humano do qual o próprio loiro se livrou anos atrás. Estava começando a desejar poder arrancar seu coração fora também, assim como Len tinha feito antes, para se livrar daquela culpa terrível que o corroía por dentro, quando a porta da cozinha se abriu, sobressaltando-o.

— Mestre, eu trouxe chá — Len anunciou sem emoção nenhuma, depositando na mesa a bandeja com chá e biscoitos que ele trazia nas mãos. Neru vinha andando logo atrás dele, de cabeça baixa para evitar encarar Gakupo nos olhos

— Ah, certo... o-obrigado — Gakupo titubeou, sem saber como encará-lo depois de ouvir tudo aquilo

— Algum problema Mestre Gakupo? — o loiro indagou, inclinando ligeiramente a cabeça para o lado enquanto o encarava

— Não, não é nada — ele mentiu, tomando um gole de chá em seguida para disfarçar — Está muito bom, Len

— Mesmo? — o loiro surpreendeu-se, e Gakupo confirmou com um aceno de cabeça — Que bom. Neru-neechan que me ensinou a fazer

— Você... gosta mesmo dessa garota, não é, Len? — Gakupo observou, fazendo a garota corar com a pergunta

— Não sei... eu esqueci o que significa "gostar" — ele respondeu incerto, meio confuso com a pergunta — Mas Neru-neechan sempre cuidou bem de mim enquanto eu estava preso... e tem me ensinado a cozinhar também. Então eu acho que seria bom se eu a visse mais vezes

— Ela pode vir te visitar de novo se quiser... eu não me importo — o Duque falou, embora aquilo fosse uma tremenda de uma mentira deslavada.

Ele se importava, e muito. Por ele, Len nunca mais veria aquela garota abusada na vida! Mas Len era realmente apegado á ela... e, pelo que tinha entendido, Neru era a única companhia que ele tinha enquanto estava aprisionado na mansão de Kaito, muito embora ela não pudesse falar com ele. Gakupo realmente odiava aquela garota, tavez mais até do que odiava Luka, mas... se ver aquela garota atrevida de vez em quando pudesse deixar Len mais feliz, então valeria a pena o sacrifício. Aquilo não seria nada perto do sacrifício que Len tinha feito para salvar Rin afinal. Gakupo estava realmente se sentindo culpado naquele momento, e talvez no fundo isso fosse apenas um desejo egoísta de diminuir sua culpa, mas ele ainda sentia que não tinha o direito de gostar de Len depois de não ter feito nada para salvá-lo. Ele não viu as coisas horríveis que o loiro sofreu, podia apenas imaginar o quão doloroso devia ter sido. Mas, Neru sim, viu tudo, e sempre soube de tudo. E sempre esteve ao lado dele, lhe ajudando e lhe dando apoio, mesmo sem poder falar com ele. Gakupo sabia que, o que no início devia ser só por pena, mas aos poucos foi se transformando em outra coisa, e que aquela garota provavelmente também gostava de Len. Aquela constatação lhe provocava uma enorme onda de ciúmes e inveja dela, que provavelmente tinha bem mais chances de ficar com Len do que ele, embora Gakupo não pudesse fazer nada para mudar esse fato além de perceber os pequenos detalhes que provavam que sua conclusão infelizmente devia estar correta. Prova disso era o quanto Neru parecia ficar incomodada quando o loiro a chamava de "Nee-chan". Ela não queria ser como uma irmã pra ele, queria ser era outra coisa. Mas o garoto desprovido de sentimentos que Len era agora jamais perceberia isso sozinho. Assim como ele jamais notaria o que Gakupo sentia por ele, e o Duque realmente não sabia dizer se isso era bom ou ruim.

— Verdade, Vossa Excelência? — Neru indagou de repente, despertando-o de seus devaneios — P-Posso mesmo vir visitar o Len-kun mais vezes?

— Bem... se não for atrapalhar o serviço dele... e se for só de vez em quando, não tem problema — ele respondeu à contragosto

— Ah, não, imagina! Até ajudo com o trabalho dele se precisar! Obrigada, de verdade, Vossa Excelência, não sabia que o senhor era uma pessoa tão generosa! — ela exclamou, com um sorriso radiante em seu rosto. Ainda tinha medo de Gakupo, principalmente depois do que ele lhe disse quando se conheceram, mas se pudesse ver Len mais vezes, ela daria um jeito de superar isso

— Mas pergunte à sua Mestra se você pode fazer isso primeiro, eu não quero que a Luka pense que estou roubando as empregadas dela — o Duque avisou — Aliás, falando nela... avise que eu terminei de ler os documentos que ela mandou. Acredito que possam ser bastante úteis, se utilizados corretamente... mas vou levá-los até um tabelião para ter uma opinião profissional, e que mais tarde irei visitá-la para devolver os documentos

— Ah, certo... p-pode deixar — Neru forçou-se a ficar séria, lembrando-se subitamente do motivo de ter ido até a casa ele — Pode deixar, eu direi à ela. Então, acho que já vou indo... com sua licença, Vossa Excelência — ela fez uma longa reverência, dirigiu-se até a porta, parou e acenou para Len, despedindo-se dele e sorrindo, que acenou brevemente de volta para a garota. E com isso Neru saiu da mansão, deixando um Duque muito frustrado e angustiado consigo mesmo para trás.

Notas finais
FINALMENTE CONSEGUI POSTAR ESSE BENDITO DESSE CAPÍTULO!!!!!!!!!!!!!!!!!! Meu Senhor, há mais de uma semana esperando pra postar isso, fala sério... bom, nem vou me deter muito aqui, só queria dizer que não são apenas vocês leitoras que sofreram come ssa manutenção interminável, eu sofri horrores também @____@ Vou logo embora pra poder saber logo o que vocês acharam do capítulo... deixem reviews onegai~ Ja nee /o/