Love is Easy

3 Sobre fome, sorrisos e infância.


Notas iniciais
Olá, corações. Eu demorei? Parece q eu demorei, sinto muito. Então, não estava confiando mais na minha memória, então tentei dar uma releitura The Flash pra me situar. Primeiramente, me desculpem por um pequeno equívoco. Eu disse que o Will se lembra do Nico quando ele chegou, e a verdade é q Percy foi bem especifico sobre quem estava lá e o Will não estava. Podem ignorar isso, ou imaginar q ele chegou na noite anterior a partida da Bianca. Segundo, estava relendo, e tentando corrigir algum erro q eu deixei passar. Tava escrito Chalé 3, no cap passado. Não, o Nico não pensou em dormir com o Percy kkkkk erro técnico. E acho q é mais ou menos isso, perdoem minhas confusões e mancadas. Vocês tem sido demais *-* Um enorme beijo. Espero q curtam o cap.

— Estou morto. — resmungou Will sentado se espreguiçando na porta do chalé dourado soltando um gemido de cansaço.

— Não está não. Eu com certeza saberia. — sorriu Nico. Ele não se sentia particularmente estranho por estar parado ali de novo. Os campistas passavam e sorriam para ele. Não como no verão após Cronos "Oooh o garoto que apareceu com um exército morto-vivo e o pai divino! Valeu por salvar o meu traseiro cara!", eram só sorrisos amigáveis de "Oi". Nico estava gostando desse amigável.

— Pelas barbas de Hefésto — riu o filho de Apolo, inclinando-se para trás nos braços. — Isso foi uma piada, Di Ângelo? Foi uma piada!

— Rá, rá. — resmungou o garoto, mas se pegou rindo também. Ele tinha senso de humor! Sarcasmo pelo menos, tinha de sobra. Mas Will não tivera muita chance de conhecer isso. O que voltava para o fato de não conhecer o filho de Apolo e mesmo assim querer estar perto.

— Eu faria bem com um pouco de paz, sabe. — Will se deitou ali no chão mesmo de olhos fechados, por dois segundos, enquanto Nico o observava. Lindo, ele pensou, Will Solace é lindo. Não bonitinho como ele pensara certa vez, ou bonito como ele diria de Jason e Apolo. Will era lindo. — Pare de me encarar! — o menino abriu os olhos e riu um pouco de Nico corando. E era o fim, Nico pensou, tinha se transformado na irmã, corando por qualquer coisa, como se tivesse vindo de outro século. Bem, ele viera de longe, mas nem tanto.

— Não estou encarando você! — negou o menino. — Estou apenas esperando você levantar daí.

— Ok, ok. Estou de pé. — e com um pulo ele estava mesmo, tirando a poeira dos jeans cortados. — E eu estou morrendo de fome! Tenho a sensação que meu estomago está devorando alguma coisa aqui dentro já.

Nico fez uma careta estranha, provavelmente porque já tinha visto algo bem similar sobre órgãos que se viraram contra o dono e... Não era sua melhor memória.

— Aliás — continuou o garoto, talvez interpretando mal a expressão de Nico. — o senhor tem se alimentado de alguma coisa mais substancial que vento?

Nico corou novamente e Will revirou os olhos adivinhando a resposta.

— Eu estou bem...— garantiu o menino para ser interrompido logo em seguida.

— Essa expressão não cola comigo. — resmungou o loiro com uma careta. — Vem. Vamos encontrar alguma coisa para comer.

Meia hora depois, Nico e Will se encontravam sentados em bancos altos na cozinha da casa grande, com um punhado de harpias mexendo panelas e lavando pratos com lava. Os dois tinham conseguido sanduíches de carne com alguma coisa verde que Will fez questão de enfiar no sanduíche do filho de Hades. Ele reclamou, ameaçou jogar fora, mas acabou provando e nem era tão ruim. Will ainda tentava — de uma forma muito irritante — o persuadir a comer frutas. Os minutos sagrados que dormira sem sonhos e em paz haviam recuperado boa parte de sua energia e diminuído qualquer dor que ainda tivesse. O braço pinicava ainda, onde tinha as marcas de garra, mas Nico começava a suspeitar que talvez fosse psicológico.

— Em geral eu não tenho tanto apetite. — comentou Nico com seu sanduíche, lembrando-se do doce de Portugal. Parecia ter sido a uma eternidade, as viagens com Reyna e o treinador. — Deve ter sido sua poção.

— Você? — brincou Will com um grande sorriso. — Esse rapaz forte, esbanjando saúde.

— Eu não preciso de tanto alimento.

— Claro que precisa. — disse o filho de Apolo em um tom que admitia ser contrariado. — E dormir. E se exercitar... Nós já nos enfraquecendo facilmente por sermos semideuses, você não precisa dar uma ajudinha.

— Will, você fala sério quando diz que não posso mais viajar nas sombras? — Nico duvidava que fosse parar mesmo assim, mas ao mesmo tempo ...

— Sim, lamento. — respondeu o outro em um tom doce. — Se você tentar se transformar em sombra agora... Você pode ficar na sombra. Você pode sentir isso.

Ele sentia. Treinador Hedge provavelmente havia contado tudo sobre a gosma curativa, a quase morte e o estado não propriamente sólido de Nico.

— Eu quase... Não sei... O treinador me trouxe de volta.

— Ele disse. — Will confirmou suas suspeitas. — A medicina natural foi um ramo tão pouco explorado nos últimos mil anos, uma ótima saída para seres não inteiramente corpóreos e curandeiros particularmente desafinados. — o garoto suspirou e Nico riu.

— Vocês precisam ser afinados? — mágica curativa não era nem um pouco seu forte, filhos de Hades eram melhores em não-curar pessoas.

— Oh, sim. Se você desafina os deuses não são receptivos, eles gostam de ser exaltados em um som particularmente bom. — ele não parecia irritado com o fato, embora aquilo fosse algo injusto e estúpido típico dos deuses. Mas Will dificilmente parecia irritado com alguma coisa. Além de Nico, é claro.

— Curar as pessoas cansa, assim como viajar nas sombras? — parecia uma pergunta estúpida e pela cara de Will era mesmo.

— E convocar tempestades, provocar terremotos... Quanto mais energia você gasta, mais cansado você fica. — respondeu Will com simplicidade, revirando nos dedos o colar de contas do pescoço. Tinham 5 contas na tira de couro. Nico se pegou pensando no fio de couro com uma conta solitária do Empire State dentro de uma mochila, em algum lugar do mundo inferior.

— Quantos anos você tinha quando veio para o acampamento? — perguntou apontando para o colar.

— Quantos anos? — Will repetiu distraído, só então notando o hábito. — Ah, sim. Eu tinha nove anos. Desde então foram cinco verões aqui.

— Nove? — era bem novo, pros padrões normais de semideus. — Sua mãe...

— Esbanjando saúde. — sorriu o filho de Apolo, a menção da mãe ele parecia irradiar um pouco mais de luz.

— Ela é uma artista? — chutou Nico, porque francamente esse parecia o tipo de Apolo. Ou de todos os outros. Nico nunca tinha se aprofundado sobre a maneira que os deuses escolhiam seus amantes. Ou talvez nem tivesse um padrão, eles apenas olhassem do Olimpo e batessem os olhos em alguém agradável, ou sentissem alguma coisa com um toque desconhecido, e pronto, estavam no amor.

— Yeah. Ela canta. — respondeu Will ainda sorrindo. — Apolo a conheceu em um show. Quando eu era criança viajava com ela pra alguns shows, ou assistia em bares. Isso acabou chamando atenção de monstros. Você não tem ideia de como o mundo artístico é repleto deles. — comentou com os olhos arregalados. A infância não parecia um tema delicado como era para quase todos, e de novo, nada parecia muito complicado para Will Solace, com suas mãos bronzeadas, de dedos longos e firmes sobre a mesa. — Tem semideuses em todos os lugares, mas isso serve para os monstros também. E Apolo parece particularmente predisposto a arrumar confusão com esses das artes.

— Então ela te mandou para cá? — especulou o filho de Hades.

— Primeiro ela orou para o meu pai por uma ajuda. — corrigiu o garoto, as mãos voltando pro colar. — Ela mal sabia como me proteger, naquele ritmo teria que largar a carreira e nos esconder. Aí Apolo sugeriu o Acampamento. Ela me deu uma escolha, mas eu quis vir.

— Por causa da carreira dela? — adivinhou Nico, um tantinho admirado. As vezes se perguntava quem havia sido o egoísta entre ele e Bianca. Ela por tê-lo deixado ali, ou ele por não querer que ela tivesse outra vida?

— Um pouco. — concedeu Will, sorrindo, com os olhos nas mãos. Mas eu quis vir por mim. Eu queria ir à escola, mas eu era péssimo nela e não era o que queria aprender. Com 6 anos eu já tratava dos ralados do joelho dos meus amigos e enlouquecia minha mãe com jogos de dardos e mini arcos.

Nico riu livremente e Will riu junto, com um olhar estranhamente brilhante, encarando o moreno.

— O que você está olhando, Solace? — perguntou Nico encabulado.

— Você devia sorrir assim com mais frequência. — como pra enfatizar o poder de um sorriso bonito, Will sorriu mais ainda. — Venha, Di Ângelo. Temos trabalho a fazer e você me deve uma história. — e com isso o médico pulou do banquinho e foi saindo.

— Uma história? — Nico limpou a boca desajeitadamente e saiu atrás do outro.

— Te contei a história da minha infância. Sua vez agora.

Nico não sabia exatamente o que pensar disso. Era justo. Mas falar sobre seu passado...

— Eu não devia estar em repouso? — provocou.

— Ah. — Will voltou-se para trás sorrindo, os cabelos bagunçados caindo em seus olhos e Nico começou a apreciar o gesto. — Eu considero trabalhos sem risco de morte bem repousantes.

— Sem risco de morte? — Nico sorriu, porque ele não podia evitar sorrir.

— Sem risco de morte.

Notas finais
Estou em um hospital pelo meu avô, então não sei quando sai o próximo :/ Comentem e me digam o que estão achando :)