Love is Easy

4 Sobre trabalho, percepções e tendas mágicas.


Notas iniciais
Vamos tagarelar, porque eu adoro tagarelar. Detesto! o nyah pelo celular. Sinto muito por não ter respondido os comentários, e os que eu respondi saíram cortados :/ Mas eu estou sem pc e só com a net da operadora. Capítulo dedicado a Princess linda, que recomendou a história *-* Muuuuito obrigada, pessoa maravilhosa! Eu fiquei nas nuvens ♥

— Não sei exatamente onde eu nasci. — contou Nico, enquanto ajudava a desmontar o ambulatório. Esse era o trabalho sem risco fatal afinal. Will checara alguns papeis e pacientes, enquanto Nico falava. Tinha falado mais do que previsto. A verdade é que o banho no rio Lete não levara todas as suas memórias permanentemente, elas estavam em algum lugar perdido. Quando estava no Acampamento conheceu Clóvis, um filho de Hipnos. O garoto lhe dera esperanças de poder recuperar mais memórias e de fato, Nico conseguira recuperar muito. — Minha mãe era de Veneza, e eu falava italiano quando criança, mas ela viveu um tempo com os pais em Washington D.C e estávamos aqui quando... Bem, quando tudo aconteceu.

— Você nunca perguntou para seu pai? — quis saber Will, logo em seguida dando ordem para alguns filhos de Hécate que tentava desmontar a tenda com magia. — Lou. Essa é uma tenda mágica. Ela não precisa de mais mágica para funcionar.

— Bem... Nunca pensei em perguntar. — admitiu Nico. Ele tinha se sentido tão extasiado com aquela chuva de memórias e sensações que tinha se esquecido de pensar em alguns detalhes... Como local de nascimento. — Ninguém mais precisa do ambulatório?

— Hospitais de emergência para semideuses duram pouco tempo. — explicou Will, apontando para a ponta de uma maca, enquanto levantava a outra. Nico levantou a outra ponta e Will dobrou-a até que não passava de uma tábua fina. E uma tábua fina era quase só o que havia entre eles. — Cuidar de semideuses é gratificante. — disse o garoto, sua respiração chegava até o filho de Hades. — Nós nos curamos rápido.

Nico respondeu algo inteligente como "Ah-hum" e Will sorriu indo procurar outro trabalho.

— Will! — gritou uma menina ruiva de cabelos cumpridos, devia ter uns 10 anos. Nico sabia por cima que seu nome era Kayla. — Nós transferimos os PRP para a enfermaria da casa grande.

— Ótimo agora...

— Os o que? — perguntou Nico.

— Pacientes com potencial de risco. — responderam os dois em sincronia como se fosse uma coisa óbvia demais.

— Chame Austin e leve os relatórios até Quiron, quero todos os pacientes que estão nos chalés na supervisão. — coordenou Will. Ele parecia diferente com essa expressão, Nico achava, uma mistura de médico cirurgião, chefe, irmão mais velho e garoto de 14 anos. Observou a garota tomar nota e assentir.

— E os da enfermaria? — perguntou Kayla, meio ansiosa.

— Eu estou de plantão. — sorriu o filho de Apolo, tranquilo e parecia que um peso havia sido tirado dos ombros da menina enquanto ela se afastava.

— Você estar de plantão significa...?

— Que qualquer coisa que acontecer com os pacientes, eles podem me chamar. — explicou Will apontando pra mais algumas macas. — Sou o médico chefe do acampamento no momento.

— Eles iam te chamar de qualquer forma, não iam? — adivinhou Nico. O garoto tentou visualizar como era ter tantos irmãos pra cuidar — porque ele podia ver a forma como Will estava cuidando e assumindo responsabilidade, e ao mesmo tempo que dava uma ordem, elogiava quando faziam algo certo, encorajava outros e dava bronca. Mesmo naqueles que não eram filhos de Apolo — e se orientar em torno de você.

— Iam. — riu ele.

— Eles devem adorar você.

— Eles gostam de mim. — corrigiu Will. — Ou pelo menos eu espero que gostem. Sei lá, essa coisa de conselheiro chefe surgiu muito de repente. Às vezes eu não faço ideia do que eu estou fazendo.

— Mas continua fazendo. — emendou Nico, com um torcer de lábios, parecido com um sorriso. — Às vezes você erra, mas você continua tentando acertar.

Will sorriu aquele sorriso brilhante que só ele tinha. E então uma memória repentina surgiu. Will distribuindo flechas com seu arco, na guerra contra Cronos, enfrentando as linhas inimigas tentando alcançar semideuses feridos. A espada de Nico era um furacão negro transformando quantos monstros tivesse, em pó. E naquele momento, Nico se sentiu desnorteado com a beleza daquilo tudo. Tinha beleza no caos. O filho de Apolo com seu cabelo loiro desgrenhado, sua aljava, uma bolsa de suprimentos, a mão firme e gentil e uma palavra de incentivo. Isso é como um anjo deveria se parecer, Nico tinha pensado, gentil e destruidor.

— Você é um guerreiro, Will. — Nico disse, porque tinha vontade de dizer. Não queria que Will pensasse menos de si mesmo. — Do tipo que importa.

E então ali estava algo que Nico não soube identificar no olhar de Will. Ele não estava sorrindo, e o azul dos seus olhos parecia o céu da tarde. O garoto umedeceu os lábios e naquele momento Nico não tinha nenhum outro lugar pro olhar.

— E você... — o que quer que ele fosse dizer, foi interrompido pelo som da lona do ambulatório desmoronando.

Nico se viu jogado no chão, coberto pelo plástico amarelo, com Will rindo, jogado ao seu lado. Ele deve ter xingado um pouco, mas logo estava rindo também.

— Will! — gritou Lou Ellen desesperada, todos puxando a lona e liberando quem estava por baixo. — Eu sinto muito. Vocês estão bem? — perguntou, estendendo a mão para Will.

Nico viu a mão de um filho de Apolo estendida em sua direção, e com apenas um segundo de hesitação, aceitou e se ergueu.

— Estamos ótimos. — Will ainda estava rindo, e seu riso parecia relaxar todo mundo. — Mas agora vocês vão ter que arrumar essa bagunça.

Assim todo mundo voltou a se mobilizar. Em alguns minutos não havia mais vestígios de um hospital.

— E agora? — perguntou o filho de Hades, enquanto Will passava uma garrafa d'água. Os dois estavam deitados na grama, um pouco cansados e Nico não se sentia tão bem havia muito tempo.

— De volta à normalidade, eu suponho. — respondeu Will, de olhos fechados.

— Fugindo de deuses, matando monstros e correndo de um lado pro outro do mundo? — perguntou Nico, não inteiramente brincando. O que diabos ele ia fazer da vida agora?

— Você é um cara esquisito, Nicolas Di Ângelo. — Nico pode sentir o seu nome na boca do outro como um toque. Um toque de Will.

Virou-se para o loiro ao seu lado, praticamente absorvendo a luz do sol, e se deu conta do óbvio. Estava gostando de Will. Gostando do rosto bronzeado de nariz reto, do cabelo loiro bagunçado, dos cílios castanhos impossivelmente longos e os olhos azuis. Reconheceu o sentimento e uma parte de si quis se bater. Se trancar em uma sala de combate e lutar contra um exército zumbi, esmurrar paredes e gritar. Quis bater o pé como uma criança de dois anos.

Então Will abriu os olhos e virou-se para ele. Nico conseguiu enxergar anéis dourados nos olhos do filho de Apolo, e então desistiu e se deixou cair. Ele podia – muito provavelmente iria – se machucar... Ou não. Ele escolheu tentar.

— Já me disseram isso algumas vezes... — Nico sorriu, tinha sorrido mais em um dia, do que em semanas.

— Sabe — começou Will levantando-se, tirando a grama das roupas. — eu não sei o que vai ser agora. Mas como curandeiro e conselheiro chefe eu tenho um conselho muito bom.

— Ah é? Compartilhe seu sábio conhecimento comigo então. — Nico aceitou a mão estendida em sua direção, e se estapeou mentalmente por estar procurando desculpas para ter contato. Soltou a mão logo que estava em pé. Com calma, Di Ângelo...

— Um passo de cada vez. — sorriu o menino. — Comece com as coisas simples... Eu por exemplo — e com isso deu alongada e um bocejo. — tenho que organizar aquele pessoalzinho ali pro jantar.

— Eu preciso redecorar meu quarto. Preciso convencer Quiron a nos deixar sair em busca de Léo, e também...

— Um passo de cada vez, herói. — sorriu Will. — No momento, você precisa é de um banho. — deu um empurrão em Nico com os ombros e recebeu uma careta em troca.

Um passo de cada vez, um passo de cada vez... Nico podia aplicar isso em muitas coisas de sua vida.

— Vejo você mais tarde. — se despediu Will, caminhando de costas, acenando. Nico assentiu com a cabeça.

Decidiu que um banho não faria nada mal, pegou um par de roupas que tinha pego na loja, perguntando-se mentalmente quando o pai ia ser bonzinho e enviar sua mochila. Se bem que provavelmente Nico devia ir as compras um dia desses, ele estava crescendo e suas roupas ficando menores. Mais uma coisa na lista sem fim de coisas que ele devia fazer...

Acabou que ele não chegou a conversar mais com Will aquele dia. Quiron frustrara os planos de Jason com uma balançar de cabeça, então os dois jantaram sozinhos em suas mesas. Nico encheu o prato, mas acabou deixando boa parte no fogo como oferenda, não só para Hades, ofereceu a Zeus, Hefesto e até Hera. Pediu por Léo, por um sinal. Ofereceu ainda um cacho de uvas para Héstia, porque gostava da deusa. Viu Will a distância, num tumulto alegre que era a mesa de Apolo e o garoto acenou. Após o jantar, observou o curandeiro ir checar seus pacientes. Quando Nico chegou no Chalé, disposto a fazer alguma coisa, se surpreendeu com o quão cansado estava. Desabou em sua cama e orou por um sono sem sonhos. Orou para o que quer que o dia de amanhã tinha preparado para ele também.

Notas finais
Obrigada a todos que desejaram melhoras pro meu avô. Ele não melhorou, vai fazer uma cirurgia hj, as três :/ Aproveitei q eu vim um pouco pra casa e postei o cap. Beijão, pessoas lindas. Comentem sobre o que querem da fic!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.