Notas iniciais
Olá, sejam bem-vindos a mais um capítulo, boa leitura;

— Sky, me espera. — Selene dizia, tentando me acompanhar.

— Vamos Selene, não seja tão lerda. — falei, indo na frente quase correndo

Ao ver um tronco caído mais a frente, me aproximei devagar e me agachei, logo Selene fez o mesmo e ficamos observando para vê se aparecia algum animal.

Único som que dava para ouvir era o dos pássaros, estávamos em silêncio total apenas observando cada detalhe e atentas.

— Bu – gritou lucas quando pulou de uma árvore atrás de nós e nos assustou.

— Seu idiota. — Selene partia para cima dele dando leves tapas em seu braço.

Levantei devagar e virei para eles.

— Lucas, depois dessa eu poderia partir sua cara ao meio. — falei

Ele apenas dava gargalhadas, enquanto Selene continuava a bater nele e resmungava algumas coisas. Quando ela parou, sentou-se no tronco e pegou sua garrafinha de água.

— Que feio, tentando matar animais inocentes.

— É a lei da vida, Lucas. — dei um sorriso sínico e sentei-me ao lado de Selene.

— Vamos para casa, está na hora do almoço, eu só vim chamar vocês. — ele falou sorrindo, estendeu suas mãos; uma para mim e outra para Selene. Peguei em sua mão e ele me puxou me fazendo levantar, o mesmo fez com Selene.

15 anos se passaram desde que cheguei aqui, agora tenho 21 anos e estou feliz por estar aqui, apesar de todo o trabalho duro, a vida no vilarejo é boa e eu gosto das pessoas.

O caminho inteiro fomos brincando e rindo, chegamos ao vilarejo e já podia sentir o cheiro da comida. Andei até o lado de minha casa, que ficava quase na saída, entre minha casa e saída estava ela... Shapira.

— Hey garota, como você está? — falei sorrindo e passando a mão pelo seu pescoço.

Shapira é o nome que dei para meu dragão, ela é fêmea, escolhi o nome me baseando na história de Shapira, apesar de a minha não ter escamas azuis e soltar fogo tanto pelo nariz quanto pela boca. Tenho uma ligação forte com Saphira e as vezes ela conversa comigo telepaticamente.

Ela balançava a cabeça como se fosse um cachorro, querendo dizer que estava tudo bem e eu sorri com isso.

— Tá com fome né? Separei alguns vegetais para você.

— Ei, Sky – Menson falou um pouco alto e vinha correndo em minha direção.

— Oi, Menson – sorri para ele.

— Como está essa garota em? — disse olhando para Saphira.

— Ela está bem – respondi enquanto a alisava.

— Vamos fazer um treino na floresta mais tarde?

— Você não acha que está muito velho para isso? — soltei uma risada leve.

— Qual o problema? Só por que tenho 30 anos? Para né, ainda tenho disposição como um jovem. — deu um sorriso de ponta a ponta.

Tenho que assumir, apesar de ter 30 anos Menson ainda era como se fosse um jovem, rosto angelical, olhos claros e corpo modelado, poderiam dar 24 anos para ele.

— Tudo bem, me espere no lugar de sempre.

— Estarei a espera. — disse isso e saiu.

Peguei a comida de Saphira que ficava numa pequena casinha ao lado onde eu só colocava as coisas dela, voltei com verduras e a alimentei, depois fiz um carinho nela e fui para a casa.

— Mãe? — a chamei.

— Estou aqui filha.

Segui o som de sua voz e a encontrei na mesa, almoçando.

— Nem me esperou. — disse indo a cozinha.

— Desculpa filha, estava com muita fome. — riu.

Coloquei comida em meu prato e fui comer na mesa junto com ela, almoçamos em paz e conversamos sobre algumas coisas insignificantes, depois do almoço fui tomar um banho. Descansei um pouco e fui ao encontro de Menson. Nos cumprimentamos e andamos até uma parte da floresta onde treinávamos.

— Pegue. — me deu uma espada

— Pronta? — perguntou e deu alguns passos para trás.

— Sempre. — sorri.

Ficamos um bom tempo naquela brincadeira de espadas se chocando e fazendo aquele barulho fino, no final Menson acabava sempre caído no chão e começávamos tudo de novo, talvez ele estivesse mesmo muito velho para aquilo.

Em uma pequena distração sua acabei conseguindo arremessar sua espada para longe e a minha parou em seu pescoço.

— Nossa. — ele falou olhando para a espada.

Dei um sorriso vitoriosa e quando fui pegar sua espada senti uma dor muito forte e caí no chão.

— Ai. — gemi por conta da dor.

— Ei, o que tá acontecendo? Você está bem? — veio depressa para o meu lado, pegou meu braço e pôs em volta de seu pescoço e me levantou.

A dor foi passando aos poucos e a única imagem que me passou pela a cabeça, foi de Saphira.

— Saphira está em perigo. — soltei a espada ali mesmo e saí correndo em direção ao vilarejo.

— Espera Sky – Menson gritava atrás de mim mas não dei ouvidos, Saphira estava em perigo e eu precisava salvá-la.

Ao chegar no meio do vilarejo vi alguns homens estranhos e atrás Saphira estava amarrada e deitada no chão, com os olhos quase fechando, meu coração apertou e a raiva subiu.

— SAPHIRA. — gritei e corri em sua direção, mas Lucas me pegou pela cintura e me arrastou até um canto.

— NÃO SKY, NÃO – ele gritava para que eu me controlasse. As lágrimas começaram a descer e ele me abraçou forte.

— Fica calma, ela não morreu, eles só sedaram ela, você precisa se acalmar e não demonstrar nada, não demonstre nada Sky, não chame atenção, fique quietinha. — ele fala baixo em meu ouvido.

Depois de cinto minutos consegue controlar o choro e saímos dali, as pessoas fizeram uma roda em volta daqueles homem que conversava com o nosso chefe, minha mãe estava no canto e assim que me viu me abraçou.

— Fique calma minha filha, vai ficar tudo bem, tá?

Olhei aquele homem e logo ele veio junto com o chefe e ficou no meio de todas.

— A última vadia que nos ofereceu não prestou para nada, já é a quinta vez que você me engana, eu vou destruir esse vilarejo inteiro. — ele falava alto para todos ouvirem.

— Não, espera. — uma garota saiu do meio de todos, dando alguns passos à frente.

Ele a olhou e o nosso chefe também.

— Podemos oferecer a nossa melhor mulher do vilarejo.

Ele fez uma cara como se tivesse se interessado pelo que ela tinha a dizer.

— Prossiga senhorita.

— Se entregarmos nossa melhor, você deixaria nosso vilarejo em paz?

Ele soltou uma risada pelo nariz.

— Ela teria que valer muito a pena para isso.

Olhei para minha mãe e ela me olhava como se tivesse arrependida de algo.

— Mãe, que história é essa? o que esta acontecendo? Por que nunca me contou nada antes?

— Filha, a gente conversa depois e eu te explico tudo, ok?

— Tudo bem. — aceitei e voltei a olhar aquele homem que conversava com a garota.

— Ela vale, meu senhor, ela é bonita, sangue puro, cozinha bem, caça, luta, é uma boa guerreira e é um exemplo para o nosso vilarejo.

Ele fez uma cara de tipo “uou, gostei disso” e se aproximou dela.

— Diga-me, senhorita, o nome dessa garota.

Ela o olhou nos olhos, sorriu e falou:

— Sky.

Minha mãe entrara em desespero naquele momento, a expressão de Lucas era terrível e Selene quase chorava me olhando do outro lado.

— Sky? — aquele homem me chamou.

Dei alguns passos para a frente, eu não sabia o que estava acontecendo mas sabia que não seria um destino bom para mim.

— Sim? — respondi.

Ele me olhou e deu um sorriso de ponta a ponta, se aproximou, me analisou e disse:

— Você realmente é bonita, acho que o príncipe vai gostar de você.

— Se eu for, promete deixar meu povo em paz? — perguntei.

— Claro querida...

— Só me deixe me despedir.

— Você tem três minutos.

Ele falou e saiu em direção aos outros homens os dando ordem, minha mãe veio em minha direção já chorando, Lucas, Menson e Selene vieram em silêncio.

— Filha, me desculpe, eu não a protegi. — ela falava entre soluços. A abracei forte, bem forte, fechei meus olhos por uns instantes para deliciar aquele momento de abraçar minha mãe mas depois fui obrigada a voltar a realidade.

— Vai ficar tudo bem, mãe. — sorri para ela

— Não vai meu amor, você não os conhece, eu não te contei porque queria te proteger, mas sinto que agora sou obrigada... — ela abaixou a cabeça e eu a olhei curiosa, ela deu um suspiro e voltou a me olhar. — A cada seis meses, esses caras vem aqui e pegam algumas mulheres do nosso vilarejo, lá elas são obrigadas a trabalhar para o rei no que ele mandar, e as mais bonitas são dadas para o príncipe para ele usá-las como bem quiser. Tudo isso era secreto, eles só viam a noite e o chefe mandava buscar as garotas, eu sempre pedi para que ele protegesse você e assim ele fez, mas acho que eu falhei.

— Não mãe, você não falhou, tá? Você me deu tudo, você é a mãe que eu sempre quis. — dei mais um abraço nela – Agora, eles os deixarão em paz.

— É aí que você se engana, Sky. — Menson falou e eu o olhei.

— Nenhuma de nossas mulheres volta para casa, quando o rei e o príncipe se cansam delas, eles mandam matá-las e buscar novas.

— Entendi, estão com medo de que eu morra? — todos assentiram.

— Vocês são uma família para mim e eu prometo me cuidar.

Dei um abraço em todos e quando abracei Lucas, ele sussurrou em meu ouvido:

— Fique viva, faça o seu melhor, você foi treinada para isso.

Me afastei e sorri.

— Toma – Selene esticou a mão com sua pulseira que ela retirara sem eu ver. — É para você lembrar de mim – sorriu.

Eu sorri, peguei a pulseira e abracei. Ela me ajudou a colocar e logo eu acenei para todos e andei em direção aquele homem.

— Estou pronta. — falei com a voz firme o olhando, ele virou-se para mim e sorriu.

— Vamos indo, querida.

— Espera, e a Saphira?

— Irá conosco, soube que você e ela são muito chegadas.

Eu sabia que tudo aquilo não passava de um teatro, que logo essa de me tratar bem acabaria quando eu pisasse no reino deles. Amarraram minhas mãos e me colocaram em um cavalo, em que era puxado por um deles e assim foi o caminho inteiro. Não dei uma palavra se quer.

o que será que me espera? o que será de mim agora? Será que consigo sobreviver ou fugir? Quão ruim o rei e o príncipe podem ser? Só sei, que eu não vou virar objeto sexual daquele príncipe nojento. Minha família, minha casa, meu povo, um dia eu voltei para vocês. E aquela garota? Por que ela me entregou quando todos queriam me proteger? Eu não sabia que tinha uma pessoa que não gosta de mim, mas tudo bem, vou fazer o possível para protegê-los e não morrer.

Eu, olhei para o lado e vi Saphira, amarrada, dormindo e sendo carregada dentro de uma jaula enorme que parecia ser feita para ela.

— Não é comum dragões por aqui. — disse um homem que andava em seu cavalo ao meu lado. O olhei e percebi que ele não olhava para mim, somente para frente. — Você teve uma sorte grande mocinha, dragões como ela não existem por aqui, somente para o outro lado do mundo, na verdade, não temos dragões aqui, só para o Sul.

— E por quê está me dizendo isso? — perguntei.

— Porque você é uma garota de sorte, por enquanto. — deu um sorriso maléfico.

Abaixei a cabeça por alguns minutos, até ouvir:

— Chegamos, ali está o castelo. — um homem que estava mais a frente, gritara para todos ouvirem.

Minha vida acabou.

Notas finais
E aí, o que acham que vai acontecer com a Sky? comentem e digam o que estão achando da fanfic.