Love and Revenge
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Levantei a cabeça e olhei em direção ao castelo.
Era enorme, os muros eram brancos mas os topos tinham uma coloração azul, as cores eram um pouco sem vida, como se tivessem anos que já tivera sido pintada daquela cor. Ao lado havia um enorme lago de águas escuras, quase não havia plantações próximas ao castelo somente um pouco mais distante. Que era o caminho da floresta de onde estávamos saindo. Eu não sou idiota, atrás desse castelo deve ficar as pessoas que eles prendem, soldados treinando e animais estranhos presos, eu espero que não machuquem a Saphira.
Enquanto passávamos pelas pessoas, todos me olhavam estranho, tentei ao máximo ignorar aquilo, o caminho foi um pouco longo até o castelo mas assim que chegamos me tiraram do cavalo.
— Sky, seja uma boa garota. — disse apertando mais ainda as cordas que prendiam minhas mãos.
Apenas o encarei com um olhar frio e ele pareceu se divertir com isso, fui sendo puxada como um cachorro para dentro do castelo. Paramos no jardim e eu não entendi nada, alguns homens saíram e voltaram três minutos depois com outras mulheres que estavam assim como eu.
— Que carinhas tristes, se animem, vamos conhecer o rei. — soltou um riso debochado.
Ele passou por todas nós, parou na frente de uma das mulheres, ela era loira dos olhos claros, tinha um corpo bonito e era um pouco alta. Ele a analisou de cima a baixo.
— Você é muito bonita, que desperdício... — acariciou com as pontas de seus dedos o rosto dela e ela virou o rosto evitando seus toques.
Ele sorriu e olhou para todas nós.
— OK, vamos ao encontro do rei.
Ele foi andando na frente enquanto os seus súditos nos puxavam. Tivemos que subir uma escadaria e depois andamos até uma grande porta feito de madeira escura. Não era qualquer madeira, era uma madeira resistente. Ele empurrou a porta e entramos, o rei estava ali, sentado na sua poltrona de ouro, com sua coroa na cabeça e ao seu lado havia uma linda mulher, provavelmente a rainha. Ela tinha os cabelos pretos mas seus olhos eram claros, claros como mel de abelha. Parecia ser jovem. Já o rei era um pouco loiro dos olhos escuros, um pouco gordo, com certeza ele só sabia encher a pança e não se importar com mais nada além de mandar nos outros. Colocaram as mulheres lado a lado e o chefe daqueles homens junto com eles, fizeram reverência.
— Vossa majestade, trago-lhes as mulheres que me pedira.
O rei levantou e analisou cada uma de nós.
— Diga-me, Roudoulf, a qualidade delas.
Ele foi de uma em uma falando cada qualidade e no final o rei diria qual seria a função dela no castelo.
— Essa senhor, é especial, nomearam ela como exemplo de mulher em seu vilarejo. Seu nome é Sky.
— Prossiga. — o rei pediu.
— Eles disseram que ela sabe caçar, lutar, fazer atividades domésticas e de sangue puro.
Eu gostaria de saber o que eles queriam dizer com sangue puro. O rei aproximou-se de mim e me analisou.
— Diga-me, querida, o que sabe sobre luta e caça?
Eu havia ficado em silêncio o tempo todo, me sentindo mal todo o tempo e pior, me sentindo um objeto, mas eu já sabia que aquilo aconteceria.
— Eu sei lutar com espadas e sei usar arcos, consigo fazer iscas e caçar qualquer tipo de animal.
— Como aprendeu todas essas coisas? — olhava curioso.
— Um amigo me ensinou.
— Você é muito bonita. — foi a última coisa que falou antes de voltar a sua poltrona.
— Roudoulf, coloque-a para fazer todas as atividades domésticas. Leve-a para o lugar onde dormirá e as roupas que terá que usar.
— Sim, senhor.
Roudoulf me puxou e me levou até o fundo do castelo, soltou minhas mãos e me colocou em um quarto que parecia mais uma prisão. Havia um colchão sujo, uma pequena janela com barras de ferro, um pequeno armário velho e um banheiro imundo.
— É aqui onde ficará. No armário estão suas roupas, essa noite venho buscar você para te levar a cozinha, você, junto com outras, fará o jantar.
Dito isso, ele saiu. Eu olhei em volta daquele lugar, aquilo estava horrível, eu precisava ao menos arrumar aquele quarto, foi o que fiz. Havia uns materiais de limpeza num armário ao lado do banheiro. Limpei o banheiro e o quarto, arrumei as roupas corretamente e depois guardei todos os materiais. As roupas de empregada eram terríveis, não no sentido de feias e sim no sentido de serem sexy. Era um vestido preto, de manga longa com babados brancos, um laço entre os peitos, vinha acompanhado de uma meia calça com furinhos e um mini avental amarrado na cintura.
Meu Deus, devo ter jogado pedra na cruz, só pode.
Deitei por uns instantes para descansar, fiquei olhando a pulseira que Selene me dera.
Eu vou sentir muito a falta de vocês.
Dei um pequeno cochilo e quando acordei já era noite. Levantei, tomei banho de balde, me enxuguei numa toalha que estava um pouco suja e coloquei aquela roupa ou mini roupa, sei lá. Até que quando coloquei não ficou tão curto assim, prendi meu cabelo para trás e coloquei um salto baixo dourado.
Ouvi o barulho dos passos de alguém se aproximando e logo a porta do meu quarto foi aberta.
— Olha só, você é uma boa garota, achei que ia precisar de dar uns tapas para você se arrumar.
— Eu sei minhas tarefas. — falei passando por ele e pude sentir meu corpo sendo observado.
Ele me conduziu até a cozinha onde estava as outras mulheres, as mais novas estavam assim como eu, vestindo essa roupa horrorosa, as mais velhas estavam com vestidos longos sem a intenção de mostrar nada.
Legal, quando eu não tiver mais utilidade para o rei eu vou ter que vestir uma roupa dessas.
Eu não sabia o que fazer, a cozinha era enorme e eu não conhecia ninguém, fiquei andando lentamente observando todas cozinharem, até que vi uma senhora que estava ficando maluca com tanta panela para cuidar, me aproximei dela.
— Eu posso te ajudar. — sorri
Ela apenas sorriu para mim e não disse nada.
— O que a senhora está preparando? — perguntei.
Ela pegou um cardápio ao lado e me mostrou.
— Você é muda?
Ela fez sinal de positivo.
— Tudo bem, me ensine a fazer essa receita.
Ela me dava os ingredientes e eu ia fazendo conforme o que dizia no papel. Após o término ela me indicou que eu deveria passar o que estava pronto para outra cozinheira, para dar o toque final.
— Posso ajudar vocês? — uma voz falou atrás de mim.
Virei e era aquela loira da entrada.
— Claro.
Ela sorriu, pegou algumas panelas e começou a fazer o que sabia. Ficamos conversando e ela me contou o quanto estava odiando estar ali, que ela se sentia assim como eu, um objeto.
— Espero ter que não ser objeto do príncipe. — ela falou.
— Tá brincando? O príncipe é um gato. — disse uma garota que estava ao lado, ela ouvira nossa conversa e se aproximou um pouco mais de nós.
— O que você tá falando? Ele nos usa como objeto sexual. — a loira falou.
— Mas vale a pena ser objeto sexual daquele garoto, ele é um Deus grego. — deu um suspiro.
— Você é louca. — comentei e dei uma leve risada.
Terminamos o jantar e quinze minutos depois, Roudoulf apareceu e selecionou as garotas que serviriam a realeza. E como se não fosse o suficiente, eu era uma das escolhidas.
— Boa sorte, Sky. — a loira falou.
— Sorte é uma coisa que eu não tenho desde que pisei aqui. Mas, afinal, qual o seu nome?
— Candice.
— Bonito nome, Candice. Te vejo outra hora.
Despedi-me dela e daquela doce senhora. Fui até onde estava as outras duas garotas que estavam servindo e uma delas me disse:
— Pegue essa bandeja com bebidas, essa é a bebida do rei, da rainha, do príncipe e da princesa. — falou apontando cada uma e me dizendo para quem era, no final sorriu simpaticamente e saiu. Peguei a bandeja e respirei fundo.
Vamos lá, tenho que sobreviver nesse lugar.
Andei até a grande sala de jantar, onde estavam sentados todos da família. Coloquei certo as bebidas perto de cada um. Quando eu ia saindo pude ouvir ser chamada.
— Querida. — a princesa levantou a mão e me aproximei.
— Qual seu nome? — perguntou.
— Sky. — respondi rapidamente.
— Sky, pode me trazer o sal que não está aqui?
— Sim. Alteza. — sorri forçado e ela retribuiu.
Voltei a cozinha e peguei o sal, voltei para a sala e a entreguei.
No final do jantar que eles encheram a pança, ajudei as meninas a recolherem os pratos e levar para a cozinha. Cinco meninas dividiram o trabalho e eu resolvi ajudá-las guardando tudo em seu devido lugar. Era muita coisa para lavar, não só pratos e copos mas todas as panelas e quaisquer coisas que utilizamos para fazer a comida.
Quando o trabalho foi finalizado cada uma foi para o seu quarto, eu não estava com a mínima fome, cheguei no quarto e tirei aquela roupa. Decidi tomar um banho, coloquei a camisola longa e cinza. Deitei para dormir, mas fui interrompida.
— Sky, levante. Você tem um trabalho extra.
— Não chega por hoje?
— Cale sua boca e coloque suas botas agora.
Levantei e coloquei as botas, onde dentro, eu tinha deixado uma pequena fita para amarrar na perna, nela tinha pendurada uma pequena faca. A bota era de cano alto então coloquei a fita feito de tecido escuro em volta da perna e amarrei, sem que ele percebesse.
— Vamos, ande logo com isso.
— Já estou pronta.
Eu saí do quarto e ele me acompanhou.
— Que tarefa é essa que eu não posso nem trocar de roupa?
— Roupa não vai ser seu problema, agora pare de fazer perguntas.
Revirei os olhos e continuei o seguindo, subimos as escadas e andamo por corredores estranhos e longos. Algumas partes ficavam mais escuras e eu poderia jurar que ele tentaria abusar do meu corpo, mas eu estava com a faca para me defender caso acontecesse algo. Paramos em frente uma porta, ele abriu e me empurrou para dentro.
— Espere aqui, não saia e não grite, tá entendendo? Fique quieta.
Ele fechou a porta antes mesmo que eu chegasse perto e trancou. Eu tentei abrir e bati algumas vezes na porta, mas não adiantava. Olhei em volta e aquele quarto era grande, mas não tanto. Havia uma cama de casal, mas tinha um véu e quando passava esse véu, tinha uma cama de solteiro, um banheiro grande e limpa. Tudo ali estava limpo e bonito, os móveis só faltavam brilhar de tão limpos que estavam.
Ouvi o barulho da porta e me virei rapidamente para vê quem seria. A porta finalmente abriu.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei.
— Esse é meu quarto. — ele respondeu.
Ai meu Deus, isso não pode tá acontecendo, eu não vou transar com o príncipe.
Fale com o autor